sábado, 10 de março de 2018

Oração



«Eu tinha um relacionamento bastante bom com o Senhor.
Conversava com Ele, pedia-Lhe coisas, louvava-O, agradecia-Lhe. Mas tinha sempre um sentimento ou sensação inesquecível de que Ele queria que eu olhasse bem no fundo dos Seus olhos. E isso eu não queria. 
Conversava muito, mas desviava os olhos, cada vez que percebia que Ele estava a olhar para mim. Sim, olhava sempre para outro lado. E eu sabia porquê! Tinha medo. 
Receava encontrar uma acusação nos olhos d´Ele: algum pecado não arrependido. Mas pensava também poder encontrar, naquele olhar algum pedido, algo que Ele quisesse de mim.
Um dia, finalmente, juntei toda a minha coragem e olhei! Não havia acusação alguma. Nem exigência ou pedido. Aqueles olhos diziam-me, simplesmente: «Eu amo-te!». Nessa altura eu olhei-os ainda mais no fundo com a persistência de quem procura algo. Nada encontrei, apenas a mensagem de sempre: «Eu amo-te!». Como Pedro, saí e chorei.» 

P. Antony de Mello, SJ

Imagem: Rui Aleixo (Capela do Rato)

domingo, 4 de março de 2018

Grupo de Acólitos


Os acólitos prestam um serviço muito importante nas celebrações.

Além do Jorge e da Inês que estão sempre presentes, temos também um grupo de catequizandos que se juntam a eles nas celebrações da catequese e momentos festivos.

Quem quiser inscrever-se para integrar o grupo dos acólitos deve contactar um dos nossos párocos ou o acólito responsável Jorge Baptista.


sábado, 3 de março de 2018

Novo site

O portal dos Jesuítas em Portugal. Um espaço digital de abertura à realidade que pretende promover o diálogo e a reflexão. Assumindo a sua inspiração cristã e inaciana, quer proporcionar um clima temperado que possibilite…




sábado, 17 de fevereiro de 2018

1º DOMINGO DA QUARESMA


A TENTAÇÃO

No Evangelho Marcos (1,12-15), contemplamos Jesus, no deserto, para onde foi impelido pelo Espírito Santo, depois do Batismo e onde foi tentado por Satanás. Vencida a tentação, Jesus foi para a Galileia e começou a anunciar o Evangelho anunciando a proximidade do Reino: “o Reino de Deus está próximo".

O tentador retirou-se por um tempo, mas a tentação para evitar “beber o cálice” que fará dele um Messias humilhado e não um Messias triunfante, como desejava o tentador, essa tentação continuará.
Será, na Oração do Horto, em Getsémani que essa tentação será completamente vencida, quando Jesus se levantar, decididamente, para acolher a Cruz, depois de rezar ao Pai e n’ Ele confiar a sua Vida: “Pai, faça-se a tua vontade”… É, na cruz, que Deus, por Cristo, tomará o poder sobre todas as forças do mal, as “feras” (os animais selvagens: o ter, o poder e o aparecer) que tentavam Jesus no deserto que nos tentam a nós e que afligem a humanidade.

A prisão de João Baptista manifesta já que a luz e as trevas começam a afrontar-se e Jesus parte para a Galileia para anunciar a feliz notícia: a saída deste combate, um combate que nos abre á esperança durante esta quaresma que começa. Pode este combate pela Paz dentro de nós mesmos e fora de nós mesmos desencadear a violência, mas Jesus tornou-se mestre do amor.

A grande mensagem da Páscoa é a revelação do nosso mal e da “Força do Alto, o Espírito Santo que nos dá força para cada um de nós sair vitorioso e saber introduzir no mundo essa força da vitória. Não façamos pois, desta Quaresma uma carga suplementar, mas um espaço de libertação, onde possamos respirar o ar fresco e revisitar os nossos hábitos.

A Quaresma não serve para nos julgar ou desencorajar mas simplesmente, encoraja-nos a que nos abramos à BOA NOVA. Não tenhamos medo daquilo que acontece de negativo nas nossas vidas ou no nosso mundo, mas voltemo-nos para Aquele que nos ensina a superá-lo porque assim será a nossa Páscoa.

Padre José Augusto de Sousa, SJ

Tentações de Cristo de Botticelli, Capela Sistina



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2018



Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24, 12).




domingo, 4 de fevereiro de 2018

Jesus cura a sogra de Pedro - V do Tempo Comum


Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo lhe falaram dela. Jesus aproximou-se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã muito cedo, levantou-se e saiu. Retirou-se para um jardim ermo e aí começou a orar.
Simão e os companheiros foram à procura dele e, quando O encontraram, disseram-lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu: Vamos para outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que eu vim.»
Mc. 1,29-39

«De madrugada a madrugada. Depois de entrarem [Jesus e os seus discípulos; ninguém como Marcos vincula Jesus aos seus discípulos] em Cafarnaum, na manhã de sábado entra Jesus na sinagoga de Cafarnaum e ensinava (Marcos 1,21). Ei-los agora que saem [Jesus e os seus discípulos: verbo no plural] da sinagoga, e entram na casa de Simão e de André (Marcos 1,29). Trata-se de um «relato de começo». Saindo da casa antiga, entram, uns 30 metros a sul, na casa nova, de Pedro. A sogra de Simão está deitada com febre. Jesus segura-lhe na mão (Marcos 1,31), expressão lindíssima que indica no Antigo Testamento o gesto protetor com que Deus protege o orante (Salmo 73,23), Israel (Isaías 41,13), o seu servo (Isaías 42,6). E a sogra de Simão «levantou-se» e pôs-se a servi-los de forma continuada, como indica o uso do verbo no imperfeito. A sogra de Simão é uma das sete mulheres que, nos Evangelhos, «servem» Jesus e os outros. Ela é bem a figura da comunidade cristã nascente, que passa da escravidão à liberdade, da morte à vida, gerada, protegida, guardada e edificada por Jesus no lugar seguro da casa de Pedro.»
D. António Couto


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Jesus cura a filha de Jairo


Evangelho do dia

Mc. 5, 21-43 - Jesus cura a filha de Jairo

Depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. 
Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados. 
Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás no manto, dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». No mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. 
Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo. Voltou-Se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?». Os discípulos responderam-Lhe: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’». Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou». 
Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». 
E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. 
Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? 
A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talitha Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina.



sábado, 20 de janeiro de 2018

"VINDE COMIGO..." III Domingo tempo comum


Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.
Mc. 1, 14-20
  
Jesus é Deus que desce ao nosso mundo,
Caminha pelas nossas estradas,
Percorre as nossas praias,
Visita as nossas casas,
Vem ter connosco aos nossos lugares de trabalho.

Jesus é Deus que passa, ama e chama.
Mas não nos chama a responder a um inquérito,
A preencher uma ficha,
Responder a uma entrevista,
Fazer uma inscrição,
Pagar a matrícula,
Aprender uma doutrina.

Não é como os escribas que Jesus ensina ou examina.
Nem sequer nos entrega um projeto de vida,
Uns apontamentos, um guião, caneta, tinta, mata-borrão.

Chama-nos apenas a segui-lo no caminho:

«Vinde atrás de Mim!»,
E partilha logo connosco a sua vida toda,
Como uma boda.

Não nos põe primeiro a fazer um teste,
Não nos ama nem chama à condição,
Não tem lista de espera,
Não nos põe num estágio,
Num estado,
Num estrado,
Numa estante,
Mas num caminho!

E um dia mais tarde,
Ouvi-lo-emos dizer ainda: «Ide!».
É sempre no caminho que nos deixa.
Nunca se desleixa,
Não apresenta queixa,
Não paga ao fim do mês,
Pede e dá tudo de uma vez.

Vem, Senhor Jesus!
Vem e ama!
Vem e chama por mim outra vez!

D. António Couto


sábado, 13 de janeiro de 2018

II domingo do Tempo Comum - "ONDE MORAS?" "VINDE VER."

Estava João Baptista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?». Eles responderam: «Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?». Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’ –; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’. 
(Jo 1, 35-42)

João Batista, aponta para Jesus “Eis o Cordeiro de Deus” e os dois discípulos ouviram aquelas palavras e seguiram Jesus que voltando-se lhes pergunta “Que procurais?”.
É Jesus que toma a iniciativa de ir ao encontro do seu desejo pois de alguma forma eles procuram também Jesus. “Onde moras?” “Vinde ver”. “Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele”.
Olhemos para a sequência do que acontece neste episódio da vida de Jesus, Deter-mo-nos a escutar esta pergunta de Jesus: “Que procurais”?
Jesus pergunta-nos o que procuramos e remete-nos para o nosso desejo mais profundo. Que diremos nós hoje?
Vinde ver” O primeiro passo é o desejo de conhecer Jesus. Não podemos amar o que não conhecemos. Desejo realmente conhecer Jesus e estabelecer com Ele uma relação de confiança? Jesus faz-nos um convite para o conhecermos e estabelecermos uma relação de amor e de confiança. Quais são os passos concretos que dou na minha vida para aprofundar o conhecimento do Senhor e estabelecer esta relação?
“Passaram o resto do dia com Ele” No meu dia-a-dia quanto tempo dedico a estar com Jesus para que Ele se dê a conhecer e eu aprofunde a minha relação com Ele?
Quem estabelece uma relação com Jesus não fica fechado nessa relação mas é interpelado a partir e ir ter com outros e partilhar esta descoberta pessoal de Jesus. O amor remete-nos sempre para o outro. Foi o caso da mulher samaritana. Será que a minha relação com Jesus é tão importante a ponto de me comprometer com outros? Que faço por Ele?

Adaptação_CVX


sábado, 6 de janeiro de 2018

Epifania do Senhor



Epifania: Um Deus ao nosso alcance

A festa da Epifania tem uma grande importância simbólica para a Igreja. Nas poucas linhas de um episódio do qual nem sequer se conhecem bem as bases históricas, descreve-se o símbolo do grande caminho dos povos para o Senhor que nasceu, um caminho que já está em curso, desde há dois mil anos, e que só terminará com o encerramento da história humana. Neste caminho, participam também uma multidão de pessoas aparentemente não cristãs, muitas das quais estão ligadas a Cristo por aquilo que dá pelo nome técnico de «batismo de desejo», outros ainda por aquilo que costuma ser chamado, antes, «batismo de sangue». Trata-se, portanto, de uma multidão imensa, que ninguém pode contar.
A importância dada a esta manifestação universal de Cristo também deriva do facto de que aqui, na revelação feita aos misteriosos Magos, a Igreja relê claramente outras manifestações de Jesus: a do Batismo no Jordão, e a que foi feita às multidões da Palestina, mediante a multiplicação dos pães. Jesus apresenta-se, portanto, como Aquele que pode ser procurado a partir de qualquer condição humana, por todos aqueles que calcorreiam os caminhos deste mundo.
E também foi assim que o Santo Padre João Paulo II definiu o meu ministério de bispo, quando me ordenou solenemente na Basílica de São Pedro, em Roma. Disse que me conferia «o sacramento do caminho», habilitando-me, assim, a percorrer com todos os caminhos da vida quotidiana, em busca da estrela, ou seja, dos sinais do Deus vivo. (...)
A Igreja tem, certamente, necessidade de bons bispos mas, muito mais do que os prelados, contam os santos, aqueles que vivem o Batismo numa autêntica relação com Deus e com os irmãos, em especial com os mais pobres.
Uma relação semelhante, ou uma rede de relações boas e evangélicas, está presente em todos aqueles que renunciam a algo de si, que se põem a caminho como os Magos, fiando-se da ténue mensagem de uma estrela, que não têm medo de momentos de escuridão e que enfrentam os sacrifícios de um longo caminho para receber o Menino Jesus dos braços da Mãe. Estou certo que todos aqueles que empreendem, resolutos, essa caminhada, receberão o cêntuplo nesta vida, bem como a vida eterna.

Card. Carlo Maria Martini
In Tomados de assombro, ed. Paulinas
04.01.14