domingo, 11 de novembro de 2012

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B

  DAR A VIDA TODA TODA A VIDA

Leituras:
1Rs 17,10-16; Sl 145 /146); Hb 9,24-28; Mc 12,38-44

 1. Um braçado de gravetos, um copo de água, um punhado de farinha, um tudo-nada de azeite. Juntando as pontas destes fios, a viúva de Sarepta prepara-se para fazer uma última refeição de despedida da vida juntamente com o seu filho único. É nesta terra quase a terminar, onde já mal se tem pé, nesta vida quase a expirar, que surge Elias, o homem de Deus, conduzido por Deus, que atira à pobre mulher mais um pouco, mais um fio de voz e de esperança: Deus. Não é a quantidade que conta; o que conta é a totalidade. Pelo fio de voz e de esperança de Elias, Deus não reclama alguma coisa; reclama tudo: o coração todo, a alma toda, a confiança toda, as forças todas! E nem a farinha se esgota na amassadeira, nem o fio de azeite deixa de cair da almotolia! Extraordinária lição para a pobre viúva de Sarepta (Primeiro Livro dos Reis 17,10-16) e para nós.

2. Bem, neste contexto, o fio ou a linha poética e melódica do Salmo 146 (145), que põe Deus tão perto de nós, a fazer justiça aos oprimidos, a dar pão aos que têm fome, a tomar a seu cuidado o órfão e a viúva, e a atirar-me todo para Deus, com aquele grito repetido: «Ó minha alma, louva o Senhor!»
(Ver os verbos do Salmo 146: o senhor 1. Sacia; 2. faz justiça; 4. liberta; 5. ilumina; 6. fortalece; 7. protege; 8. consola; 9. ama; 10. está perto… )

3. Na verdade, «Deus habita nos louvores de Israel» (Salmo 22(21),4). Habita nos nossos louvores, na nossa dedicação e devotação total a Ele, na nossa vida posta em melodia…. 
Foi assim, sacerdotalmente, que Jesus Cristo se ofereceu totalmente ao Pai e a nós e por nós, deixando-nos à espera e a viver dessa espera na esperança da sua Vinda. Um fio tenso de luz e de sentido, a que se chama esperança, nos ata para sempre a esse Senhor-que-Vem. Fio ou linha musical, vital, de cada Domingo, em que cantamos: «Senhor, vem!» (marana tha’), porque sabemos que «o Senhor vem!» (maran ’atta’). O Domingo deve imprimir em nós o «tique» da esperança, deixando-nos com o pescoço esticado para Deus, na situação de quem O espera e vive da sua Vinda a todo o momento. É a Lição de Hebreus 9,24-28.

4. O Evangelho de Marcos 12,38-44 põe em cena e em claro destaque uma viúva pobre que dá a Deus a sua vida toda, em contraponto com os escribas e muitos outros, que fazem bom teatro religioso! Excelente inclusão literária no Evangelho de Marcos: da primeira vez que Jesus aparece a ensinar em público, neste Evangelho, o povo exclama: «Este ensina com autoridade, e não como os escribas!» (Marcos 1,22); a terminar a sua actividade pública neste Evangelho, é Jesus que mostra bem que não é como os escribas (Marcos 12,38-40). A cena central passa-se no átrio das mulheres do Templo de Jerusalém, num lugar chamado «Casa do Tesouro» (bêt ha-gazît) (Marcos 12,41-44). Muita gente deitava aí muito do que lhe sobrava, mas a viúva pobre deu «tudo quanto tinha, a sua vida toda!». Fio de sentido que liga este episódio ao que já encontrámos no Primeiro Livro dos Reis 17,10-16. 

5. Dar a vida toda, toda a vida ou fazer teatro religioso, eis a questão deste Domingo, e que nos pode ficar como mote para esta semana.

De António Couto – Nov. 2009, (adaptado)


Semana dos Seminários 2012 - Nota episcopal

"Vamos viver a semana dos seminários de 11 a 18 do corrente mês de Novembro, no contexto do ano da Fé que está em curso.
Vamos pedir ao Senhor que cada sacerdote seja, de verdade, um irmão na Fé e um servidor da Fé dos irmãos.
Sentimos que é grande o apreço do Povo de Deus pelos sacerdotes e podemos testemunhá-lo nos muitos percursos que já fizemos e continuamos a fazer através da nossa Diocese. Ao mesmo tempo, vamos interpretando o sentir das comunidades sobre o que realmente esperam dos seus padres. Esperam deles amizade, proximidade e disponibilidade, mas sobretudo o testemunho de uma Fé autêntica, profundamente enraizada na Pessoa de Cristo e testemunhada nas suas palavras e sobretudo na sua vida.
Para termos padres que sejam, de verdade, homens de Fé e servidores da Fé dos irmãos, precisamos de nos empenhar todos -Bispo, Padres, Diáconos, Comunidades Religiosas, Leigos e Povo de Deus em geral – na promoção das vocações sacerdotais.
Precisamos, depois, de ter os nossos seminários com as necessárias condições para fazerem uma séria formação sacerdotal.
De facto, os nossos dois seminários - o Seminário Menor do Fundão e o Seminário Maior da Guarda - e o Pré-Seminário estão no centro das preocupações da nossa Diocese, que tudo continua a fazer para lhes garantir também as condições materiais indispensáveis, dentro do estilo de vida simples e pobre que é recomendado a todos os sacer­dotes.
Por isso, o ofertório, em todas as celebrações dominicais realizadas na nossa Diocese, no próximo dia 18 do corrente, domingo, reverte para a sustentação dos nossos seminários.
Esta é uma causa que merece o máximo empenho de todos nós. À solicitude materna de Nossa Senhora confiamos todas as iniciativas desta semana dos seminários".
Guarda e Paço Episcopal, 5 de Novembro de 2012
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B


     
Mestre, qual é o primeiro dos mandamentos?

Podemos assumir também nós, esta pergunta feita por um escriba a Jesus, procurando perceber de facto qual é o fundamento da vivência religiosa, qual é o fundamento da experiência da fé.
O primeiro mandamento é este: Escuta Israel, amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a rua alma, com toda a tua inteligência com todas as tuas forças.
É interessante que o mandamento, este primeiro, é antecedido pela interpelação: Escuta! Escuta Israel. E ouvimo-lo na 1ª leitura e depois nesta citação do livro do Deuteronómio feita por Jesus:
Escuta Israel, amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração…
O ponto de partida para o acolhimento dos mandamentos de Deus é a ESCUTA - Não se trata apenas de ouvir, trata-se de ouvir e acolher. De ouvir e interiorizar e interiorizando pô-lo em prática.
Temos muita dificuldade de escutar, mas é precisamente este o desafio que Deus nos deixa antes de mais.
Escuta Israel, escuta Igreja, escuta comunidade cristã aqui reunida… ESCUTA! É para cada um de nós este convite.
O primeiro mandamento é de facto este: Amarmos a Deus descobrirmos o amor de Deus por nós, este amor que Ele continuamente nos revela e colocarmos todas as nossas capacidades procurando corresponder a este amor.

As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração nelas meditarás quer estando sentado em casa, quer andares pelo caminho, quando te deitas e quando te levantas.
Que quer isto dizer?
Quer dizer que viver no amor de Deus, viver a profundidade da relação com Deus numa experiência de amor, não é apenas para certos momentos da nossa vida, podíamos dizer: para os momentos religiosos da nossa vida, ou para os momentos de culto, é algo para ser profundamente acolhido, meditado, tornado experiência viva em todas as dimensões da nossa existência, façamos o que fizermos, pensemos o que pensarmos, em tudo somos chamados a viver neste dinamismo da relação de amor de amor com Deus e este é primeiro mandamento!
Qual é a novidade trazida por Jesus? É que o segundo mandamento e este já o era, na antiga Aliança, no Antigo testamento, exprime-se por amar o próximo como a si mesmo.

A novidade é que Jesus associa estes dois mandamentos fazendo deles um só, diz Jesus, o segundo porém é semelhante a este: amarás o próximo como a ti mesmo. E é semelhante e é indissociável  e não é possível viver a experiência do amor de Deus, cumprir este primeiro mandamento de amar a Deus com todas as nossas capacidades, sem o concretizarmos depois na vivência do amor para com o próximo, na vivência do amor para connosco próprios e esta é uma realidade talvez mais difícil de perceber e até de viver.
Deus chama-nos a amarmo-nos a nós próprios, não se trata de um amor egoísta, de nos tornarmos o centro de todas as coisas, trata-se de reconhecermos a nossa dignidade de seres profundamente amados por Deus. Trata-se de aprendermos a amarmo-nos e a reconhecermo-nos a nós próprios como Deus nos reconhece e só a partir daí podemos de facto continuar este dinamismo de Amor.
Quem não é capaz de se reconhecer e amar a si próprio nunca será capaz de viver uma experiência madura para com os irmãos, não será capaz de viver uma experiência madura de correspondência ao amor de Deus.
Quem não vive o amor aos irmãos será incapaz de se amar a si próprio e de amar a Deus. Diz-nos S. João numa das suas Cartas: quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o irmão que vê, é mentiroso e a verdade não está nele, porque é impossível amarmos a Deus, sem tornarmos esse amor vivo na nossa relação interpessoal, o amor aos irmãos. Por outro lado viver a experiência do amor a si mesmo e do amor aos irmãos só é possível quando fazemos profundamente a experiência do Amor de Deus. E por isto este é o primeiro mandamento: Não fomos nós que amámos a Deus, foi Ele que nos amou primeiro é Ele que nos dá esta capacidade de amarmos… apenas como correspondência a esta fonte de amor infinito que Ele é …. e que Ele se revela para cada um de nós.

Os Mandamentos, não são regras para cumprirmos exteriormente, não são preceitos para nos tranquilizar a consciência religiosa apenas porque os cumprimos, são uma pedagogia de amor é um caminho que Deus nos apresenta para alcançarmos a felicidade que em plenitude só Nele se encontra… e este é o desafio… é o de escutarmos a Sua palavra de Amor, de a pormos em pratica, de a vivermos como um dinamismo que se exprime precisamente neste movimento de amor a Deus, amor a nós próprios, de amor aos irmãos… mas num único dinamismo de amor porque a FONTE É ÚNICA, é o único Deus.
Jesus perante a resposta do escriba: Amar a Deus com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios».
Como cristãos, somos chamados a unirmo-nos a Jesus, à Sua entrega de Amor… quando renovamos o sacrifício na celebração da eucaristia não estamos a celebrar outro sacrifício, não estamos a oferecer outro culto.
Estamos a unir-nos à entrega de Jesus que ofereceu um sacrifício definitivo e agora vive eternamente para interceder por nós… É com Ele, unidos a ele que podemos fazer esta experiência de quanto Deus nos ama dando em Cristo a Sua vida por nós e de como a partir de Cristo e desta união ao sacrifício de Jesus podemos verdadeiramente amarmo-nos como irmãos e assim viver os mandamentos, não como preceitos externos, mas como caminho da vivência, da correspondência do amor com que Deus se revela a cada um de nós.
Procuremos pois, ao celebrarmos esta Eucaristia alimentarmo-nos deste amor revelado em Cristo no dom da Sua Vida por nós e aprendamos com Ele a entregarmo-nos a Deus e aos Irmãos… essa é a experiência plena do amor cristão. Procuremos assim, que o Senhor nos ajude a viver na vida aquilo que professamos na fé, aquilo que escutamos e somos chamados a pôr em prática para sermos felizes

4 de Novembro de 2012
Igreja Paroquial de Cristo Rei da Portela – Lisboa
 Padre Pedro Lourenço 


Extractos da homilia da Eucaristia transmitida pelo Canal 1


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Solenidade de todos os Santos

 
Bento XVI afirmou hoje no Vaticano que o mundo atual “precisa de santos” e explicou o sentido da solenidade litúrgica dedicada a todas estas figuras, “conhecidas e desconhecidas”, na Igreja Católica.
“O nosso tempo precisa de santos e os santos mostram-nos, de muitas maneiras, como podemos viver o Evangelho hoje e como podemos ser sinais luminosos do amor de Deus”, disse o Papa, em alemão, perante milhares de pessoas reunidas para a oração do Angelus na Praça de São Pedro.
Na celebração anual de Todos os Santos, feriado nacional em Portugal pela última vez, nos próximos cinco anos, Bento XVI precisou que a data faz “memória” não só dos fiéis que a Igreja canonizou “mas também de todos os santos e santas que só Deus conhece”.
O Papa sublinhou que a solenidade [categoria mais importante das celebrações do calendário católico] recorda “a vitória do amor sobre o egoísmo e sobre a morte”.
“Seguir Cristo leva à vida, à vida eterna, e dá sentido ao presente, a cada momento que passa, porque o preenche de amor, de esperança: só a fé na vida eterna nos faz amar verdadeiramente a história e o presente”, acrescentou.
Falando num “duplo horizonte da humanidade”, entre a terra e o céu, Bento XVI defendeu que a união a Cristo, na Igreja, “não anula a personalidade, mas abre-a, transforma-a com a força do amor e confere-lhe, já nesta terra, uma dimensão eterna”.
“Na festa de hoje podemos saborear antecipadamente a beleza desta vida de total abertura ao olhar de amor de Deus e dos irmãos”, complementou.
O Papa despediu-se com uma referência à comemoração dos fiéis defuntos, convidando os presentes a uma “fé plena de esperança”.
Bento XVI vai presidir esta sexta-feira a uma cerimónia nas Grutas do Vaticano, pelas 18h00 (menos uma em Lisboa), com um momento de oração pelos Papas que já morreram.
No sábado, pelas 11h30 locais, o Papa vai celebrar uma missa na Basílica de São Pedro em sufrágio pelos cardeais e bispos falecidos ao longo do último ano.

Cidade do Vaticano, 01 nov 2012 (Ecclesia) 


Informações úteis 

Amanhã, primeira sexta-feira, teremos a habitual adoração do Santíssimo, das 10 às 11 horas.
Dia de Fiéis Defuntos, serão celebradas as seguintes missas, nesta Paróquia:
       Em S. João de Malta: 10:00
       Em S. Tiago: 8:00, 11:00 e 19:15
O Banco Alimentar contra a fome – Cova da Beira, no dia 3 de Novembro, sábado, comemora o seu 10º. Aniversário. Haverá um sarau musical, pelas 21:00, no Teatro Municipal da Covilhã, com o objectivo de angariar fundos a favor dos mais necessitados. Participando, colaborará com esta meritória instituição. Para mais informações ver cartaz exposto à entrada da Igreja.
Para os Pais e Encarregados de Educação dos catequizandos do 7º.  Ano, haverá reunião na próxima terça feira, dia 6, às 21:15.
Romagem ao cemitério, hoje à tarde: 16:00 – Celebração da Hora de Vésperas, em Santa Maria, seguida da visita ao cemitério.
 .

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B



Oração
A noite é sombria, e eu estou longe da minha casa, 
guia-me mais longe. 
Guarda os meus passos: que me importa ver 
o horizonte distante? Um único passo me basta.

Nem sempre Te pedi como hoje 
para seres assim Tu o meu Guia. 
Gostava então de escolher e conhecer o meu caminho; 
doravante sê o meu Guia. 
Eu amava o brilho do dia; apesar dos meus medos 
o orgulho dominava a minha vida: esquece todo esse passado.

Muitas vezes, estou certo, o Teu poder me abençoou, 
apenas para ser meu Guia 
por entre pântanos e marés, e rochas e torrentes, 
enquanto dura a noite. 
E com a manhã sorrir-me-ão aqueles rostos 
que sempre amei e que um dia perdi.

Guia, terna Luz, no meio destas trevas, 
guia-me mais longe.


Cardeal John Henry Newman

Escrito por José Luís. Publicado em Oração e Compromisso da Semana

domingo, 21 de outubro de 2012

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B



"O Filho do homem
não veio para ser servido,
mas para SERVIR e dar a sua vida pela redenção de todos”.


domingo, 14 de outubro de 2012

XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B

Ano da Fé



Fé, Esperança e Caridade são as três virtudes teologais. O nome deriva do facto de terem o fundamento em Deus, de se referirem imediatamente a Deus e de serem, para nós, o caminho pelo qual atingimos Deus directamente (ver Youcat, 305). Bento XVI já lhes dedicou duas encíclicas: “Deus caritas est” (Deus é amor), em 2005, e “Spes salvi” (Salvos na esperança), em 2007. Agora, proclamou um Ano da Fé que, começando a 11 de Outubro de 2012 (dia do cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II), se prolonga até 24 de Novembro de 2013, festa de Cristo Rei. O acontecimento inicial deste Ano é o Sínodo dos Bispos (de 7 a 28 de Outubro de 2012) com o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.
O Sínodo foi estabelecido depois do Concílio Vaticano II como uma assembleia de representantes dos Bispos católicos do mundo inteiro, com a função de aconselhar o Papa em relação ao governo da Igreja universal. Nas palavras de João Paulo II, o Sínodo é “uma expressão particularmente frutuosa e um instrumento da colegialidade episcopal”. Tratando-se de uma instituição de caracter permanente, só reúne e actua, no entanto, quando o Papa considera oportuno consultar o episcopado por este meio.
Bento XVI tem frequentemente mostrado grande preocupação pela secularização da nossa civilização, muito particularmente nos países de longa tradição cristã. A nova evangelização não aponta para um novo Evangelho. Será nova na busca de modalidades de expressão adequadas aos tempos actuais; será nova porque dirigida de preferência aos países que receberam, há séculos, o anúncio do Evangelho; será nova, sobretudo, se resultar de uma renovada abertura interior dos cristãos à acção do Espírito na Igreja. Num contexto social em que a convicção religiosa tende a ser relegada para a esfera do privado, o esforço da nova evangelização deve começar pela coragem dos crentes em não esconder a sua FÉ.
P. Manuel Vaz Pato, sj





domingo, 7 de outubro de 2012

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B



[1ª leit. Gn 2, 18-24; 2ª leit. Hb 2, 9-11; Ev. Mc 10, 2-16]

Temos, nesta passagem do Ev. de Marcos mais um encontro de Jesus com os fariseus. Convém começar por conhecer o contexto jurídico e religioso em que se desenrola a controvérsia. No tempo de Jesus, havia duas correntes de pensamento quanto à aprovação social do divórcio. Para uma destas escolas, a mais moderada, o divórcio só era admitido em caso de imoralidade da mulher. A escola mais permissiva dava ao marido o direito de repudiar a mulher na base de qualquer pretexto. Ambas as correntes se referiam a numa determinação do livro do Deut. (24, 1-3) e ambas supunham que só o homem tinha direito a passar um certificado de divórcio. Jesus impõe, com autoridade, o projecto primitivo de Deus, como aparece no libro do Génesis: “no princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher; por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa e os dois serão uma só carne. Deste modo já não serão dois, mas uma só carne”. É de notar que esta expressão “uma só carne” significa, na linguagem bíblica, “um só ser humano”, como que uma só pessoa.
Jesus usa a Sua autoridade de Novo Legislador (contrapondo-se, de certo modo, ao próprio Moisés) para repor a primitiva intenção do Criador: “no princípio” não foi assim. Com isto, Jesus sublinha vários aspectos que se encontram interligados já na descrição poética do Génesis (1ª leitura) : -1º A dignidade do ser humano que aparece, no topo da criação, como imagem do próprio Deus; - 2º A igualdade de natureza entre homem e mulher, que implica igualdade de direitos e de deveres; mas também, - em 3º lugar, a diferença entre ambos, de modo a poderem complementar-se, para constituir “uma só carne”.
Posteriormente, S. Paulo eleva ainda mais a consideração da dignidade do matrimónio ao comparar o casal cristão à relação entre Jesus e a Igreja (Ef 5, 21 ss)[1]. O Papa Bento XVI recorre a esta imagem na sua encíclica “Deus caritas est” (Deus é amor), lembrando que “o modo de Deus amar se torna medida do amor humano”, de tal forma que o casal cristão é chamado a espelhar o amor, a caritas de Deus.



[1] Algumas das expressões literárias destes textos deixam-nos um certo incómodo, lidos superficialmente à luz da mentalidade do nosso tempo. Não podemos esquecer que são escritos em contextos de sociedades patriarcais, e, por isso, só poderiam usar as imagens e referências condizentes. O extraordinário é abrirem, apesar disso, para novos horizontes de compreensão.

P. Manuel Vaz Pato sj

domingo, 30 de setembro de 2012

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B


    
     Neste XXVI Domingo do T.C., a primeira leitura e o evangelho mostram-nos a acção   do Espírito 
      de Deus no mundo e na Igreja.
Tanto Moisés como Jesus rejeitam a ideia de um povo ou de uma comunidade, como se estas se tornassem uma espécie de reserva ecológica do Espírito de Deus! Na verdade, não há uma linha, que separe o terreno de acção do Espírito de Deus. O Espírito Santo não tem portas, nem cerca, nem cancelas, nem fronteiras, que o aprisionem ou controlem a sua acção. Nada O veda, porque este Espírito se derrama, por todos, e por toda a parte, e inunda todos sem distinção de cor, de raça, ou de religião.
As pessoas de boa vontade, os que querem seguir Jesus, podem fazer algo em nome de Deus. Ninguém tem o monopólio da vontade de Deus e dos Seus dons. Ninguém pode substituir a Deus. Ele sempre age quando e como quer, usando para isso os meios mais surpreendentes nos momentos menos esperados.
A tentação da exclusividade e da acepção de pessoas também afecta os cristãos. Muitos pensam que só eles têm os dons do Espírito, procurando, por vezes, marginalizar todos aqueles que, expressamente, ainda não decidiram aderir à Pessoa de Jesus Cristo. Sabemos que isto não nos leva ao bom caminho.
É necessário ter uma visão mais alargada, mais acolhedora, mais discernida, mais universal, como Jesus e como Moisés, para não impedirmos que o Espírito de Deus trabalhe e actue nos noutros, no nosso mundo, com criatividade e diversidade.
O Ano da Fé que estamos prestes a começar será, sem dúvida, um tempo propício para o diálogo com aqueles que julgamos andarem longe de Deus, só porque estão para lá da linha visível da Igreja ou porque não comungam das nossas ideias. Eles estão em busca, e esta busca como diz o Papa Bento XVI, já “é o preâmbulo da fé”, porque o nosso Deus é um Deus interessado por todos e pelo mundo.
Olhando à nossa volta diria como Moisés: “Estás com ciúmes por causa de mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles” (cf. Nm 11,29), ou então como Jesus dizia: “Quem não é contra nós é por nós” (cf Mc 9, 38-43).

Que Deus abençoe a vossa semana!
                                                                                                         P. Hermínio Vitorino, sj

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Inicio do Ano Pastoral

O Evangelho deste domingo convida-nos a repensar a forma de nos situarmos, quer sociedade,  quer dentro da própria comunidade cristã, a quem Jesus lembra: "Quem quiser ser o primeiro será o último e o servo de todos" 


« E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou». (Mc. 9, 36-37)

Depois de algum tempo de férias em que o descanso nos fortaleceu e nos ajudou a adquirir novo vigor quer fisicamente quer na fé, a nossa Comunidade está a retomar as suas actividades pastorais.
Trazemos decerto novas vivências, experiências e desejos. E quem sabe? Também um novo olhar sobre a vida que nos rodeia.
Teremos tido certamente, oportunidade de parar um pouco e rever num tempo mais calmo e de intimidade a nossa relação com Deus, com os outros e com a comunidade... Seguramente desejamos recomeçar com mais entusiasmo as actividades que a nossa Paróquia começa a propor, na grande multiplicidade de projectos de apelos e de convites.
O Ano Catequético irá também recomeçar e será já no dia 22 de Setembro às 17:30 para todos os grupos. 
Contamos ver de novo a nossa “Casa” cheia de crianças jovens e adultos, barulhentos, animados e alegres e na expectativa de novas experiências e novos conhecimentos.