quinta-feira, 22 de março de 2012

Quando é que a terra se elevará e se fará céu?


Fui encontrando sempre uma vida melhor
Eu não acredito na morte. Morrendo a toda a hora,
Fui encontrando sempre uma vida melhor.
...
O Próprio Deus tem de morrer, se para ti quer viver;
Como poderias tu herdar a sua vida sem a morte?
...
Vai onde não podes; olha onde não vês;
Escuta onde nada tine; estarás onde Deus fala.
...
Amor é essa pedra filosofal que separa o ouro da lama,
Que de nada faz tudo e em Deus me transforma.
...
A rosa é sem porquê; floresce porque floresce,
Não cuida de si própria, não pergunta se a vemos.
...
A Palavra ressoa em ti mais que na boca do outro;
Se podes calar-te diante dela, no mesmo instante a ouves.
...
Pensas pronunciar o nome de Deus no tempo?
Nem sequer numa eternidade Ele se diz.
...
Só o aniquilamento te eleva acima de ti próprio;
Quem mais aniquilado estiver, maior divindade terá.
...
Dá atenção a tudo o que está abaixo de ti. Se foges do relâmpago do tempo,
Como queres contemplar um relâmpago da eternidade?
...
O céu baixando, vem e faz-se terra;
Quando é que a terra se elevará e se fará céu?

Angelus Silesius
Trad.: José Augusto Mourão

segunda-feira, 19 de março de 2012

4ª. Semana da Quaresma


Procurar Jesus

Uma das páginas mais belas e dos diálogos mais profundos, do Evangelho, é aquele que Jesus teve com Nicodemos.
Ele pertencia ao Sinédrio e vivia inquieto, mas ao ver e ao escutar Jesus, teve a coragem de o procurar para o conhecer. Em resumo, Nicodemos procurou, encontrou Jesus, falou com Ele e escutou-o.
Todos nós sentimos consolação quando, em situação de escuridão ou de trevas, alguém nos alumia ou ajuda nas nossas dificuldades. Quanto mais importante e profundo é ser iluminado por Deus que salva!
Nicodemos procurou Jesus de noite, no meio das trevas, mas encontrou a Luz. Porque encontrou Jesus, regressou com o seu coração e a sua vida iluminada. À ida caminha nas trevas que o desorientam, no regresso é envolvido e conduzido pela Verdadeira Luz.
Deus nunca nos considera um caso perdido, mas olha-nos como um filho Seu a salvar! Deus que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós que estávamos mortos, por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo” (Ef.2,4). Paulo refere-se aqui ao mistério cruz, da morte e da ressurreição de Jesus, onde se manifestou o cúmulo absoluto da loucura do amor de Deus por nós.
Somos salvos, simplesmente “pela grande caridade, com que Deus nos amou”. «Deus, que é rico em misericórdia», olhou-nos com amor, amou-nos primeiro, encheu-se de compaixão.
Procuremos o Deus da Luz, o Deus do Amor, que salva, através de Jesus Cristo, porque “Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o seu próprio Filho” (cf. Jo 3,14-21). O nosso Deus é um Deus atento, o Deus de todos os tempos, de todos os homens! Só na luz que vem de Deus é que poderemos ser salvos!
Nesta Quaresma, é importante olhar outra vez, longa, paciente e intensamente para a Cruz, onde é claro.
Pratiquemos então a verdade, na caridade! Aproximemo-nos da luz! Olhemos para a Cruz. Quem se aproxima da Cruz, toca a verdade. E quem pratica a verdade, aproxima-se da Luz!...
                                   
                                                    P. Hermínio Vitorino, s.j.

sábado, 17 de março de 2012

Ele abraçou todas as cruzes da “Humanidade”


 A minha profissão de fé - a minha declaração de Amor…
Caminho da Quaresma
18.Março a 8.Abril




segunda-feira, 12 de março de 2012

Quaresma - 3ª. semana

Entramos já no coração da Quaresma. Os últimos três Domingos até à Semana Santa, desafiam-nos à contemplação do mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. E, para nos fazer entrar neste Mistério, o próprio Jesus recorre a três sugestivas imagens ou comparações: o Templo destruído e reconstruído, a serpente elevada no poste, e o grão de trigo lançado à Terra, para morrer e dar vida!
No terceiro domingo, o evangelho apresenta-nos a bela imagem do Templo, purificado por Jesus, e que irá ser “destruído e reconstruído”, tal como o seu Corpo morto e ao terceiro dia ressuscitado!
Jesus expulsou muitas coisas e pessoas do Templo de Jerusalém. Jesus enfrenta, com zelo e paixão todo aquele ambiente religioso-mercantil que se tinha formado à volta do templo. Com este gesto profético Jesus denuncia a situação na qual os interesses económicos, sociais, religiosos e políticos, suplantado e ocultado Deus. Jesus reage perante os que manipulam o sagrado, atemorizam e escravizam as pessoas por meio do culto, de ritos e de tradições e tudo submetem aos seus próprios interesses. Não teremos nós, também, a tentação e a inclinação para sermos “consumidores ou negociantes de cristianismo”? Ou somos participantes, colaboradores de Cristo e do seu projecto, numa maneira concreta onde vivo?
Boa ocasião para nos perguntarmos: Quais são os meus interesses? As minhas atitudes e projectos coincidem com os de Jesus? Sinto paixão pela Boa Notícia, pela paz, por um mundo mais solidário e uma sociedade mais justa e mais livre? Por que se apaixona Jesus? Por que me apaixono eu?
Deixemos que seja Jesus, agora a purificar o “Templo” que somos nós. Deixemos que ele mesmo expulse os vendilhões que dentro do nosso coração ocupam o lugar que pertence ao Senhor:
- Em primeiro lugar, deixemos purificar o nosso ouvido pela Palavra de Deus, e expulsemos dele o ruído, o barulho e a confusão. Dêmos lugar ao silêncio!
-Em segundo lugar, deixemos purificar o nosso olhar e expulsemos, da nossa mente, todas as falsas imagens de Deus, pondo só na Cruz os nossos olhos!
- Em terceiro lugar, deixemos purificar o nosso coração, que tem de aprender a amar Deus como Pai e não como patrão.
Contemplando Cristo na cruz, nossa fonte de sabedoria, peçamos a Deus que nos ajude a não deixar de anunciar Cristo Crucificado, poder e sabedoria de Deus, e que nos deixemos atrair pela sabedoria da Cruz e sejamos purificados pela Palavra de Deus, como verdadeiros templos de Cristo, que somos!
Que durante esta semana ecoe dentro de nós a seguinte pergunta: A quem prego eu? A Cristo crucificado, que aceita ser como “grão de trigo”, que Se entrega e morre para dar Vida? E não esqueçamos as palavras de S. Paulo, que nos recorda que “Cristo é poder e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (cf. 1Cor 1,22-25). A nossa verdadeira sabedoria vem da cruz de Cristo!
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           P. Hermínio Vitorino, s.j.




Subida nocturna à Serra da Estrela
"Astronomia e Espiritualidade"

Aproveitando a participação de um jovem astrónomo, o Noviço Jesuíta Carlos Miranda, vamos organizar esta actividade na Sexta-Feira, dia 16.
Constará de uma subida nocturna à Serra, para observação das estrelas e para um momento recolhido de espanto e agradecimento.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quaresma - 2ª. semana



            “Subiu à montanha e transfigurou-Se diante deles”
(Mc 8,32)
Subir e descer são andamentos importantes do nosso peregrinar! Subir para contemplar o Rosto resplandecente de Cristo e encontrar um sentido novo para a vida; descer para que o nosso olhar de assombro e de encantamento incendeie a vida por onde passamos.
No cimo da montanha, lugar de encontro com o Deus da vida e da história, a luz intensa do mundo dos vivos repousa sobre os Apóstolos e sobre cada pessoa. Porque a visão do Tabor é uma experiência ao alcance e aberta a cada um de nós, quando estamos em sintonia profunda com Deus, e sempre que nos deixamos converter, transfigurar com Ele e por Ele.
Esta página do Evangelho não se refere só a Jesus, mas à transfiguração dos homens, pois com a Sua transfiguração são os discípulos que se transformam em Apóstolos. Transfigurar-se é deixar que Deus projecte luz sobre a sombra e a desordem da nossa vida, sobre o nosso desespero; é ser abençoado por Deus!
Jesus convida-nos a olhar para cima, para Ele, para o Seu Rosto de Ressuscitado e Senhor dos vivos, que tem poder sobre o sofrimento, sobre o pecado e sobre a morte.
No evangelho de Marcos, pouco antes da transfiguração, Jesus tinha feito o primeiro anúncio da Paixão, dizendo aos discípulos: “o Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado […] e ressuscitar depois de três dias” (cf. Mc 8,32). Ele alerta-nos que, para chegarmos à alegria plena e entrarmos na glória, há que percorrer o caminho da entrega, da dor, da cruz, isto é, entrar no Mistério do Messias Sofredor, para um dia participarmos no Mistério da Ressurreição e da Glória.
Estás decidido, então, a subir à montanha com Jesus e fixar n’Ele o teu olhar? Na montanha, perto de Deus, escuta-O e deixa que a transfiguração de Jesus que, naquele momento, entusiasmou Pedro, Tiago e João, te renove e entusiasme também a ti!
                                             P. Hermínio Vitorino, s.j.

                                  
Informações úteis


Via Sacra
Quaresma é um tempo de graça, de transformação de atitude e de revisão de vida! É um caminho de subida, que nos conduz ao ponto mais alto do Amor, cuja concretização acontece na Cruz! Para que o mistério da Paixão e Morte sejam vividos com maior intensidade, durante todas as Sextas-Feiras da Quaresma, às 15:00h, deixemo-nos tocar pelo Amor de Jesus e participemos na Via-Sacra.

"Busca o encontro com Deus e Ele falar-te-á ao coração"      
Quaresma é um tempo de silêncio, de partilha, de dádiva e de perdão! É tempo de olhar para tudo o que se tem feito e vivido e descobrir qual é o verdadeiro centro da nossa vida!
É tempo de meditar e rezar mais, de viver a caridade com o nosso irmão, de amar mais, de esperar, ansiosamente, a ressurreição de Cristo, desejando ressuscitar também para uma Nova Vida!
Neste tempo litúrgico, com o objectivo de nos conduzir a uma experiência de encontro com Deus, a nossa Comunidade Paroquial fará semanalmente um tempo de oração, dirigida aos mais jovens (mas aberto a todos). Com início já domingo dia 26, às 17:00 h, na Sala Santo Inácio de Loyola.
                     

quinta-feira, 1 de março de 2012

CVX


O que é a CVX?
A CVX é uma comunidade mundial de leigos, com Estatutos aprovados pela Igreja, assente na Espiritualidade Inaciana. A sua fonte de inspiração característica, para além das Sagradas Escrituras e do Sentido de Igreja, são os Exercícios Espirituais de S. Inácio de Loyola. As linhas orientadoras da CVX estão consignadas nos Princípios Gerais.

Para fazer parte da CVX?
Os interessados devem contactar os responsáveis regionais que procurarão integrá-los num grupo já existente ou formar um novo.
A CVX-P tem ainda um sítio na Internet. www.cvxp.org, onde pode encontrar mais informações.
Queres embarcar com a CVX? Contacta-nos!

Equipa Regional 
Luís Pedro Brás: lpbras@finiclasse.pt
Maria José Madeira: msilva.ubi@gmail.com
Conceição Neves: saodiasneves@gmail.com
Paulo Lopes: pjmlopes57@gmail.com
P. Manuel Vaz Pato, sj: vazpato@jesuitas.pt

Outros contactos
Rua de São Tiago, 26 - 6200-214 Covilhã
cvx.beira.interior@gmail.com
regiao.beirainterior@cvxp.org

Grupos da CVX na Beira Interior
“Os Profissionais” – Covilhã
“5ª Semana” – Covilhã
“Maranathá” – Covilhã
“Grupo Novo” - Covilhã
“Grão de Mostarda” – Castelo Branco



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Quaresma - 1ª semana


“Estabelecerei convosco a minha Aliança"
(Gen 9,8)

De muitos modos e em muitos tempos Deus estabeleceu Aliança com os homens. Da parte de Deus, estabelecer aliança com todas as criaturas, com a humanidade, significa aproximar-se dos homens, descer até eles, sair ao encontro, porque Ele não quer nem deseja ser Alguém que castiga, mas afirma-se, como Alguém que abraça, que cura, que ama.
Depois da aliança estabelecida com os homens através dos profetas, eis que surge Jesus Cristo, o próprio Filho de Deus, que foi enviado “não para condenar o mundo, mas para o salvar”, através do “Sangue da nova e eterna aliança”.
Deus quando estabelece aliança com toda a humanidade quer restabelecer ou/e fortalecer o pacto de fidelidade, de proximidade, de amor que, da parte do homem se rompeu pelo pecado, como aconteceu com Adão e Eva, e fez com que se desviassem dos caminhos de Deus.
Para se restabelecer a relação, a aliança com Deus ou para participar no reino de Deus é necessária a purificação, é necessário, como diz a liturgia deste domingo, arrepender-se e acreditar no Evangelho. É necessário ouvir este apelo como algo importante e que é dirigido também a mim, que sou pecador, por isso tenho que deixar atitudes velhas e caminhar activamente com e para Jesus.
Cristo venceu a morte e Ressuscitou. É pelo Baptismo que cada um de nós participa nesta vitória, na salvação operada por Cristo. Cada cristão que, pelo baptismo, firma com Cristo uma Aliança, procura viver na alegria de filho de Deus, procurando uma nova relação de qualidade com Deus e com os outros.
Fiquemos com a certeza de que Deus, recorda sempre a Sua Aliança para connosco, porque é um Deus próximo, e convida-me a uma maior conversão de coração, libertando-me do egoísmo porque está sempre disposto a abraçar-me com a Sua Aliança de Amor infinito…

P. Hermínio Vitorino, s.j.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quaresma - quarta feira de cinzas


«Prestemos atenção uns aos outros,
para nos estimularmos ao amor e às boas obras»

Eis o tempo favorável que Deus coloca à nossa frente, para nos prepararmos para a mais importante festa do calendário cristão, a Páscoa.
O Papa Bento XVI, na sua mensagem Quaresmal, diz: “A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir sobre o cerne da vida cristã: o amor. Este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.” […] “Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24) […]. Trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» […], numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras».
O Papa detêm-se, principalmente, no versículo 24, e diz que: “em poucas palavras, (o versículo) oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã”: 1. prestar atenção ao outro (responsabilidade pelo irmão), onde inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual.
2. O dom da reciprocidade: «Uns aos outros».
3. A santidade pessoal: «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras» temos de caminhar juntos na santidade”.
Bento XVI, lança-nos, também, o seguinte desafio: “Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por se adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (Heb 6, 10)”.
As leituras de hoje também nos dizem algo parecido: “Voltai para Mim o vosso coração” (Joel 2,12); “no dia da salvação socorri-te”; “Nós somos embaixadores ao serviço de Cristo” (cf. 2 Cor 5, 20-6,2).

P. Hermínio Vitorino, sj

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Conversando com o Padre Manuel Vaz Pato



O P. Manuel Vaz Pato nasceu em 1940, em Oliveira do Hospital, o quinto de seis irmãos. Fez os estudos secundários no Colégio das Caldinhas (Santo Tirso), da Companhia de Jesus. Frequentando o 2º ano de engenharia na Universidade de Coimbra, entrou no Noviciado da Companhia de Jesus em Soutelo, arredores de Braga, em Fevereiro de 1960. Depois de completados os primeiros anos de formação na Companhia, voltou a Coimbra, onde, em 1966, terminou o Curso de Matemática. Os estudos de Filosofia e Teologia fê-los na Universidade Católica (em Braga e em Lisboa) e no Teologado da Companhia de Jesus em Dublin.

Em 1972 foi ordenado Sacerdote na Igreja do Coração de Jesus, na Covilhã. Logo a seguir, frequentou o curso de Sociologia, no Boston College, a universidade da Companhia de Jesus em Boston. Voltou a Portugal em Janeiro de 1974 para ingressar no corpo docente do Instituto Superior de Economia e Sociologia, instituição fundada, anos antes, em Évora, pela Província Portuguesa da Companhia de Jesus. No ano seguinte, regressou a Boston para completar o mestrado em Sociologia que terminou em 1976.
Foi professor de Sociologia na Universidade de Évora e, mais tarde, na Universidade do Minho. Na Companhia de Jesus exerceu o cargo de Provincial e o de Superior das Comunidades de Évora, de Braga e do Centro Inaciano do Lumiar, em Lisboa.
Foi também, por vários anos, responsável do Centro Académico de Braga (CAB), um centro universitário  da Companhia de Jesus. A 4 de Setembro de 2011, foi nomeado Pároco na Paróquia de S. Pedro da Covilhã pelo Senhor D. Manuel Felício, Bispo da Guarda.
S F – Depois de uma formação académica tão longa e variada e de uma vida activa que acumulou o exercício do sacerdócio com o de professor universitário e com o de Provincial da Companhia em Portugal (6 anos como Provincial , 19 como professor em Évora e em Braga, e ainda vários anos como Superior de diversas Comunidades), o que é que o trouxe à Covilhã, como Pároco?
Depois de uma formação académica tão longa, tão variada e tão rica, em simultâneo com uma vida de sacerdote, de professor e de responsável máximo pela Companhia de Jesus em Portugal ( durante 6 anos exerceu o cargo de Provincial da Província Portuguesa da Companhia de Jesus; durante 13 anos, foi professor na Universidade do Minho; durante aproximadamente 7 anos, foi superior do Centro Inaciano do Lumiar em Lisboa)...
S F — O que o trouxe à Covilhã, como pároco?
P .Vaz Pato — Bom, fui proposto ao Sr. Bispo da Guarda pelo Provincial da Companhia de Jesus
e fui por ele aceite e nomeado. Eu manifestara vontade ao Provincial de ajudar numa paróquia
e ele achou por bem propor o meu nome ao Sr. Bispo
S F Porquê, essa vontade de ser pároco?
P.V P — A minha intenção não era propriamente a responsabilidade de ser pároco, mas penso que, como pároco, ainda posso fazer alguma coisa pelo reino de Deus, fico mais liberto para a pastoral
S F — Que género de trabalho gostaria de desenvolver nessa condição?
P. V P — O que acho estimulante neste trabalho é o estar disponível para todas as actividades, para pessoas de todas as idades...Um pároco é um especialista da generalidade.
5 F — Mas a gestão de uma casa como a casa dos Jesuítas da Covilhã deve absorver uma parte importante do seu tempo.
P.V P — Há que distinguir entre a Comunidade — e dessa o P. Sousa é o Superior — e Paróquia.
Na Paróquia, tenho um pároco a trabalhar comigo, o P. Vitorino. Quanto a melhoramentos na Igreja, para já, não se prevêem, nem os tempos são propícios...Estamos em recessão.
5 F — Uma última pergunta: Que papel atribui aos leigos dentro da Igreja? Predominantemente passivo ou predominantemente activo?
P.V P — Aí não há escolha: o Concílio Vaticano II, de algum modo, estabeleceu a maioridade dos leigos dentro da Igreja. Hoje não há opção, não só pela orientação da Igreja, mas também pela necessidade resultante da falta de sacerdotes.
O que vou dizer-lhe não é uma ideia minha, original, mas quase podemos afirmar que esta falta de padres é uma oportunidade “aproveitada” pelo Espírito Santo para a Igreja se dar conta do papel que os leigos devem assumir e pela graça do Espírito Santo, que vai orientando a Igreja, há um empenhamento cada vez maior de cada vez mais leigos...
S F — Antes de lhe desejar as maiores felicidades neste seu novo trabalho, ainda pergunto: tem-se sentido bem recebido, bem enquadrado, por todos nós?
P. V P — Maravilhosamente! O melhor possível!
5 F — Seja então bem vindo, P. Vaz Pato, e fique connosco por muito, muito tempo!