domingo, 16 de dezembro de 2012

Advento - III Semana




Reunimo-nos neste terceiro domingo do Advento, manifestando a esperança cristã, de quem acredita que Jesus está perto. Queremos testemunhar a alegria de sermos filhos muito amados de Deus.
Ao acendermos a terceira vela na nossa coroa, reafirmámos o desejo de sermos sinais de Alegria e de Luz, deixando-nos também guiar, pela estrela que nos anuncia a vinda de Jesus



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Advento


De novo o Natal!

O começo do Ano Litúrgico, no Advento, convida-nos a aprofundar o sentido da liturgia. Em primeira aproximação, é de considerar como a liturgia se ajusta, no seu próprio ciclo anual, à nossa experiência dos ritmos da natureza, na sucessão circular das estações, das variações atmosféricas e do próprio aspecto da paisagem.

Mas não se trata de um movimento de constante retorno, como nos faria pensar o livro de Qohélet (ou Eclesiastes), no seu prólogo. Pelo contrário, a liturgia, ao celebrar Jesus Cristo como centro da história, aponta claramente para a diferenciação das grandes épocas no percurso da aventura humana. Na liturgia, celebra-se um passado que, pela própria celebração se torna presente e, assim, produz sentido para o futuro de cada um e do colectivo. No presente, o Espírito Santo ilumina-nos na interpretação do passado e na abertura ao futuro.

Além disso, a repetição anual das cerimónias não é simples regresso ao “de sempre”. Predispõem-nos a aprofundar, cada vez mais, o Mistério ou Sacramento. São os gestos e as palavras que o tornam actual, ou seja, que o tornam eficaz para a situação e estado de alma de cada um dos participantes. Eficaz, sim, mas sempre algo envolto no desconhecido, porque, sendo Jesus Cristo o verdadeiro “autor” e “actor” da liturgia, a sua acção ultrapassa sempre, infinitamente, a nossa capacidade de compreensão. Portanto, só uma visão muito exterior e superficial nos poderia levar a dizer: “Lá estamos nós outra vez no Natal, é sempre a mesma coisa!”.


A quadra do Natal traz-nos, em primeiro lugar, o Advento, que devemos viver com idêntica expectativa à do povo hebreu a aguardar a vinda do Messias. É tempo de Esperança, que não é a espera passiva de quem aguarda o autocarro. A Esperança cristã só pode alicerçar-se na Fé verdadeira, a qual, se o é, há-de reflectir-se na prática da Caridade. Esta situa-se no coração da mensagem que o Menino nos veio ensinar por meio da pregação, mas sobretudo através da sua vida. 

Um Santo Advento / Natal.                                                                      

P. Manuel Vaz Pato, sj
(Do boletim Paroquial - Mar da Galileia)


Advento - II Semana

Preparemos o caminho para acolher Jesus, façamos do nosso coração um albergue de hospitalidade, um presépio….
 Acendemos a segunda luz, comprometendo-nos o compromisso a anunciar, a esperança que a vinda de Jesus traz à vida das pessoas que se deixam iluminar pela Sua presença.



sábado, 8 de dezembro de 2012

Solenidade da Imaculada Conceição



Da sagacidade de Mestre Gil Vicente (1465-1540),

«Alta Senhora, saberás
Que da tua santa humildade
Te deu tanta dignidade,
Que um filho conceberás
Da divina Eternidade.
Seu nome será chamado
Jesu e Filho de Deus;
E o teu ventre sagrado
Ficará horto cerrado;
E tu-Princesa dos Céus»
(Auto de Mofina Mendes)

à lírica, quase transparente, de Sá de Miranda (1485-1558):
«Virgem formosa, que achastes graça
Perdida antes por Eva, onde não chega
O fraco entendimento chegue a fé.
……………………………………….
Vós que nos destes claro a tanto escuro,
Remédio a tanta míngua
……………………………………….
Virgem toda sem mágoa, inteira e pura,
Sem sombra nem daquela culpa, herdada
Por todos nós, té o fim desde o começo
Claridade do sol nunca turbada».

Da magnífica elegia X de Camões (1524-1580),
«Tu, Virgem pura, santa, Avé Maria,
Cheia de Graça, Esposa, Filha e Madre,
Mais fermosa que o Sol ao meio dia,
Que vás buscando ao Esposo, Filho e Padre,
Qual cordeira perdida da manada,
Sem guarda de pastor, nem cão que ladre;
Vai Rainha dos Anjos mui amada,
E preciosa pedra adamantina,
De perfeições e graças esmaltada…
……………………………………………

ao recôndito Frei Agostinho da Cruz (1540-1619), que na estreita cela da sua penitência, profusamente alumiou com seu Verbo espiritual o nosso séc. XVI:

À Imaculada Conceição
Virgem formosa, que do sol vestida,
De luzentes estrelas coroada,
Do sol supremo fostes tão prezada,
Que em vós trouxe sua luz e nossa vida.

Virgem, do alto esposo recebida,
Tanto mais humil, quanto mais alçada,
Só vós pera o Criador fostes criada,
Só vós entre as humanas escolhida.

Qual sai a aurora, que trazendo o dia,
O céu, esmalta de púrpura e de ouro,
E as negras nuvens fogem de improviso:

Tal vós, estrela clara e nosso guia,
Trazendo à terra vosso alto tesouro
Convertestes o pranto de Eva em riso.


No século XX foi, talvez, um poeta brasileiro (mas a nossa pátria não é a língua portuguesa?) quem fez da reflexão sobre a Imaculada um dos eixos capitais de uma construção literária. Mostrando, ao mesmo tempo, como a linguagem teológica ganha em densidade significativa quando integra a dimensão poética. Falo de Murilo Mendes, sobretudo no período que Os quatro elementos (1935) e O sinal de Deus (1935-1936) assinalam.

P. José Tolentino
(Pastoral da Cultura)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Caminhada de Advento

5-12-2012
EVANGELHO: Mt 15,29-36

29Partindo dali, Jesus foi para junto do mar da Galileia. Subiu ao monte e sentou-se.30Vieram ter com Ele numerosas multidões, transportando coxos, cegos, aleijados,mudos e muitos outros, que lançavam a seus pés.
Ele curou-os, 31de modo que as multidões ficaram maravilhadas ao ver os mudos a falar, os aleijados escorreitos, os coxos a andar e os cegos com vista.
E davam glória ao Deus de Israel. 32Jesus, chamando os discípulos, disse-lhes: «Tenho compaixão desta gente, porque há já três dias que está comigo e não tem que comer.
 Não quero despedi-los em jejum, pois receio que desfaleçam pelo caminho.» 33Os discípulos disseram-lhe: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» 34Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?»
 Responderam: «Sete, e alguns peixinhos.» 35Ordenou à multidão que se sentasse. 36Tomou os sete pães e os peixes, deu graças,partiu-os  e dava-os aos discípulos, e estes, à multidão. 

REFLEXÃO
Jesus parte sempre de nós para ajudar o próximo, baseando-se nas nossas qualidades, talentos, dons e bens. A generosidade do rapaz que cedeu os pães, quando os podia ter guardado só para si, demonstra uma total entrega a Deus, a quem confia o que tem para pôr a render nas suas mãos. Seria capaz de fazer o mesmo que o rapaz?


Fonte
http://www.apacsjb.org.pt/documentos/Livro-do-Advento-2012.pdf

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

S. Francisco Xavier


Há 491 anos, em Maio de 1521, chega a Azpeitia um homem em profunda crise existencial. O seu mundo ruiu por completo em pouco tempo, os pilares em que apoiava a sua vida derrocaram. Ao defender Pamplona lutando pelos reis católicos, este cavaleiro foi atingido por uma bala de bombarda que se atravessou entre as suas pernas, ferindo-o gravemente. Sem poder ser assistido convenientemente, esteve dois ou três dias apenas esperando que os seus companheiros de armas não pudessem fazer mais que capitular diante das forças inimigas. Pela valentia mostrada foi tratado com cortesia pelos seus rivais que lhe concederam a possibilidade de voltar a sua casa para ser mais convenientemente restabelecido. Durante cerca de quinze dias é trazido por oito companheiros que se revezam a carregar a sua maca pelos caminhos do país basco até chegar a Loiola, à casa senhorial da sua família. Chega derrotado, às portas da morte, sem saber o que será o seu futuro se sobreviver, uma vez que a sua nova condição talvez não lhe permita aspirar ao que tanto sonhava.

No fim, acabou por morrer Iñigo de Loiola, sem sequer se ter apercebido disso. Ao longo de 9 meses de recuperação física morre um homem, mas dá-se a gestação de um novo que se tornará Inácio de Loiola. Mais tarde, esta nova pessoa que reconhece o amor infinito de Deus por si, é consolidada em Manresa onde vive como eremita, na Terra Santa onde vê os lugares onde viveu o seu novo Senhor, em Barcelona, Alcalá, Salamanca, Paris e Veneza onde estudou porque percebeu que era isso o melhor instrumento para a maior glória de Deus, e em Roma onde acaba por fundar a Companhia de Jesus com os seus companheiros. Loiola sem Manresa seria um desastre. Manresa sem Loiola teria sido impossível. E sem uma nem a outra não existiria Companhia de Jesus, pelo menos como a conhecemos hoje.

Estou neste fim de Verão em Loiola, depois de já ter passado uns dias em Manresa, perto destes tempos iniciais do novo caminho de Inácio, a fazer o mês Arrupe. É um tempo de formação, de reflexão e de preparação para o sacerdócio na Companhia de Jesus, criado por Pedro Arrupe, geral deste instituto, há cerca de 3 décadas.

Para dizer a verdade, o mês Arrupe funciona como uma bala de bombarda que nos tira os apoios com que estamos habituados a caminhar. É um tempo em que percebo que os modelos imaginados para mim como sacerdote jesuíta podem não corresponder à realidade que Deus quer para mim como presbítero na Companhia de Jesus. As imagens caem, os arquétipos são purificados, os exemplos reduzidos à sua insignificância. O que Deus quer é outra coisa. Quer uma realidade, verdadeira e não idealizada, mais profunda, mais livre, mais deste Francisco que tem exactamente a minha história com altos e baixos de relação com Ele. Mas que foi chamado. Tal como é.

Loiola recebe-nos como recebeu Iñigo na sua crise: com calor humano, mas também com as montanhas belas e ásperas que a rodeiam quebrando a possibilidade de ter largos horizontes à nossa volta. Os montes obrigam-me a uma interioridade, a um olhar para dentro, a “reler” a Vida de Cristo, e as Vidas de Santos à luz da minha própria vida. A pergunta que me permanece é: “E se eu fizesse como Inácio?”; [1]. A minha vida mudaria certamente.

A única saída de Loiola é a escolhida por Inácio, porque é a única possível. Para cima, para o céu estrelado contemplado, para lá da opressão dos montes, para Deus, o meu Senhor.
E depois da experiência feita há ainda que me meter a caminho e fazer-me peregrino, e eremita na vivência do essencial, e rezar, e estudar, para que possa vir a ser um dia o Padre Francisco, filho de Inácio de Loiola que é pai desta mínima Companhia de Jesus.

[1] A "Vita Christi" e "Leyendas de los Santos" foram os livros que acompanharam Inácio na sua recuperação em Loiola uma vez que não existiam em sua casa as novelas de cavalaria por si desejadas para passar o tempo. Foi a leitura destes dois livros que provocou em Inácio perguntas como: “E se eu fizesse como S. Francisco? E se fizesse como S. Domingos?

Francisco Campos, sj

domingo, 2 de dezembro de 2012

Advento - I Semana



ADVENTO TEMPO DE ESPERA


O Advento tem a força capaz de renovar a nossa vida!
Somos convidados a mostrá-lo, a comunica-los aos outros
Para que todos possamos esperar com  esperança Aquele que vem.



Estai alerta; Vigiai. Não sabeis a hora nem o momento…

Hoje colocámos a CABANA para o presépio que iremos construir
ele é o sinal da nossa esperança, do desejo de estarmos vigilantes 
e de encontrarmos ali o menino, que chegará em breve!


« A gruta escura, lugar do nascimento. 
No Natal de 1223, Francisco de Assis quis reproduzir, na localidade de Greccio, a gruta de Belém. Deveria haver uma manjedoura. Também uma vaca e um burro. Convidou os habitantes da terra e das redondezas para que viessem, na noite de Natal, ao lugar do nascimento. As suas tochas e velas haveriam de iluminar o escuro. E os cantos haveriam de romper o frio. Nessa noite de profunda alegria, Francisco queria ver com os próprios olhos como teria sido o nascimento do menino Jesus. Numa gruta queria contemplar a vinda do Verbo de Deus na nossa carne. No lugar de refúgio para quem não tem lugar, “il poverello” queria tocar a fragilidade e a força do nascimento do Salvador, d’Aquele que faz seus os lugares humanos mais corrompidos, os mais feridos, os mais incapazes.
Hoje, tal como a Francisco, esta mesma noite restitui-nos o olhar: podemos continuar a contemplar como em todas as grutas humanas, em todos esses lugares de escuridão e de morte, a vida divina continua a brilhar. E como faz nascer o canto. No lugar das nossas mortes, acontece o momento humano mais luminoso: o nascimento de um menino. Um nascimento absolve-nos da morte e restitui-nos à vida. No nascimento de Deus, renascemos.»

P. José Frazão, sj




 

domingo, 25 de novembro de 2012

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO – REI DO UNIVERSO


                           
Nosso Senhor Jesus Cristo é o Rei da Cruz, da entrega, e todo o seu poder, honra e realeza vem dai, do trono da cruz, do trono de luz jorra o Amor infinito!
Na cruz Deus mostra o que é. Na cruz Jesus está disposto a dar a vida por ti, por mim, por todos, para que tu e outros tenham vida e a coloquem ao serviço dos demais. Desta Vida gerada na cruz, nós podemos beber. Daí nasce a fé, alarga-se e abre-se o coração, onde cabemos todos e donde brota, a paz, o perdão, a justiça, a verdade, o Amor.
Jesus é o Rei que chama amigos aos seus discípulos e não servos ou súbditos e diz-lhes “Ninguém tem maior Amor do que Aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15,13). Jesus é o Rei que não humilha, não escraviza, não é um rei tirano, mas está com as pessoas, entrega-se por elas, inclina-Se até elas porque as ama e está ao seu serviço.
É o Rei que não acusa, mas que acolhe, escuta, perdoa. Temos como exemplos as histórias e encontros com Zaqueu: “desce depressa, Zaqueu, pois tenho de ficar em tua casa” (Lc 19, 6), ou a história e encontro com a mulher pecadora, apanhada em adultério e que os acusadores trazem para ser apedrejada: “Mulher, ninguém te condenou? Ela respondeu: ‘Ninguém, Senhor’. ‘Nem Eu te condeno’, disse-lhe Jesus. Vai e doravante não voltes a pecar” (cf Jo 8, 1-11), e ainda a história de Mateus, e não terminam estes encontros de acolhimento e de perdão do Rei, chamado Jesus…
Jesus Cristo é o Rei que toca e se deixa tocar (exemplo a mulher que sofria de uma hemorragia, há muitos anos, e que toca nas vestes de Jesus e fica curada), é o Rei que se aproxima e deixa que outros se aproximem dele, como por exemplo a pecadora arrependida em casa do fariseu Simão (cf. Lc 7,36-50), e que acarinha, e acolhe, abençoa as crianças (Mc. 10, 13-16), apresentando-as como exemplo de humildade.
É o Rei que se coloca a caminho com as pessoas do seu tempo, como por exemplo com os discípulos de Emaús e peregrina, interior e exteriormente com eles (Lc 24, 13-35). É o Rei que convoca, reúne, constrói a unidade: reúne as ovelhas dispersas, perdidas; é o Rei Ressuscitado que reúne os seus discípulos dispersos e amedrontados, depois da Sua paixão e morte, e transmite-lhes a alegria e esperança da Ressurreição.
É o Rei que se curva, inclina lá do alto e vem até nós. Nos evangelhos, temos muitos exemplos desses, mas menciono só três ou quatro: a encarnação e nascimento de Jesus, em que Ele se faz um de nós, no presépio; contemplamos também Jesus presente na figura do Bom Samaritano que para e se inclina sobre aquele homem ferido e cuida das suas feridas, cuida dele; vemos também Jesus curvado inclinado, quando, na Última Ceia, lava, com toda a humildade e capacidade de serviço, os pés aos discípulos; e um quarto episódio: e o auge desta inclinação acontece quando, na cruz, Jesus suspira e inclina a cabeça entregando a Vida por nós.
O Nosso senhor Jesus Cristo, nosso Salvador é Rei que busca, que procura a ovelha perdida, é o Bom Pastor, que vive de encontros e dá vida por aqueles que encontra. Jesus é o Rei da inclusão e não da exclusão, por isso senta-se à mesa e come com os pecadores, os diferentes, fala com eles, acolhe-os e inclui-os no grupo dos seus seguidores e amigos, como por exemplo José de Arimateia, o filho pródigo que regressa a casa, o bom ladrão que é crucificado ao lado de Jesus, etc.
É o Rei que vem para “dar testemunho da verdade” (cf. Jo 18,33-37), e que restitui cada um de nós à nossa verdade. Por isso nos convida a escutar a sua voz, para caminharmos e sermos homens e mulheres da verdade. Jesus leva cada um de nós à justiça, à verdade, à paz, à santidade, ao amor.
O nosso salvador é o Rei que realiza a reconciliação universal – é Rei no Universo – no altar da redenção, no altar da cruz, porque o seu poder, honra e realeza estão nessa entrega amorosa e gratuita, redentora! Ele é o Rei da Glória! Glória ao Senhor, louvor ao Senhor, bendizei o Seu Nome!
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo,
2012-11-25
P. Hermínio Vitorino, sj



sexta-feira, 16 de novembro de 2012