domingo, 10 de março de 2013

Quaresma - IVDomingo C

Olhar para o Pai




(…) Que haverá na figura do pai? Porque prestamos tanta atenção aos filhos? O pai não será afinal o centro, aquele com quem me hei-de identificar? Porquê falar tanto em ser como os filhos se a pergunta-chave é: queres ser como o pai? Se alguém puder dizer: "Estes filhos são como eu" sente-se bem, sente-se compreendido. Mas se dissesse: "o pai é como eu", que sentiria? Quererei ser, não só como aquele que é perdoado, mas também como quem perdoa; não só como aquele a quem se dão as boas-vindas, mas também como quem as dá; não só como quem recebe misericórdia, mas também como quem a dá?

(…) Jesus descreve a misericórdia de Deus não só para me mostrar o que Deus sente por mim, ou para me perdoar os pecados e oferecer-me uma vida nova e muita felicidade, mas para me convidar a ser como Deus, a ser tão misericordioso para com os outros como Ele é para comigo. Se o único sentido da história fosse: toda a gente peca, mas Deus perdoa, muito facilmente começaria a pensar nos meus pecados como sendo uma bela ocasião para Deus me dar o seu perdão. Vistas assim as coisas, nem sequer haveria lugar para um autêntico desafio. Resignar-me-ia a ser fraco e ficaria à espera de que Deus acabasse por fechar os olhos aos meus pecados e me deixasse entrar em casa, fosse o que fosse que tivesse feito. Tal mensagem, porém, tão sentimental e romântica, não é a mensagem do Evangelho.

De facto, sou chamado a reconhecer a verdade a meu respeito: quer seja o filho mais novo, quer o mais velho, sou filho do meu Pai misericordioso. Sou herdeiro (Rom 8, 16-17). Assim, sendo filho e herdeiro, sou também sucessor. Estou destinado a assumir o lugar do Pai e a oferecer a outros a mesma compaixão que Ele me oferece. O regresso ao Pai é um desafio para que me transforme no Pai.

(…) A paternidade espiritual nada tem a ver com poder e controlo. É uma paternidade misericordiosa.

(…) O pai do filho pródigo não vive preocupado consigo mesmo. A sua vida tão cheia de sofrimento, fez dele um homem sem nenhuma vontade de controlar. Os filhos são a sua única preocupação: quer dar-se-lhes completamente e renuncia a tudo o resto.

Serei capaz de dar sem nada pedir em troca, amar sem pôr condições ao amor? Ao verificar a necessidade que tenho de ser reconhecido e apreciado, dou conta do duro combate que preciso de travar. Mas estou convencido de que, sempre que conseguir vencer essa necessidade e agir livremente, a minha vida dará os frutos do Espírito de Deus.

(De "O Regresso do Filho Pródigo" - Henri Nouwen)

domingo, 3 de março de 2013

Quaresma - III Domingo C




Jesus começa a falar uma nova linguagem.
Há que proclamar a todos a nova notícia.
O povo deve converter-se,
mas a conversão não consiste em preparar-se para o juízo,
consiste em “entrar” no “reino de Deus” e acolher o seu perdão salvador.
O povo deve escutar agora a Boa Notícia.
Com Jesus tudo começa a ser diferente.
O temor ao juízo afasta o gozo de acolher Deus, amigo da vida.
Tudo começa a falar da proximidade de Deus.
Jesus convida à total confiança no Deus Pai.
A sua palavra faz-se poesia.

José Antonio Pagola.
“Jesús: aproximación histórica”

Imagem: a artre de Rupnik

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Quaresma - II Domingo C



“Jesus tomou Pedro, Tiago e João e subiu a um monte para orar.” (Lc 9,28)

O Evangelho de S. Lucas coloca a oração no centro do ministério de Jesus. Gosto de pensar que este é o Jesus humano que se mantém em contacto com o Seu Pai – no momento do seu batismo, antes de selecionar os apóstolos, antes da crucificação e noutros momentos chave quando estavam para ser tomadas decisões fundamentais.
A minha organização, a CAFOD, acredita muito que a oração é uma parte essencial da nossa missão.
Muitos dos que apoiam o nosso trabalho em prol da justiça social são como eu – impacientes, ativistas, por vezes zangados e acusadores. Por vezes, sentimos que tudo vai mudar através das nossas ações. Que arrogância da nossa parte! É um pouco como Pedro no cimo do monte precipitando-se a construir tendas e a pensar que era isso o que Deus queria, que essa era a única mudança necessária.
A oração requer espaço para reflexão e discernimento. Isto permite-nos reconhecer o dom da graça: que nada pode acontecer sem Deus e que tudo é possível com Ele.
Chris Bain
Presidente da CIDSE (Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a Solidariedade) e líder da CAFOD,
agência correspondente à FEC em Inglaterra e no País de Gales, mandatada pelos Bispos
para lutar contra a pobreza e a injustiça em nome da comunidade católica.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Quaresma - I Domingo C



A FOME DE ISRAEL, A NOSSA FOME E A FOME DE JESUS
Deus poderá pôr-nos a mesa no deserto da nossa vida e matar a nossa fome com um alimento saboroso e que dure para sempre? Era esta a pergunta do Povo de Israel, faminto como estava, quando deambulava pelo deserto do Sinai e também a nossa pergunta, quando vegetamos em solidão pela vida fora, famintos de felicidade. Na prática, tanto a pergunta do Povo de Israel, como a nossa pergunta traduz-se no seguinte: Deus está verdadeiramente connosco, é nosso amigo, quando submetidos à provação, ao sofrimento? Israel duvidou de Deus e nós também duvidamos, quando nos sentimos provados. É a nossa fé posta à prova, que não vê, por vezes, uma porta que se abra ou uma luz no fundo do túnel. E, como é importante, nesses momentos de crise, que a nossa fé não vacile!...; que não desconfiemos de Deus, mas que acreditemos n´Ele que sempre nos cobre, e acarinha com o seu amor, na tempestade e nas ondas encapeladas dos maremotos? Só Ele matou a fome aos Israelitas com o maná, no interior do deserto. Só Ele pôs a mesa a Seu Filho Jesus no deserto, como se diz no Evangelho de hoje e o alimentou com um pão especial, o da flor da farinha e com o mel do rochedo, como se diz no livro da Sabedoria. E somente Ele nos porá também a nós a mesa da Palavra e do Pão. Mas, como é que isto é possível?

A ÁRVORE DA VIDA E A ÁRVORE DO CONHECIMENTO
         Duas Árvores plantadas no meio do Jardim do Eden como, se diz hoje na primeira leitura. Para qual das árvores, estendemos as mãos para delas colhermos os frutos e podermos matar a fome?... Para que Deus possa continuar a caminhar connosco no paraíso da vida, temos que estender as mãos à árvore de vida e dela colhermos os seus saborosos frutos. Escolher a árvore do conhecimento, seria desafiar a Deus como fez Adão e Eva. Jesus, no deserto, escolheu a árvore da vida: nem só de Pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus!... A Palavra que sai da boca de Deus é Palavra encarnada de Deus, Jesus Cristo Encarnado levantado no meio dos homens, como o contemplamos no Natal e a atrair-nos desde a árvore da Cruz para ser pão imolado para sempre, o verdadeiro Pão da Vida.

A ÚNICA ÁRVORE

Na Paixão, a árvore do conhecimento e a árvore da vida reduzem-se apenas a uma única árvore, a árvore da cruz. A árvore da cruz é árvore do conhecimento, porque, como diz Paulo, é o único livro aberto e a única sabedoria, onde se revela o amor de Deus para connosco. Mas, a árvore da cruz é também árvore da vida, porque, do lado aberto do Senhor, saiu sangue e água, os sacramentos do Baptismo e da Eucaristia, o Pão da Vida que nos mata a fome para sempre. Na árvore da cruz, Deus é Sabedoria para aqueles que creem e entrega-se a nós como Alimento e Bebida. O Pão e o Vinho para o peregrino que empreende o caminho nesta Quaresma até à Cruz e à Glória da ressurreição!...
Que importância se dá, na vida das vossas comunidades e dos fiéis à celebração da Eucaristia? Como é a frequência na participação da Santa Missa aos Domingos? Por ocasião das grandes festas do Ano Litúrgico?
                                                                                  
P. José Augusto Alves de Sousa, SJ



sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2013


MENSAGEM
Crer na caridade suscita caridade 
"Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele"
(1 Jo 4, 16) 


Queridos irmãos e irmãs! 
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da ação do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: "Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele" (1 Jo 4, 16), recordava que, "no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um 'mandamento', mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro" (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e "apaixonado" que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: "O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está 'concluído' e completado" (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os "agentes da caridade", a necessidade da fé, daquele "encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor" (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - "caritas Christi urget nos" (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus."A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir" (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente "o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado" (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé 

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o "sim" da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20). 
Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma "fé que atua pelo amor" (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12). 

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é "caminhar" na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade 

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma "dialética". Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra "caridade" à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o "serviço da Palavra". Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contato com o divino que é capaz de nos fazer "enamorar do Amor", para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.

A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: "É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas ações que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos" (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade 

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a ação do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:"Abbá! – Pai!" (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: "Jesus é Senhor!" (1 Cor 12, 3) e "Maranatha! – Vem, Senhor!" (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20). 

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé ("saber-se amado por Deus"), mas deve chegar à verdade da caridade ("saber amar a Deus e ao próximo"), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13). 

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor! 


Vaticano, 15 de Outubro de 2012 





quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quaresma - Celebrações


Missas 

11:00 H e 19:15 H 


Oração para jovens 

18:15 H



domingo, 10 de fevereiro de 2013

V DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C

O nada de uma noite de cansaço e a abundância das redes lançadas 
em nome de Jesus…


Deus chama-nos e convoca-nos pela suavidade da Sua presença. Olhemos para Pedro que é chamado agora a ser pescador de homens,
Como homens e mulheres, todos somos convocados para a vida. Somos um acto de chamamento pela Palavra de alguém. O que seríamos sem isso? O que seria eu se ninguém me tivesse chamado à vida e criado? 
A existência é o chamamento maior, a palavra foi-nos dada para que a dirijamos aos outros. Como estou a fazer brotar esta vida que me foi dada? O que estou a fazer com este dom que me foi dado?

Hoje todos somos convocados/chamados, para o anúncio do reino. O profeta Isaías chamado a ser evangelizador considera-se um homem de lábios impuros. Diante da grandeza daquele que nos chama sentimos a pequenez.
Quem sou eu para falar em nome de Deus? Mas o anjo vem ao seu encontro e diz-lhe: “sou eu que te purifico para que possas falar em nome de Deus.” O mesmo diz a Nicodemos… “quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”! E a Pedro: Não digas que não sabes pescar! …
Deus toca-nos e purifica-nos, torna-nos aptos para o anúncio da Palavra. Santo Inácio de Loiola, coxo, doente… na sua debilidade é chamado. Sim, na pequenez do que somos, podemos ser tocados pelo carvão de Deus. Não há nada maior do que ser-se enviado. Adquire-se a liberdade porque não precisamos de qualquer estatuto ou apresentação especial. 

Assim a grandeza do enviado está Naquele que o envia. Se houver êxitos não ficará inchado, se não obtiver também não ficará deprimido. É livre, a força é-lhe dada por um outro.
Porque é que muitas vezes não pescamos nada? Andamos toda a noite e não pescamos nem um único peixe? Será que vamos em nosso nome?
Jesus diz-nos hoje a nós: lança as redes novamente mas não em teu nome! Só com os teus meios, não pescarás nada. Em teu nome lançarei as redes… se vierem cheias ficarei contente, se vierem com um só peixe também ficarei feliz.
O nada de uma noite de cansaço e a abundância das redes lançadas em nome de Jesus…
E a Pedro diz ainda: Em meu nome serás pescador de homens! O peso em nome de Jesus será leve, será Missão em nome do Senhor e instrumento do Seu espírito. Tudo muda porque o que faz sentido vem de outro e não de mim.

Porque andamos muitas vezes tão cansados? Não andaremos a pescar em nome próprio?
Vale a pena lançar as redes! Tenhamos a coragem de ouvir novamente a Palavra do Senhor… A força virá de nos sentirmos chamados. Que tudo seja feito em nome do Senhor e a nossa vida será mais fecunda porque Ele a purifica.
Peçamos a graça de podermos aprender a escutar, para podermos aprender a responder e IR EM NOME DO SENHOR. 


(notas da homilia do P. José Frazão, sj - por Alice Matos)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

“O Espírito do Senhor está sobre mim”



Ne 8,24a.5-6.8-10; Sl 18B, 8-10.15, Lc 1,1-4; 4,14-21

Ao recebermos o batismo, aderimos plenamente a Cristo, somos ungidos, somos enviados. Incorporamo-nos n’Ele, integramo-nos no Povo de Deus. Mantendo a nossa condição humana, passamos a viver uma vida nova, porque o “Espírito do Senhor está sobre mim, me ungiu…”. Assim estamos em comunhão com Deus, e aceitamos o apelo à conversão que é condição para pertencer ao Seu Reino.
Olhando para o livro do profeta Neemias, vemos que já cinco séculos, antes de Cristo ouvimos falar da proclamação da Palavra de Deus, de uma maneira efusiva e de como o povo escutava atentamente e aclamava a Palavra de Deus, que lhe era explicada, tal como também no tempo de Jesus, na Sinagoga. Louvavam e bendiziam ao Senhor através dos salmos, porque dizia Neemias: “Hoje é o dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais, nem choreis […], porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleça”.
O salmo 18 (19), que cantamos no último Domingo, também ia na mesma direcção dizendo: “As vossas palavras Senhor são espírito e vida”. Convidava-nos a fazer da Palavra de Deus o nosso alimento, sustento, a deixar-nos transformar e conduzir pela Palavra que é Viva, que é Vida!
A cena do Evangelho do III Domingo – Ano C, passa-se na sinagoga de Nazaré, numa celebração em que Jesus se apresenta a si mesmo, quando diz: “Cumpriu-se, hoje mesmo, esta passagem da Escritura que acabais de escutar”, e assim Ele inicia o seu ministério público. Jesus é Aquele a quem se referem os evangelhos, em todas as celebrações. É Ele quem fala, quando na Igreja se leem as Sagradas Escrituras” (SC, 7).
Diz-nos o evangelho, acima citado, que “Jesus voltou da Galileia com a força do Espírito e a sua fama propagou-se por toda a parte”, e ainda “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciara a Boa Nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor”. Nós, todo o cristão, tu, eu também fomos ungidos, abençoados, e enviados a anunciar a Boa Nova aos outros, quando foi baptizado, crismado ou quando fomos ordenados sacerdotes (que é o meu caso), e de tantas outras maneiras, na Igreja. Por isso, até certo ponto podemos dizer, o Espírito do Senhor está sobre mim, também, porque me sou continuador do Ministério, da Missão de Jesus, hoje e no lugar onde me encontro e trabalho.
Não estamos nem caminhamos sós. O senhor é o nosso amparo e redentor, como diz o salmo 18. O Espírito do Senhor paira sobre cada um de nós e deseja guiar-nos, fortalecer-nos em cada dia que começa. Sinto-me ungido, enviado por Deus e sei que tenho uma missão a cumprir como cristão baptizado, na Igreja e na sociedade?
Termino esta reflexão deixando-vos um texto muito bonito que encontrei e que nos mostra como, na vida quotidiana Deus nos acompanha com o Seu Espírito. Medita-o com calma e tranquilidade e que Deus te abençoe sempre!
“Quando me levanto para começar um novo dia e dou graças ao Senhor pelo dom maravilhoso da vida, o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando vou ou quando regresso do trabalho ou da escola, com a alegria de cumprir o meu dever, mesmo com algum sacrifício, o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando saúdo as pessoas que encontro e com o meu sorriso lhes transmito o meu optimismo e serenidade, paz… o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando rejeito as tentações do mal que, por vezes, me arrastam para uma vida de escravidão e de opressão, o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando levo um pouco de esperança e paz aos que vivem infelizes, sejam eles doentes, sós ou rejeitados, novos ou velhinhos, o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando medito no Evangelho de Jesus Cristo e vejo nele o projecto de vida de quem busca o bem dos outros, a alegria, a felicidade… o Espírito de Deus está sobre mim!
Quando vou à igreja participar nas celebrações e, jun­tamente com os outros, sinto vontade de rezar e de cantar, para louvar o Senhor, o Espírito de Deus está sobre mim.
Quando me deito ao fim do dia, agradecendo todo o bem recebido, pondo o meu espírito nas mãos de Deus e adormecendo em paz, o Espírito de Deus está sobre mim”.           
P. Hermínio Vitorino, sj