segunda-feira, 5 de março de 2012

Quaresma - 2ª. semana



            “Subiu à montanha e transfigurou-Se diante deles”
(Mc 8,32)
Subir e descer são andamentos importantes do nosso peregrinar! Subir para contemplar o Rosto resplandecente de Cristo e encontrar um sentido novo para a vida; descer para que o nosso olhar de assombro e de encantamento incendeie a vida por onde passamos.
No cimo da montanha, lugar de encontro com o Deus da vida e da história, a luz intensa do mundo dos vivos repousa sobre os Apóstolos e sobre cada pessoa. Porque a visão do Tabor é uma experiência ao alcance e aberta a cada um de nós, quando estamos em sintonia profunda com Deus, e sempre que nos deixamos converter, transfigurar com Ele e por Ele.
Esta página do Evangelho não se refere só a Jesus, mas à transfiguração dos homens, pois com a Sua transfiguração são os discípulos que se transformam em Apóstolos. Transfigurar-se é deixar que Deus projecte luz sobre a sombra e a desordem da nossa vida, sobre o nosso desespero; é ser abençoado por Deus!
Jesus convida-nos a olhar para cima, para Ele, para o Seu Rosto de Ressuscitado e Senhor dos vivos, que tem poder sobre o sofrimento, sobre o pecado e sobre a morte.
No evangelho de Marcos, pouco antes da transfiguração, Jesus tinha feito o primeiro anúncio da Paixão, dizendo aos discípulos: “o Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado […] e ressuscitar depois de três dias” (cf. Mc 8,32). Ele alerta-nos que, para chegarmos à alegria plena e entrarmos na glória, há que percorrer o caminho da entrega, da dor, da cruz, isto é, entrar no Mistério do Messias Sofredor, para um dia participarmos no Mistério da Ressurreição e da Glória.
Estás decidido, então, a subir à montanha com Jesus e fixar n’Ele o teu olhar? Na montanha, perto de Deus, escuta-O e deixa que a transfiguração de Jesus que, naquele momento, entusiasmou Pedro, Tiago e João, te renove e entusiasme também a ti!
                                             P. Hermínio Vitorino, s.j.

                                  
Informações úteis


Via Sacra
Quaresma é um tempo de graça, de transformação de atitude e de revisão de vida! É um caminho de subida, que nos conduz ao ponto mais alto do Amor, cuja concretização acontece na Cruz! Para que o mistério da Paixão e Morte sejam vividos com maior intensidade, durante todas as Sextas-Feiras da Quaresma, às 15:00h, deixemo-nos tocar pelo Amor de Jesus e participemos na Via-Sacra.

"Busca o encontro com Deus e Ele falar-te-á ao coração"      
Quaresma é um tempo de silêncio, de partilha, de dádiva e de perdão! É tempo de olhar para tudo o que se tem feito e vivido e descobrir qual é o verdadeiro centro da nossa vida!
É tempo de meditar e rezar mais, de viver a caridade com o nosso irmão, de amar mais, de esperar, ansiosamente, a ressurreição de Cristo, desejando ressuscitar também para uma Nova Vida!
Neste tempo litúrgico, com o objectivo de nos conduzir a uma experiência de encontro com Deus, a nossa Comunidade Paroquial fará semanalmente um tempo de oração, dirigida aos mais jovens (mas aberto a todos). Com início já domingo dia 26, às 17:00 h, na Sala Santo Inácio de Loyola.
                     

quinta-feira, 1 de março de 2012

CVX


O que é a CVX?
A CVX é uma comunidade mundial de leigos, com Estatutos aprovados pela Igreja, assente na Espiritualidade Inaciana. A sua fonte de inspiração característica, para além das Sagradas Escrituras e do Sentido de Igreja, são os Exercícios Espirituais de S. Inácio de Loyola. As linhas orientadoras da CVX estão consignadas nos Princípios Gerais.

Para fazer parte da CVX?
Os interessados devem contactar os responsáveis regionais que procurarão integrá-los num grupo já existente ou formar um novo.
A CVX-P tem ainda um sítio na Internet. www.cvxp.org, onde pode encontrar mais informações.
Queres embarcar com a CVX? Contacta-nos!

Equipa Regional 
Luís Pedro Brás: lpbras@finiclasse.pt
Maria José Madeira: msilva.ubi@gmail.com
Conceição Neves: saodiasneves@gmail.com
Paulo Lopes: pjmlopes57@gmail.com
P. Manuel Vaz Pato, sj: vazpato@jesuitas.pt

Outros contactos
Rua de São Tiago, 26 - 6200-214 Covilhã
cvx.beira.interior@gmail.com
regiao.beirainterior@cvxp.org

Grupos da CVX na Beira Interior
“Os Profissionais” – Covilhã
“5ª Semana” – Covilhã
“Maranathá” – Covilhã
“Grupo Novo” - Covilhã
“Grão de Mostarda” – Castelo Branco



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Quaresma - 1ª semana


“Estabelecerei convosco a minha Aliança"
(Gen 9,8)

De muitos modos e em muitos tempos Deus estabeleceu Aliança com os homens. Da parte de Deus, estabelecer aliança com todas as criaturas, com a humanidade, significa aproximar-se dos homens, descer até eles, sair ao encontro, porque Ele não quer nem deseja ser Alguém que castiga, mas afirma-se, como Alguém que abraça, que cura, que ama.
Depois da aliança estabelecida com os homens através dos profetas, eis que surge Jesus Cristo, o próprio Filho de Deus, que foi enviado “não para condenar o mundo, mas para o salvar”, através do “Sangue da nova e eterna aliança”.
Deus quando estabelece aliança com toda a humanidade quer restabelecer ou/e fortalecer o pacto de fidelidade, de proximidade, de amor que, da parte do homem se rompeu pelo pecado, como aconteceu com Adão e Eva, e fez com que se desviassem dos caminhos de Deus.
Para se restabelecer a relação, a aliança com Deus ou para participar no reino de Deus é necessária a purificação, é necessário, como diz a liturgia deste domingo, arrepender-se e acreditar no Evangelho. É necessário ouvir este apelo como algo importante e que é dirigido também a mim, que sou pecador, por isso tenho que deixar atitudes velhas e caminhar activamente com e para Jesus.
Cristo venceu a morte e Ressuscitou. É pelo Baptismo que cada um de nós participa nesta vitória, na salvação operada por Cristo. Cada cristão que, pelo baptismo, firma com Cristo uma Aliança, procura viver na alegria de filho de Deus, procurando uma nova relação de qualidade com Deus e com os outros.
Fiquemos com a certeza de que Deus, recorda sempre a Sua Aliança para connosco, porque é um Deus próximo, e convida-me a uma maior conversão de coração, libertando-me do egoísmo porque está sempre disposto a abraçar-me com a Sua Aliança de Amor infinito…

P. Hermínio Vitorino, s.j.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quaresma - quarta feira de cinzas


«Prestemos atenção uns aos outros,
para nos estimularmos ao amor e às boas obras»

Eis o tempo favorável que Deus coloca à nossa frente, para nos prepararmos para a mais importante festa do calendário cristão, a Páscoa.
O Papa Bento XVI, na sua mensagem Quaresmal, diz: “A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir sobre o cerne da vida cristã: o amor. Este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.” […] “Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24) […]. Trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» […], numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras».
O Papa detêm-se, principalmente, no versículo 24, e diz que: “em poucas palavras, (o versículo) oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã”: 1. prestar atenção ao outro (responsabilidade pelo irmão), onde inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual.
2. O dom da reciprocidade: «Uns aos outros».
3. A santidade pessoal: «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras» temos de caminhar juntos na santidade”.
Bento XVI, lança-nos, também, o seguinte desafio: “Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por se adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (Heb 6, 10)”.
As leituras de hoje também nos dizem algo parecido: “Voltai para Mim o vosso coração” (Joel 2,12); “no dia da salvação socorri-te”; “Nós somos embaixadores ao serviço de Cristo” (cf. 2 Cor 5, 20-6,2).

P. Hermínio Vitorino, sj

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Conversando com o Padre Manuel Vaz Pato



O P. Manuel Vaz Pato nasceu em 1940, em Oliveira do Hospital, o quinto de seis irmãos. Fez os estudos secundários no Colégio das Caldinhas (Santo Tirso), da Companhia de Jesus. Frequentando o 2º ano de engenharia na Universidade de Coimbra, entrou no Noviciado da Companhia de Jesus em Soutelo, arredores de Braga, em Fevereiro de 1960. Depois de completados os primeiros anos de formação na Companhia, voltou a Coimbra, onde, em 1966, terminou o Curso de Matemática. Os estudos de Filosofia e Teologia fê-los na Universidade Católica (em Braga e em Lisboa) e no Teologado da Companhia de Jesus em Dublin.

Em 1972 foi ordenado Sacerdote na Igreja do Coração de Jesus, na Covilhã. Logo a seguir, frequentou o curso de Sociologia, no Boston College, a universidade da Companhia de Jesus em Boston. Voltou a Portugal em Janeiro de 1974 para ingressar no corpo docente do Instituto Superior de Economia e Sociologia, instituição fundada, anos antes, em Évora, pela Província Portuguesa da Companhia de Jesus. No ano seguinte, regressou a Boston para completar o mestrado em Sociologia que terminou em 1976.
Foi professor de Sociologia na Universidade de Évora e, mais tarde, na Universidade do Minho. Na Companhia de Jesus exerceu o cargo de Provincial e o de Superior das Comunidades de Évora, de Braga e do Centro Inaciano do Lumiar, em Lisboa.
Foi também, por vários anos, responsável do Centro Académico de Braga (CAB), um centro universitário  da Companhia de Jesus. A 4 de Setembro de 2011, foi nomeado Pároco na Paróquia de S. Pedro da Covilhã pelo Senhor D. Manuel Felício, Bispo da Guarda.
S F – Depois de uma formação académica tão longa e variada e de uma vida activa que acumulou o exercício do sacerdócio com o de professor universitário e com o de Provincial da Companhia em Portugal (6 anos como Provincial , 19 como professor em Évora e em Braga, e ainda vários anos como Superior de diversas Comunidades), o que é que o trouxe à Covilhã, como Pároco?
Depois de uma formação académica tão longa, tão variada e tão rica, em simultâneo com uma vida de sacerdote, de professor e de responsável máximo pela Companhia de Jesus em Portugal ( durante 6 anos exerceu o cargo de Provincial da Província Portuguesa da Companhia de Jesus; durante 13 anos, foi professor na Universidade do Minho; durante aproximadamente 7 anos, foi superior do Centro Inaciano do Lumiar em Lisboa)...
S F — O que o trouxe à Covilhã, como pároco?
P .Vaz Pato — Bom, fui proposto ao Sr. Bispo da Guarda pelo Provincial da Companhia de Jesus
e fui por ele aceite e nomeado. Eu manifestara vontade ao Provincial de ajudar numa paróquia
e ele achou por bem propor o meu nome ao Sr. Bispo
S F Porquê, essa vontade de ser pároco?
P.V P — A minha intenção não era propriamente a responsabilidade de ser pároco, mas penso que, como pároco, ainda posso fazer alguma coisa pelo reino de Deus, fico mais liberto para a pastoral
S F — Que género de trabalho gostaria de desenvolver nessa condição?
P. V P — O que acho estimulante neste trabalho é o estar disponível para todas as actividades, para pessoas de todas as idades...Um pároco é um especialista da generalidade.
5 F — Mas a gestão de uma casa como a casa dos Jesuítas da Covilhã deve absorver uma parte importante do seu tempo.
P.V P — Há que distinguir entre a Comunidade — e dessa o P. Sousa é o Superior — e Paróquia.
Na Paróquia, tenho um pároco a trabalhar comigo, o P. Vitorino. Quanto a melhoramentos na Igreja, para já, não se prevêem, nem os tempos são propícios...Estamos em recessão.
5 F — Uma última pergunta: Que papel atribui aos leigos dentro da Igreja? Predominantemente passivo ou predominantemente activo?
P.V P — Aí não há escolha: o Concílio Vaticano II, de algum modo, estabeleceu a maioridade dos leigos dentro da Igreja. Hoje não há opção, não só pela orientação da Igreja, mas também pela necessidade resultante da falta de sacerdotes.
O que vou dizer-lhe não é uma ideia minha, original, mas quase podemos afirmar que esta falta de padres é uma oportunidade “aproveitada” pelo Espírito Santo para a Igreja se dar conta do papel que os leigos devem assumir e pela graça do Espírito Santo, que vai orientando a Igreja, há um empenhamento cada vez maior de cada vez mais leigos...
S F — Antes de lhe desejar as maiores felicidades neste seu novo trabalho, ainda pergunto: tem-se sentido bem recebido, bem enquadrado, por todos nós?
P. V P — Maravilhosamente! O melhor possível!
5 F — Seja então bem vindo, P. Vaz Pato, e fique connosco por muito, muito tempo!


domingo, 4 de setembro de 2011

Tomada de Posse do Padre Manuel Vaz Pato



Celebração festiva e cheia de simbolismo, na tomada de posse do Padre Manuel Vaz Pato, como Pároco da nossa Comunidade, com a presença do P. Alberto Brito, Provincial dos jesuítas em Portugal e demais Jesuítas da nossa Comunidade 
Presidiu a esta Celebração, D. Manuel Rocha Felício, Bispo da Guarda.

sábado, 16 de abril de 2011

“É d’Ele que brota a vida” P. José Frazão, s.j.


1 - Quem é e de onde vem?
Chamo-me José, nome de que gosto muito. Sou jesuíta e padre. Tenho 41 anos. Nasci numa aldeia do Concelho de Porto de Mós, chamada Alqueidão da Serra, distrito de Leiria. Tenho 6 irmãos, dos quais tenho 17 sobrinhos. A minha mãe faleceu há cinco anos.

2 - Como é que a sua família reagiu quando decidiu ser padre?
Senti sempre grande encorajamento e liberdade. Quando fui ordenado padre, aí, senti da parte dos meus pais e restante família uma especial alegria.

3 - Que fazia antes de se tornar padre?
Antes de entrar na Companhia de Jesus, fiz um longo percurso vocacional, numa outra congregação religiosa. Durante o tempo imediatamente anterior à minha entrada no noviciado, fui professor em duas escolas secundárias de Leiria.

4 - Porque decidiu seguir esta vocação, porquê ordenar-se padre?
Desde criança que sinto uma presença muito forte de Deus na minha vida. Talvez possa parecer estranho, mas essa confiança de infância sempre foi muito importante na história da minha vocação. O caminho que me levou a entrar na Companhia de Jesus não foi fácil nem linear. Num determinado momento da minha vida, tinha 25 anos, fiz os exercícios espirituais de S. Inácio e, então, tudo começou a brilhar com uma luz nova. O que andava á procura há tanto tempo tornou-se, aí, muito claro. Há momentos assim: nas trevas  da nossa vida brilha uma grande luz.

5 - Quais foram as primeiras impressões que tirou da nossa cidade?
Tinha uma imagem muito vaga da Covilhã. Só tinha vindo cá uma vez, há já bastantes anos, para a ordenação do P. Rafael, também jesuíta. Agora, quando cá cheguei, a primeira imagem foi de uma mancha de casas agarrada à encosta da serra. Gosto muito das escadinhas, dos becos, das casas em granito. Também me agrada muito a vista sobre o vale. Entre o que me agrada menos, estão as muitas casas abandonadas, alguma desordem e a falta de beleza de alguma construção mais recente. Refiro este ponto, não como crítica, mas porque acredito que a beleza dos lugares, da arquitectura, dos espaços comuns pode ajudar-nos muito a sermos mais humanos.
 
6 - Como está a ser, para si, esta experiência na nossa paróquia?
Está a ser muito boa. É bom ver o dinamismo da paróquia e, ainda mais, testemunhar o caminho espiritual de tanta gente. Toca-me muito ver como Deus, pacientemente, vai tocando cada um e como, no sofrimento de tantos, reacende a esperança. O mais belo na minha vida, como padre, é testemunhar o milagre do renascimento para a fé e para a vida. Este é o maior milagre ao qual podemos assistir.

7 - Que mensagem gostaria de deixar aos jovens da nossa paróquia?
Como em tantos outros lugares, noto que, também aqui, há, em muitos, uma forte indiferença e indisposição para a fé. É como se esta lhes tirasse alguma coisa ou, pelo menos, não lhes acrescentasse nada. Essa não é a minha experiência. O apelo que sinto no Evangelho é um fortíssimo convite à vida, à liberdade, à criação. Sempre que me deixo conduzir por Jesus, a minha inteligência fica mais ágil e a minha sensibilidade mais fina; a minha imaginação fica mais larga e os meus gestos mais graciosos. A fé, como gesto agradecido de confiança, é a arte da vida. O Espírito Santo pode levar-nos aonde não esperaríamos ir. Essa liberdade que vence todos os medos é extraordinária.

 8 - Que tipos de sonhos tem para a Igreja, no presente e no futuro?
Gostaria que a Igreja, com humildade e coragem, pudesse ajudar outros a reconhecer e a apreciar o Evangelho como uma bênção que nos confirma na vida e nos faz viver. Sonho uma Igreja tocada pela graça do Senhor, capaz de tocar a humanidade de outros.

9 - Se tivesse uma palavra para Jesus qual seria?
Dir-lhe-ia de joelhos, “meu Senhor e meu Deus”. E pedir-lhe-ia para o conhecer mais intimamente, para mais o amar e o seguir.

10 – Finalmente, uma mensagem Pascal para o mundo.
Que cada um, na sua experiência concreta de vida, possa aprender a perder o medo e a deixar-se amar. Antes de mais, por Deus, “fonte da qual brotam as águas; sol do qual brilham os raios”. É d’Ele que brota a vida pela qual ansiamos.

Obrigado

domingo, 20 de março de 2011

II Semana da Quaresma

       Sieger Koder


«Este é o meu Filho muito amado.
Escutai-o» (Mt 17, 5)

Jesus sobe ao monte. Leva consigo Pedro, Tiago e João. Já Abraão tinha subido para sacrificar Isaac, seu único filho. Também Moisés para receber os mandamentos do Senhor. O próprio Jesus sobe ao monte para proclamar as bem-aventuranças. E falta pouco, muito pouco, para que suba, agora, à mais alta das montanhas. Digo, à cruz.
Assim, onde terra e céu se tocam, aqueles discípulos – e nós, com eles – vêem Jesus como “o mais belo entre os filhos do homem”. E, envolvidos por tão grande luz, ouvem do céu uma voz, de tom não menos belo: “este é o meu Filho muito amado”. Profundamente tocados pela transfiguração de Jesus, reconhecem que é bom estar ali. Sim, será muito bom estar ali. Também para nós.
Mas como será e onde quereremos estar quando Jesus se revelar desfigurado e quando o seu rosto, desfeito pelo sofrimento, nos fizer desviar o olhar? Suportaremos o silêncio do céu e a violência desse grito “meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”.
Reconheceremos que Jesus é o Filho amado do Pai quando o virmos “sem aspecto atraente, desprezado e evitado” por todos? Prestar-lhe-emos atenção quando o virmos acusado e mudo? Ainda conseguiremos dizer-lhe, junto à cruz, “é bom estar aqui, onde tu estás”?
O rosto transfigurado de Jesus revela-nos, hoje, que, entre todos, é o mais belo. O seu rosto desfigurado revelar-nos-á, amanhã, que é o mais belo porque dá a sua vida por todos. A beleza está na entrega. Jesus sobe, porque aceita descer; brilha, porque aceita apagar-se.  
P. José Frazão, sj

        

domingo, 13 de março de 2011

I Semana da Quaresma

    Sieger Koder 

«Nem só de pão vive o homem, mas de toda
a palavra que sai da boca de Deus»
 (Mt 4,4)

Reparemos em Jesus. Antes de dar início à sua vida pública, retira-se para o deserto. É o lugar do silêncio e da compreensão das coisas à luz de Deus. Ali se purificam os desejos e se fortalece a vontade. Jesus prepara-se assim. Reza. Jejua. A sobriedade ajudará a ter presente o essencial da sua vida, a vontade do Pai. Mas o silêncio pode ser duro. Jesus é tentado e posto à prova.
E se usar o seu poder para benefício próprio. Porque não fazer das pedras pão, já que tem fome? E se fizesse alguma coisa de espectacular – lançar-se, por exemplo, do alto do templo, sem que nenhum mal lhe acontecesse – para que reparassem nele e o admirassem? E porque não ceder – só um bocadinho, que importância teria? – aos poderes do mundo para realizar, mais rapidamente, o Reino de Deus? Afinal, não foi para isso que veio ao mundo?
O Evangelho abre-nos uma janela para o íntimo de Jesus. O fascínio do poder, da glória e do compromisso com o mal, também o tocaram como uma possibilidade. Porém, Jesus não cede ao encanto do mais fácil. Para si, escolhe a pobreza, a humildade, o serviço. Não quererá outro caminho. É assim – só assim – que realizará o Reino de Deus entre nós. E não haverá cedências. Antes perder a vida.
 Será possível viver assim, como Jesus? Pobreza, humildade, serviço: não é opção para fracos?; não será demasiada ingenuidade, num mundo tão astuto? Sim, parece difícil. Mas o Senhor mostra-nos que é possível. E repete-nos, uma e outra vez: “quem quiser seguir-me…”


P. José Frazão, sj