sexta-feira, 31 de julho de 2009

INÁCIO DE LOYOLA


Inácio de Loyola nasceu no País basco espanhol em 1491, um ano antes da descoberta da América e morreu em 1556.
Foi o fundador da Companhia de Jesus, mais conhecida pelo nome: os “Jesuítas”. Lendo a vida dos santos, Inácio entusiasmou-se pelo que eles fizeram e perguntava-se : “Porque não fazer eu próprio isto mesmo?”.
E procurava como servir a Deus entre os seus contemporâneos. Aos 39 anos, com 6 dos seus amigos, entre os quais Xavier, Inácio partilhava com eles esta convicção. Deus está presente no coração deste mundo que ele criou e ama. Decidem então colocar-se ao serviço de Cristo e da sua Igreja, ao serviço do Papa para serem enviados, onde se esperasse o maior bem das almas. Esta missão universal concretiza-se através das Igrejas locais e, hoje, congratulamo-nos com a presença de D. Manuel Felício, Bispo da Diocese, e com a de alguns presbíteros desta Igreja Local, ao serviço da qual, se encontram os Jesuítas enviados pelo seu Superior Provincial.

Inácio é autor da célebre oração « Alma de Cristo santificai-me » popularizada nos Exercícios Espirituais.
Os Jesuítas consagram-se à educação das crianças e dos jovens, à formação espiritual ; eles ajudam os doentes e se consagram aos marginalizados, aos que não têm voz, não esquecendo aqueles e aquelas que exercem influência na sociedade e podem concorrer para o bem-estar da mesma.

Inácio morreu em 1556, inaugurando com os seus companheiro uma nova maneira de anunciar o Evangelho e de estarem presentes no mundo. A sua espiritualidade anima igualmente hoje, numerosos leigos e Congregações Religiosas de Homens e Mulheres.

Na Eucaristia de hoje, presidida pelo nosso Bispo D. Manuel Felício, agradecemos o bem que o padre Henrique Rios fez aqui na Covilhã, desempenhando a missão que a Companhia lhe confiou. Agora é destinado para uma nova missão e desejamos-lhe que continue sempre a colocar o seu estilo próprio e a sua imaginação ao serviço da Igreja Local de Évora à qual é enviado.
Ao padre Hermínio Vitorino, que hoje acolhemos entre nós e que celebra o seu aniversário, os nossos parabéns e os nossos melhores votos de felicidades no trabalho apostólico.

P. José Augusto de Sousa

domingo, 26 de julho de 2009

XVII Domingo do Tempo Comum


"Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes. E comeram quanto quiseram."
Do Evangelho de S. João

Jesus convida-nos hoje, a reflectir com mais profundidade, sobre as fomes no mundo e o modo como poderemos dar-lhes uma resposta.
A fome de pão que esta a multidão sente e que Jesus quer saciar, é um sintoma de outras fomes mais profundas: A fome de sentido para a vida… Vemos como eles seguem Jesus!
Hoje esta Palavra do Senhor é actual e é dirigida a cada um de nós, que sentimos fome de vida plena, de paz e de felicidade verdadeira, aquela que enche o coração, porque preenche a nossa vida e nos leva a ter atitudes de solidariedade e amor.
Jesus convida-nos hoje, tal como fez com os discípulos a olharmos para “as fomes” do mundo em que vivemos, sobretudo as da nossa terra, da nossa Comunidade, do nosso bairro do nosso prédio… e a abrir o coração para melhorar as dificuldades que existem, levando não só o alimento para o corpo, mas sobretudo a esperança aos desalentados e aos mais frágeis e desprotegidos.
Não podemos esquecer, que foi pelas mãos dos discípulos que a fome daquelas pessoas foi saciada. Será pois, através de cada um de nós, das nossas mãos, que a vida se renovará à nossa volta, a fraternidade não será uma simples ilusão e todos seremos mais felizes.
Alice Matos
( A minha gratidão a quem me ajudou a sentir com o coração esta passagem)

Informações úteis
  • Na próxima sexta-feira, dia 31 de Julho, dia de Santo Inácio, pelas 11:00, será celebrada eucaristia em Acção de Graças, a qual será presidida pelo Sr. D. Manuel Felício. Na mesma celebração eucarística, agradeceremos a Deus o trabalho do padre Henrique, na Covilhã, ao longo de oito anos e daremos as boas-vindas ao padre Hermínio. No final da eucaristia haverá um almoço partilhado e convívio. Pede-se a todas as pessoas interessadas em participarem, o favor de se inscreverem na secretaria.
  • De 15 de Julho a 15 de Setembro, nesta Igreja de S. Tiago, só se atende em confissão da parte da manhã, de terça a sábado.
  • De 1 de Agosto a 3 de Setembro a habitual missa semanal das 8:00 será suprimida. Durante o mesmo período, o horário semanal da abertura da Igreja será das 9:00 às 12:30.
  • De 1 a 30 de Agosto a secretaria estará aberta de terça a sábado das 10:00 às 12:30.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Inácio de Loyola - 31 de JulhoSanto


No próximo dia 31 de Julho, os Jesuítas da Covilhã celebrarão a festa do seu padroeiro, Santo Inácio de Loyola. Será celebrada uma Eucaristia em Acção de Graças que será presidida pelo Reverendíssimo Sr. D. Manuel Felício.
Os Jesuítas da Comunidade da Covilhã e a comunidade paroquial querem também neste dia recordar com todos aqueles e aquelas que a nós se quiserem associar, o bem que o Padre Henrique Rios difundiu por muitas pessoas da gente da Covilhã. Lembram, de modo especial, a grande característica da sua missão que foi polivalente: acompanhamento espiritual dos que solicitavam a sua ajuda, o seu cuidado pelos mais necessitados, o seu interesse pela cultura e pela história… esta comunidade paroquial e a cidade estão reconhecidas ao Padre Rios e dão graças a Deus pela sua vida e pelo seu sacerdócio.
Como a vida é feita de chegadas e partidas, a nossa comunidade jesuíta (e paroquial) tem a alegria de contar com a presença do padre Hermínio Vitorino.
Assim, aproveitamos também a ocasião da festa do seu Padroeiro para dar as Boas Vindas ao Padre Hermínio Vitorino que, a partir do dia 18 de Junho deste ano, passou a fazer parte da nossa comunidade.
Depois da Eucaristia, às 11:00, haverá um almoço partilhado nas instalações da comunidade paroquial em S. Tiago. Pede-se a todas as pessoas que se quiserem associar a esta celebração e festa, o favor de se inscreverem na secretaria.
Padre Francisco Rodrigues, s.j.

sábado, 18 de julho de 2009

Caminhos de Fé

GRUPO CRISMA 2009


Estes anos de catequese foram uma preparação para este grande momento que teve lugar na Igreja Paroquial da Vila do Carvalho, no dia 7 de Junho, pelas 17 horas. Foi uma longa caminhada, durante a qual lutámos bastante, perdemos alguns companheiros, mas também ganhámos outros – no final éramos um grupo de 19. Tivemos muitas pessoas que nos ajudaram durante o percurso.
Nesse dia, após uma longa noite de ansiedade, sentimos uma grande alegria por atingirmos o pico da montanha, que durante dez anos escalámos, passo a passo. Foi um dia muito importante para todos nós, impossível de descrever, pois foram momentos de grande felicidade, que não se conseguem expressar.
Queremos agradecer a todos os que nos ajudaram nesta caminhada, às nossas catequistas, Margarida e Irmã Teresa, que nos acompanharam nesta etapa final, a todas as nossas outras catequistas e, de um modo muito particular, à nossa querida Alicinha, que muito nos ajudou, aturou e porque é uma pessoa especial para todos nós. Temos todos por ela imenso carinho e admiração.
Finalmente agradecemos ao nosso Pároco actual, Francisco Rodrigues e ao nosso antigo Pároco José Pires, de que temos muitas saudades.

Artur e Francisco

domingo, 12 de julho de 2009

XV Domingo do Tempo Comum

Jesus escolheu um grupo de homens e chamou-os para os enviar em missão. Deu-lhes a sua autoridade e a sua palavra. Agora serão eles a prolongar a própria missão de Jesus.
Como eles, todos os cristãos são enviados...

Antes da partida dos discípulos, Jesus dá-lhes algumas instruções sobre a forma de realizar essa missão. Convida-os especialmente à pobreza, à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais. Uma atitude de pobreza e de despojamento ajudará também os discípulos a perceber que a eficácia da missão não depende da abundância de coisas mas sim da acção de Deus. Finalmente, a sobriedade e o desapego são sinais de que o discípulo confia em Deus e contribuem para dar credibilidade ao testemunho.
Qual é a missão dos discípulos de Jesus?
Hoje há estruturas que geram guerra, violência, que escravizam o homem e impedindo-o de ser feliz... A nossa missão de discípulos de Jesus é combatê-las. Há hoje valores que geram escravidão, opressão e sofrimento... A nossa missão de discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los; há esquemas de exploração disfarçados de bem-estar, que geram miséria, marginalização, debilidade e exclusão, a nossa missão de discípulos de Jesus é combatê-los.
A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente, (através dos discípulos) e actuar em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça. Cada cristão, está no mundo em nome de Jesus e com a força dos seus gestos, poderá ajudar a transformar o mundo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

OS QUARENTA BEATOS, MÁRTIRES DO BRASIL


Começou no passado dia 8, Quarta-feira, a Novena dos 40 Beatos Mártires do Brasil, em vista à preparação para a festa destes Mártires, homens de Deus, que será no próximo dia 17 de Julho.
A nossa Comunidade quer também realçar este momento importante da vida dos Jesuítas, alegrar-se e dar graças por estes nossos conterrâneos, que estão a caminho da canonização.

Quem são estes quarenta Mártires?

Trata-se de 40 jesuítas, quase todos entre os 20 e os 30 anos de idade, que se dirigiam de barco para o Brasil, a fim de ajudar na sua evangelização, mas que, nas Ilhas Canárias, foram interceptados por navios de calvinistas que, sabendo que eles eram missionários católicos, os deitaram ao mar. Era o dia 15 de Julho de 1570.

Chefiados pelo Padre Inácio de Azevedo, 32 eram portugueses e oito espanhóis. Alguns dos Portugueses são provenientes da nossa Diocese, vejamos:

Francisco Álvares - Covilhã

Manuel Fernandes - Celorico da Beira

António Soares - Trancoso

Com vista à sua canonização, cada um dos 40 Mártires merece a memória, a devoção, a imitação e a homenagem dos seus conterrâneos, e de um modo particular de nós que nos devemos sentir orgulhosos deste nosso glorioso antepassado, B. Francisco Álvares, reconhecido pela Igreja Universal, a nível mundial.

Estes mártires foram beatificados pelo Papa Pio IX, em 11 de Maio de 1854. Para a sua canonização, é condição necessária que o seu culto seja reconhecido como permanente entre o povo cristão. Mas será melhor ainda se, por seu intermédio, Deus manifestar a sua intervenção, através de um milagre autêntico. Para isso, vamos pedir a Deus a canonização destes jovens e heróicos missionários, modelos para a nossa juventude.

Foram sugeridas algumas iniciativas possíveis em cada uma destas localidades: - venerar uma imagem do seu Beato (ou dos 40) numa capela ou numa igreja; - dar o seu nome a uma rua, praça ou outro local público; - dar o seu nome a uma instituição escolar, cultural ou religiosa; - dedicar uma capela, igreja ou paróquia à sua protecção; - celebrar a sua festa com novena ou pelo menos com missa solenizada

domingo, 5 de julho de 2009

XIVDomingo do Tempo Comum

«Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se à sua terra e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?». E ficavam perplexos a seu respeito. Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando».
Mc 6, 1-6

O Evangelho de hoje, ao mostrar como Jesus foi recebido pelos seus conterrâneos em Nazaré, reafirma que Deus Se manifesta aos homens na fraqueza e na fragilidade. Quando eles se recusam a entender esta realidade, facilmente perdem a oportunidade de descobrir o Deus que vem ao seu encontro e de acolher os desafios que Deus lhes apresenta.
Para os habitantes de Nazaré Jesus era apenas “o carpinteiro” da terra, que nunca tinha estudado com grandes mestres e que tinha uma família conhecida de todos, que não se distinguia em nada das outras famílias que habitavam na vila; por isso, não estavam dispostos a conceder que esse Jesus – perfeitamente conhecido, julgado e catalogado – lhes trouxesse qualquer coisa de novo e de diferente…
Isto deve fazer-nos pensar nos preconceitos com que, por vezes, abordamos os nossos irmãos, os julgamos, os catalogamos e etiquetamos… Seremos sempre justos na forma como julgamos os outros? Por vezes, os nossos preconceitos não nos impedirão de acolher o irmão e a riqueza que Ele nos traz?
Jesus assume-Se como um profeta, isto é, alguém a quem Deus confiou uma missão e que testemunha no meio dos seus irmãos as propostas de Deus. A nossa identificação com Jesus faz de nós continuadores da missão que o Pai Lhe confiou. Sentimo-nos, como Jesus, profetas a quem Deus chamou e a quem enviou ao mundo para testemunharem a proposta libertadora que Deus quer oferecer a todos os homens? Nas nossas palavras e gestos ecoa, em cada momento, a proposta de salvação que Deus quer fazer a todos os homens?
Apesar da incompreensão dos seus concidadãos, Jesus continuou, em absoluta fidelidade aos planos do Pai, a dar testemunho no meio dos homens do Reino de Deus. Rejeitado em Nazaré, Ele foi, como diz o nosso texto, percorrer as aldeias dos arredores, ensinando a dinâmica do Reino. O testemunho que Deus nos chama a dar cumpre-se, muitas vezes, no meio das incompreensões e
oposições… Frequentemente, os discípulos de Jesus sentem-se desanimados e frustrados porque o seu testemunho não é entendido nem acolhido (nunca aconteceu pensarmos, depois de um trabalho esgotante e exigente, que estivemos a perder tempo?)… A atitude de Jesus convida-nos a nunca desanimar nem desistir: Deus tem os seus projectos e sabe como transformar um fracasso num êxito.
(In Dehonianos)

Informações úteis
  • Está a ser organizada pela nossa comunidade paroquial uma peregrinação ao Santuário do Cristo Rei -Almada- no dia 19 de Julho. As pessoas interessadas devem fazer a inscrição na secretaria. Pede-se aos interessados, o favor de não se guardarem para os últimos dias para a inscrição. Será celebrada a eucaristia no Cristo Rei, e depois do almoço far-se-á uma paragem na cidade de Lisboa para uma curta visita.
  • De 11 a 19 de Julho será feita uma exposição/vendas nas salas novas da catequese. O objectivo é angariar fundos a fim de dar respostas aos grandes compromissos assumidos pela nossa paróquia. Assim, quem tiver objectos em bom estado, úteis, que se possam vender, que os queira trazer, é favor entregá-los na secretaria a fim de fazer a respectiva exposição e venda na referida data. Apela-se à participação de todos.
  • Está patente no barcarola, uma exposição de fotografias alusivas às actividades da nossa comunidade paroquial 2008/9. As mesmas fotografias podem ser adquiridas por cinquenta cêntimos cada, até ao dia 11 de Julho. No fim das eucaristias, o barcarola encontra-se aberto.
Desejamos a todos uma boa semana

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Festa de S. Pedro e S. Paulo


NA FESTA DOS DOIS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO E NO ENCERRAMENTO DO ANO PAULINO
PARÓQUIA DE S. PEDRO - COVILHÃ

A Festa dos Apóstolos Pedro e Paulo do dia 29 de Junho merece algumas considerações, porque, celebramos, nesse dia, Pedro, o Padroeiro da nossa Freguesia e Paróquia e celebramos Paulo, neste mesmo dia, este ano de modo muito especial, por se tratar do dia do encerramento do Ano Paulino.

1. No ano de 1974, visitava eu a cidade de Roma e destinei um dia das minhas visitas para as Basílicas de S. Pedro e S. Paulo. Comecei por estas duas Basílicas, porque nos meus estudos de Teologia sempre me entusiasmei por Paulo e, evidentemente que, para mim, Pedro não era de somenos importância por ser aquele que o Senhor escolheu para pôr à frente da sua Igreja. Não me entusiasmou tanto o facto de chamarmos a estes dois Apóstolo as duas colunas da Igreja, porque, em realidade, Pedro e Paulo não são as únicas colunas. São-no também os outros onze Apóstolos sobre os quais, Cristo edificou a Sua Igreja.

2. Mas, uma das coisas que mais me prendeu a atenção na minha visita a estas duas Basílicas, foi a localização das mesmas. Verifiquei “in loco” que a Basílica de S. Pedro ficava dentro dos muros da cidade (intra muros) e que a de S. Paulo fora dos muros da cidade (extra muros) e este facto causava-me muitos motivos para uma reflexão e meditação. Aprofundando o significado da Imagem do “ dentro”e “fora” pensei: Pedro nasceu em Cafarnaum, na Galileia, e representava, para mim, o Apóstolo dos meios Judeus, daqueles que estavam dentro, em virtude da Revelação a Abraão, Isaac, Jacob e os Profetas…, e Paulo, embora Judeu e de formação judaica, nasceu em Tarso, na Ásia Menor (na actual Turquia), fora, portanto do mundo Judeu, e, por isso, representava, para mim, os pagãos, os que estavam fora. Esta dualidade se me afigurava assim importante, porque ela mostrou-me e continua a mostrar-me que o “dentro” e “fora” nunca significaram nem significarão separação, mas inclusão. Quer isto dizer que, nas suas origens, a Igreja não se constrói sobre um modelo monárquico. Mas ela é fruto de diálogo, de concertação, em ordem à comunhão. É preciso ler e reler o Capítulo 2 da Carta aos Gálatas para vermos como a Igreja nascente se abre à diferença. No versículo 11, Paulo não deixa de mostrar o seu desacordo com Pedro, mas mostra este desacordo, sem entrar pela crítica mordaz, que fere a comunhão. O que transparece de todo este capítulo é um ambiente de reflexão e correcção fraterna e não um mínimo sinal de separação. Na segunda Carta de Pedro (2 Pe. 3,15-16), ele confessa que encontra nas cartas de Paulo algumas passagens difíceis. Pedro dá a entender que sentia isto, como normal, porque ele era duma cultura diferente.
Todas estas dificuldades surgidas na primitiva Igreja, não são senão o sinal de que a Igreja nasceu, cresceu e continua o seu caminho na história sob o signo duma união feita de diversidades. Por isso, nem sombra de monolitismo. S. Pedro está, certamente, na cidade, dentro dos muros, mas Paulo está fora dos muros. A Igreja, desde as origens, leva dentro de si a riqueza da tradição Judaico-Cristã, mas, de imediato, o Evangelho se disse numa cultura greco-latina, como continuará a dizer-se, através dos tempos, na diversidade das culturas e até mesmo hoje, numa cultura secularizada e ateia, que tenta distanciar-se, o mais possível, dos valores evangélicos. O Evangelho está acima de todas as culturas, mas está também dentro dela, como fermento, para as poder vivificar a todas, desde o seu mais íntimo, com a graça do Espírito Santo.

3. Esta visão da Igreja e do Evangelho que ela anuncia exige de cada um de nós, conversão, qualquer que seja a cultura a que pertençamos. Estive em Moçambique durante vários anos e, quando um dia, os Moçambicanos assumiram mais responsabilidades na Igreja, através de Bispos e Sacerdotes Moçambicanos, creio que foi, para mim, homem de outra cultura, o surgimento dum mundo novo, duma Igreja local mais colorida. Lembrei-me então de ler e reler um livro que sempre prendeu a minha atenção e que se intitula em francês: “Les Eglises du Tiers Monde Prennent la Parole”. Queria isto dizer e dizer-me, mais uma vez, que as Igrejas dos chamados países de Missão entravam mais em cheio com as suas culturas para enriquecimento da igreja Universal. Uma diversidade aceite, muito naturalmente, para enriquecer a unidade.

4. Pedro e Paulo representam, assim, dois caminhos diferentes, mas complementares. Pedro, um humilde, pescador da Galileia, foi chamado por Jesus a deixar as redes e todos os apetrechos da pesca para O seguir. Companheiro de Jesus, homem cheio de simplicidade, mas duma certa rudeza de espírito, foi aprendendo na escola de Jesus, a humildade, mãe de todas as virtudes. Mas tudo isto não foi fácil para Pedro. Este homem, chamado Simão, filho de João, que professou a fé em Cristo, na cidade de Cesareia de Filipos, foi escolhido como pedra fundamental do edifício eclesial. Apesar disso, seguidamente à profissão de fé de Cesareia, Pedro quis impedir o Senhor Jesus de seguir o caminho de Jerusalém para a sua Paixão. Mas foi logo tratado pelo mesmo Senhor que o amava de “Satanás”, de adversário, habitado por uma voz que não vem de Deus, uma verdadeira pedra de tropeço no caminho de Jesus para Jerusalém para a realização do seu Projecto. Pedro, porém, conhecia o coração do Mestre e, apesar de cometer a traição da Paixão, nunca O abandonou e confessa a sua fé, sem ponta de egoísmo e de confiança em si próprio, quando exclamou na última Aparição do Senhor Ressuscitado, junto ao lago de Tiberíades: “ó Senhor, Tu sabes bem que te amo”!... Este grande amor levou-o até Roma, onde deu a vida por Cristo, provavelmente, na perseguição do Imperador Cláudio (ano 41-54 d.C.).
Pedimos a Pedro, no seu dia de festa, que nos ensine a acolher com simplicidade e alegria, a Boa Nova do Evangelho, que nos transforma por dentro.
Paulo, filho duma família notável, cidadão romano, homem ilustre e profundo conhecedor das Escrituras, ficou fascinado por Cristo a caminho de Damasco e nunca mais deixou de se dedicar a Ele e ao serviço dos irmãos. Antes do caminho de Damasco, Paulo era um fanático observador da Lei, depois de Damasco, a sua fé não consistirá jamais na observância duma Lei, mas na fé e adesão a uma Pessoa, Jesus Cristo, “Meu Senhor”, como exclama, por vezes, nas suas cartas. Apesar deste encontro vivo com Jesus, Paulo não deixa de confessar que, ele próprio, se sente tentado e que a tentação é como um “espinho na carne. Em Rom. 7, 14-24, este grande Apóstolo de Jesus Cristo diz-se habitado, como todo o homem, pela “lei do Pecado”, não sem deixar de cantar a graça de Jesus Cristo que o redimiu e nos redime a todos nós. Agora, não estamos sob a “lei da carne”, mas sob a “Lei do Espírito” que Paulo canta no Capítulo 8 da mesma carta aos Romanos. Em todas as suas cartas, transparece, com toda a nitidez, a ideia de que o mal que existe em nós, Deus o transformou em bem pelo sangue de Cristo oferecido na cruz.
Pedimos a Paulo no dia da sua festa e no encerramento do seu Ano, o ANO PAULINO que nos ajuda a cantar, com todo o fervor, como ele cantou, o triunfo da vida sobre a morte, da Luz sobre as trevas, da graça sobre o pecado. Pode ajudar-nos nesta oração o Hino do começo da carta aos Efésios (Ef. 1) ou o da Carta aos Filipenses (Fil.2, 5-11)

Pedro e Paulo conduziram sabiamente o Povo de Deus que Jesus lhes confiou, apesar das muitas dificuldades, perseguições e até hesitações, mas ambos deram testemunho de fidelidade a Jesus Cristo e à Igreja até ao martírio: Pedro sofreu o martírio, provavelmente na perseguição de Cláudio e Paulo, na perseguição de Nero. Era o “dentro” e o “fora” que se complementavam na fé do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Este “dentro” e “fora” pertence à fundação da Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo.

Padre José Augusto Alves de Sousa S. J.

domingo, 28 de junho de 2009

XIII Domingo do Tempo Comum


Jesus percorre o país para o anunciar o Reino e restabelecer a vida das pessoas. Ele fala e age com amor. A sua fama espalha-se, porque d’Ele, brota a força da ressurreição.
“Sê curada”. Jesus fala de modo afectuoso para esta mulher, restaura a sua dignidade, numa sociedade que por vezes excluía os doentes. Este “sê curada” aparece também como uma constatação: é a sua fé que a salvou, e Jesus alegra-Se por isso. O Seu coração é capaz de uma atenção extrema a cada angústia do ser humano e para cada um ter o gesto e a palavra de conforto de que necessita.

Informações úteis
  • Está a ser organizada pela nossa comunidade paroquial uma peregrinação ao Santuário do Cristo Rei -Almada- no dia 19 de Julho. As pessoas interessadas devem fazer a inscrição na secretaria. Pede-se aos interessados, o favor de não se guardarem para os últimos dias para a inscrição.
  • De 11 a 19 de Julho será feita uma exposição/vendas nas salas novas da catequese. O objectivo é angariar fundos a fim de dar respostas aos grandes compromissos assumidos pela nossa paróquia. Assim, quem tiver objectos em bom estado, úteis, que se possam vender, que os queira trazer, é favor entregá-los na secretaria a fim de fazer a respectiva exposição e venda na referida data. Apela-se à participação de todos.
  • Está patente no barcarola, uma exposição de fotografias alusivas às actividades da nossa comunidade paroquial 2008/9. A partir de hoje, dia 28, as mesmas fotografias podem ser adquiridas por cinquenta cêntimos cada.
  • Neste domingo, dia 28, às 19:00, será celebrada missa campal, no Largo da Escola Frei Heitor Pinto, pelo Padre Francisco Rodrigues.

Desejamos a todos uma boa semana