quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um presente para pedir a Deus


Peço pelo dom do discernimento nas escolhas que tenho de fazer ao longo do caminho.

Uma reflexão para o caminho
Ninguém, creio, gosta de pensar na sua viagem da vida como estando totalmente pré-determinada, avançando simplesmente ao longo de carris fixos até chegar ao destino há muito escolhido. É por isso que as encruzilhadas são importantes. São um espaço para parar, para pensar nas opções e para recomeçar a viagem no caminho que livremente escolheu. Mas se as encruzilhadas oferecem a escolha, elas também proporcionam a possibilidade de optar pela escolha errada. Numa encruzilhada, preciso de estar particularmente confiante na direção que quero tomar, no mapa que estou a usar para me guiar, ou no conselho que me é oferecido.
Uma fonte de encorajamento é a capacidade que temos de aprender com os nossos erros. Por isso é importante meditar, na oração, diante das encruzilhadas da sua vida em que vários caminhos se estendem à sua frente. Consegue recordar momentos em que tem agora a sensação de que escolheu bem? Como é que foi o processo de escolha? Talvez consiga também trazer à memória aqueles tempos em que hoje está certo de que escolheu mal. O que é que pensa que correu mal? O que é que a impediu de tomar um opção melhor?
Poucas das nossas opções são definitivas. A nossa fé assenta na confiança de que Deus tem a enorme capacidade de converter os erros em experiências que podem, a longo prazo, beneficiar-nos. Isto é apreendido na ideia medieval de "felix culpa", a "culpa feliz". Segundo esta conceção, até a história bíblica do pecado de Adão e Eva, que nos expulsou do Paraíso, se tornou a possibilidade para Deus enviar o seu Filho, que é o Emanuel, o Deus connosco.
Consegue discernir momentos em que Deus usou alguns dos seus erros para criar um bem maior na sua própria vida ou na vida das pessoas à sua volta?

Uma passagem bíblica para o caminho
No capítulo 10 do Evangelho segundo Marcos, Jesus encontra um homem rico que está à procura de um sentido mais profundo para a sua vida. O homem está precisamente numa encruzilhada, sem saber que caminho escolher. Como resultado da conversa, Jesus oferece-lhe a possibilidade de se tornar seu discípulo, mas também aponta algo que vai custar. Ele não pressiona o homem; a escolha é dele e só dele.
Ao ler essa passagem, tendemos a saltar para o fim, quando o homem rejeita o convite de Jesus porque implica abdicar da riqueza. Como resultado, vai-se embora triste, é-nos narrado. Mas sugiro que na oração de hoje medite na situação que é estar no interior da própria encruzilhada, no momento em que o homem ouve o convite e pondera no que há de responder. Nessa ocasião, Marcos oferece um detalhe significativo:
«Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele...» (Marcos 10, 21).
Como é que se sente ao experimentar o olhar amoroso que Jesus lhe lança a si quando está perante decisões que tem de tomar?

Palavras para a viagem
Senhor das encruzilhadas,
a minha vida pode parecer cheia de escolhas, grandes e pequenas.
Ajuda-me sempre a tomar as decisões
que conduzam, a mim e a outros, na tua direção.

P. Paul Nicholson
In An Advent pilgrimage, KM Publishing
Trad.: SNPC

domingo, 15 de dezembro de 2013

III Domingo de Advento

José, o homem bom que, no sonho, entrevê o mistério


No presépio (…), talvez um pouco retirado, ponhamos José. Enquanto Maria medita, ele sonha. É no sonho que ouve. É no sonho que compreende e decide. “Não temas”. E José deixa de temer. Toma Maria consigo. Bastar-lhe-á dispor as coisas ao Mistério. Entra nele como quem fica de fora. Respeita-o como quem está dentro. O que se passa no ventre de Maria e o que se passará na gruta do nascimento não poderia acontecer sem o seu sonho, a sua presença, a sua distância. José acompanha. E basta-lhe. Tão ajustado, a sua justiça comove-nos.
Peguemos, então, com José numa candeia acesa e iluminemos a escuridão da gruta. Aproximemos os animais para que tudo fique mais aconchegado. Preparemos os cânticos. Maria está grávida. Em breve dará à luz. O seu menino, o Filho, nos será dado, Ele, a nossa luz e a nossa paz. (…)
P. José Frazão Correia, sj

 Para Rezar em Família


LEITURA: Is 35, 1-6.10
1Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. 2Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Sáron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus.
 3Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. 4Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos.» 5Então se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. 6Então o coxo saltará como um veado, e a língua do mudo cantará de alegria. 10Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento, e acabarão a dor e os gemidos.

Eu serei o salvador de Sião e a glória de Jerusalém.  (Ant. 3- Laudes do III Domingo Advento)

REFLEXÃO
Esta é a terceira semana do Advento. Celebramos o domingo da alegria. Sim, o cristão não é contente, é alegre. O Homem cristão não se pode contentar com algo pequeno, com algo finito. O Ser-Humano é criado para o alto, para o infinito, para a eternidade. Pois bem, o Homem deve-se sentir nascido a cada dia para a mais alta dimensão humana e espiritual do seu Ser, que só reconhece a maior amplitude da sua Existência, em Jesus, a quem esperamos. Tomemos como exemplo a imagem de Maria.

Oração
Após a tua meditação pessoal, ou em grupo, faz uma pequena reflexão/ debate, acerca do papel e da figura de Maria na História da Salvação, na história da tua vocação como Homem e na história da tua fé. Maria é, sem dúvida, a maior testemunha da redenção que nos vem por Jesus.

É preciso aprender de Maria a disponibilidade total com que Ela recebeu Jesus na sua vida.
Papa Francisco

 «Esperar na Alegria» 

sábado, 14 de dezembro de 2013

S. João da Cruz

Hoje a Igreja celebra S. João da Cruz, Presbítero, Doutor da Igreja
deixamos uma palavrinha sobre a sua vida 


Nasceu em Fontiveros, na Espanha, em 1542. 
Seu pai era rico e casou com uma moça pobre e por isso foi deserdado. 
João entrou para o Carmelo com 21 anos, tomando o nome de João de São Matias. Em 1567, João tinha 25 anos e tinha sido recém- ordenado sacerdote, quando conheceu Santa Teresa que lhe propôs a reforma do ramo masculino do Carmelo (ela ja tinha iniciado a reforma feminina). João aceita a proposta e em 1568 inicia a reforma. 
Troca o nome para João da Cruz e passa a viver com outros freis na mais radical pobreza e contemplação. 
Mais tarde João foi preso, pelos antigos Carmelitas que não queriam a reforma.
Passou 9 meses na prisão, sendo tratado com extrema dureza. João costumava pedir a Deus três coisas: que Ele não o deixasse passar um só dia sem sofrimento, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado. João da Cruz morreu em 1591 com 49 anos de idade.

«Quando Tu me olhavas,
A sua graça em mim os Teus olhos imprimiam:
Por isso me amavas,
E nisso mereciam
Os meus olhos adorar o que em Ti viam».

(Canções entre a alma e o esposo)
S. João da Cruz 



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Celebrar o Dom da Vida

Dia 8 de Dezembro

A Eucaristia em si mesma é acção de graças e todos os dias de aniversário são uma graça e um dom que o Senhor nos oferece gratuitamente. 
Tendo o privilégio de fazer anos no dia da Imaculada Conceição, a beleza é muito maior e a graça do dom da vida mais sentida. 
Foi bonito partilhar com o P. José Augusto Sousa o dia do seu aniversário na Eucaristia festiva, que reuniu a Comunidade, Família e amigos do P. Sousa.
Marcado pela alegria estava o seu rosto simpático, que nos ensina, encoraja e acompanha, nos momentos difíceis e também nos momentos de alegria.
Presidiu ainda, com júbilo, ao Batizado da Madalena, que e se tornou novo membro da Igreja como referiu o P. Sousa.
Foi portanto neste ambiente festivo, onde até a dança e a música Africana marcaram presença, que celebrámos a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.
A seguir, a festa prosseguiu com um almoço partilhado, com a presença do Sr. Bispo D. Manuel Felício, onde não faltaram poemas, cantorias e um discurso muito sentido, simples mas verdadeiramente elucidativo da missão que o P. Sousa tem exercido na Paróquia, no Hospital da Cova da Beira, onde é capelão, e mesmo em  Moçambique, terras de missão. 
Finalmente todos pudemos, de coração agradecido, louvar o Senhor da Vida pelas maravilhas que opera em tudo e em todos. 
Cantai ao Senhor um cântico novo, o Senhor fez maravilhas! (salmo 97)
Alice Matos





domingo, 8 de dezembro de 2013

Solenidade da Imaculada Conceição de Maria

    
Chegou sem ser esperado, veio sem ter sido concebido. Só a mãe sabia que era filho de Deus. Só a mãe sabia que era filho do anúncio de Deus, na voz de um anjo. 

Só as mulheres, as mães, sabem o que é o verbo esperar. O género masculino não tem constância nem corpo para hospedar esperas. Sinto de novo a agravante de ignorar fisicamente a voz do verbo esperar. Não por impaciência, mas por falta de capacidade: nem mesmo durante as febres de malária me acontecia recorrer ao repertório das fantasias de me curar, de estar à espera de.

Nos despertares matutinos ao folhear Isaías leio: «Felizes aqueles que o esperam» (Is 30,18). Mas mais forte do que esta notícia, no mesmo versículo está escrito «Por isso esperará Deus para vos fazer misericórdia». Existe uma primeira espera, que espera por Deus e tem o mesmo verbo hebraico. Na sua redução à forma da espécie humana, o Seu tempo infinito contrai-se no finito de uma espera. Deus espera: «para vos fazer misericórdia».

O tempo de Advento vive desta imitação, defronte à eternidade de um Deus que aceita fazer-se tempo, irrompendo no mundo em meses estabelecidos com nascimento, morte e ressurreição.

Quem tem no seu corpo os recursos para conceber esperas, conhece do versículo de Isaías a imensidade da correspondente espera de Deus.

 Erri de Luca in Caroço de Azeitona (adpt)



II Domingo de Advento

REZAR EM TEMPO DE ADVENTO


Como é fácil, Senhor Jesus,
Daqui, de ao pé da tua Cruz,
Avistar a paisagem do Advento,
Compreender-lhe a mensagem,
Respirar-lhe o alento.

Daqui, de ao pé da tua Cruz de Luz,
Sem dúvida o lugar mais alto do mundo,
Mais alto e mais profundo,
Vê-se bem, com toda a claridade,
Que a lonjura do Advento não é horizontal.
Eleva-se em altura.
Como a tua túnica tecida de Alto-a-baixo,
Vertical,
E sem costura.

Tu vens do Alto, Senhor.
Tu vens de Deus.
Tu és Deus.
Tu és o Justo
Que chove das alturas
Sobre a nossa humanidade sedenta e às escuras.

Vem, Senhor Jesus,
Alumia e rega a nossa terra dura,
Acaricia o nosso humilde chão
E modela com as tuas mãos de amor
Em cada um de nós
Um novo coração
Capaz de ver.
Capaz de Te ver
Nascer
Em cada irmão.

D. António Couto


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

PREGÃO DE ADVENTO

Anuncio-vos que começou o Advento.
Alçai a vista, esfregai os olhos, observai o horizonte.
Dai conta do momento. Apurai o ouvido.
Captai os gritos e sussurros, o vento, a vida...

Começamos o Advento,
e uma vez mais renasce a esperança no horizonte.
Ao fundo, já clareando, o Natal.
Um Natal sossegado, íntimo, pacífico,
fraternal, solidário, encarnado,
também superficial, desgarrado, violento...;
mas sempre casado com a esperança.

É Advento, essa criança esperança
que todos levamos, sem saber como, nas entranhas;
uma chama tremelicante, impossível de apagar,
que atravessa a espessura dos tempos;
um caminho de solidaridade bem percorrido;
a alegria contida em cada trajecto;
umas marcas que não enganam;
uma gestação cheia de vida;
anúncio contido de boa nova;
uma ternura que transborda...
Estai alerta e escutai.
Cheio de esperança grita Isaías:
«Caminhemos à luz do Senhor» .
Com esperança apregoa João Baptista:
«Convertei-vos, porque já chega o reino de Deus».
Com a esperança de todos os pobres de Israel,
de todos os pobres do mundo,
sussurra Maria a sua palavra de acolhimento:
«Faça-se em mim segundo a tua palavra» .
Alegrai-vos, saltai de júbilo.
Vesti o vosso melhor traje.
Perfumai-vos com perfumes caros. Que se note!
Deus vem. Avivai a alegria, paz e esperança.
Preparai o caminho. Já chega o nosso Salvador.
Deus vem... e está à porta.
Despertai para a vida! 

                   Ulibarri, Fl


Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização

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Documento preparatório da III Assembleia Geral Extraordinária 
do Sínodo dos Bispos sobre o tema
 "DESAFIOS PASTORAIS DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DA EVANGELIZAÇÃO" 

O Papa Francisco proclamou a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que terá lugar no Vaticano de 5 a 19 de Outubro de 2014 sobre o tema: «Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização».
Para preparar esta Assembleia, o Papa convida todos os cristãos a responder ao inquérito sobre a realidade familiar.
Para dar seguimento a esta consulta, a Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa disponibilizou no seu site, em http://familia.patriarcado-lisboa.pt/sinodofamilia, o referido questionário.
Assim, convidamos todos os paroquianos a darem o seu contributo.

O questionário estará disponível até 8 de Dezembro de 2013.


Márcio Gomes

domingo, 1 de dezembro de 2013

I Domingo do Advento


A ESPERA DO ENCONTRO

Isabel, parente da Mãe de Deus, era estéril e já de idade avançada. (…) A esterilidade de Isabel tornará evidente o sinal da virgindade fecunda de Maria. De facto, com a Virgem Maria, a humanidade apresenta-se finalmente disposta a não reivindicar, a retirar-se, a não reservar para si o primeiro lugar, mas a -lo conscientemente a Deus, para que Ele possa agir. A efusão do amor de Deus assume e fecunda a energia de acolhimento da Virgem. O Senhor da Vida pode agora fazer frutificar o ventre virgem, que assim se torna um ventre materno. Virgem e Mãe: 
uma novidade absoluta e única que exprime todo o mistério da relação entre Deus e o género humano.
E, para confirmar o prodígio, o mesmo Senhor da Vida reabre o ventre já fechado da anciã. Será Isabel, graças à exultação do próprio filho no ventre e na força do Espírito Santo (cf. Lc 1, 41), a reconhecer em primeiro lugar a vinda de Cristo e a acolher o Salvador como hóspede em sua casa. Será exactamente a saudação de Isabel  «Bendito o fruto do teu ventre!»  a suscitar no coração de Maria o mais belo cântico de louvor que a humanidade pode dirigir a Deus. E será exactamente o seu filho, o Precursor, que, gritando a verdade sobre o pecado (cf. Mt3, 1-6), nos ajudará a confessar a necessidade da salvação e a prepararmo-nos assim  hoje como então  para reconhecer Cristo como nosso Salvador e nosso Senhor.

O Natal – Mosaicos de Rupnik . Editorial AO

Para Rezar em Família


  LEITURA
«Vós sabeis em que tempo estamos: chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé.
A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.»
(S. Paulo aos Romanos) 13, 11-12

REFLEXÃO
O texto fala-nos de nos «levantarmos do sono». De facto, todos nós andamos muitas vezes a dormir, num sono profundo, quando estamos aparentemente acordados (até de olhos abertos) e cheios de pressa. Mas a nossa alma, o nosso espírito, dorme, e os nossos olhos, apesar de abertos, não conseguem ver o essencial,
aquilo que nos salva. O texto sugere-nos também que o tempo de Advento é um tempo de deixar para trás o que nos afasta do Senhor e de acordarmos para a promessa que se concretiza: o Amor de Deus feito homem no Senhor Jesus que vai nascer.

PROPOSTA DE ORAÇÃO PARTILHADA
Neste início de Advento, Senhor, quero pedir-Te para que o bater do meu coração passe a ser como um despertador. Um despertador bem forte, que me acorda de todas as pequenas coisas para as quais ando adormecido (pensar um aspeto em que sinta que anda adormecido).
Senhor, acorda-me para Ti e lembra-me que és Tu que pulsas no coração de cada um. Este Natal, quando nasceres, Senhor, quero estar bem acordado para Te receber.

 http://apacsjb.org.pt/documentos/Livro-do-Advento





segunda-feira, 25 de novembro de 2013

MENSAGEM URBI ET ORBI

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO
NATAL 2013
Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013

«Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14).

Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, bom dia e feliz Natal!
Faço meu o cântico dos anjos que apareceram aos pastores de Belém, na noite em que nasceu Jesus. Um cântico que une céu e terra, dirigindo ao céu o louvor e a glória e, à terra dos homens, votos de paz.
Convido todos a unirem-se a este cântico: este cântico é para todo o homem e mulher que vela na noite, que tem esperança num mundo melhor, que cuida dos outros procurando humildemente cumprir o seu dever.
Glória a Deus.
A primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é isto: dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo.
Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos.
Paz aos homens.
A verdadeira paz – como sabemos – não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo.
Vendo o Menino no presépio, Menino de paz, pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!
Muitas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária. Vimos como é poderosa a oração! E fico contente sabendo que hoje também se unem a esta nossa súplica pela paz na Síria crentes de diversas confissões religiosas. Nunca percamos a coragem da oração! A coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro. E convido também os não crentes a desejarem a paz, com o seu anelo, aquele anelo que alarga o coração: todos unidos, ou com a oração ou com o desejo. Mas todos, pela paz.
Ó Deus Menino, dai paz à República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens. Mas Vós, Senhor, não esqueceis ninguém e quereis levar a paz também àquela terra, dilacerada por uma espiral de violência e miséria, onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver. Favorecei a concórdia no Sudão do Sul, onde as tensões actuais já provocaram demasiadas vítimas e ameaçam a convivência pacífica naquele jovem Estado.
Vós, ó Príncipe da Paz, convertei por todo o lado o coração dos violentos, para que deponham as armas e se empreenda o caminho do diálogo. Olhai a Nigéria, dilacerada por contínuos ataques que não poupam inocentes nem indefesos. Abençoai a Terra que escolhestes para vir ao mundo e fazei chegar a um desfecho feliz as negociações de paz entre Israelitas e Palestinianos. Curai as chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados.
Vós, Senhor da vida, protegei todos aqueles que são perseguidos por causa do vosso nome. Dai esperança e conforto aos deslocados e refugiados, especialmente no Corno de África e no leste da República Democrática do Congo. Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa.
Ó Menino de Belém, tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância.
Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente. Assisti e protegei quantos são vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão.
Queridos irmãos e irmãs, hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que o nosso coração se comova: não tenhamos medo disso. Não tenhamos medo que o nosso coração se comova! Precisamos que o nosso coração se comova. Deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus; precisamos das suas carícias. As carícias de Deus não fazem feridas: as carícias de Deus dão-nos paz e força. Precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos! Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus.

Votos de um Natal feliz no termo da Mensagem Urbi et Orbi do Santo Padre
A vós, queridos irmãos e irmãs, vindos de todo o mundo e reunidos nesta Praça, e a quantos estão em ligação connosco nos diversos países através dos meios de comunicação, dirijo os meus votos de um Natal Feliz!
Neste dia, iluminado pela esperança evangélica que provém da gruta humilde de Belém, invoco os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados. Nascido para nós, Jesus conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados. Feliz Natal para todos!