segunda-feira, 29 de novembro de 2010

«Caminhemos à luz do Senhor!» 1ª. Semana de Advento

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Podemos imaginar que o Advento é uma espécie de alerta «lilás», para manter a Igreja, em estado de “vigilância” permanente! Com este estado de alerta, vinte e quatro horas por dia, a Liturgia recorda-nos “o tempo em que estamos”, a oportunidade e a proximidade da salvação, que está na nossa mão. Deus está aí.
Ele é o Deus que se inclina e aproxima, é o “Deus-que-vem”: em cada dia, em todo o tempo e a qualquer hora. Oculto e na surpresa. De repente e de graça! E o que é preciso é «acordar», ter os olhos e os ouvidos do coração despertos para a sua presença, para a sua chegada, para a sua vinda, e a nossa vida, é “tempo favorável”, para O conhecer e acolher!

Temos o Advento inteiro, para «acolher e irradiar a luz»!
Na verdade, cada ser humano é uma janela, a esplêndida, a grandiosa janela de uma catedral. Mas o que é ou para que serve uma janela, se não houver luz? Por isso, acendemos a primeira vela da primeira janela da candeia de Advento, como quem caminha, desde já, à luz do Senhor! E como diz o profeta Isaías: «Caminhemos à luz do Senhor!» (Is.2,5).

Caminhemos, com esta Luz de vigia. Isto mesmo quis o Papa Bento XVI, ao convocar a Igreja, para iniciar este caminho de Advento, com uma vigília pela vida nascente. No fundo, trata-se também de um regresso ao essencial do mistério do Natal, pelo qual um Filho nos foi dado, como a Luz, que vindo a este mundo, ilumina todo o Homem! E, curiosamente, ou talvez não, por estes dias, é de outra luz, a «Luz do mundo», de que tanto se fala, a propósito de um livro que tem esse título. Aí Bento XVI surpreende-nos, de muitas maneiras, numa entrevista dada, ao jornalista alemão Peter Seewald. Ler e meditar este livro pode ser algo como que acender uma luz de vigia, para a minha noite!
As surpresas, como é evidente, estão onde menos se espera! Assim se faça luz! «Caminhemos à luz do Senhor!»! E sejamos luz para os outros!
Para terminar, peço para nós, como estrela e guia, a amável companhia da Família de Nazaré, que nos acompanha sempre!

P. Hermínio Vitorino, sj

domingo, 28 de novembro de 2010

ADVENTO: ESPERAR AQUELE QUE VEM

1. CRISTO VEM, VIRÁ. Nós acreditamos, temos fé na vinda de Cristo. Testemunhamos esta vinda com o nosso encontro de cada Domingo. É Ele que está no meio de nós e quem nos convoca e nos chama a todos a viver na unidade da mesma fé. Vivemos em Igreja…
E, contudo, a Liturgia do Advento, seguindo a Escritura nos remete para o ponto de partida, pois ela nos exorta a reviver em nós a esperança, a abertura Àquele que vem., a reviver a longa espera na fé que os patriarcas, os profetas viveram…Essa esperança enche todo a primeira Aliança, todo o Antigo Testamento. E isto vem ao encontro de tudo aquilo que somos nós. Não é verdade que vivemos insatisfeitos, sempre à procura de algo “novo” na nossa vida? Basta abrir os anúncios do “marketing” para vermos que essa verdade salta à vista. O marketing anuncia sempre o “novo” a novidade até nos presentes do Natal. Consumimos um novo produto…Os dias seguintes têm sempre sucesso…Na primeira leitura deste Domingo, a leitura de Isaías, os verbos estão todos no futuro: sucederá nos dias que hão de vir…converterão as espadas em relhas de arados…“ caminharemos à luz do Senhor... O Salmo 121 também nos fala do futuro…Vamos com alegria para a casa do Senhor…É a esperança do acesso ao homem novo de que nos fala Paulo: chegou a hora de nos levantarmos do sono…; revistamo-nos de Cristo Homem Novo…o Homem Terminal para onde caminhamos. Mas atenção: não somos nós que vamos a Ele. É Ele que vem a nós como Filho do Homem…Assim a nossa melhor atitude é a de Maria no momento da Anunciação: acolher Aquele que vem…Eis a escrava do Senhor. Fiat…

2. ESTAI PREPARADOS. Mas em que consiste esta preparação? Em nada de especial. S. Paulo por exemplo, para esta vinda, apenas prescreve a moral ordinária: evitando comezainas em excesso e o mesmo se diga da bebida… e Jesus nos fala dos trabalhos normais. Uns vão para os campos, outros para o moinho, outros para os trabalhos de casa, outros para o emprego. E então, o que devemos fazer de especial para preparar a vinda do Senhor? Apenas mudar de atitude. Podemos ir ao campo com atitudes diversas: para alimentar a família, para fazer dinheiro… Estas atitudes são compatíveis com a espera de Cristo. Se nós pensamos que estamos em Deus, mesmo sem pensar muito nisso, as nossas atitudes serão humanas e as atitudes humanas como o respeito pelos outros, o trabalho pelo bem comum ajuda-nos na preparação da Vinda do Senhor. Se o nosso desejo é são, podemos aceder a uma alegrai totalmente nova…Tudo em nós é bom, desde que o fundamentemos na fé d’ Aquele que é o Bem por excelência, o nosso Deus. E esta fé faz-nos subsistir no meio das maiores dificuldades

3. VIGIAI. A vinda do Senhor é inesperada. Assim nos fala Paulo na segunda leitura: “ chegou a hora de levantarmo-nos do sono, porque a salvação está próxima…” Paulo insiste sobre a proximidade da Vinda do Senhor e o Evangelho nos diz que a sua vinda não nos é anunciada por algum sinal especial. Compreendemos então que o “Paraíso”, a “vida eterna” não a devemos situar ao fim do nosso tempo, mas por cima ou por baixo de cada um dos nossos instantes de vida. Trata-se de pensar que há qualquer coisa de invisível em nós e que nos deve fazer ajoelhar diante desse invisível e pensar: é, por meio d’Ele que não estamos destinados a viver aqui uma vida em plenitude, embora saibamos que estamos sempre a caminho até atingir a meta (S. Paulo). Viver no amor…É o amor que nos funda. Se nós recusamos o amor, Cristo está ainda presente, mas crucificado por nós... e ressuscitado…É Cristo que está sempre à nossa porta e que nos recomenda a vigilância para lhe abrir a porta quando Ele bata…É sempre Advento. Na hora em que menos pensais vira o Folho do Homem. Ámen
P. José Augusto de Sousa, sj

domingo, 21 de novembro de 2010

Informações Úteis


O coro juvenil da catequese da nossa comunidade paroquial vai lançar um CD na próxima sexta-feira, dia 26. O evento terá lugar na nossa Igreja, S. Tiago, com início às 21:00. Apela-se à participação de todos neste acontecimento, não só relevante para a comunidade, mas particularmente para os elementos do coro da catequese.

      • A reunião geral de encarregados de educação prevista para o dia 25 de Novembro, foi adiada para o mês de Janeiro, em data a anunciar.
      • Tendo em conta o Plano Pastoral da nossa Diocese, para os próximos 3 anos, que tem como tema geral: “A Nova Evangelização a partir do Encontro vivo com Cristo e a Sua Palavra” e sabendo que, no Ano Pastoral 2010 – 2011, teremos o Evangelista S. Mateus como guia para aprofundarmos o seguimento de Cristo, informamos que, já na próxima quarta-feira, dia 24, recomeçará um grupo bíblico. Este será orientado pelo Padre Hermínio, com início às 16:00. Também está previsto iniciar (em Janeiro), um encontro mensal de estudo bíblico. A data será anunciada oportunamente.
      • No próximo sábado, dia 27 de Novembro terá lugar na sala de conferências Inácio de Loiola, uma actividade de formação subordinada ao tema: “Opção pelos mais Pobres” e será dirigida pelo Padre Paulo Teia, Padre jesuíta a trabalhar no Pragal, Almada. Esta actividade de formação é inserida na planificação anual da CVX (comunidades de Vida Cristã) Beira Interior, e aberta a todas as pessoas que quiserem participar. O encontro inicia às 9:30 e termina pelas 17:00. As pessoas que pretendam almoçar aqui, na comunidade, devem inscrever-se na secretaria.
      • Na secretaria da nossa comunidade encontram-se calendários de parede com imagens alusivas às actividades da catequese e outros Movimentos da nossa paróquia. Há 3 diferentes séries de calendários. Encorajamos a que passem pela secretaria e adquiram um ou mais.
      • No Barcarola está patente uma exposição sobre a 1ª República e os Jesuítas. O Barcarola encontra-se aberto depois das eucaristias e, se solicitado, no horário da secretaria.

      • O Centro de Saúde da Covilhã comunica que se encontra disponível a vacina anti-gripe. Esta vacina é gratuita para qualquer pessoa a partir dos 15 anos.

      Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo

      A CRUZ é o trono de um Deus que recusa qualquer poder. O Seu Reino é o da VERDADE, da VIDA, da JUSTIÇA e da PAZ.
      Por isso, diante diante dum Rei assim que dá a Vida por amor, só poedemos querer e desejar: aprender a Amar, Amar e ensinar a Amar.

      domingo, 14 de novembro de 2010

      LEVANTAI A VOSSA CABEÇA

      O Conflito; Mistério da Iniquidade; Inveja - ciúme.
      Há um conflito na História da Humanidade concretizado no conflito: homem - natureza, homem - mulher, homem - homem. Para Paulo, é o Mistério da Iniquidade presente no mundo e, para a Bíblia, este conflito tipifica-se no pecado de Adão e Eva, na acusação mútua e na morte de Abel pelo seu irmão Caim. É o conflito: inveja – ciúme, o da vontade de posse, de domínio e de se ser proeminente na sociedade, saltando sobre tudo e sobre todos. Tal conflito está sempre presente. Tudo se passa como se nós transportássemos para fora de nós mesmos a recusa d’Aquele que nos funda que é Deus.
      Jesus no Evangelho de hoje apresenta-nos este conflito como profecia e prelúdio do desmoronamento final daquilo que acontecerá. E, no entanto, não é preciso atirar para o futuro o que poderá acontecer. O que poderá acontecer está acontecendo no presente, como nos relata a imprensa de cada dia. Jesus faz a descrição destes acontecimentos: guerras, catástrofes naturais, doenças, fome, fome, perseguições… Trata-se sempre do drama da nossa fragilidade, essa fragilidade que desejaríamos ver terminada porque nos causa medo. Tudo exprime o nosso desejo desmedido de sermos como deuses, à imagem e semelhança do que aconteceu com o primeiro homem. E será assim até ao fim, porque em realidade, estamos implicados e não nos podemos colocar fora do jogo. Sacudidos por novas violência, não temamos recuar e meditar nesse conflito de sempre: inveja – ciúma para o superarmos.
      Deus connosco
      Mas não pensemos que estes males são castigo dos nossos pecados. Alguns textos parece que indiciam isso mesmo, mas em realidade, isto é apenas para nos assegurarem duma realidade maior. Deus não está ausente das nossas misérias. Não estamos abandonados a forças cegas…Levantai as vossas cabeças…Coincidência do paroxismo do mal com a acção libertadora de Deus. Deus, ao longo, da vida diz-nos: não vos preocupeis com a vossa defesa…nem um só cabelo da vossa cabeça cairá…
      Atirar a Deus fora? O véu do Templo rasgado e o lado de Cristo aberto
      Apesar das tentativas diversas de querermos atirar a Deus fora do nosso mundo, mesmo assim, encontramos a Cristo na cruz, vítima dos nossos pecados. Mesmo que tenhamos atentado tantas vezes em destruir o Templo do seu corpo, Ele ressuscita...
      Nem com o véu do templo rasgado e com o lado de Cristo aberto e dilacerado, nem assim atiramos a Deus fora do mundo, pois o véu do Templo rasgado e Cristo dilacerado escondem e significam o mistério do amor que se entrega até ao fim. Por nós, Cristo morre e o túmulo se fecha sobre ele, mas brilha o Sol de justiça para nós que queima os nossos vícios. Não acreditemos quando nos dizem: ele está aqui ou acolá, Cristo está em toda a dor humana. Não podemos, por isso, anunciar uma data para o fim do mundo. O fim está sempre connosco e nos circunda. São os últimos tempos, os do Emanuel, do Deus Connosco. Para chegar a crer verdadeiramente nisto, é necessário pôr de lado, todos os apoios e acreditar na Palavra. Os templos que nós construímos, caiem como caiu o Templo de pedra de Jerusalém e ficou o Novo Templo. Cristo Jesus.
      P. José Augusto Alves Sousa, sj

      XXXIII Domingo do tempo Comum


      Jesus anima-nos a olhar para a frente, a percorrer o Caminho que nos leva à felicidade verdadeira, construindo um mundo mais humano, mais cristão.

      TU

      Tu conheces a minha alma,
      Tu sabes tudo o que é preciso fazer nela.
      Fá-lo a teu modo.
      Atrai-me a Ti, Deus meu.
      Enche-me de puro amor por Ti.
      Não permitas que jamais
      me afaste do caminho do teu amor.

      Mostra-mo com clareza.
      Deixo tudo em tuas mãos.
      Não terei medo de nada,
      porque estarei sempre em tuas mãos
      e jamais Te deixarei
      e jamais me deixarás.

      Thomas Merton

      quarta-feira, 3 de novembro de 2010

      Celebração de Todos os Fiéis Defuntos (2 de Novembro)

      É uma profissão de fá na ressurreição de Cristo e de todos aqueles que creram em N’Ele. Animados por esta esperança, nós rezamos pelos defuntos, seja na Eucaristia, seja na Liturgia das Horas, na Oração Eucarística ou na Oração dos Fiéis. Aí podemos encontrar as seguintes orações ou pedidos, referindo-se aos defuntos:
      Admiti-os a gozar a luz do Teu Rosto”; “Acolhe-os no Teu Reino”
      Concede-nos a graça de nos reencontrarmos de novo e gozarmos para sempre da Tua Gloria”.
      É considerar a realidade da morte, na Igreja cristã, à luz da Fé e dos Evangelhos. É recomendar os defuntos à misericórdia de Deus, na esperança da Ressurreição.
      A comemoração do dia 2 de Novembro teve início por volta do ano 1000 por decisão de S. Odilone, Abade de Cluny, o qual estabeleceu que, no dia seguinte ao dia de Todos os Santos, se celebrasse a recordação ou comemoração de todos os fiéis defuntos. A ideia se espalhou rapidamente se espalhou pela Europa, mas Roma só a aceitou no Século XIV.
      O uso de celebrar três missas neste dia, foi introduzido pela primeira vez em Espanha, no século XVIII, e não se estendeu a toda a Igreja até ao Século XX, com o Papa Bento XV (1915).
      Actualmente, o Missal propõe, à escolha, três formulários de missa com novos textos e com um tom muito mais pascal mais Pascal, de Ressurreição do que os antecedentes, e oferece mais orações e mais leituras.
      S. Paulo diz-nos: “Se Cristo não tivesse ressuscitado a nossa fé seria em vão”. Por isso, só tem sentido celebrar este dia e rezar pelos nossos defuntos, com muita esperança em Deus, recordando a Ressurreição de Cristo e lembrando-nos que, um dia, Ressuscitaremos todos com Ele, para a “Vida em abundância” (para vida eterna), e para Maior Glória de Deus!
      P. Hermínio Vitorino, s.j.

      segunda-feira, 1 de novembro de 2010

      Dia de Todos os Santos – Veneração dos Santos

      O culto dos Santos iniciou-se, principalmente ao recordarem-se os Mártires, já a partir de Santo Estêvão. É lógico que a comunidade recorde os seus defuntos e, de um modo particular, os que mais se distinguiram pela sua vida de maior seguimento de Cristo e de fé.
      Já a partir do século II temos testemunhos de culto aos Mártires – principalmente no lugar onde morreram - e mais tarde noutros lugares em que já eram conhecidos. Sucessivamente se começou a venerá-los também nos lugares onde tinham vivido e no dia do seu aniversário de morte. Depois passou do culto local a passou ao culto universal, com devoções aos santos, venerações das suas relíquias, peregrinações, etc, como se faz ainda hoje.
      Santo é alguém que, na sua caminhada terrena, se aproximou mais de Deus, e que seguiu mais de perto e com maior fidelidade o Mestre, Jesus Cristo, dando a própria vida por Ele. Santo é alguém que é apresentado, pela Igreja, como modelo Evangélico, que chegou quase à perfeição total, na sua peregrinação terrena.
      O Concílio Vaticano II (1965), na sua Constituição Dogmática, Lumen Gentium, (ver n. 49-51) (um dos seus documentos), sobre a Igreja, recomenda o culto aos Santos. Ter devoção aos Santos ou honrá-los, significa antes de tudo honrar, louvar a Deus, o Todo-poderoso e Santo.
      Nas Orações Eucarísticas, na sagrada Escritura, etc, podemos ouvir expressões como a seguinte: “Sede Santos porque o Senhor Vosso Deus é Santo” (Lv 19,2); ler também 1 Cor1, 2.
      Os santos não se adoram, mas veneram-se. Honrar e venerar os Santos significa celebrar a vitória de Cristo sobre a morte e sobre o pecado. Os Santos são um dom do Espírito santo à Igreja. São também a glória e o modelo da Comunidade Eclesial, da Comunidade Cristã.
      No dia 1 de Novembro, celebramos a Festa de Todos os Santos, os canonizados pela Igreja e os não canonizados…
      As festas dos Santos mostram, proclamam as maravilhas que o Senhor fez no Seu Povo, e continua a fazer em nós, se lhe dermos espaço para tal, na nossa vida, no nosso coração.
      P. Herminio Vitorino s.j.

      sábado, 23 de outubro de 2010

      Mensagem de Bento XVI para o dia Mundial das Missões


      A construção da comunhão eclesial
      é a chave da missão
      Queridos irmãos e irmãs,
      O mês de outubro, com a celebração do Dia Mundial das Missões, oferece às comunidades diocesanas e paroquiais, aos Institutos de Vida Consagrada, aos Movimentos Eclesiais e a todo o Povo de Deus uma ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e atribuir às actividades pastorais uma ampla conotação missionária. Este evento anual nos convida a viver com intensidade os caminhos litúrgicos, catequéticos, caritativos e culturais, mediante os quais Jesus Cristo nos convoca à ceia de sua Palavra e da Eucaristia para saborearmos o dom de sua Presença, nos formarmos na sua escola e vivermos com mais consciência unidos a Ele, Mestre e Senhor. É ele mesmo que nos diz: “Quem me tem amor será amado por meu Pai, e eu o amarei e me hei-de manifestar a ele” (Jo 14,21). Somente a partir deste encontro com o Amor de Deus, que muda a existência, podemos viver em comunhão com Ele e entre nós, e oferecer aos irmãos um testemunho credível, dando razão da nossa esperança (cf. 1Pe 3,15).

      A fé adulta é a condição para poder fomentar um humanismo novo

      Uma fé adulta, capaz de se entregar totalmente a Deus em atitude filial, alimentada pela oração, pela meditação da Palavra de Deus e pelo estudo das verdades da fé, é a condição para poder promover um humanismo novo, fundamentado no Evangelho de Jesus.

      Ademais, em outubro, depois da pausa de verão, são retomadas as várias actividades eclesiais em muitos países, e a Igreja nos convida a aprender de Maria, mediante a oração do Santo Rosário, a contemplar o projecto de amor do Pai pela humanidade, para amá-la como Ele a ama. Não seria este também o sentido da missão?

      Com efeito, o Pai nos chama a ser filhos amados em seu Filho, o Amado, e a reconhecermo-nos todos irmãos Nele, Dom de Salvação para a humanidade, dividida pela discórdia e pelo pecado, e Revelador do verdadeiro rosto do Deus que “amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

      O compromisso e o anúncio evangélico são deveres da Igreja

      “Queremos ver Jesus” (Jo 12,21) é o pedido que, no Evangelho de João, alguns Gregos, ao chegar a Jerusalém para a peregrinação pascal, apresentam ao apóstolo Filipe. Ele ressoa também em nosso coração neste mês de outubro, que nos recorda que o compromisso e o anúncio evangélico são deveres de toda a Igreja, “missionária por natureza” (Ad Gentes, 2), e nos convida a sermos promotores da novidade de vida, permeada de relações autênticas, em comunidades fundamentadas no Evangelho. Em uma sociedade multiétnica cada vez mais sujeita a novas formas de solidão e de indiferença preocupantes, os cristãos devem aprender a oferecer sinais de esperança e a tornar-se irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e a empenhar-se, sem falsas ilusões ou inúteis temores, para fazer do planeta a casa de todos os povos.

      Como os peregrinos gregos de dois mil anos atrás, também os homens do nosso tempo, nem sempre conscientemente, pedem aos fiéis que não apenas “falem” de Jesus, mas “apresentem” Jesus, fazendo resplandecer o Rosto de Jesus em todos os cantos da terra diante das gerações do novo milénio e especialmente diante dos jovens de todos os continentes, destinatários privilegiados e actores do anúncio evangélico. Eles devem compreender que os cristãos assumem a palavra de Cristo, porque Ele é a Verdade, porque encontraram Nele o sentido, a verdade para suas vidas.

      Ser chamado a anunciar o Evangelho estimula as comunidades

      Estas considerações evocam o mandato missionário recebido por todos os baptizados e por toda a Igreja, que, porém, não se pode cumprir de maneira credível sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral. Efectivamente, a consciência de ser-se chamado a anunciar o Evangelho estimula não apenas os fiéis, mas todas as comunidades diocesanas e paroquiais a uma renovação integral e a abrir-se sempre mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de todas as pessoas, povos, culturas, raças e nacionalidades, em todas as latitudes. Tal consciência se alimenta através da obra dos Sacerdotes “Fidei Donum”, de Consagrados, de Catequistas, de Leigos missionários, numa tentativa constante de promover a comunhão eclesial, de modo que o fenómeno da “inter-culturalidade” possa também integrar-se num modelo de unidade em que o Evangelho seja fermento de liberdade e progresso, fonte de fraternidade, humildade e paz (cf. Ad Gentes, 8). A Igreja “é em Cristo como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano” (Lumen Gentium, 1).

      A comunhão eclesial nasce do encontro com o Filho de Deus, Jesus Cristo, que, no anúncio da Igreja, chega aos homens e cria comunhão com Ele mesmo, com o Pai e o Espírito Santo (cf. 1Jo 1,3). Cristo estabelece a nova relação entre o homem e Deus. “Ele nos revela que «Deus é amor» (1Jo 4, e nos ensina ao mesmo tempo que a lei fundamental da perfeição humana e, portanto, da transformação do mundo, é o novo mandamento do amor. Dá, assim, aos que acreditam no amor de Deus, a certeza de que o caminho do amor está aberto para todos e que o esforço por estabelecer a universal fraternidade não é vão” (Gaudium et Spes, 38).

      Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária

      A Igreja torna-se “comunhão” a partir da Eucaristia, em que Cristo, presente no pão e no vinho, com o seu sacrifício de amor edifica a Igreja como seu corpo, unindo-nos a Deus uno e trino e entre nós (cf. 1Cor 10,16s).

      Na Exortação Apostólica “Sacramentum Caritatis” escrevi: “Não podemos reservar para nós o amor que celebramos no Sacramento. Faz parte da sua própria natureza ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de Deus, é de encontrar Cristo e acreditar Nele” (nº 84). Por isso, a Eucaristia é fonte e ápice não só da vida da Igreja, mas também da sua missão: «Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária» (ibid.), capaz de levar todos à comunhão com Deus, anunciando com convicção: “o que vimos e ouvimos, nós agora o anunciamos a vocês, para que estejam em comunhão connosco” (1Jo 1,3).

      Caríssimos, neste Dia Mundial das Missões, que nos leva a estender o olhar do coração sobre os imensos espaços da missão, sentimo-nos todos protagonistas do compromisso da Igreja em anunciar o Evangelho. O impulso missionário sempre foi sinal de vitalidade para as nossas Igrejas (cf. Encíclica Redemptoris Missio, 2) e a cooperação de umas com as outras é um testemunho singular de unidade, fraternidade e solidariedade, e que torna credíveis os anunciadores do Amor que salva!

      Gestos de amor e de partilha

      Renovo, portanto, a todos o convite à oração, ao compromisso de ajuda fraterna e concreta em apoio às jovens Igrejas, não obstante as dificuldades económicas. Tal gesto de amor e de partilha, implementado pelo precioso serviço das Obras Missionárias Pontifícias, às quais manifesto a minha gratidão, vai ajudar à formação dos sacerdotes, seminaristas e catequistas nas mais distantes terras de missão e dar coragem às jovens comunidades eclesiais.

      Como conclusão desta mensagem anual para o Dia Mundial das Missões, desejo expressar, com particular afecto, o meu reconhecimento aos missionários e às missionárias que testemunham nos lugares mais distantes e difíceis, muitas vezes também com a vida, o advento do Reino de Deus. Para eles, que representam a vanguarda do anúncio do Evangelho, peço a amizade, a proximidade e o apoio de todo os fiéis. “Deus, (que) ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7) vos encha de fervor espiritual e de profunda alegria.

      Nova maternidade apostólica e eclesial

      Como o “sim” de Maria, toda a resposta generosa da Comunidade eclesial ao convite divino para amar os irmãos, suscitará uma nova maternidade apostólica e eclesial (cf. Gl 4,4.19.26); esta, abrindo-se à surpresa do mistério de Deus amor, o qual, “ao chegar a plenitude dos tempo… enviou o seu Filho, nascido de uma mulher” (Gl 4,4), será fonte de confiança e de audácia para os novos apóstolos. Tal resposta tornará todos os fiéis capazes de serem “alegres na esperança” (Rm 12,12) ao realizarem o projecto de Deus, que deseja “a congregação de todo o género humano no único povo de Deus, a sua união no único corpo de Cristo, a sua edificação no único templo do Espírito Santo” (Ad Gentes, 7).

      Vaticano, 6 de Fevereiro de 2010

      segunda-feira, 18 de outubro de 2010

      XXIX Domingo do tempo Comum


      A fé não é autêntica nem se mantém
      se não se alimentar, amadurecer e crescer,
      tanto pela oração como pelo necessário compromisso
      com o mundo, com a vida e com a justiça.
      A fé é um dom e uma tarefa.
      Talvez não unamos com frequência fé e justiça.
      Talvez nos seja mais fácil unir fé e sacramentos,
      fé e actos de piedade, fé e religião.
      Talvez precisemos de convencer-nos
      de que o fundamental da fé é a justiça.

      “Não se pode viver a fé
      sem um compromisso com a justiça” (Pedro Arrupe)