sábado, 15 de abril de 2017

SÁBADO SANTO

 Arte Sierge Koder 
"Quatro linhas sobre a cruz
A primeira linha abre o silêncio como os braços de Cristo na Cruz
A segunda linha abraça-te até que a voz que te
fala respire no interior da tua escuta
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz,
o fio de água para que nunca esqueças a única Fonte
A quarta linha é o próprio rastro Daquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz."
Daniel Faria


"ESTE DIA É ÚNICO NO ANO. As igrejas silenciosas e “despidas” convidam à reflexão e oração. Por outro lado, preocupadas com o aspeto exterior das festas pascais, muitas pessoas vivem-no com uma agitação enorme. De que lado me coloco? Sabendo que Jesus morreu por Amor, fico na expectativa. E espero com ansiedade celebrar a sua Ressurreição."
(Uma proposta do Apostolado da Oração- Rede Mundial de Oração do Papa)


Sábado Santo


«O sábado santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente, representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus, pronunciadas na sexta-feira santa, “tudo está consumado”, e a insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, ele mesmo protagoniza. […] O silêncio do sábado santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.»

Pe. José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta-feira da Paixão


Era uma vez o Amor...

«Salvou os outros e não conseguiu salvar-Se a Si mesmo», comentava-se junto Daquele crucificado, sem perceber nada da sua história.


Exatamente porque Ele se dispõe a amar-nos, Ele não pode salvar-se a si mesmo. Porque o que é próprio do amor é esse deixar de pensar em si. É esse abandono, é essa pobreza radical, é essa entrega, em que o outro, o outro, é colocado no centro. Nós estamos no centro do gesto de Jesus. Da sua história de amor, da sua entrega.

Na verdade, a história mais simples do mundo, mas por vezes complicamos tanto a simplicidade do mundo! Comprometemos a transparência da vida com o nosso excesso de razões! No entanto, aquela história, a de Jesus, conta-se assim: «Era uma vez o Amor...».

O amor, essa entrega de nós para lá do cálculo e da retenção, a ponto de não conseguirmos viver para nós próprios.  

O amor, essa descoberta de que ou nos salvamos com os outros (porque aceitamos o risco de viver para os outros) ou gastamos inutilmente o nosso tesouro.

O que se comentava junto da cruz, naquele dia, não era um insulto, mas o maior dos elogios feitos a Jesus. Compreender isso é, de alguma maneira, acolher o sentido verdadeiro da Páscoa.»


Pe. José Tolentino Mendonça
(excertos de textos e homilias)



quinta-feira, 13 de abril de 2017

5ª feira Santa - Lava pés

Lava Pés Giotto

«Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.» [Jo 13, 1-15]

Tríduo Pascal


domingo, 9 de abril de 2017

DOMINGO DE RAMOS

A ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM



Na entrada jubilosa de Jesus em Jerusalém, eu, como tantos outros, misturado na multidão dos simples peregrinos que, tendo ouvido falar da ressurreição de Lázaro e da chegada de Jesus, vou ao Seu encontro e acompanho-O, contemplando-O.
O Senhor entra na sua cidade de Jerusalém, vem montado num jumentinho, de acordo com a profecia. Um animal que nada tem a ver com uma montada real e o jumentinho nem sequer lhe pertence, porque o deve restituir Estendem-se as capas e ramos de árvores no caminho, a multidão canta «Hossana» saudando e gritando: «Bendito o que vem em nome do senhor!». 
Medito, meditemos para tirarmos proveito!.. 

Misturo-me também eu com esta multidão de pessoas que estendem os seus vestidos e ornamentam com palmas o percurso do Rei de Israel que eles aclamam, com grande escândalo de todos os fariseus, os de então e os de hoje. Aclamo-O, a Ele que vem tomar posse dum Reino que não é deste mundo, mas que está nele incorporado.

Mateus diz-nos que Jesus procede assim para cumprir a Escritura, Isaías anuncia que o rei entra em Jerusalém, não para governar, mas para servir. Contudo, neste triunfo, a multidão que o aclama está ofuscada, longe de compreender a significação plena. Não se trata de aclamar um rei que subjuga a vida e a amarra para servir o poder, mas um rei que dá a vida e não sacrifica vidas como fazem os reis deste mundo. 

Caminho e bato palmas com o entusiasmo dos discípulos, sem saber que não se trata de um triunfo através do poder, do ter e do aparecer (a tentação do Deserto) mas sim de um triunfo do serviço a Deus e aos homens?

À frente do cortejo gritam as crianças, atrás e um pouco à distância, aqueles que não comungam ainda a minha fé, os piedosos pagãos, os tímidos, mas que se aproximam de Jesus e Jesus vê neles as primícias da próxima glorificação. A Sua morte, como o grão lançado à terra, produzirá o seu fruto, dirá Jesus aos que o quiseram ver: “Quando for levantado da terra atrairei a Mim todos os homens” sem excluir ninguém, nem a um desses mais pequeninos. 

A própria natureza geme com a aproximação da sua “Hora”, e a alegria das flores de Páscoa e já são sinal da terra fecunda. A “Hora” de Jesus diz-nos que não estaremos nunca sós. Na Cruz, resplandece a fé a esperança e a caridade. A , porque Jesus, apesar do Seu abandono, aparente, se confia ao Pai: “Pai, nas tuas mãos, entrego o meu espírito”. A esperança, porque uma vida nova se espera além da morte. O amor (a caridade), porque não há maior amor do que dar a vida. 

Quando sepultaram Jesus, salta à vista que Jesus é depositado num sepulcro novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Mostra-se assim que Jesus é de facto o Rei Messiânico esperado: o Rei é o primeiro em tudo. E continuamos ver o olhar atento das mulheres e os perfumes que preparam e que abrem o nosso olhar para a Ressurreição, onde culmina a Hora de Jesus. 

E assim se abrem para todos nós as portas da vida. 

A nossa vida cristã é também uma entrada na Nova Jerusalém, uma introdução no universo chamado a tornar-se uma aprazível Cidade de Deus, um Novo Céu e uma Nova Terra. 
Os hossanas da multidão que aclama sejam também os meus hossanas, nos dias bons e nos menos bons! Na Cruz resplandece o amor. É o que faz Cristo, dando a vida àqueles que Lha queriam tirar. 
Todos somos convidados a percorrer e a reviver as últimas decisivas vinte e quatro horas de Jesus. 

P. José Augusto Alves de Sousa, sj 






Quero gritar-Te Senhor, a minha alegria.
Tu conheces os meus desejos mais sinceros e profundos.
E quiseste entrar na minha cidade.
Vieste à minha vida e trouxeste o dom de Deus.
Para Ti, o meu aplauso, o meu louvor, a minha adoração

quinta-feira, 6 de abril de 2017

QUARESMA 2017 - DOMINGO DE RAMOS


Para irmos rezando e saboreando, enquanto o Domingo de Ramos não chega...e, assim, podermos preparar-nos para um encontro mais íntimo e fecundo com a Palavra do Senhor...

Quem abraça a cruz, tem a força da ressurreição



Celebramos esta semana a Paixão de Jesus!

A narração da morte de Jesus na cruz, que é proclamada no Domingo de Ramos, é a leitura mais bela e real de todo o ano. 

A cruz é o abismo onde Deus ama. Um Deus que me lavou os pés, e não lhe chegou; que deu o seu corpo a comer, e não lhe foi suficiente. Olho para ele, nu e desonrado, e tenho de desviar o olhar. Depois volto novamente a cabeça e olho para a cruz, e vejo braços que me gritam: amo-te; ou talvez me sussurre: amo-te.

P. Ermes Ronchi (excertos de textos)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Quaresma V Domingo


A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO


«O Evangelho deste domingo de Quaresma narra a ressurreição de Lázaro. É o ápice dos “sinais” feitos por Jesus: é um gesto muito grande, claramente divino para ser tolerado pelos sumos-sacerdotes, os quais, sabendo do fato, tomaram a decisão de matar Jesus.
Lázaro já estava morto há três dias, quando chega Jesus; e às irmãs Marta e Maria Ele disse palavras que ficaram gravadas para sempre na memória da comunidade cristã: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25). Diante do túmulo lacrado do amigo Lázaro, Jesus “exclamou em voz forte: Lázaro, vem para fora”. O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. Este grito peremptório é dirigido a cada homem, porque todos estamos marcados pela morte, todos nós; é a voz Daquele que é o Senhor da vida e quer que todos “a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Cristo não se conforma com os túmulos que construímos para nós com as nossas escolhas do mal e da morte, com os nossos erros, com os nossos pecados. Ele convida-nos, quase nos ordena, a sair do túmulo em que os nossos pecados nos afundaram. Chama-nos com insistência para sairmos da escuridão da prisão em que nos fechamos. “Vem para fora!”, diz-nos, “Vem para fora!”. 
É um belo convite à verdadeira liberdade, a deixar-nos agarrar por estas palavras de Jesus que hoje repete a cada um de nós. Um convite a deixar-nos livrar das “ataduras”, do orgulho. Porque o orgulho faz-nos escravos, escravos de nós mesmos, escravos de tantos ídolos, de tantas coisas. A nossa ressurreição começa aqui: quando decidimos obedecer a esta ordem de Jesus saindo para a luz, para a vida; quando da nossa face caem as máscaras e nós reencontramos a coragem da nossa face original, criada à imagem e semelhança de Deus.
O gesto de Jesus que ressuscita Lázaro mostra até onde pode chegar a força da Graça de Deus e também até onde pode chegar a nossa conversão, a nossa mudança. Mas ouçam bem: não há limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos! Lembrem-se bem desta frase. E possamos dizê-la todos juntos: “Não há limite algum para a misericórdia de Deus oferecida a todos”. O Senhor está sempre pronto para levantar a pedra do túmulo que nos separa Dele, a luz dos vivos.»

Papa Francisco - Praça São Pedro – Vaticano
ANGELUS em V domingo da quaresma





quarta-feira, 29 de março de 2017

Quaresma V Domingo

Para irmos rezando e saboreando, enquanto o Domingo não chega...e, assim, podermos preparar-nos para um encontro mais íntimo e fecundo com a Palavra do Senhor...

«Então Jesus começou a chorar. 
Diziam os judeus: «Vede como era seu amigo!» (Jo 11:35-36) 


O Senhor dos Amigos

«Aquele a quem chamamos Filho de Deus e Redentor passou no meio de nós como um homem versado em Amizade. Sabia de Amizade e de presença, tinha refinado dentro de si a mais pura ternura e atenção. 

Olhamos para Jesus de maneiras tão míticas e solitárias que nos esquecemos vezes demais que este homem tinha amigos e amigas de verdade. 

Houve verdadeiramente homens e mulheres que disseram do Profeta da Galileia: o meu Amigo Jesus. E se o dissermos hoje, ainda vamos ver o sabor que isto tem. 

Quando Jesus foi ter com Marta e com Maria porque o seu Amigo Lázaro tinha morrido, todos o viram chorar e se espantavam: “Vede como ele era mesmo seu amigo!”… Jesus não entra em cena como um poderoso que vem para fazer milagres. Jesus entra em cena como um Amigo que vem frágil, triste, que sente a ausência de quem ama. E é a partir daí que atua… Não a partir do poder mas das lágrimas! Jesus não nos salva porque “pode fazê-lo”, já que é Filho de Deus; Jesus salva-nos porque “não pode não o fazer”, já que é nosso Amigo de verdade, chora-nos a distância com as lágrimas da saudade de um Irmão. 

As ações de Jesus em favor das pessoas não são um ribombar divino no meio de nós, mas os gestos da sua humaníssima Sensibilidade. O Divino e o Humano falam a mesma língua e exprimem-se na mesma gramática gestual: o Amor que escreve Histórias de Amizade, gestos de Compaixão e uma Sensibilidade Salvadora.» 

P. Rui Santiago Cssr 
Blogue "Derrotar Montanhas"(adaptado)



sábado, 25 de março de 2017


Informações úteis
Por ser o último Domingo do mês, faremos um peditório especial à porta da Igreja para a Conferência de S. Vicente de Paulo, assim estaremos a ajudar os pobres da nossa Paróquia. Desde já o nosso muito obrigado pela vossa generosidade.

Silêncio com Jesus Cristo – No dia 27, segunda-feira às 21:00h. Um momento de oração e de partilha, onde cada um de nós se encontra consigo mesmo e com Jesus. Ao estilo de Taizé, de catequistas para catequistas e para todas as idades, crianças, jovens, pais e avós

Conferências Quaresmais – Na sala de conferências junto à Biblioteca da UBI, teremos no dia 29, às 21.00h, quarta-feira, a terceira conferência quaresmal, com o tema: “No centenário das Aparições de Fátima: a atualidade da sua mensagem”. Será orador o Senhor D. Manuel Felício, Bispo da Guarda. Todos somos convidados a participar.

Sexta-feira, dia 31 de março, faremos a Via-Sacra, às 15.00 horas na Igreja de S. Tiago.

O ofertório do passado Domingo, nas 4 Missas celebradas na nossa Paróquia, rendeu 431,62 euros que será entregue à Cáritas Diocesana da Guarda. O nosso muito obrigado.

Este ano a nossa renúncia quaresmal destina-se às comunidades cristãs do Iraque.