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sábado, 10 de março de 2018

IV DOMINGO DA QUARESMA - A LUZ BRILHA NAS TREVAS


A Luz brilha sempre por entre as nossas trevas e nunca deixará de brilhar, mesmo por entre as trevas do nosso pecado, como nos diz Paulo na 2ª leitura que proclamamos hoje: Deus amou-nos a nós que estávamos mortos pelos nossos pecados (Ef.2,4-11). É essa a razão da nossa alegria e, por isso, este Domingo de Luz, o 4º da Quaresma, é também chamado Domingo da Alegria, em latim: Domingo laetare. O paramento litúrgico é cor-de-rosa, a cor que exprime uma alegria, mas uma alegria serena e contida. Este Domingo é um apelo à alegria, um apelo a que estejamos contentes com nós próprios. Uma pessoa que não está contente consigo mesma e com os outros, acaba por ser uma pessoa doente no corpo e no espírito. Mas, a nossa alegria tem um fundamento sólido, a mensagem da Páscoa de Cristo que é também a nossa Páscoa.
Vivemos tempos difíceis que nos afligem, sobretudo, o flagelo da guerra, como está a acontecer na Síria, onde crianças feridas, mergulhadas em pó, apelam à Paz a nós adultos, tantas vezes insensíveis.
Todos, nestas circunstâncias, temos necessidade de receber um sinal de paz, de segurança. Mas o sinal é só um, como Jesus dizia aos fariseus no domingo passado. “Destruireis este templo e em três dias será reconstruído”. O sinal que nos dá Jesus é o sinal de Cruz. A Cruz, vemo-la e até a podemos venerar e beijar, mas a transformação do mundo velho num mundo novo nem sempre a vemos, no entanto opera-se lentamente, pela força da Ressurreição.
Beijamos a Cruz não para nos resignarmos com as lágrimas e com o sofrimento, mas sim para acreditarmos que Jesus, morto na Cruz “levantado ao alto” atrai todos os povos à salvação. Necessitamos da virtude da Esperança!
No diálogo com Nicodemos, Jesus se compara-se com a serpente de bronze levantada no deserto. Os que olhavam de frente para esse símbolo do mal, reconheciam os seus próprios pecados e eram salvos das mordeduras das serpentes.
Em Jesus, “levantado ao alto” descobrimos a misericórdia de Deus que perdoa os nossos pecados. O Livro dos Números dizia que os Israelitas não ficavam curados, porque olhavam para a serpente mas não elevavam o seu coração para Deus.  “Quem se voltava para ela era curado não pelo que via, mas por ti, Senhor Salvador de todos” (Sab16,7).
João, porém, diante do Senhor levantado na cruz, escreve: todo o homem que nele crê possui a vida eterna. João emprega por quatro vezes o verbo crer nesta passagem do Evangelho, porque a fé é o contrário da desconfiança. É preciso ter confiança e esta confiança é que transforma toda a vida.  
 A luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz”.  Esta imagem de acolher ou recusar a Luz traduz-se em crer em Cristo ou recusá-lo. Deus nunca se nos impõe. Propõe-se. É esta a lógica de Cristo no Evangelho: Se queres… Quem crê em Cristo não será julgado e crer em Cristo é crer em Deus que é amor e se nós cremos, verdadeiramente, no amor de Deus, tenhamos a certeza de que as suas manifestações para connosco, serão sempre obras de amor. O maior mal que nos pode acontecer é não acreditarmos que Ele é o único amor e nós amarmos mais as trevas do que a Luz, impedindo Deus de nos amar…Mas não percamos a confiança e acreditemos nestas palavras, o resumo de toda a revelação Bíblica “ Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito para que o mundo não pereça, mas tenha a vida eterna”
Suspiramos, muitas vezes: Quando é que vens Senhor, fazer que os homens transformam o seu coração de pedra em coração de carne! Quando é que mandas um Ciro (2ªLeitura 2 Cro.36 14ss) à nossa sociedade que diga um não à violência, à exclusão e estabeleça um diálogo universal. Ciro, homem de Paz, era o ungido do Senhor. Mandai Senhor um Ciro para que brilhe a luz de Deus no meio dos escombros da Síria e dos corpos destroçados para que ele, juntamente com as organizações humanitárias, seja mensageiro de Paz e, em teu nome, advirta os que têm poder que ir pelo lado da guerra é ir pelo lado das trevas é ir do lado do nada e dizer não à obra da criação de Deus. O sol brilha, quando o “homem é homem para o outro homem”, como dizia o Padre Arrupe.
 P. José Augusto Alves Sousa, SJ


sábado, 25 de março de 2017

Quaresma IV domingo


«Eu fui, lavei-me e comecei a ver» (Jo 9,1-41)
















Chamados à luz da alegria

Uma carícia de luz na escuridão. Jesus toca e ilumina os olhos de um mendigo que nos representa a todos. 

Uma carícia de luz que se torna carícia de liberdade. Quem não vê tem de apoiar-se noutros, em paredes, num bastão, nos pais, nos fariseus. Quem vê caminha seguro, sem depender dos outros, livre. Como o cego do Evangelho, que curado se torna forte, deixa de ter medo, enfrenta os sábios, centra-se nos factos concretos e não nas palavras. Alimenta-se da luz e ousa. Livre. 

Uma carícia de liberdade que se torna carícia de alegria. Por ver é apreciar os rostos, a beleza, as cores. A luz é um golpe de alegria que pousa sobre as coisas. Assim a fé, que é visão nova das coisas, cria um olhar luminoso que leva a luz onde pousa: «Vós sois luz no Senhor» (Efésios 5, 8). 

Os fariseus, aqueles que conhecem todas as regras, não experimentam alegria pelos olhos novos do cego porque lhes interessa a lei, e não a felicidade do homem: milagres ao sábado, nunca! Não compreendem que Deus prefere a felicidade dos seus filhos à fidelidade à lei, que fala a linguagem da alegria e por isso continua a seduzir. Funcionários das regras e analfabetos do coração. 

Colocam Deus contra o homem, e é o pior que pode acontecer à nossa fé. Dizem: «Os pobres continuam infelizmente pobres, os mendigos continuam a mendigar, os cegos que fiquem satisfeitos, desde que se observe o sábado. Glória de Deus é o preceito observado». Mas na verdade, não: glória de Deus é um homem que torna a ver. E o seu olhar luminoso presta louvor a Deus mais do que todos os sábados! 

E é uma dura lição: os fariseus mostram que se pode ser crente sem se ser bom; que se pode ser homem de Igreja e não ter piedade; é possível “trabalhar” em nome de Deus e ir contra Deus. Administradores do sagrado e analfabetos do coração. 

Nas palavras dos fariseus, a palavra que ocorre com mais frequência é «pecado»: «Sabemos que és pecador; nasceste no pecado; se alguém é pecador, não pode fazer estas coisas»; até os discípulos perguntaram: «Quem pecou? Ele ou os seus pais?». O pecado é elevado a teoria que explica o mundo, que interpreta o homem e Deus. 

A resposta de Jesus é outra: «Nem ele pecou nem os seus pais». Distancia-se de imediato, com a primeira palavra, desta perspetiva, para declarar como ela causa a cegueira sobre Deus e sobre os homens. Falará unicamente do pecado para dizer que está perdoado. 

O pecado não explica Deus. Deus é compaixão, futuro, aproximação ardente, mão viva que toca o coração e o abre, amor que faz nascer e repartir a vida, que traz luz. E o teu coração te dirá que foste feito para a luz. 


P. Enzo Bianchi (IV Dom. Quaresma 2014)
Secretariado Nacional Pastoral da Cultura

domingo, 17 de abril de 2016

Páscoa - IV Domingo - O Bom Pastor


«No domingo que a Igreja Católica dedica à figura do ‘Bom Pastor’, o Papa explicou que esta imagem “indica a estreita relação” que Jesus quer estabelecer com cada crente”.
“Nada nem ninguém nos podem separar das mãos de Jesus, porque nada nem ninguém podem vencer o seu amor”, acrescentou.
Francisco desafiou os jovens que estavam na Praça de São Pedro a pensar se são chamados a “consagrar a vida” no sacerdócio ou na vida religiosa.
A Igreja Católica em Portugal celebrou a 53.ª Semana de Oração pelas Vocações, que se conclui hoje, inspirada na mensagem do Papa para esta data, que convida “todos” os católicos a "responsabilizar-se" por uma área essencial da Igreja.
Na sua mensagem 'A Igreja, mãe das vocações', o pontífice argentino destaca a importância de uma “oração perseverante pelas vocações” e aponta a “comunidade” como “casa e família onde a vocação se desenvolve”.»

sexta-feira, 11 de março de 2016

IV DOMINGO DA QUARESMA


«Quero que saibas que cada vez que me convidas, eu venho sempre, sem falta. Venho em silêncio e de forma invisível, mas com um poder e um amor que não acabam.
Não há nada na tua vida que não tenha importância para mim. Sei o que existe no teu coração, conheço a tua solidão e todas as tuas feridas, as tuas rejeições e humilhações. Eu suportei tudo isto por causa de ti, para que pudesses partilhar a minha força e a minha vitória. Conheço, sobretudo, a tua necessidade de amor.
Nunca duvides da minha misericórdia, do meu desejo de te perdoar, do meu desejo de te bendizer e viver a minha vida em ti, e que te aceito sem me importar com o que tenhas feito. Se te sentes com pouco valor aos olhos do mundo, não importa.
Não há ninguém que me interesse mais no mundo do que tu.
Confia em mim. Pede-me todos os dias que entre e que me encarregue da tua vida e eu o farei. A única coisa que te peço é que confies plenamente em mim. Eu farei o resto.
Tudo o que procuraste fora de mim só te deixou ainda mais vazio. Portanto, não te prendas às coisas passageiras. Mas, sobretudo, não te afastes de mim quando caíres. Vem a mim sem demora, porque quando me dás os teus pecados, dás-me a alegria de ser o teu Salvador. Não há nada que eu não possa perdoar.
Não importa o quanto tenhas andado sem rumo, não importa quantas vezes te esqueceste de mim, não importa quantas cruzes levas na tua vida.
Tu já experimentaste muitas coisas, no teu desejo de seres feliz. Porque é que não experimentas abrir-me o teu coração, agora mesmo, mais do que antes?»

Madre Teresa de Calcutá



INFORMAÇÕES ÚTEIS


Quarta-feira, dia 9 de março, às 21.00 h haverá a terceira Conferência Quaresmal da Cidade da Covilhã, no Anfiteatro das Sessões Solenes da Universidade da Beira Interior. O tema é: “Será a Universidade uma obra de misericórdia?”. Será orador o Frei Bento Domingues, da Ordem dos Pregadores, cronista do jornal “O Público”. Todos somos convidados a participar. A entrada é livre.

Sexta-feira, dia 11 de março, às 15.00h teremos a Via-Sacra na Igreja de S. Tiago.
Domingos, dias 6 e 13 de março, haverá um tempo de oração, orientado pelo Noviço Vasco, entre as 17 e as 18.45h, na Capela de Santo Inácio (Residência Paroquial).

Domingo, dia 13 de março, às 15.00 horas, haverá a Procissão do Senhor dos Passos, na Covilhã, começando na Igreja da Misericórdia e terminando no Calvário.

A organização é da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã.


domingo, 30 de março de 2014

IV Domingo da Quaresma


«Eu creio, Senhor». (Jo 9, 38)

Jesus toca os olhos ao cego e o cego passa a viver de uma luz nova. Nascera assim. Mas, como se não bastasse ter que viver privado de luz, de cores e de formas, pesava sobre si uma terrível culpa. Desde cedo lhe disseram que era cego porque alguém tinha pecado. Ele próprio? Os seus pais? Os seus avós? Alguém, seguramente.
“Isto não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais”, é Jesus quem o assegura. Porque a glória do Senhor manifesta-se, não em qualquer forma de castigo, mas quando a luz volta a brilhar para quem dela ficou privado e quando, quem deixara de ouvir, pode apreciar, de novo, o gosto das palavras; manifesta-se quando os paralíticos reaprendem a viver de pé e as pessoas de má vida recuperam a própria dignidade; quando os tristes retomam confiança e os desesperados reencontram um novo horizonte. Na verdade, o desejo mais íntimo de Deus é que, para cada homem e para cada mulher que venha a este mundo, a vida brilhe e brilhe muito.  
Jesus toca o cego. E este, profundamente tocado, ajoelha-se e confessa: “Eu creio, Senhor”. Agora, sim, pelo dom da fé, recupera plenamente a vista. Pode levantar-se com confiança e apreciar a vida e o mundo, reflexos extraordinários da beleza divina. 
  Que nesta Quaresma o Senhor nos conceda a graça de nos abrir os olhos, para podermos dizer, como o cego “Só sei uma coisa: eu era cego e agora vejo!” (Jo 9, 25)


                            P. J. Frazão, sj (adaptação)