segunda-feira, 18 de outubro de 2010

XXIX Domingo do tempo Comum


A fé não é autêntica nem se mantém
se não se alimentar, amadurecer e crescer,
tanto pela oração como pelo necessário compromisso
com o mundo, com a vida e com a justiça.
A fé é um dom e uma tarefa.
Talvez não unamos com frequência fé e justiça.
Talvez nos seja mais fácil unir fé e sacramentos,
fé e actos de piedade, fé e religião.
Talvez precisemos de convencer-nos
de que o fundamental da fé é a justiça.

“Não se pode viver a fé
sem um compromisso com a justiça” (Pedro Arrupe)

domingo, 10 de outubro de 2010

XXVIII Domingo do tempo Comum


Introdução:
Vivemos num mundo em que a vida humana ficou transformada num grande comércio, onde quase tudo se compra, vende, paga ...
Diante dessa realidade, muitos perderam o valor da GRATUIDADE e da GRATIDÃO.
A libertação, a cura que Jesus põe em marcha é a sua própria pessoa: o seu amor apaixonado pela vida, o seu acolhimento entranhável por cada enfermo, a sua força para regenerar a pessoa a partir das suas raízes, a sua capacidade de contagiar a sua fé na bondade de Deus…
A cura que suscita a chegada do reino de Deus é gratuita, e assim a terão que oferecer também os seus discípulos”.
No evangelho de hoje, Jesus fala-nos da compaixão, da gratuidade do agradecimento…

Reflexão: Lc 17,11-19
Os judeus desprezavam os leprosos, consideravam-nos impuros, tanto legal como religiosamente, e eram expulsos da comunidade civil e do culto. Deviam viver em lugares isolados, para não contaminar as outras pessoas. Sofriam marginalização moral, social e religiosa.
Os leprosos judeus admitem no seu grupo um leproso samaritano. A dor irmana-os.
Jesus aproxima-Se deles e eles aproximam-se de Jesus, apesar do impedimento da lei.
Todos imaginamos que o encontro com Jesus foi benéfico para eles.
Suscitamos, nós cristãos, nas pessoas marginalizadas e rejeitadas, a confiança e a esperança que encontravam em Jesus? Aproximamo-nos delas? Com que atitude?

A cura dos 10 leprosos não se realiza logo, mas enquanto iam a caminho.
O Evangelho de hoje mostra o contraste entre a lei e a fé. Dos dez leprosos, nove limitam-se a cumprir a lei, permanecem no velho e caduco sistema de vida anterior.

O seu coração não mudou.
Só um deles, o impuro e pagão, vê que está curado, não necessita que ninguém certifique a sua cura, interrompe o velho caminho para o templo, converte-se e volta glorificando a Deus e agradecendo-lhe!

Jesus disse ao samaritano que tinha sido curado:
“ Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou”. Jesus não diz: “Eu te salvei”.
A fé, que vê e agradece, torna possível a cura integral.
As palavras de Jesus “levanta-te”, “põe-te em pé”, são um convite ao seu seguimento.
Como o samaritano, devemos “levantar-nos e andar”, actuar de acordo com o amor gratuito recebido, mostrando-o, de maneira especial, a todas as pessoas que o sistema social e religioso rejeita e marginaliza.
P. Hermínio Vitorino, s.j. (Adaptação)

ORAÇÃO DE UMA LEPROSA
Tu, Senhor, vieste, pediste-me tudo e eu tudo Te entreguei.
Gostava de ler, e agora estou cega.
Gostava de passear pelo bosque
e agora as minhas pernas estão paralisadas.
Gostava de apanhar flores, sob o sol da primavera,
e agora não tenho mãos.
Olha, Senhor, como ficou o meu corpo, outrora tão belo.
Mas não me revolto.
Dou-Te graças. Dar-Te-ei graças por toda a eternidade, porque,
se morrer esta noite, sei que a minha vida foi maravilhosamente plena.
Vivi o Amor e fiquei muito mais cheia de tudo
quanto o meu coração pôde ansiar.
Pai, que bom foste com a tua pequen Verónica..!
Esta noite, Amor meu, Te peço pelos leprosos do mundo inteiro.
Peço-Te, sobretudo, por aqueles a quem a lepra moral abate,
destrói, mutila e destroça.
É sobretudo a eles que eu amo e pelos quais me ofereço em silêncio,
porque são meus irmãos e irmãs.
Ofereço-Te a minha lepra física para que eles não conheçam o tédio,
a amargura e a frieza da lepra moral.
Sou tua filha, meu Pai;
leva-me pela mão como uma mãe leva o seu filhito.
Aperta-me contra o teu coração como um pai faz com o seu filho.
Faz-me entrar no abismo do teu coração, para habitar nele,
com todos aqueles que amo, por toda a eternidade.
Verónica

sábado, 9 de outubro de 2010

Os jesuítas e a implantação da República

Após a expulsão pombalina de 1759, os jesuítas só voltaram a Portugal em 1829, numa curta permanência interrompida em 1834, desta vez da responsabilidade do governo liberal. O ano de 1858 assistiu um novo reinício, com a abertura do Colégio de Campolide, em Lisboa, por iniciativa do P. Carlos Rademaker, figura central do regresso da Companhia de Jesus a Portugal. Consolidada gradualmente esta presença, a Província Portuguesa da Companhia de Jesus foi oficialmente restaurada em1880, quando os seus membros eram 137: 49 sacerdotes, 38 irmãos e 50 estudantes.

Em 1910, ano da implantação da República, a Província Portuguesa contava com 360 jesuítas, dos quais 147 eram sacerdotes, 112 irmãos e 101 estudantes. Todas as actividades que desenvolviam, nomeadamente na educação, formação espiritual, investigação científica, publicações e missões, foram interrompidas violentamente quando, em Outubro de 1910, pela terceira vez na sua história em Portugal, a Companhia de Jesus foi perseguida e privada dos seus bens, vendo
todos os seus membros desterrados.

O ambiente que propiciou a expulsão, mal a República foi instaurada, tinha lançado raízes muito antes. O centenário da morte do Marquês de Pombal, em 1882, havia sido convenientemente aproveitado para uma campanha contra a Companhia de Jesus e ligas anti-jesuíticas tinham-se formado por todo o País, na sequência de outros ataques à Igreja. Em 1901, o governo pretendeu regular a presença dos institutos religiosos, determinando que nenhuma associação de carácter religioso pudesse funcionar sem prévia autorização do governo, ao qual deveriam ser apresentados os estatutos pelos quais a associação pretendesse reger-se. Nesta contingência, as comunidades religiosas trataram de organizar estatutos em conformidade com as indicações governamentais. As casas da Companhia de Jesus, em Portugal e nas missões, passaram a funcionar como estabelecimentos da Associação Fé e Pátria e os respectivos estatutos foram aprovados e publicados no Diário do Governo. Esta cobertura legal revelou-se, no entanto, insuficiente. Em Lisboa, os jornais O Século, O Dia e O Mundo, e, no Porto, O Primeiro de Janeiro ecoavam a campanha contra os jesuítas o que levou o P. Luís Gonzaga Cabral, Provincial, a advertir os seus súbditos para o perigo iminente, em carta de 8 de Setembro de 1910. Dias depois, começaram, por ordem do governo, inquéritos em diversas casas: Noviciado do Barro, Colégio de Campolide e comunidade da Rua do Quelhas, em Lisboa, que foi dissolvida a 3 de Outubro de 1910. O corolário foi já da responsabilidade do governo provisório da República que, a 8 de Outubro de 1910, restaurou a lei pombalina de 3 de Setembro de 1759. Alguns jesuítas conseguiram de imediato refugiar-se em Espanha mas muitos outros foram encarcerados. Depois de algumas semanas na prisão, no dia 4 de Novembro de 1910, estava consumada, mais uma vez, a expulsão dos jesuítas de Portugal.

A política do P. Luís Gonzaga Cabral, após a expulsão, teve duas vertentes: em primeiro lugar, conservar na Europa o núcleo central da Província, constituído pelas casas de formação e algumas residências; em segundo lugar, reforçar o pessoal da missão de Goa, cujas casas se podiam manter por se encontrarem em território de domínio inglês; ao mesmo tempo, procurou novos campos de actividade, principalmente no Brasil, onde foi fundada a missão do Brasil Setentrional com sede em Salvador da Baía. Significativamente, o exílio não foi impedimento para que a Província Portuguesa da Companhia de Jesus mantivesse e até aumentasse os seus efectivos: eram 380, em 1925, com 179
sacerdotes, 84 irmãos e 117 estudantes.

Passado o ímpeto persecutório, começaram a reabrir-se cautelosamente, em Portugal, algumas residências: Póvoa de Varzim, em 1923; Lisboa e Braga, em 1925; Porto, em 1927; e Covilhã; em 1929. As casas de formação e o Instituto Nun’Alvres, então em La Guardia, na Galiza, regressaram em 1932. A Constituição de 1933 e o decreto de 12 de Maio de 1941 que, na sequência da Concordata de 1940, reconheceu a Companhia de Jesus como corporação missionária, viriam normalizar a situação jurídica dos jesuítas em Portugal que, ao longo dos anos quarenta e cinquenta, se fixaram nos locais que, substancialmente, ainda hoje mantêm.
Padre Nuno da Silva Gonçalves S.J.

domingo, 19 de setembro de 2010

XXIV Domingo do tempo Comum

O Administrador infiel

Esta Parábola deixa-nos baralhados. Como é que o Senhor pode admirar este Administrador desonesto, poderíamos até dizer, aldrabão? Com efeito, depois do relato em que há uma desonestidade flagrante, Jesus conclui, elogiando o Administrador, ou seja: “deve ser imitado”. Esperávamos uma conclusão diferente de Jesus em relação aos seus discípulos, isto é, Jesus devia dizer-lhes “não vos comporteis como este Administrador desonesto, matreiro, mas sede honestos”. Contudo, muita atenção: Jesus não aprova o que fez o Administrador mas elogia o modo como o fez. Mesmo assim, a parábola tem a sua dificuldade. Como se pode propor; como modelo, uma pessoa desonesta?
Antes de responder mais directamente a esta dificuldade, poderíamos enumerar este princípio que ressalta da leitura da Parábola: se Jesus elogia este administrador, não significa que está de acordo com o que ele fez. Interpretando a Parábola, confirma-se isso mesmo e, então, deveríamos chamar-lhe: a parábola do Administrador, astuto, espertalhão, em vez de infiel. O Administrados foi esperto, porque compreendeu no que devia apostar: não nos bens, ou seja, naquilo a que tinha direito pelo seu trabalho e diligência na administração dos bens que o senhor lhe havia confiado, mas em arranjar amigos. Com efeito, os devedores deviam 400, 200…ao seu senhor e ele tinha direito a 50 por cento, porque fez que os devedores pagassem a dívida. Mandou, por isso, que cada devedor entregasse só o que era devido ao senhor e ele renunciou ao que era seu e disse aos devedores para ficarem com ele. Por isso, merecia ser premiado. Mas ele renuncia ao prémio em favor dos devedores. Deixa, pois, que eles fiquem com o que lhe pertencia pelo seu trabalho e não o entregam ao seu senhor. A Parábola devia pois chamar-se o Intendente astuta, matreiro e não o Administrador infiel. E a conclusão é: Jesus quer fazer-nos compreender que os tratantes deste mundo, ou seja, os filhos deste mundo são mais espertos nas suas malvadezes do que os filhos da luz, isto é, do que nós próprios na nossa vida de fé e nos meios que utilizamos para a cultivar
Recapitulação da Parábola:
Não é possível dizermos aos cristãos que imitem este Administrador. A primeira coisa que há a dizer é que o Senhor não admira nele nem admite a desonestidade, mas a sua habilidade para gerir os negócios.
Não podemos servir a Deus e ao dinheiro, porque neste caso, seria fazer do dinheiro um equivalente a Deus, um ídolo. O dinheiro não é aquilo a que devemos servir, mas aquilo de que nos devemos servir para servir a Deus e aos Irmãos e para nosso bem: para arranjarmos amigos que nos recebam nas tendas eternas. Neste caso, vale a pena lutar para o adquirir.
Não devemos pôr a nossa confiança no dinheiro que é enganador Muitas vezes, confiamos no dinheiro para provarmos que somos alguma coisa na sociedade. Duvidamos que assim seja e por isso compramos o prestígio com o dinheiro. Ora, nós somos apenas alguma cosa confiados ao Amor que é Deus. Esta fé no Amor nos dá uma grande paz. “Tudo posso nAquele que me conforta”. “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”. O dinheiro é bom, mas se não temos cuidado pode transformar-se num instrumento para explorarar os mais fracos, como se vê na leitura de Amós. Deus no Centro e tudo o resto é utilizado para nos conduzir a Ele.

P. José Augusto Alves de Sousa S.J.

domingo, 12 de setembro de 2010

AFTER BEN – “O Amanhã que nos espera”

Para aprofundar a visita que o Papa Bento XVI fez a Portugal os jesuítas (Padres e Irmãos) organizam um grande encontro de juventude intitulado “AfterBen”, ou seja, depois de Bento XVI.
A pastoral juvenil da Companhia de Jesus fez-se presente na visita do Papa Bento XVI em Lisboa e em Fátima através do Eu Acredito (movimento notável de comunhão eclesial entre Schoenstatt, as Equipas de Jovens de N. Senhora, a Pastoral Juvenil do Patriarcado e os Jesuítas) e na organização, através do Centro Universitário Creu-il, da vigília de oração prévia à missa com Papa no Porto.
À inesquecível visita do Papa, segue-se agora a vontade de conhecer e assimilar as suas palavras sábias e acutilantes e os seus gestos humildes e proféticos. Assim, seguindo o desejo do próprio Santo Padre “que a minha visita se torne num renovado incentivo apostólico”, reforçado posteriormente pelas palavras dos nossos Bispos, a pastoral juvenil dos jesuítas mete “mãos á obra” e convida todos os jovens que quiserem, em particular os que estão ligados à espiritualidade inaciana, a encontrarem-se no colégio de Cernache, perto de Coimbra, nos próximos dias 1, 2 e 3 de Outubro para inspirados pela visita do Santo Padre sonharem sem medo o futuro da Igreja e do mundo.

Assim, l a 3 de Outubro próximo terá lugar, no Colégio dos Jesuítas de Cernache – Coimbra, um Mega-Encontro de Jovens, dos 16 aos 30 anos, e intitula-se: "AfterBen" (depois de Bento XVI). Os jovens interessados em participar nesta actividade, devem contactar o Padre Hermínio Vitorino, (email: vitorino66@gmail.com) ou para a Paróquia, (telefone: 275 086 549) para que tudo se possa organizar e possamos estar presentes nesse grande encontro.

Mais informações e acesso ao programa, consulta o site: http://www.afterben.com

XXIV Domingo do tempo Comum



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

NATIVIDADE DA VIRGEM MARIA

Giovanni da Milano

Evangelho de S. Mateus 1,18-23

A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela acção do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria em segredo. Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de David, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela acção do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está connosco”.


Hoje celebramos liturgicamente o nascimento de Maria de Nazaré, mãe de Jesus e nossa mãe. É uma oportunidade de agradecer o dom da vida e agradecer, de um modo particular, o dom de Maria de Nazaré pela qual veio ao mundo Jesus Cristo, Senhor dos vivos e dos mortos.
O nascimento de Maria foi motivo de esperança para o mundo inteiro: “Ela vem ao mundo e com Ela o mundo é renovado. Ela nasce e a Igreja reveste-se da Sua beleza” (Liturgia Bizantina).
- Tenho consciência de que a Mãe de Jesus é também a minha mãe? Ela é a grande intercessora junto de Deus, porque Ele assim o quis.
Foi no momento de grande amor, na cruz, antes de morrer, que Jesus nos entregou a Sua mãe e nos entregou à Sua mãe.
“Não temas!” Diz o Anjo a José. Não temas diz-nos Deus a nós! Não temas porque o nosso Deus é um Deus atento às nossas necessidades e nos protege todos os dias e em todas as horas. Entrega-te tal como Maria e nada te perturbará nunca.
Convidamos cada pessoa a reler este Evangelho e a meditá-lo, deixando-se tocar e embalar pela ternura e beleza do Nascimento de Jesus. Que o Senhor derrube as barreiras e muros que fomos construindo ao longo dos anos e que nos impedem de sentir no coração tanta delicadeza, ternura e Amor de Deus por nós.
Terminemos a nossa reflexão felicitando a Mãe do Salvador, e nossa mãe, pelo seu aniversário Natalício. Peçamos a graça de, à Sua semelhança, colaborarmos generosamente na Salvação do Mundo.
DEUS CONOSCO (EMANUEL), está connosco pela mão de Maria.
Assim, podemos concluir a nossa reflexão, rezando três Avé-Marias.

P. Hermínio João Vitorino, s.j.
(Fonte: passo-a-rezar.net)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Informações Úteis

  • Na próxima quarta-feira, dia 1 de Setembro, iniciam as inscrições para o ano catequético 2010/2011. As inscrições terminam no dia 1 de Outubro. Recorda-se a todos os encarregados de educação que desejam inscrever os seus educandos na catequese em S. Tiago, que as inscrições são obrigatórias para todos, incluindo os catequizandos que já estão a frequentar a catequese.
  • Também durante o ano pastoral que agora inicia, será proporcionada catequese de adultos dirigida a todas as pessoas que frequentaram a catequese enquanto jovens, mas por qualquer motivo não completaram o percurso catequético. Assim, as pessoas adultas, não crismadas, e desejam prepara-se para receber o sacramento do santo Crisma, devem fazer a inscrição na secretaria. Os encontros temáticos serão semanais e iniciam na 3ª semana de Outubro, em data a anunciar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O VERÃO E AS FÉRIAS ESTÃO AÍ


Jesus diz a Marta que ela anda inquieta e perturbada, mas não lhe diz que ela trabalha de mais. No fundo, Jesus pergunta a Marta: Porque tens uma vida agitada? (Lc 10,38-42). Marta não tem uma unidade de vida, anda dispersa, demasiado preocupada. Marta está, talvez, preocupada porque tem medo de perder o prestígio, o seu êxito... É o MEDO DE PERDER a sua boa imagem... O ideal está em Maria, na sua UNIDADE DE VIDA, na sua concentração no essencial da vida.

O stress é uma vertigem louca do mundo que desgasta e coloca a pessoa em grande e contínua agitação exterior e interior, porque o stress não vem só do muito a fazer, mas também da inquietação e perturbação interior, da falta de paz, de harmonia e de unidade cá dentro do nosso coração frágil. O não viver concentrado (com unidade) no que fazemos, pode ser causa de mais stress do que a própria quantidade de trabalho em si.

Por vezes sentimos, vivemos ou gostaríamos de viver numa pressa interior e exterior, que não é possível, que não é saudável e que não ajuda a ter uma vida de qualidade e com verdadeiro sentido. O nosso ritmo interior pode não corresponder ou não estar em sintonia com o nosso ritmo exterior ou vice-versa, e isso pode trazer-nos, em certas situações, alguma angústia, dispersão ou divisão. Essa pressa interior ou exterior, quase sempre, para não dizer sempre, vai em direcção oposta ao viver o presente de Deus e a presença de Deus, na nossa vida quotidiana.

É necessário fazer um esforço em procurar a unidade de vida entre as nossas inquietações e desafios da vida, sendo contemplativos na acção caminhando com Jesus. A unidade de vida de cada um de nós passa muito por este encontro e diálogo de vida com Jesus, mesmo durante as férias.

Ele quer ir comigo para férias, quer passear comigo, caminhar ao meu lado para podermos dialogar com mais calma e com mais tempo. Jesus quer interrogar-me e conhecer-me melhor, para me poder ajudar mais e mais. E quer também dar-se a conhecer, para me contagiar com a Sua generosidade, gratuidade, olhar positivo e cheio de esperança sobre o mundo…

Não deixemos Jesus sozinho e “fechado em nossa casa ou no sacrário”, mas levemo-Lo, no íntimo do nosso ser, para onde formos de Férias. Ele é um bom companheiro de viagem e um bom guia, embora “não tenha nenhuma agência de viagens”! É Ele quem nos diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”. (Mt 11,28). Então, o que esperamos? Reservemos uma viagem e um quarto para Ele ou, porque não, partilhemos o nosso quarto com Ele!

BOAS FÉRIAS COM ELE!
P. Hermínio Vitorino, s.j.