quinta-feira, 14 de março de 2013
Habemus Papam!
Temos Papa, é Francisco e jesuíta, tal como
os Padres desta Comunidade Paroquial
Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, jesuíta,
foi até agora arcebispo de Buenos Aires
Irmãos e irmãs, boa-noite!
Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os
meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui!
Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo.
Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo
emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe
e Nossa Senhora o guarde.
[Recitação do Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai]
E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de
Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um caminho de
fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros.
Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este
caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal
Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão
bela!
E agora quero dar a Bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de
o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a
mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio
esta oração vossa por mim.
[…]
Agora dar-vos-ei a Bênção, a vós e a todo o mundo, a todos os homens e
mulheres de boa vontade.
[Bênção]
Irmãos e irmãs, tenho de vos deixar. Muito obrigado pelo acolhimento!
Rezai por mim e até breve! Ver-nos-emos em breve: amanhã quero ir rezar aos pés
de Nossa Senhora, para que guarde Roma inteira. Boa noite e bom descanso!
Francisco
segunda-feira, 11 de março de 2013
Encontro
Como foi anunciado, nos últimos
dois fins-de-semana, amanhã teremos entre nós o Padre Nuno Tovar de
Lemos, Jesuíta, que tem uma grande experiência de trabalho e
acompanhamento de jovens, em várias partes do nosso país. Ele é também o
autor do livro: "O Príncipe e a lavadeira". Para além disso é um bom
comunicador.
Será terça-feira dia 12, às
21:00, nas instalações da Igreja de Santiago. Ele vai-nos falar entre
outras coisas, de como podemos descobrir a nossa vocação, o que queremos ser e
fazer na vida, e como outros nos podem ajudar e também nós podemos ajudar
outros.
Para vós, jovens, que estão em
idades de grandes e importantes decisões da vossa vida, como por exemplo: o curso que quero fazer na universidade, por que tipo ou género de vida quero
optar, enveredar, escolher, etc... Como posso perceber a presença de Deus na
minha vida, o que é que Ele espera de mim? Como posso estar atento aos seus
sinais no meu dia-a-dia...?
Estas ou / e outras questões
poderão ser abordadas neste nosso Encontro.
Faz um esforço e aparece!
Contamos contigo!
P. Hermínio Vitorino, sj
domingo, 10 de março de 2013
Quaresma - IVDomingo C
Olhar para o Pai
(…) Que haverá na figura do pai? Porque prestamos tanta atenção aos filhos? O pai não será afinal o centro, aquele com quem me hei-de identificar? Porquê falar tanto em ser como os filhos se a pergunta-chave é: queres ser como o pai? Se alguém puder dizer: "Estes filhos são como eu" sente-se bem, sente-se compreendido. Mas se dissesse: "o pai é como eu", que sentiria? Quererei ser, não só como aquele que é perdoado, mas também como quem perdoa; não só como aquele a quem se dão as boas-vindas, mas também como quem as dá; não só como quem recebe misericórdia, mas também como quem a dá?
(…) Jesus descreve a misericórdia de Deus não só para me mostrar o que Deus sente por mim, ou para me perdoar os pecados e oferecer-me uma vida nova e muita felicidade, mas para me convidar a ser como Deus, a ser tão misericordioso para com os outros como Ele é para comigo. Se o único sentido da história fosse: toda a gente peca, mas Deus perdoa, muito facilmente começaria a pensar nos meus pecados como sendo uma bela ocasião para Deus me dar o seu perdão. Vistas assim as coisas, nem sequer haveria lugar para um autêntico desafio. Resignar-me-ia a ser fraco e ficaria à espera de que Deus acabasse por fechar os olhos aos meus pecados e me deixasse entrar em casa, fosse o que fosse que tivesse feito. Tal mensagem, porém, tão sentimental e romântica, não é a mensagem do Evangelho.
De facto, sou chamado a reconhecer a verdade a meu respeito: quer seja o filho mais novo, quer o mais velho, sou filho do meu Pai misericordioso. Sou herdeiro (Rom 8, 16-17). Assim, sendo filho e herdeiro, sou também sucessor. Estou destinado a assumir o lugar do Pai e a oferecer a outros a mesma compaixão que Ele me oferece. O regresso ao Pai é um desafio para que me transforme no Pai.
(…) A paternidade espiritual nada tem a ver com poder e controlo. É uma paternidade misericordiosa.
(…) O pai do filho pródigo não vive preocupado consigo mesmo. A sua vida tão cheia de sofrimento, fez dele um homem sem nenhuma vontade de controlar. Os filhos são a sua única preocupação: quer dar-se-lhes completamente e renuncia a tudo o resto.
Serei capaz de dar sem nada pedir em troca, amar sem pôr condições ao amor? Ao verificar a necessidade que tenho de ser reconhecido e apreciado, dou conta do duro combate que preciso de travar. Mas estou convencido de que, sempre que conseguir vencer essa necessidade e agir livremente, a minha vida dará os frutos do Espírito de Deus.
(De "O Regresso do Filho Pródigo" - Henri Nouwen)
Postado por
Paróquia de S. Pedro
às
19:26:00
domingo, 3 de março de 2013
Quaresma - III Domingo C
Jesus começa
a falar uma nova linguagem.
Há que
proclamar a todos a nova notícia.
O povo deve
converter-se,
mas a
conversão não consiste em preparar-se para o juízo,
consiste em
“entrar” no “reino de Deus” e acolher o seu perdão salvador.
O povo deve
escutar agora a Boa Notícia.
Com Jesus
tudo começa a ser diferente.
O temor ao
juízo afasta o gozo de acolher Deus, amigo da vida.
Tudo começa
a falar da proximidade de Deus.
Jesus
convida à total confiança no Deus Pai.
A sua
palavra faz-se poesia.
José
Antonio Pagola.
“Jesús:
aproximación histórica”
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Quaresma - II Domingo C
“Jesus tomou Pedro, Tiago e João e subiu a um monte para orar.” (Lc 9,28)
O Evangelho de S. Lucas coloca a oração no centro do ministério de Jesus.
Gosto de pensar que este é o Jesus humano que se mantém em contacto com o Seu
Pai – no momento do seu batismo, antes de selecionar os apóstolos, antes da crucificação
e noutros momentos chave quando estavam para ser tomadas decisões fundamentais.
A minha organização, a CAFOD, acredita muito que a oração é uma parte
essencial da nossa missão.
Muitos dos que apoiam o nosso trabalho em prol da justiça social são como
eu – impacientes, ativistas, por vezes zangados e acusadores. Por vezes,
sentimos que tudo vai mudar através das nossas ações. Que arrogância da nossa parte! É um pouco como Pedro no cimo do
monte precipitando-se a construir tendas e a pensar que era isso o que Deus
queria, que essa era a única mudança necessária.
A oração
requer espaço para reflexão e discernimento. Isto permite-nos reconhecer o dom
da graça: que nada pode acontecer sem Deus e que tudo é possível com Ele.
Chris Bain
Presidente da CIDSE (Cooperação Internacional para o
Desenvolvimento e a Solidariedade) e líder da CAFOD,
agência correspondente à FEC em Inglaterra e no País
de Gales, mandatada pelos Bispos
para lutar contra a pobreza e a injustiça em nome da
comunidade católica.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Quaresma - I Domingo C
A FOME DE
ISRAEL, A NOSSA FOME E A FOME DE JESUS
Deus poderá
pôr-nos a mesa no deserto da nossa vida e matar a nossa fome com um alimento
saboroso e que dure para sempre? Era esta a pergunta do Povo de Israel, faminto
como estava, quando deambulava pelo deserto do Sinai e também a nossa pergunta,
quando vegetamos em solidão pela vida fora, famintos de felicidade. Na prática,
tanto a pergunta do Povo de Israel, como a nossa pergunta traduz-se no
seguinte: Deus está verdadeiramente connosco, é nosso amigo, quando submetidos
à provação, ao sofrimento? Israel duvidou de Deus e nós também duvidamos,
quando nos sentimos provados. É a nossa fé posta à prova, que não vê, por
vezes, uma porta que se abra ou uma luz no fundo do túnel. E, como é
importante, nesses momentos de crise, que a nossa fé não vacile!...; que não
desconfiemos de Deus, mas que acreditemos n´Ele que sempre nos cobre, e
acarinha com o seu amor, na tempestade e nas ondas encapeladas dos maremotos?
Só Ele matou a fome aos Israelitas com o maná, no interior do deserto. Só Ele
pôs a mesa a Seu Filho Jesus no deserto, como se diz no Evangelho de hoje e o
alimentou com um pão especial, o da flor da farinha e com o mel do rochedo,
como se diz no livro da Sabedoria. E somente Ele nos porá também a nós a mesa
da Palavra e do Pão. Mas, como é que isto é possível?
A ÁRVORE DA
VIDA E A ÁRVORE DO CONHECIMENTO
Duas
Árvores plantadas no meio do Jardim do Eden como, se diz hoje na primeira
leitura. Para qual das árvores, estendemos as mãos para delas colhermos os
frutos e podermos matar a fome?... Para que Deus possa continuar a caminhar
connosco no paraíso da vida, temos que estender as mãos à árvore de vida e dela
colhermos os seus saborosos frutos. Escolher a árvore do conhecimento, seria
desafiar a Deus como fez Adão e Eva. Jesus, no deserto, escolheu a árvore da
vida: nem só de Pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de
Deus!... A Palavra que sai da boca de Deus é Palavra encarnada de Deus, Jesus
Cristo Encarnado levantado no meio dos homens, como o contemplamos no Natal e a
atrair-nos desde a árvore da Cruz para ser pão imolado para sempre, o
verdadeiro Pão da Vida.
A ÚNICA ÁRVORE
Na Paixão, a
árvore do conhecimento e a árvore da vida reduzem-se apenas a uma única árvore,
a árvore da cruz. A árvore da cruz é árvore do conhecimento,
porque, como diz Paulo, é o único livro aberto e a única sabedoria, onde se
revela o amor de Deus para connosco. Mas, a árvore da cruz é também árvore
da vida, porque, do lado aberto do Senhor, saiu sangue e água, os
sacramentos do Baptismo e da Eucaristia, o Pão da Vida que nos mata a fome para
sempre. Na árvore da cruz, Deus é Sabedoria para aqueles que creem e entrega-se
a nós como Alimento e Bebida. O Pão e o Vinho para o peregrino que empreende o
caminho nesta Quaresma até à Cruz e à Glória da ressurreição!...
Que importância se dá, na vida das vossas
comunidades e dos fiéis à celebração da Eucaristia? Como é a frequência na
participação da Santa Missa aos Domingos? Por ocasião das grandes festas do Ano
Litúrgico?
P. José
Augusto Alves de Sousa, SJ
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2013
MENSAGEM
Crer na caridade suscita caridade
"Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele"
(1 Jo 4, 16)
Crer na caridade suscita caridade
"Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele"
(1 Jo 4, 16)
Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no
contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre
a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e
o amor, que é fruto da ação do Espírito Santo e nos guia por um caminho de
dedicação a Deus e aos outros.
1. A fé como resposta ao amor de Deus
1. A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica,
deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre
estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação
fundamental do apóstolo João: "Nós conhecemos o amor que Deus nos tem,
pois cremos nele" (1 Jo 4, 16), recordava que, "no início do ser
cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um
acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o
rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10),
agora o amor já não é apenas um 'mandamento', mas é a resposta ao dom do amor
com que Deus vem ao nosso encontro" (Deus caritas est, 1). A fé constitui
aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do
amor gratuito e "apaixonado" que Deus tem por nós e que se manifesta
plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração,
mas também o intelecto: "O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o
amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no
ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a
caminho: o amor nunca está 'concluído' e completado" (ibid., 17). Daqui
deriva, para todos os cristãos e em particular para os "agentes da
caridade", a necessidade da fé, daquele "encontro com Deus em Cristo
que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para
eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de
fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo
amor" (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo
e, movido por este amor - "caritas Christi urget nos" (2 Cor 5, 14) -
, está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33).
Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e
mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se
oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus."A fé
mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a
certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que
toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na
cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz –
fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e
nos dá a coragem de viver e agir" (ibid., 39). Tudo isto nos faz
compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é
precisamente "o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado" (ibid.,
7).
2. A caridade como vida na fé
2. A caridade como vida na fé
Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o "sim" da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).
Quando damos espaço ao amor de
Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade.
Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar
com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma
"fé que atua pelo amor" (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo
4, 12).
A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é "caminhar" na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).
3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade
À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma "dialética". Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista.
A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro
com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam,
para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada
Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que
suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço
dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se
contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das
irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com
Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese
na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a
circunscrever a palavra "caridade" à solidariedade ou à mera ajuda
humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é
precisamente a evangelização, ou seja, o "serviço da Palavra". Não há
ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe
o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho,
introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta
e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na
Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e
principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de
Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento
deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada
homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).
Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contato com o divino que é capaz de nos fazer "enamorar do Amor", para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.
A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na
Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: "É pela
graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus;
não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele,
criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas ações que Deus de
antemão preparou para nelas caminharmos" (2, 8-10). Daqui se deduz que
toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido
na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade,
torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são
fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da
própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é
como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A
Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã,
convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e
prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo
tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através
do jejum, da penitência e da esmola.
4. Prioridade da fé, primazia da caridade
4. Prioridade da fé, primazia da caridade
Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a ação do mesmo e único
Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:"Abbá! –
Pai!" (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: "Jesus é Senhor!" (1 Cor
12, 3) e "Maranatha! – Vem, Senhor!" (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).
Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor
encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita
misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a
firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa
sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da
esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à
sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus
manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação
total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a
caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de
Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm
5, 5).
A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé ("saber-se amado por Deus"), mas deve chegar à verdade da caridade ("saber amar a Deus e ao próximo"), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).
A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé ("saber-se amado por Deus"), mas deve chegar à verdade da caridade ("saber amar a Deus e ao próximo"), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).
Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!
Vaticano, 15 de Outubro de 2012
Postado por
Paróquia de S. Pedro
às
12:41:00
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
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