sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
“O Espírito do Senhor está sobre mim”
Ne
8,24a.5-6.8-10; Sl 18B, 8-10.15, Lc 1,1-4; 4,14-21
Ao recebermos o batismo,
aderimos plenamente a Cristo, somos ungidos, somos enviados. Incorporamo-nos
n’Ele, integramo-nos no Povo de Deus. Mantendo a nossa condição humana,
passamos a viver uma vida nova, porque o “Espírito do Senhor está sobre mim, me
ungiu…”. Assim estamos em comunhão com Deus, e aceitamos o apelo à conversão
que é condição para pertencer ao Seu Reino.
Olhando para o livro
do profeta Neemias, vemos que já cinco séculos, antes de Cristo ouvimos falar
da proclamação da Palavra de Deus, de uma maneira efusiva e de como o povo escutava
atentamente e aclamava a Palavra de Deus, que lhe era explicada, tal como
também no tempo de Jesus, na Sinagoga. Louvavam e bendiziam ao Senhor através
dos salmos, porque dizia Neemias: “Hoje é
o dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais, nem choreis […],
porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleça”.
O salmo 18 (19), que
cantamos no último Domingo, também ia na mesma direcção dizendo: “As vossas palavras Senhor são espírito e
vida”. Convidava-nos a fazer da Palavra de Deus o nosso alimento, sustento,
a deixar-nos transformar e conduzir pela Palavra que é Viva, que é Vida!
A cena do Evangelho
do III Domingo – Ano C, passa-se na sinagoga de Nazaré, numa celebração em que
Jesus se apresenta a si mesmo, quando diz: “Cumpriu-se,
hoje mesmo, esta passagem da Escritura que acabais de escutar”, e assim Ele
inicia o seu ministério público. Jesus é Aquele a quem se referem os
evangelhos, em todas as celebrações. É
Ele quem fala, quando na Igreja se leem as Sagradas Escrituras” (SC, 7).
Diz-nos o evangelho,
acima citado, que “Jesus voltou da
Galileia com a força do Espírito e a sua fama propagou-se por toda a parte”, e
ainda “O Espírito do Senhor está sobre
mim, porque Ele me ungiu para anunciara a Boa Nova aos pobres. Ele me enviou a
proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade
aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor”. Nós, todo o cristão,
tu, eu também fomos ungidos, abençoados, e enviados a anunciar a Boa Nova aos
outros, quando foi baptizado, crismado ou quando fomos ordenados sacerdotes
(que é o meu caso), e de tantas outras maneiras, na Igreja. Por isso, até certo
ponto podemos dizer, o Espírito do Senhor está sobre mim, também, porque me sou
continuador do Ministério, da Missão de Jesus, hoje e no lugar onde me encontro
e trabalho.
Não estamos nem
caminhamos sós. O senhor é o nosso amparo e redentor, como diz o salmo 18. O
Espírito do Senhor paira sobre cada um de nós e deseja guiar-nos,
fortalecer-nos em cada dia que começa. Sinto-me ungido, enviado por Deus e sei
que tenho uma missão a cumprir como cristão baptizado, na Igreja e na
sociedade?
Termino esta
reflexão deixando-vos um texto muito bonito que encontrei e que nos mostra como,
na vida quotidiana Deus nos acompanha com o Seu Espírito. Medita-o com calma e
tranquilidade e que Deus te abençoe sempre!
“Quando me levanto para começar um
novo dia e dou graças ao Senhor pelo dom maravilhoso da vida, o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando vou ou quando regresso do
trabalho ou da escola, com a alegria de cumprir o meu dever, mesmo com algum
sacrifício, o Espírito de Deus está
sobre mim!
Quando saúdo as pessoas que encontro
e com o meu sorriso lhes transmito o meu optimismo e serenidade, paz… o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando rejeito as tentações do mal
que, por vezes, me arrastam para uma vida de escravidão e de opressão, o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando levo um pouco de esperança e
paz aos que vivem infelizes, sejam eles doentes, sós ou rejeitados, novos ou
velhinhos, o Espírito de Deus está sobre
mim!
Quando medito no
Evangelho de Jesus Cristo e vejo nele o projecto de vida de quem busca o bem
dos outros, a alegria, a felicidade… o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando vou à igreja
participar nas celebrações e, juntamente com os outros, sinto vontade de rezar
e de cantar, para louvar o Senhor, o Espírito de Deus está sobre mim.
Quando me deito ao fim do
dia, agradecendo todo o bem recebido, pondo o meu espírito nas mãos de Deus e
adormecendo em paz, o
Espírito de Deus está sobre mim”.
P. Hermínio Vitorino, sj
domingo, 27 de janeiro de 2013
III DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C
Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume,
entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. Entregaram-lhe
o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está
escrito:
«O Espírito do Senhor está sobre
mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar
a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em
liberdade os oprimidos, proclamar um ano favorável da parte do
Senhor.»
Depois, enrolou o livro,
entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham
os olhos fixos nele. Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se
hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»
Lc. 4, 16-21
Hoje podemos fixar o olhar e o coração em Jesus, que percorre a Galileia a anunciar uma Boa Nova oferecendo-nos, novas oportunidades de vida, uma VIDA NOVA!
E esta Vida, fortalecida pelo Espírito, cresce e actualiza-se pela Palavra que é proclamada pelo próprio Jesus Cristo, mas que se destina a cada um de nós: "O espírito do Senhor Me ungiu e Me enviou..."
Hoje podemos fixar o olhar e o coração em Jesus, que percorre a Galileia a anunciar uma Boa Nova oferecendo-nos, novas oportunidades de vida, uma VIDA NOVA!
E esta Vida, fortalecida pelo Espírito, cresce e actualiza-se pela Palavra que é proclamada pelo próprio Jesus Cristo, mas que se destina a cada um de nós: "O espírito do Senhor Me ungiu e Me enviou..."
- Assim, somos interpelados e repensar, à luz do Espírito Santo, sobre a importância que a Palavra de Deus tem hoje em nós e até a perguntarmo-nos:
- O Senhor também me escolheu… A minha atitude é de desejo de anunciar que Jesus vem libertar-nos de tudo o que impede a salvação?
- Que lugar dou na minha vida ao Espírito do Senhor?
- Tenho consciência que Ele me habita, me acompanha e me inspira?
- Procuro no meu dia-a-dia, cumprir missão de que Isaías fala: cuidar dos pobres, prisioneiros e oprimidos?
D. António Couto, diz-nos hoje:
«A propósito, um antigo conto judaico: "Vira e revira a Palavra de
Deus, porque nela está tudo. Contempla-a, envelhece e consome-te nela. Não te
afastes dela, porque não há coisa melhor do que ela".»
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Solenidade da Epifania
Jesus nasceu em Belém, na região da
Judeia, no tempo do rei Herodes. Depois do seu nascimento, vieram uns sábios do
Oriente a Jerusalém e perguntaram: "Onde está o rei dos judeus que acaba
de nascer? É que nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo."
Quando Herodes teve conhecimento disto, ficou muito preocupado, e como ele
todos os moradores de Jerusalém. Mandou reunir todos os chefes dos sacerdotes e
os doutores da Lei e perguntou-lhes: "Onde é que há-de nascer o
Messias?" Eles responderam: "Em Belém da Judeia, conforme o - que o
profeta escreveu: Tu, ó Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor
entre as terras principais da Judeia, porque de ti é que há-de vir um chefe que
será o pastor do meu povo de Israel." Então Herodes chamou à parte os
sábios e perguntou-lhes quando é que exactamente a estrela lhes tinha
aparecido. Depois mandou-os a Belém com esta recomendação: "Vão e
informem-se cuidadosamente acerca do menino e, quando o encontrarem, venham-me
dizer, para eu ir também adorá-lo." Depois de ouvirem o rei, os sábios
partiram. Nisto, repararam que a estrela que tinham observado no Oriente ia
adiante deles, até que parou por cima do lugar onde se encontrava o menino. Ao
verem a estrela, sentiram uma alegria enorme. Quando entraram na casa, viram o
menino com Maria, sua mãe, e inclinaram-se para o adorarem. Depois apresentaram
o que traziam para lhe oferecer: ouro, incenso e mirra. Então Deus avisou-os
por meio dum sonho, para não voltarem a encontrar-se com Herodes. E eles
partiram para a sua terra, por outro caminho.
Mateus 2, 1-12
Depois
de um primeiro movimento de Deus ao encontro dos homens, no Natal.
Há
um outro em sentido inverso: o homem ao encontro de Deus, na Epifania.
Nos
Magos, estão personificados todos aqueles que não estando em Jerusalém, se
dispõem a partir e a procurar um sinal que os leve ao Messias. Aqui como lá, a
Epifania é mais uma vez ocasião, para nos interrogarmos sobre o queremos
oferecer a Jesus e sobre a nossa disponibilidade para, à imagem daqueles três
reis, a que segundo a tradição chamamos Gaspar, Baltasar e Melchior, sabermos
regressar a casa por outro caminho.
Postado por
Paróquia de S. Pedro
às
11:23:00
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Solenidade da Santa Mãe de Deus
O Senhor te abençoe e te guarde.
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face,
e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz.
Assim invocarão o meu nome, e eu os abençoarei..." (Nm 6,22-27)
Em cada
pessoa, há um desejo de paz, todos desejamos a paz, que é dom de Deus, e hoje todos
procurámos desejá-la uns aos outros.
A Solenidade da Mãe de Deus, o dia Mundial da Paz, e o primeiro dia do
ano civil, assinalam o início de uma caminhada que queremos percorrer em
Comunidade, de mãos dadas com Jesus Cristo que em cada dia nos dá a sua bênção
e nos oferece a vida em plenitude.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
A Luz do Natal
Bicci di Lorenzo
Pai,
hoje, quero dizer-te muito obrigado, por Jesus!
Qual o maior presente em tempo de presentes?
A resposta de Deus às nossas ansiedades e a Sua Luz perante as escuridões que
às vezes nos assaltam. E que sara as feridas e afugenta os maus humores. Ele
vai ensinar-nos a amar. Isto é o que celebramos no Natal. Se agora escutamos
aquele grito com o qual, há umas semanas atrás, começávamos o Advento “Levantai
a vossa cabeça, está próxima a vossa libertação”, agora já podemos contemplar o
Deus Menino e procurar compreender em que consiste a tal libertação. Quebrar as
cadeias e a lógica do poder, para mostrar-se, tudo vulnerável, na noite fria. E
a partir daí transformar, renovar o mundo.
(in
Edición Navideña de Pastoralsj – Dezembro de 2012)
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Natal do Senhor
Imagem - schongauer_nativity: http://www.passo-a-rezar.net - dia de Natal
No espaço duma dezena
de horas, a liturgia propõe-nos a celebração
de quatro missas do Natal: a Missa
da Vigília, na tarde do dia 24 em que é narrada a genealogia de Jesus, a Missa da Noite, que agora
celebramos e que nos conta o seu nascimento, a Missa da Aurora que anuncia a vinda de Jesus aos
pobres e simples de coração, representados pelos pastores e a Missa do Dia que revela a Divindade de Jesus.
Quarenta e dois anos depois do reinado do Imperador César Augusto, nasceu em
Belém de Judá, Jesus Cristo,
Filho de Deus que o Pai
enviou ao mundo para nossa salvação. Aquele que foi, junto do Pai e do Espírito
Santo, que é e que será para sempre, entra na nossa natureza humana preparado
para assumir a fragilidade e a morte. Admirável amor de Deus para connosco!
Celebramos a Missa da
Meia-Noite As leituras desta Missa que, popularmente, chamamos a Missa do Galo,
abrem com estas palavras do profeta Isaías: “o Povo que andava nas trevas viu
uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou
a brilhar.” Para nos fazer compreender a luz resplandecente desta noite, Isaías, um pouco antes do surgimento desta
Luz, no capítulo 8, 21-23, descreve-nos uma situação dramática: debaixo dum céu
de chumbo e ameaçador, um
caminhante avança, desorientado e vagarosamente pelas agruras dum deserto árido e
imenso. Esse caminhante,
perdido no tempo e no espaço, representa, para Isaías, a imagem do povo de Israel, humilhado, sob o jugo da Assíria. Ele
deambula, qual sonâmbulo, pela sua terra deserta, pois os Assírios a
transformaram numa terra
envolvida nas trevas e nas sombras da morte. Essa imagem do povo de Israel é, hoje, a imagem do nosso mundo, onde apesar do fascínio e do
deslumbramento do luxo e da riqueza, quantos homens e mulheres avançam
cabisbaixos e pesadamente sob as incertezas da vida e na obscuridade da noite.
Porém, o mesmo Profeta Isaías não nos abandona a esta situação
dramática, mas logo a seguir, no
Capítulo 9, 2-7 – a 1ª
leitura da Missa deste noite -, vemos o cintilar duma Luz maravilhosa que tudo transforma: o céu e a terra,
o rosto desse caminhante anónimo perdido no tempo e o rosto de cada um de nós.
É o esplendor, a glória e o brilho que cintilam na noite. O céu carregado de
obscuridade e a terra pisada pela força das armas e da violência são os pólos
deste universo no qual nos encontramos e no qual, essa Luz brilhou e continua a brilhar para nós.
O fulgor dessa grande Luz ilumina em todas as direcções: ao Norte (terra da Zabulón e Nefatli,
território dos gentios, ou seja, a Galileia), ao
Sul, o caminho do mar e ao
Oriente, do outro lado do
Jordão.
O fulgor dessa grande
Luz brilha, também hoje, no nosso mundo, do
Oriente ao Ocidente, do Norte a Sul, porque “um Menino nasceu, para nós, um
filho nos foi dado.” Tem o
poder sobre o mundo e o poder de salvar o que estava perdido. Será chamado
“Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz…É esta a
mensagem do Natal que celebramos.
Neste Natal, celebramos:
O Deus – Menino, o
Deus que aprende a falar e andar
Ficaríamos certamente
menos surpreendidos, se, no seu Natal, Deus tivesse tomado o corpo de algum
homem adulto, poderoso, dum senhor de prestígio…Mas não foi assim. Ele tomou a
forma de Menino. Ele é o Deus que aprende
a falar, apesar de ser
o Verbo, Palavra do Pai. É Aquele que deve aprender
a andar, mesmo que o Salmo 19, 1-7 diga que “Ele vai dum extremo ao outro do
mundo”.
Neste Natal, se
celebrássemos o Pai – Natal, que não é o nosso caso, estaríamos longe daquilo
que é o essencial, aquilo que conta, a celebração do Deus - Menino, o Deus –
Criança - figura da humanidade
dependente, que é necessário
alimentar, vestir, assistir em tudo…O Filho de Deus vem até nós como toda a
gente. E até mesmo como o último dos últimos, pois não há lugar para Ele entre
os humanos e também entra a humanidade recenseada pelo Imperador Augusto. Jesus
nasce entre animais num estábulo, fora da cidade. “ Veio junto dos seus e os
seus não receberam. Junto dos seus! Junto dos judeus, junto de nós, junto de
mim… Mas o Menino acolhe sempre com o seu sorriso de graça. Cantarei eternamente as
misericórdias do Senhor!
Neste Natal, celebramos:
O Deus - Menino, o Deus que nos desconcerta
Em Deus - Menino, em
Deus – Criança, em Deus – Bebé, ousamos dizer, aprendemos que Deus perde,
por nós, todo o seu poder. N’Ele, recebemos a possibilidade de
nos tornarmos “como Deus”, porque Deus se torna “como homem”. Vontade de
semelhança e de unidade! Ele se desarma totalmente e se submete às escolhas da
nossa liberdade. Ele faz-nos existir, dando-nos todo o poder sobre o mundo,
sobre nós mesmos, sobre Ele mesmo: “Maria envolveu o seu Menino em paninhos e o
colocou na manjedoura”. É por isso que, nos evangelhos, Jesus multiplica estas
palavras: “ se tu queres”…;
“aquele que quiser”… Ninguém
é forçado a entrar na vontade de Deus. Sabemos apenas que uma criança obedece.
Jesus obedeceu até à morte e morte de cruz. No berço, somos convidadas a ser
criança, a esta entrega, obediente à vontade de Deus, por amor. Hoje nasceu o nosso Salvador, Jesus
Cristo, Senhor!
Neste Natal, celebramos:
O Deus – Menino, o
Presente Principal
O nascimento de Jesus
foi um nascimento como os demais nascimentos. Não aconteceram milagres. Para
não olharmos de perto o prodígio
desconcertante do Verbo de Deus feito criança, nós enchemos o Natal de costumes que
podem desviar a nossa atenção do essencial. Pela nossa casa dentro, pelas ruas
da nossa cidade entra em cena o Pai - Natal, á árvore de Natal, o bom bacalhau,
os presentes, os confeitos, o réveillon, as luzinhas…. Tudo isto é muito bom,
porque nos recordar o Natal do Menino Jesus. Mas tudo isto só tem valor se nos
ajudar a celebrar o essencial e se os nossos presentes não abafam ou colocam em
último lugar o Presente
Principal. E qual é o
Presente Principal? “um Menino
nasceu para nós, um filho nos foi dado” (Isaías); “nasceu-vos hoje na cidade de David
um Salvador que ó Cristo Senhor” (Lucas).
Ele é a vinda entre nós da “imagem
de Deus - Invisível, primogénito de toda a criação”; Ele é a “ graça de Deus, fonte de
salvação para todos os homens” (Carta
a Tito); Ele realiza as núpcias definitivas de Deus com a humanidade: “o Teu autor te desposará”,
diz a Escritura. Com Cristo e em Cristo, somos, com Deus, uma só carne. Em
Cristo, somos um só corpo. Com efeito, o corpo da criança do presépio carrega
já a humanidade inteira (Santo Agostinho). Por isso, Lucas descreve o
nascimento desta criança no contexto dum recenseamento de toda a humanidade;
Cristo cidadão do mundo. Mateus faz vir ao presépio os habitantes de longe
representados pelos Magos.Todos os confins da terra viram a salvação do
nosso Deus!
Louvamos o Deus
Menino,
quando não
considerarmos qualquer pessoa como excluída ou marginalizada: “não havia, para Eles, lugar
na hospedaria”;
quando formos capazes
de O adorar com um coração de pobre como os pastores;
quando formos capazes
de escapar ao ruído e bulício em que se converteu Natal para voltar a
encontrar, no Presépio, o cumprimento das Promessas de Deus.
Oxalá que Maria, a Mãe do silêncio que guardava todas as coisas no
coração, nos comova e nos desperte nesta noite. E que José, o homem justo, nos ensine também a
virtude da fé de que ele foi exímio.
Oxalá que as nossas
famílias saibam acolher no seu seio a Jesus que nunca falta com a sua Paz e
alegria.
Apesar de estarmos
num mundo meio adormecido, sintamos em nossos corações, uma ternura diáfana e
profunda que nos leve a exultar de alegria. Que esta alegria não se confunda
com as estridências desta noite mas que saibamos cantar com todo o coração, o
cântico dos anjos: “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens e
mulheres de boa vontade…”, esse hino que, cada vez mais, se torna menos
perceptível no coração do nosso mundo, um mundo anestesiado, mas sedento de
amor.
BOAS FESTAS
P. José Augusto Alves
de Sousa, sj
domingo, 16 de dezembro de 2012
Advento - III Semana
Reunimo-nos neste terceiro domingo do
Advento, manifestando a
esperança cristã, de quem acredita que Jesus está perto. Queremos testemunhar a alegria de sermos filhos muito amados de Deus.
Ao acendermos a terceira vela na nossa coroa, reafirmámos
o desejo de sermos sinais de Alegria e de Luz, deixando-nos também guiar, pela estrela que nos anuncia a vinda
de Jesus
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Advento
De novo o Natal!
O começo do Ano Litúrgico, no Advento, convida-nos a aprofundar o sentido da liturgia. Em primeira aproximação, é de considerar como a liturgia se ajusta, no seu próprio ciclo anual, à nossa experiência dos ritmos da natureza, na sucessão circular das estações, das variações atmosféricas e do próprio aspecto da paisagem.
Mas não se trata de um movimento de constante retorno, como nos faria pensar o livro de Qohélet (ou Eclesiastes), no seu prólogo. Pelo contrário, a liturgia, ao celebrar Jesus Cristo como centro da história, aponta claramente para a diferenciação das grandes épocas no percurso da aventura humana. Na liturgia, celebra-se um passado que, pela própria celebração se torna presente e, assim, produz sentido para o futuro de cada um e do colectivo. No presente, o Espírito Santo ilumina-nos na interpretação do passado e na abertura ao futuro.
Além disso, a repetição anual das cerimónias não é simples regresso ao “de sempre”. Predispõem-nos a aprofundar, cada vez mais, o Mistério ou Sacramento. São os gestos e as palavras que o tornam actual, ou seja, que o tornam eficaz para a situação e estado de alma de cada um dos participantes. Eficaz, sim, mas sempre algo envolto no desconhecido, porque, sendo Jesus Cristo o verdadeiro “autor” e “actor” da liturgia, a sua acção ultrapassa sempre, infinitamente, a nossa capacidade de compreensão. Portanto, só uma visão muito exterior e superficial nos poderia levar a dizer: “Lá estamos nós outra vez no Natal, é sempre a mesma coisa!”.
A quadra do Natal traz-nos, em primeiro lugar, o Advento, que devemos viver com idêntica expectativa à do povo hebreu a aguardar a vinda do Messias. É tempo de Esperança, que não é a espera passiva de quem aguarda o autocarro. A Esperança cristã só pode alicerçar-se na Fé verdadeira, a qual, se o é, há-de reflectir-se na prática da Caridade. Esta situa-se no coração da mensagem que o Menino nos veio ensinar por meio da pregação, mas sobretudo através da sua vida.
Um Santo Advento / Natal.
P. Manuel Vaz Pato, sj
(Do boletim Paroquial - Mar da Galileia)
Postado por
Paróquia de S. Pedro
às
14:09:00
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