sábado, 11 de janeiro de 2014

Evangelho do dia

Annibale Carracci

Naquele tempo, foi Jesus com os seus discípulos para o território da Judeia, onde se demorou com eles, e começou a batizar.

João batizava em Enon, perto de Salim, porque ali a água era abundante e aparecia muita gente para se batizar. João ainda não tinha sido encarcerado.

Surgiu uma discussão entre os discípulos de João e um judeu a respeito da purificação. Foram ter com João e disseram-lhe: «Mestre, aquele que estava contigo na outra margem do Jordão e de quem deste testemunho anda a batizar e todos vão ter com Ele».

João respondeu: «Ninguém pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós próprios sois testemunhas de que eu disse: "Não sou o Messias, mas aquele que foi enviado à sua frente". Quem tem a esposa é o esposo; e o amigo do esposo, que o acompanha e escuta, sente muita alegria ao ouvir a sua voz. Essa é a minha alegria, que agora é completa: Ele deve crescer e eu diminuir». 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Evangelho do dia

Rembrandt 

Naquele tempo, estando Jesus em certa cidade, apareceu um homem cheio de lepra. Ao ver Jesus, caiu de rosto por terra e suplicou-Lhe: «Senhor, se quiseres, podes curar-me».

Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: «Eu quero; fica curado». E imediatamente a lepra o deixou.
Jesus ordenou-lhe que a ninguém o dissesse, mas acrescentou: «Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho».


Cada vez se divulgava mais a fama de Jesus e reuniam-se grandes multidões para o ouvirem e serem curados dos seus males. Mas Jesus costumava retirar-se em lugares desertos para orar.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Evangelho do dia


Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos.

Foi então a Nazaré, onde se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-se para fazer a leitura. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito:

«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; Ele Me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor».

Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga.

Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam da mensagem da graça que saía da sua boca.
Lucas 4, 14-22a

domingo, 5 de janeiro de 2014

«Vimos a sua estrela e viemos adorá-lO».


Onde está preguntaram eles o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lO». 

   Os Magos caminham para Belém, mas, depois, voltam para as suas terras. Poderiam ter ficado em Jerusalém e aí adorar o verdadeiro Deus, mas estes sábios perceberam que já não é somente em Jerusalém que se adora Deus, mas o verdadeiro Deus adora-se em cada homem, em cada mulher, em cada lugar, em cada um de nós. Deus presente, em Cristo e por Cristo, enche o Universo.
     Não podemos, pois, ficar a meio caminho, mas olhar sempre para diante, sobretudo, neste ano 2014, que se nos afigura cheio de dificuldades para transpor... Num tempo de descristianização e de afastamento de muitos que desanimam de buscar a Luz e de se deixarem iluminar por ela, temos obrigação de acompanhar todos aqueles e aquelas que, como os Magos, partem para o futuro, sem saberem muito bem onde a estrela os conduz. Ir por diante, sem desencorajar-se, é o sentido da festa da Epifania que estamos a celebrar. É também aquilo que nos devemos desejar uns aos outros para este novo ano. Esta festa dos Magos diz-nos que onde quer que vamos ou estejamos, Cristo já está presente. Os homens de todas as raças e de todas as culturas são trabalhados secretamente pela luz de Cristo. Mas todos necessitamos da revelação feita a Israel e os Magos não esqueceram isso. Com a luz que já estava neles, foram a Jerusalém perguntar pelo Menino e foram os judeus que lhes disseram onde devia nascer: em Belém de Judá.  
     O Verbo está em toda a existência. E Ele vem a nós através do povo judeu, através deste homem e desta mulher em particular, através do povo que contempla o Invisível, através dos astros como aconteceu com os Magos.
P. José Augusto Sousa, sj


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Dizer «obrigado» no último dia do ano


«Se a tua única oração na vida for "obrigado", isso bastará (Mestre Eckhart)». A gratidão não é apenas uma atitude de louvor, é também o elemento básico de uma verdadeira crença em Deus.
Quando inclinamos as nossas cabeças em sinal de gratidão, reconhecemos que as obras de Deus são boas. Reconhecemos que não podemos salvar-nos por nós próprios. Proclamamos que a nossa existência e todas as coisas boas que ela tem, não vêm do nosso expediente, fazem parte da obra de Deus. A gratidão é o aleluia à existência, o louvor que ressoa através do Universo, como um tributo à presença de Deus, constante entre nós, incluindo neste momento.

Obrigado por este novo dia.
Obrigado por este trabalho.
Obrigado por esta família.
Obrigado pelo nosso pão de cada dia.
Obrigado por esta tempestade e pela humidade que ela traz à terra seca.
Obrigado pelas correções que me fazem crescer.
Obrigado pelas flores silvestres que dão cor à ladeira.
Obrigado pelos animais de estimação que nos unem à natureza.
Obrigado pela necessidade que me mantêm vigilante em relação à tua generosidade na minha vida.

Sem dúvida, a gratidão ilimitada salva-nos do sentimento de autossuficiência, que nos leva a esquecermo-nos de Deus.
O louvor não é uma virtude ociosa na vida. Diz-nos: «Lembra-te de Quem és devedor. Se nunca tiveres conhecido a necessidade, nunca virás a conhecer Quem é Deus nem quem és tu.»
A necessidade testa a nossa confiança. Dá-nos a oportunidade de permitir que os outros nos apoiem nas nossas fraquezas, dando-nos conta que, no fim, só Deus é a medida da nossa plenitude.
Quando conhecemos a necessidade, somos melhores seres humanos. Pela primeira vez, conhecemos a solidariedade para com os mais pobres dos pobres. Fazemos nossa a dor do mundo e devotamo-nos a trabalhar em favor daqueles que sofrem.
Finalmente, é a necessidade que nos mostra que é preciso muito pouco para se ser feliz.
Mal percebemos todas estas coisas, encontramo-nos face a face, tanto com a Criação, como com o Criador. É um momento de aleluia em que descobrimos Deus e a sua bondade para connosco.
Aprendamos a vir à oração com um coração de aleluia, para que ela possa ser sincera.

Pastoral da Cultura
Joan Chittister
In O sopro da vida interior, ed. Paulinas

domingo, 29 de dezembro de 2013

Oração à Sagrada Família

Jesus, Maria e José,
em Vós contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Santa Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
espaços de comunhão e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Santa Família de Nazaré,
que nunca mais nas famílias se faça experiência
de violência, egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Santa Família de Nazaré,
que o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar, em todos, a consciência
do caráter sagrado e inviolável da família,
a sua beleza no projeto de Deus.

Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica.
Amém.

Papa Francisco, 28.12.2013


sábado, 28 de dezembro de 2013

De noite… a Luz…


A noite, Senhor, é tempo e espaço de liberdade. É de noite que se ouvem os segredos do silêncio. É no silêncio da noite que as coisas acontecem. A noite tem valias, beleza que o dia nunca imaginou e com as quais nunca sonhou.
Tu, Jesus, és o Senhor das noites serranas e frias de Inverno. Tu, Menino Jesus és o Senhor da Noite da Luz, da Noite de Natal!...
Deus criou-nos para a sua paz, para o seu silêncio. De noite a quietude adensa-se numa tonalidade inteiramente nova. É no silêncio da noite que Tu vens, que Tu nasces! No silêncio da noite podemos buscar-Te, encontrar-te e escutar-Te!
A noite está carregada de sentido e infinita expectação. Vejamos alguns exemplos Bíblicos:
De noite, através de sonhos, Deus falava aos Santos patriarcas e também a S. José. Foi também de noite, que o jovem Samuel ouviu 3 vezes o seu nome. Deus dava luz às suas dúvidas e perguntas….
Foi na Grande Noite que o Menino, o Deus-connosco, nasceu no presépio, e os anjos cantaram em júbilo e anunciaram a Sua presença no meio de nós… Em Belém, Jesus nasce “a caminho”, com seus pais. Tão pequenino e já “peregrino”! Que Mistério!... Foi de noite que a Sagrada Família recebeu a visita dos mais pobres e simples, os pastores, conduzidos pela luz da estrela. Bendita Noite!
De noite, Nicodemos, homem de boa vontade e em actitude de busca, “foi ter com Jesus”, foi ao encontro do Peregrino, e perguntou-lhe: “como pode um homem nascer de novo” e Jesus respondeu: “tendes de nascer de novo”, (cf. Jo 3,1-8), isto é, tendes de passar das trevas da noite para a luz …
A noite guardou o Corpo de Jesus no sepulcro, viu-O ressuscitar e alegrou-se com a Sua ressurreição. Bendita noite! Noite de Luz!
Também nós nos momentos de trevas, de escuridão (e não só), nas noites do nosso peregrinar, precisamos de buscar o Senhor, de O encontrar e nos deixarmos encontrar por Ele, para mantermos a luz da fé, da esperança acesas…
Jesus, o mistério do Teu nascimento, rasgou e atravessou a noite e a “Luz resplandeceu nas trevas (Jo 1,5a), porque Tu, és o Filho, o nosso Menino “que nos foi dado, que nasceu para nós” (cf. Is 9,1-6); Tu, nosso Jesus, “és a Luz que vinda ao mundo ilumina todo o homem (Jo 1,9), ilumina a noite! De noite, Tu vieste visitar-nos, consolar-nos e abençoar-nos… Vem Senhor Jesus! Fica connosco Jesus!
De noite esperamos por Ti, Jesus e Tu envolves-nos no Teu nascimento, nos panos, na simplicidade, na ternura da manjedoura onde nascestes…
De noite, nascemos, renascemos Contigo… de noite ... a Luz, a Tua Luz!                                                                                                                                                       
P. Hermínio Vitorino, sj

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MENSAGEM URBI ET ORBI

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO
NATAL 2013

Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013

«Glória a Deus nas alturas

e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14).

Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, bom dia e feliz Natal!
Faço meu o cântico dos anjos que apareceram aos pastores de Belém, na noite em que nasceu Jesus. Um cântico que une céu e terra, dirigindo ao céu o louvor e a glória e, à terra dos homens, votos de paz.
Convido todos a unirem-se a este cântico: este cântico é para todo o homem e mulher que vela na noite, que tem esperança num mundo melhor, que cuida dos outros procurando humildemente cumprir o seu dever.
Glória a Deus.
A primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é isto: dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo.
Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos.
Paz aos homens.
A verdadeira paz – como sabemos – não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo.
Vendo o Menino no presépio, Menino de paz, pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!
Muitas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária. Vimos como é poderosa a oração! E fico contente sabendo que hoje também se unem a esta nossa súplica pela paz na Síria crentes de diversas confissões religiosas. Nunca percamos a coragem da oração! A coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro. E convido também os não crentes a desejarem a paz, com o seu anelo, aquele anelo que alarga o coração: todos unidos, ou com a oração ou com o desejo. Mas todos, pela paz.
Ó Deus Menino, dai paz à República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens. Mas Vós, Senhor, não esqueceis ninguém e quereis levar a paz também àquela terra, dilacerada por uma espiral de violência e miséria, onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver. Favorecei a concórdia no Sudão do Sul, onde as tensões actuais já provocaram demasiadas vítimas e ameaçam a convivência pacífica naquele jovem Estado.
Vós, ó Príncipe da Paz, convertei por todo o lado o coração dos violentos, para que deponham as armas e se empreenda o caminho do diálogo. Olhai a Nigéria, dilacerada por contínuos ataques que não poupam inocentes nem indefesos. Abençoai a Terra que escolhestes para vir ao mundo e fazei chegar a um desfecho feliz as negociações de paz entre Israelitas e Palestinianos. Curai as chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados.
Vós, Senhor da vida, protegei todos aqueles que são perseguidos por causa do vosso nome. Dai esperança e conforto aos deslocados e refugiados, especialmente no Corno de África e no leste da República Democrática do Congo. Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa.
Ó Menino de Belém, tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância.
Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente. Assisti e protegei quantos são vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão.
Queridos irmãos e irmãs, hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que o nosso coração se comova: não tenhamos medo disso. Não tenhamos medo que o nosso coração se comova! Precisamos que o nosso coração se comova. Deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus; precisamos das suas carícias. As carícias de Deus não fazem feridas: as carícias de Deus dão-nos paz e força. Precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos! Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus.


Votos de um Natal feliz no termo da Mensagem Urbi et Orbi do Santo Padre
A vós, queridos irmãos e irmãs, vindos de todo o mundo e reunidos nesta Praça, e a quantos estão em ligação connosco nos diversos países através dos meios de comunicação, dirijo os meus votos de um Natal Feliz!
Neste dia, iluminado pela esperança evangélica que provém da gruta humilde de Belém, invoco os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados. Nascido para nós, Jesus conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados. Feliz Natal para todos!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz»


«Sois imenso, e fizestes-vos pequenino; sois rico, e fizestes-vos pobre; sois omnipotente, e fizestes-vos frágil

«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). Esta profecia de Isaías não cessa de nos comover, especialmente quando a ouvimos na liturgia da Noite de Natal. E não se trata apenas de um facto emotivo, sentimental; comove-nos, porque exprime a realidade profunda daquilo que somos: somos povo em caminho, e ao nosso redor – mas também dentro de nós – há trevas e luz. E nesta noite, enquanto o espírito das trevas envolve o mundo, renova-se o acontecimento que sempre nos maravilha e surpreende: o povo em caminho vê uma grande luz. Uma luz que nos faz refletir sobre este mistério: o mistério do andar e do ver. 

Papa Francisco (extrato)
Homilia na primeira missa de Natal como Bispo de Roma
Vaticano, 24.12.2013