segunda-feira, 6 de maio de 2013

VI Domingo da Páscoa - Todo AMOR vem do Pai

O Pai amou tanto o mundo, que lhe deu o Seu Filho Jesus



Jesus respondeu-lhe: «Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele, e faremos nele a Nossa morada. Quem não Me ama não observa as Minhas palavras. E a palavra que ouvistes não é Minha, mas do Pai que Me enviou. «Disse-vos estas coisas, estando convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos disse. «Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe o vosso coração, nem se assuste. Ouvistes que Eu vos disse: Vou e voltarei a vós. Se vós Me amásseis, certamente vos alegraríeis de Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Eu vo-lo disse agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis.
Jo 14, 23-29

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Concerto - Dia da Mãe



No dia 5 de Maio - Domingo e Dia da Mãe - haverá às 21: 00 horas,  um concerto na Igreja de S. Tiago, pela Academia de Música e Dança do Fundão.

Tod@s são bem vindos 




domingo, 21 de abril de 2013

IV Domingo da Páscoa



«Disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só».


Na figura do Bom Pastor podemos ver um Deus que nos guia e nos conduz, nos reúne e conhece cada um pelo nome. Este Pastor é Jesus que dá a Vida e se oferece por nós.
Cristo Ressuscitado é o Pastor que dá a vida e é a porta para a vida… É necessário é saber distinguir a Sua voz no meio de tantas palavras, vozes e ruídos… E para a escutarmos precisamos de estar atentos à nossa voz interior.   
Necessitamos de recuperar a capacidade de escuta, ouvir a voz de Jesus e construir o lugar para a Sua mensagem na nossa vida. Só Ele satisfaz o desejo profundo de cada pessoa pois só Ele é Fonte da vida verdadeira e da felicidade que não terá fim.
Peçamos ao Senhor a graça de saber reconhecer a voz do Bom Pastor no meio de outras vozes que muitas vezes nos aparecem como alternativas de felicidade.

Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me...


segunda-feira, 15 de abril de 2013

III Domingo da Páscoa


Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo:  estavam juntos  Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos.  Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.  Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele.  Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.»  Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.»
Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar.  Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água.  Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros. 
Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão.  Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.» Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor.  Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe.
Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.
Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.»  Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.»  E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.  Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»
Jo 21, 1-19

domingo, 7 de abril de 2013

II Domingo da Páscoa




Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».  (do Evangelho de S. João)

Viste o Senhor? Onde, quando, e quem o viu? A quem o conto?
É uma sorte e alívio que no Evangelho apareçam pessoas como Tomé, pessoas que duvidam, que têm dificuldades com a fé. É fácil identificarmo-nos com ele.
Às vezes a nossa fé quer certezas – ver e tocar -, convencer-nos pela própria experiência mais do que para outras pessoas.
Nesses momentos tranquilizar-nos-á recordar que “a fé é a capacidade de suportar as dúvidas”.
(Cardeal Newman)


domingo, 31 de março de 2013

Ressuscitou o Senhor Jesus

Pintura de Giotto

Aleluia! Aleluia! Alegremo-nos e rejubilemos porque Ele está Vivo, no meio de nós! Uma Feliz Páscoa plena dos dons de Jesus Ressuscitado! 
A Comunidade Jesuíta

Mensagem de Páscoa 

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa!

Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões...
Sobretudo queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou, uma esperança despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia!

Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração.

Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu até ao extremo no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus, este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, o fez passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança.

Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória é o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).

Amados irmãos e irmãs, Cristo morreu e ressuscitou de uma vez para sempre e para todos, mas a força da Ressurreição, esta passagem da escravidão do mal à liberdade do bem, deve realizar-se em todos os tempos, nos espaços concretos da nossa existência, na nossa vida de cada dia. Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor a Deus e ao próximo, quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Mas a misericórdia de Deus pode fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos (cf. Ez 37, 1-14).

Eis, portanto, o convite que dirijo a todos: acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que a força do seu amor transforme também a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz.
E assim, a Jesus ressuscitado que transforma a morte em vida, peçamos para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz. Sim, Cristo é a nossa paz e, por seu intermédio, imploramos a paz para o mundo inteiro.

Paz para o Médio Oriente, especialmente entre israelitas e palestinos, que sentem dificuldade em encontrar a estrada da concórdia, a fim de que retomem, com coragem e disponibilidade, as negociações para pôr termo a um conflito que já dura há demasiado tempo. Paz no Iraque, para que cesse definitivamente toda a violência, e sobretudo para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto. Já foi derramado tanto sangue… Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise?

Paz para a África, cenário ainda de sangrentos conflitos: no Mali, para que reencontre unidade e estabilidade; e na Nigéria, onde infelizmente não cessam os atentados, que ameaçam gravemente a vida de tantos inocentes, e onde não poucas pessoas, incluindo crianças, são mantidas como reféns por grupos terroristas. Paz no leste da República Democrática do Congo e na República Centro-Africana, onde muitos se veem forçados a deixar as suas casas e vivem ainda no medo.
Paz para a Ásia, sobretudo na península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação.

Paz para o mundo inteiro, ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família – um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa neste século vinte e um. Paz para todo o mundo dilacerado pela violência ligada ao narcotráfico e por uma iníqua exploração dos recursos naturais. Paz para esta nossa Terra! Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação.

Amados irmãos e irmãs, originários de Roma ou de qualquer parte do mundo, a todos vós que me ouvis, dirijo este convite do Salmo 117: «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. Diga a casa de Israel: É eterno o seu amor» (vv. 1-2).  

Mensagem de Páscoa do Papa Francisco


sábado, 30 de março de 2013

O silêncio de Sábado Santo


Sábado Santo

O sábado santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus pronunciadas na sexta-feira santa, "tudo está consumado", e a Insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, que ele mesmo protagoniza. O sábado tem assim um silêncio que não se sabe bem se é ainda o da pedra colocada sobre o túmulo, ou se é já aquele misterioso silêncio que prepara "o grande levantamento" que a ressurreição significa. Este "intervalo", esta terra de ninguém, este tempo amassado entre derrotas e esperança, entre provação e júbilo é o da nossa vida. O silêncio do sábado santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.

P. José Tolentino Mendonça



sexta-feira, 29 de março de 2013

A Cruz que anuncia a Vida



«Cantai sem medo! A cruz foi no calvário
que Deus a ergueu, como a anunciar a vida!»
Pedro Homem de Mello

Jesus morre na Cruz

Do alto da cruz, um grito! Grito de abandono no momento da morte, grito de confiança no sofrimento, grito do parto de uma nova vida. Vemo-Vos, suspenso na Árvore da Vida, entregar o vosso espírito nas mãos do Pai, fazendo jorrar a vida em abundância e moldando a nova criatura.
Hoje, também nós enfrentamos os desafios deste mundo: sentimos que as ondas das preocupações nos submergem e fazem vacilar a nossa confiança. Senhor, reforçai intimamente a nossa certeza de que, enquanto repousarmos nas mãos que nos formaram e acompanham, nenhuma morte nos vencerá.
E possa cada um de nós exclamar: «Ontem, estava crucificado com Cristo,
hoje, estou glorificado com Ele.
Ontem, estava morto com Ele,
hoje, estou vivo com Ele.
Ontem, estava sepultado com Ele,
hoje, ressuscitei com Ele»

(Gregório Nazianzeno).

Nas trevas das nossas noites,
nós Vos contemplamos.
Ensinai-nos a dirigirmo-nos ao Altíssimo,
ao vosso Pai celestial.
Hoje rezamos
para que todos aqueles que promovem o aborto
tomem consciência de que o amor
só pode ser fonte da vida.
Pensamos também nos defensores da eutanásia
e naqueles que incentivam
técnicas e procedimentos
que colocam em perigo a vida humana.
Abri os seus corações,
para que Vos conheçam de verdade,
para que se comprometam na construção
da civilização da vida e do amor.
Amen.


Excertos da Via Sacra presidida em Roma pelo papa Francisco. 
As meditações foram redigidas por jovens libaneses.

Foto: Sandra Soares


quinta-feira, 28 de março de 2013

Quinta-feira Santa









… «Levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando numa toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha. Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Sendo eu vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. 

Hoje fizemos memória da Última Ceia de Jesus e do momento em que Ele se levanta da mesa, se ajoelha e debruça sobre os seus discípulos, a quem lava os pés num gesto de humildade e generosidade.
Dá-nos assim o grande exemplo de serviço e leva-nos a desejar… “Em tudo Amar e servir” (santo Inácio de Loyola)

domingo, 24 de março de 2013


Dia de Ramos; Entrada de Jesus em Jerusalém 
Aclamado pelas Crianças, Adolescentes e Jovens

ACLAMAÇÃO SEM PRETENSÕES

Quantos de nós saímos à rua para aclamar o poder, sem as mãos limpas e o coração desinteressado!... Este mal é de todos os tempos e isto mesmo aconteceu em Jerusalém com Jesus. Uns poucos meses atrás, vimos nos Evangelhos a resistência dos Apóstolos que se opunham determinadamente a que Jesus subisse a Jerusalém, pois ali os Profetas eram tratados sem dó nem piedade, pelo poder político e até pelo poder dos fariseus. A resistência minou o grupo dos Apóstolos e chegou ao auge, quando Pedro disse: “Tu, Senhor não vais a Jerusalém”. E Jesus aqui não se poupou em chamar de satanás a Pedro, porque ninguém tinha direito de lhe travar o caminho para Jerusalém. Mas, depois de ressurreição de Lázaro, as coisas mudaram muito.

O Mestre gozava de prestígio e parece mesmo que começava a responder às pretensões dos Apóstolos. Lembrou-se de montar um burrico, deu umas voltas pela aldeia de Betânia, depois dirigiu-se para o Monte das Oliveiras, desceu até ao Cedrón, subiu a Jerusalém e toda a pequenada dos arredores de Betânia e da encosta do Monte das Oliveiras começou a aclamar o Mestre: “Hosana, ó Filho de David...” e o curioso é que o Mestre não se fez rogado, porque os que gritavam mais eram os Jovens, os mais indiferentes e desprendidos de todo o poder. Por outro lado, Jesus gostou de ser aclamado como o Messias que entrava a tomar posse da sua Cidade. Os Apóstolos juntaram-se aos jovens a bater palmas, porque diziam: “Agora sim, Ele vai tomar posse do Reino”... Mesmo sem alguma televisão para focar a imagem, lá se ia cada um chegando mais à esquerda e à direita do Mestre para ocuparem um lugar de honra no novo poder, como sempre pretenderam.

Jesus dá razão ao grupo da pequenada, mas não àqueles que alimentavam pretensões. Sim, Ele vai tomar o poder, mas pela fraqueza, sobre “todos os poderes e dominações” e sobre o “último inimigo, a morte”... Tal é o verdadeiro triunfo!... O trono real deste triunfo será a Cruz. Onde Jesus assumirá uma realeza que não é deste mundo e que nada tem a ver com o que consideramos como autoridade... (diálogo com Pilatos)


JESUS SEM ILUSÕES

Nada nem ninguém impede Jesus de se ver aclamado, contudo Ele não tinha ilusões: entrar em Jerusalém em dia de Ramos era entrar na boca do lobo. Depois de entrar no Templo em triunfo para tomar conta da Casa de Seu Pai, o ambiente dos dias seguintes estava de chumbo e podia cortar-se à faca: no rosto comprometido e carregado de Judas, no dos Apóstolos sempre aos avanços e recuos, no dos fariseus, inimigos figadais, na indiferença de Pilatos, nos medos da sua mulher sonhadora, na curiosidade de Herodes... enfim, no nosso rosto...


A ESPADA DESEMBAINHADA E A LEGIÃO DE ANJOS

Todo este triunfo do dia de Ramos era bem ilusório. Basta que ouçamos a leitura da Paixão deste dia para vermos o que aconteceu. Na Sexta-feira Santa, tudo mudou. O triunfador já não ia montado num jumentinho, mas depois de ser julgado nos tribunais de Anás, de Caifás e de Herodes, o instrumento do seu triunfo é a cruz. E quem eram os aclamadores? Pedro pensava que, contra a violência se responde com a violência e puxa da espada, mas perde a batalha. Por outro lado, Deus não intervém nas decisões dos homens, mandando as legiões de anjos que não se mobilizam para impedir os homens de irem até ao fim da sua perversidade. Pelo contrário, Deus submete-se às nossas decisões, porque não quer tolher a nossa liberdade. E é este o grande mistério, que só se compreende no amor!... Deus nunca nos abandonará na nossa aflição, como o prova a Cruz.


A EUCARISTIA

Porquê? Porque na Cruz de Sexta-feira Santa é absorvida a morte para sempre. A Cruz, onde o Filho de Deus se entrega por nós como que se tornou uma mãe parturiente que nos dá à Luz o sangue e a água, - o sacramento do Eucaristia e do Baptismo, o pão que nos mata a fome para sempre e a água que sacia a nossa sede. O Corpo de Cristo, Humanidade Nova, está sempre a nascer, a reunir-nos no mesmo caminho que é Cristo e, por Ele, entregamo-nos também nós aos outros para os fazer viver. Todos nós, como os Apóstolos, temos que depor as máscaras das nossas pretensões e abraçar a Cruz. Nela se reuniu o que andava disperso.


LEMBRA-TE DAS PROMESSAS DO TEU BAPTISMO

E lê  (2 Cor.4,8-9;6,9-10)

                                         
 P. José Augusto Alves de Sousa S.J.

 Pintura: Arcabas