sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Imaculada Conceição de Maria


«Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.» (do Evangelho de S. Lucas)

REFLEXÃO
Deus vem habitar no meio de nós, fazendo-se homem como nós. E isto tornou-se possível através de um grande sim, o sim de Maria no momento da Anunciação. Mediante este sim Jesus encetou a sua vereda ao longo dos caminhos da humanidade; começou-o em Maria, transcorrendo os primeiros meses de vida no ventre da sua Mãe: não se manifestou já adulto e forte, mas seguiu todo o percurso de um ser humano. Fez-se igual a nós em tudo, mas não numa coisa, aquele não, exceto no pecado. Para isso escolheu Maria, a única criatura sem pecado, Imaculada. No Evangelho, com uma única palavra Ela é chamada «cheia de graça» (Lc 1, 28), ou seja, repleta de graça. Quer dizer que nela, imediatamente cheia de graça, não há espaço para o pecado. E também nós, quando nos dirigimos a Ela, reconhecemos esta beleza: invocamo-la como «cheia de graça», sem sombra do mal.

Maria responde à proposta de Deus, dizendo: «Eis a serva do Senhor» (v. 38). Não diz: «Bem, desta vez cumprirei a vontade de Deus, dando a minha disponibilidade, e depois verei...». Não! O seu sim é completo, total, para a vida inteira, sem condições. E do mesmo modo como o não das origens tinha impedido a passagem do homem rumo a Deus, assim o sim de Maria abriu o caminho a Deus no meio de nós. É o sim mais importante da história, o sim humilde que inverte o não soberbo das origens, o sim fiel que cura a desobediência, o sim disponível que aniquila o egoísmo do pecado.

  Inclusive para cada um de nós existe uma história de salvação feita de sins e de nãos. Mas às vezes somos especialistas nos meios sins: somos bons quando se trata de fingir que não entendemos bem o que Deus gostaria e o que a consciência nos sugere. Somos também espertos, e para não dizer um verdadeiro não a Deus, dizemos: «Desculpa, não posso», «hoje não, pensarei amanhã»; «amanhã serei melhor, amanhã rezarei, amanhã praticarei o bem». E esta astúcia afasta-nos do sim, distancia-nos de Deus, levando-nos ao não, ao não do pecado, ao não da mediocridade. O famoso «sim, mas...»; «sim, Senhor, mas...». No entanto, assim fechamos a porta ao bem, e o mal aproveita-se destes sins malogrados. Dentro, cada um de nós tem uma coleção deles. Pensemos, encontraremos muitos sins falhados. Ao contrário, cada sim pleno a Deus dá origem a uma nova história: dizer sim a Deus é verdadeiramente «original», é origem, não como o pecado, que nos envelhece dentro. Cada sim a Deus dá origem a uma história de salvação, tanto para nós como para os outros. Como fez Maria com o seu sim pessoal.
  Papa Francisco 8 dezembro 2016
ESPERAR DE LÂMPADAS ACESAS     
É tempo de voltar a construir o presépio. Como Maria que, grávida, medita todas as coisas em seu coração. Como José que, fiel e justo, sonha a vontade de Deus. Estão os dois de esperanças. Preparam ambos o nascimento de Jesus.
Como é belo esperar a chegada de quem amamos. Cuidamos da casa, preparamos a mesa, acendemos uma vela, aquecemos o coração. A espera já é encontro. O desejo de amar já é amor.
O Senhor virá. Simplesmente porque quer vir. Mas poderá passar sem que O vejamos. Poderá bater sem que Lhe abramos a porta. Poderá oferecer-se sem que O comunguemos.
Preocupações e correrias dissipam o coração. A escuridão da alma pode ser densa. Vem o Esposo e as lâmpadas estão apagadas. Não têm amor que as mantenha acesas.
Este é, pois, tempo propício para procurar o azeite que alimenta a chama. Na confiança. Na esperança. E quando o Senhor vier, estaremos prontos para ir ao Seu encontro.
Felizes, faremos festa na Sua presença.
P. José Frazão Correia, sj

Falecimento do Padre César Cavaleiro


É com profundo sentimento de pesar e unidos em oração, que comunicamos o falecimento do padre César Cavaleiro, sj . 
O funeral será amanhã, dia 9 de dezembro, com missa de corpo presente às 14.00h,  na Residência do Sagrado Coração de Jesus - Igreja de S. Tiago - Covilhã.
Com 91 anos, o padre César Cavaleiro, esteve 30 anos ao serviço da nossa Paroquia. Tinha uma presença silenciosa, discreta e bondosa, sempre disponível para o serviço de confissões nesta Paróquia e em muitas outras na cidade onde se deslocava para ajudar.
Nasceu em Vilar Formoso no dia 25 de Setembro de 1926 e foi ordenado sacerdote no dia 15 de Julho de 1957, em Granada. Em 1958 faz a terceira provação e no ano seguinte e regressa ao Instituto Nun´Alvres. Um ano depois vai para Soutelo onde trabalha com o Juniorado e Postulantado da Companhia de Jesus. A 2 de Fevereiro de 1961 faz a profissão religiosa. 
Está depois, convalescente, na residência dos Jesuítas da Covilhã onde permanece até 1963, data em que regressa ao INA onde permanece durante uma década.
Em Agosto de 1973 parte de Lisboa para Moçambique (Zóbué). Regressa a Portugal em 1984, ficando a residir em Lisboa. Em Novembro de 1987 muda-se para a residência do Sagrado Coração de Jesus na Covilhã, colaborando nos diversos ministérios da paróquia de S. Pedro até ao dia de sua morte em 8 de dezembro de 2017.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Advento - I semana


EVANGELHO: Mc 13,35-36 
«Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir.»

REFLEXÃO
«Todos os bens e dons descem do alto», diz-nos Santo Inácio de Loyola, no último ponto da última contemplação dos Exercícios Espirituais. Descem como a chuva, que não volta ao céu sem produzir o seu fruto, somos apenas pessoas que cuidam da casa enquanto o dono não chega.
Podemos vigiar por medo, com nervos e incerteza; podemos vigiar com desprezo, destruindo a beleza do que recebemos; podemos vigiar a dormir, cansados de tanto esperar; podemos vigiar desesperados, porque a crítica corrompe os nossos olhos. Contudo, podemos também vigiar agradecidos, reconhecendo que o dono já está discretamente entre nós, habitando todas as coisas com a PAZ do Natal.
Desperta do sono do cansaço, do engano e da mentira. Abre os olhos do teu coração e vigia, porque Jesus nasce todos os dias no bem que fazes e recebes. Vigia e agradece.
P. Carlos Carvalho, sj

PROPOSTA DE ORAÇÃO PARTILHADA
Começo o meu advento com silêncio. Procuro calar os meus cansaços e desânimos, para dar voz à alegria do agradecimento. 
Penso no maior presente que Deus me deu – família, amigos, talentos, acontecimentos – e agradeço-lhe a ternura com que Ele cuida de mim e daqueles a quem amo.
Depois, em família, em voz alta, partilho e agradeço esse dom Para1 terminar, confio o meu coração, rezando, em família uma Ave Maria.

https://apacsjb.org.pt



domingo, 29 de outubro de 2017

XXX domingo do Tempo Comum



"Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito e o teu próximo como a ti mesmo" [Mt 22, 34-40]

A Lei do amor que o Senhor nos revela, não separa o amor a Deus do amor ao outro e a nós próprios.
Amar a Deus move-nos para o outro. Na oração, reconhecendo o amor que o Senhor tem por nós, somos enviados a anunciar esse amor em forma de boas obras. 
Amar o próximo é a forma prática de pôr em acção o amor de Deus. Podemos ser nós a anunciar a justiça, a alegria e a paz do Senhor no mundo em que vivemos. Todos somos, em Jesus Cristo, filhos de Deus Pai, por isso, todos irmãos.
Amar-me a mim próprio é saber-me primeiro amado por Deus, com tudo o que sou. Só aceitando quem sou posso fazer da minha vida um verdadeiro dom e entregar-me a Deus e ao irmão.

Adoração Eucarística

  
Sexta-feira, dia 3 de novembro, é a primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Teremos a adoração eucarística entre as 10.00 e as 11.00h na Igreja de S. Tiago.



sábado, 7 de outubro de 2017


Continua a celebrar-se às 21.00 horas, na  Igreja de Nossa Senhora de Fátima, até ao dia 13 de outubro,  a Novena em honra de Nossa Senhora.

No próximo sábado, dia 14, também às 21.00 horas,  haverá a procissão de velas em honra de Nossa Senhora. Terá início na Capela de S. João de Malta e termina na Igreja de Nossa Senhora de Fátima (Paróquia de S. Martinho).

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Educar com sentido(s)


Após alguns dias da sua ordenação, julho 2014, o padre Paulo Duarte, sj deixava um breve testemunho no nosso boletim Paroquial:

“É impressionante a passagem do tempo, sem quase dar conta.” Esta frase, ou parecidas, tem vindo bastante às conversas nestes últimos tempos. Pensar que já passaram 11 anos, no caso do João Goulão, 10, no caso do Carlos e do Gonçalo e 9, no caso do Frederico e meu, desde que estivemos aí na Covilhã a fazer a prova de noviciado e agora já somos padres. Sim, do grupo dos 6 novos padres, 5 passaram por essas terras de montanha. Foi no passado dia 5 de Julho, em conjunto com mais 3 Companheiros, que fomos ordenados pelo D. Virgílio Antunes, na Sé Nova de Coimbra. Foi uma cerimónia rodeada de companheiros jesuítas, familiares e amigos que connosco viveram aqueles bonitos momentos em que recebemos o dom de servir a Deus no sacerdócio, na Companhia de Jesus. Muito veio aos nossos corações, onde recordámos a formação que nos foi dada até chegarmos a este dia tão bonito. Claro está, mesmo que pareçam já longínquos, esses tempos na Covilhã também surgem na memória agradecida. Damos graças a Deus pela amizade e carinho que se fizeram sentir pelas mensagens e abraços que recebemos dos amigos que aí estão. Contem com as nossas orações. Nós continuamos a contar com as vossas.
Paulo Duarte, sj

sábado, 30 de setembro de 2017

Vai hoje trabalhar na vinha

«Filho, vai hoje trabalhar na vinha»

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?». Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele». 
Mt. 21,28-32


Este Pai tem dois filhos, que são todos os seus filhos, nas suas semelhanças e diferenças. Somos todos nós, nas nossas semelhanças e diferenças. Ao primeiro, o Pai diz: «Filho, vai hoje trabalhar na vinha». Note-se o termo carinhoso «filho», o imperativo da liberdade «vai», que nos coloca na estrada de Abraão, o «hoje», que requer resposta pronta e inadiável, e a «vinha», símbolo da festa e da alegria. Note-se ainda a resposta tresloucada deste «filho»: «Não quero»!… «mas, depois, arrependeu-se e foi». Note-se também a resposta do segundo filho, depois de ter ouvido o mesmo convite do seu Pai: «Eu vou, Senhor» e a constatação do narrador de que, de facto, não foi.
Como se vê, todos os filhos de Deus-Pai ouvem o mesmo convite e vêem a mesma atitude de carinho. Respondem que não ou que sim, e ambos mudam! O que disse que não, de facto, vai HOJE fazer a vontade do PAI; o que disse que sim, ficou apenas em palavras, apenas mudando o sim em não.
D. António Couto (extrato)

INFORMAÇÕES ÚTEIS
Sexta-feira, dia 6 de outubro é a primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Teremos a adoração eucarística entre as 10:00 e as 11:00h na Igreja de S. Tiago.
No próximo sábado, dia 7, às 14:30hhaverá uma formação para todos os nossos catequistas, será orientador o Pe. Paulo Duarte. No mesmo dia, às 21:15 h., o mesmo Padre apresentará um tema para todas as pessoas que quiserem vir, nas instalações da Paróquia.
Na próxima quinta-feira, dia 5, começa a Novena em honra de Nossa Senhora de Fátima, na Igreja do mesmo nome, às 21:00 h. 

domingo, 24 de setembro de 2017

CVX Beira Interior

 " Ide e dai de graça porque de graça recebestes!"
Abertura do Ano CVX, Compromisso da Maria José e despedida do Abraão que regressa a Timor de pois de concluir o mestrado na UBI.

  
As atividades da CVX – Beira Interior iniciaram-se hoje, dia 24 de Setembro, pelas 11h:30h, com a celebração da Eucaristia, na comunidade paroquial a que presidiu  o Pe. Henrique Rios, sj.
Estiveram presentes elementos de todos os grupos (Grão de Mostarda, Porto de Abrigo, Profissionais, Maranathá, 5ª. Semana e Novo grupo).    
A Maria José Madeira fez, perante toda a assembleia, o seu compromisso temporário na presença da Presidente Ana Teresa Brás.
Após o almoço partilhado, passamos à Sala de Santo Inácio onde continuámos a actividade  com a apresentação do Relatório de contas.
A seguir foi feita a eleição de dois novos elementos para e equipa Regional da Beira Interior: Conceição Neves do grupo Grão de Mostarda e Paulo Lopes do grupo Os Profissionais.
Despedimo-nos com um "até breve", pois olhando para algumas atividades já programadas, esperamos novos momentos de encontro.




terça-feira, 12 de setembro de 2017

Unidos à Diocese do Porto e Igreja em Portugal

Faleceu D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto


«Se conhecesses
o mistério imenso do céu onde agora vivo,
este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!

Estou já absorvido no encanto de Deus,
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o seu amor,
uma enorme ternura,
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo,
pensa nesta casa onde, um dia,
estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede na inesgotável fonte
da alegria e do amor infinito.

(Santo Agostinho)


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Catequese - Ficha de Inscrição


Está disponível o formulário para a Inscrição na Catequese do próximo ano.

Todos os catequizandos que frequentaram o ano passado a Catequese, deverão também renovar a sua inscrição.


Ficha de 1ª. inscrição na Catequese (a entregar diretamente na Secretaria da Paróquia), é necessária uma foto da criança 



Ficha de renovação da Catequese - a entregar na Secretaria da Paróquia ou enviar por email: paroquiaspedro@gmail.com




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Inscrições para a Catequese


 Na secretaria da Paróquia de terça a sexta-feira 
das 9:30 às 12:30 e das 15:30 às 18:00

sábado, 3 de junho de 2017

Solenidade de Pentecostes

Pentecostes, Arcabas (Jean-Marie Pirot), 114 x 146 cm, óleo sobre tela, ouro 24 quilates, 
Mosteiro Notre-Dame du Cénacle, Lyon, França, 2005.

"Sempre tentamos administrar o Espírito: dividi-Lo em doses e regulamentá-Lo. Temos a ilusão de que podemos usá-Lo para garantir a ordem e avalizar as nossas decisões como se fosse o árbitro nos jogos cujas regras foram por nós fixadas. Temos medo de nos deixar habitar pelo vento e pelo fogo. A nova criação nasce de um colossal incêndio, pois o Espírito vem e acende uma paixão. A vida no Espírito, como o fogo e o vento, é incontrolável, imprevisível e não pode ser programada jamais. 

O vento irrompe barulhento na casa e coloca para fora os seus ocupantes. O Espírito de Jesus arranca o medo, destrói a angústia e abre as portas que jamais deverão ser trancadas novamente. O teólogo von Balthasar adverte: “Se o Espírito não tivesse vindo, o mundo e a Igreja nunca teriam compreendido que a causa do judeu de Nazaré crucificado era algo mais que um assunto provinciano e historicamente sem importância”.
O Espírito é um refazer constante e um renascimento. Pentecostes conduz-nos a uma nova geografia amorosa do mundo. Todos os símbolos do Espírito são elementos em movimento, mas um movimento para os outros. Ao sermos habitados pelo Espírito, o coração se dilata e se banha de amor divino. O Espírito é um fogo cuja vinda é palavra e cujo silêncio é luz (Efrem da Síria). Somente o silêncio fala todas as línguas e a linguagem do Espírito é o silêncio oferecido ao Verbo. O Espírito que faz bater o coração de Deus é também o sopro que faz bater o coração do Homem.

O Espírito de Jesus encontra-se na oração, na solidariedade, no perdão, na palavra comprometida e na misericórdia que superam todas as fórmulas e as frases de conveniência, os conselhos moralizantes e as respostas pré-fabricadas. Jesus fala-nos de um pecado contra o Espírito que nunca terá perdão. É a blasfémia de conceder ao Espírito apenas um sussurro e uma subtil e vigiada fissura ao invés de janelas e portas abertas dos corações. O pecado irreparável é a pretensão de falar da coragem cristã e oferecer ao Espírito um pouco menos da metade de todo o resto que concedemos ao medo e a angústia. O pecado sem perdão é falar de Pentecostes sem nunca nos permitir experimentar e viver até as últimas consequências a sua embriaguez.

A Igreja de Jesus só despertará entusiasmo se anunciar as maravilhas de Deus que vira tudo do avesso, como cantou Maria no seu Magnificat. Os seguidores de Jesus devem ser ousados e capazes de ultrapassar as fronteiras em busca de novos horizontes. Os homens de Pentecostes surpreenderam, não porque apareceram comedidos, discretos e ajustados, mas porque apareceram excessivos: um pouco loucos e poetas."

Texto adaptado a partir de excertos do blog Matersol: http://matersol.blogspot.pt/

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Solenidade da Ascensão do Senhor - Visita do Provincial


O Padre Provincial José Frazão Correia sj, está de visita à nossa Comunidade. No sábado dia 27, esteve com alguns grupos de Catequese e teve oportunidade de dar uma palavra aos pais e catequistas presentes na Eucaristia, em que, com os jovens do 9º ano celebrámos a Festa do Compromisso.
A visita ainda está a decorrer, deixamos no entanto, algumas interpelações da homilia desse dia, na Solenidade da Ascensão do Senhor.

 “A Ascensão condensa/completa a Encarnação. Jesus regressa ao Pai, enriquecido agora com a experiência de ser homem - Jesus de Nazaré.
Jesus não regressa ao Pai como veio lembrou, nas mãos, nos pés e no peito estão as chagas sinal da Sua Paixão. Assumindo a vida de cada um de nós, o Cristo que sobe aos céus leva consigo as marcas da Sua humanidade E assim, assume a nossa humanidade, as nossas alegrias, as nossas feridas e as nossas dores.
Levando consigo a nossa vida, tudo o que somos agora está em Deus."



domingo, 21 de maio de 2017

VI Domingo da Páscoa


« A passagem evangélica deste domingo é a continuação direta da passagem do domingo passagem, tirado também do capítulo 14 do Evangelho segundo João. Se a primeira parte do capítulo tinha como tema a fé em Jesus (“Credes em Deus, crede também em mim”: Jo 14, 1), esta segunda parte tem como tema o amor por Jesus (“Se me amais, guardareis os meus mandamentos”: Jo 14, 15).
Nenhuma oposição entre fé em Jesus e amor por Jesus, porque crer não é um ato intelectual, mas é uma adesão, um envolvimento com a vida de Jesus; e um envolvimento pode ser implementado somente na liberdade e por amor.
A estrutura do trecho é evidente:
- um marco com as duas declarações inclusivas sobre o amor por Jesus (vv. 15 e 21);
- dois anúncios no seu interior: o dom do Espírito (vv. 16-17);
- a vinda de Cristo (vv. 18-20).
O tema do amor por Jesus já está presente nos seus lábios nos Evangelhos sinóticos: “Quem ama seu pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10, 37); mas, no quarto Evangelho, esse amor é especificado, quase como se o redator temesse um equívoco. Assim como Jesus pediu para crer em Deus e também nele, assim também ele certamente pediu para amar a Deus e também a ele, mas sob condições precisas. Ele especifica particularmente que esse amor não se esgota em um desejo de Deus, em um anseio pelo divino, sem que nele esteja contida a disponibilidade de se conformar com aquilo que Deus quer, vontade de Deus manifestada na sua palavra, vontade a ser realizada todos os dias como observância concreta dos seus mandamentos.
É por isso que as palavras de Jesus parecem peremptórias: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. Em todas as vias religiosas ama-se a Deus, mas se pode amá-lo como um ídolo, especialmente se for um deus construído e “idealizado” por nós; ou, melhor, precisamente quando é um deus que é um produto nosso, nós o amamos mais!
Mas o nosso Deus vivo tem um rosto preciso. Não é a divindade, o divino: é o Deus que falou expressando a sua vontade, e só o ama verdadeiramente quem busca realizar, embora com dificuldade, tal vontade. Parece-me que não afirmamos com clareza e força suficientes essa verdade decisiva para a vida cristã, mas pensamos que basta dizer, por exemplo: “O que temos de mais caro no cristianismo é Jesus Cristo”, palavras que podem ser uma confissão de fé, contanto, porém, que Cristo não seja o “nosso Cristo”, aquele inventou e escolhido por nós, mas o Cristo Jesus narrado pelos Evangelhos e transmitido pela Igreja.
Amar Jesus, portanto, significa não só se alimentar de um amor de desejo, não só lhe dizer que a nossa alma tem sede dele, mas realizar aquilo que ele nos pede, observar o mandamento novo, isto é, último e definitivo, do amor recíproco. Conhecemos bem como Jesus formulou esse mandamento: “Assim como eu vos amei, assim também ameis uns aos outros”.
Atenção, Jesus não disse: “Assim como eu vos amei, assim também amai-me”, mas “ameis uns aos outros”. Porque ele nos ama sem nos pedir o retorno, mas nos pedindo que o seu amor que nos alcança, se difunda, se expanda como amor pelos outros, porque essa é a sua vontade de amor.
Ele dirá ainda: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (Jo 15, 14), porque o discípulo não deve alimentar ilusões em si, cultivando o seu “eu religioso”, cheio de sentimentos afetivos por Deus ou por Jesus, mas ignorando as suas palavras, a sua vontade, a sua espera.   
(...) 
É o dom do Espírito, que é sempre o Espírito do amor que desce ao coração do cristão, dando-lhe a capacidade de responder ao Pai na liberdade e com amor. Graças ao amor por Jesus, portanto, podemos ser fiéis aos seus mandamentos; e, ao mesmo tempo, a observância dos seus mandamentos testemunha a autenticidade do nosso amor por ele. Esses mandamentos de Jesus não são uma lei – atenção para não fazer regressões! –, são Jesus mesmo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6), são uma vida humana concreta vivida no amor até o fim (cf. Jo 13, 1).
Depois da sua glorificação, o amor de Jesus pode ser experimentado pelo discípulo como amor do outro Consolador, do Espírito Santo sempre connosco por intercessão do próprio Jesus: Espírito que deve ser invocado por nós, acolhido, conservado, obedecido até ser a nossa “respiração”, aquilo que nos anima. Devemos confessar: esse Espírito não pode ser acolhido pelo mundo, aquele mundo que não é a humanidade tão amada por Deus (cf. Jo 3, 16), mas sim a estrutura mundana, o ordenamento de injustiça dominante sobre a terra que está em revolta contra Deus, isto é, contra o amor e contra a vida. Esse sistema de mentira organizada, de violência que não conhece limites, de injustiça que oprime os pobres e os pequenos, infelizmente, também engloba os homens e as mulheres alienados por ele.
(...)
Podemos ver Jesus à luz da fé, podemos experimentar a vida abundante que ele quer nos dar; mas muitas vezes somos incapazes de acolher o dom, somos cegos que dizem ver (cf. Jo 9, 40-41). Que essas palavras de Jesus, portanto, não se tornem fonte de justificação, impulsionando-nos a evitar a reivindicação da conversão e a não acolher aquele dom que nós não podemos nos dar: o dom do Espírito de Cristo, o dom do seu amor.
Eis, então, a conclusão, que retoma o início do discurso: “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. Amar, observar os mandamentos é a condição para que Jesus se manifeste, e, na observância da vontade de Deus, através do amor fraterno, seremos amados por Deus e por Jesus.

A vida de Deus é um fluxo de amor no qual, se acolhemos o seu dom, podemos ser envolvidos. É isto que deveremos conhecer na embriaguez do Espírito e na comunhão com Cristo em cada Eucaristia que vivemos: uma celebração do amor!»

P. Enzo Bianchi, monge italiano fundador da Comunidade de Bose

sábado, 13 de maio de 2017

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida»: Meditação sobre o Evangelho do 5.º Domingo da Páscoa (Jo 14,1-12)

Imagem: "Jesus e os seus discípulos" - Odilon Redon

Não se perturbe o vosso coração, tende confiança. São as palavras primárias da nossa relação com Deus e com a vida, aquelas que devem vir ao nosso encontro mal se abrem os olhos, a cada manhã: afastar o medo, ter confiança.

Ter confiança (nos outros, no mundo, no futuro) é um ato humano, humaníssimo, vital, que impulsiona para a vida. Sem a confiança não se pode ser humano. Sem a fé em alguém não é possível viver. Eu vivo porque confio. Neste ato humano respira a fé em Deus.

Tende fé em mim, Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Três palavras imensas. Que nenhuma explicação pode esgotar.

Eu sou a vida: a estrada para chegar a casa, a Deus, ao coração, aos outros. Sou o caminho: diante de mim não se ergue um muro ou uma barreira, mas horizontes abertos e uma meta. Sou a estrada que não se perde. (...)

Eu sou a verdade: não numa doutrina, num livro, numa lei melhor que outras, mas num "Eu" está a verdade, numa vida, na vida de Jesus, que veio para nos mostrar o verdadeiro rosto do homem e de Deus. O cristianismo não é um sistema de pensamento ou de ritos, mas uma história e uma vida (François Mauriac).

Eu sou: verdade desarmada é o seu movimento livre, real e amoroso entre as criaturas. Nunca arrogante. Com ternura, essa irmã da verdade. A verdade são olhos e mãos que ardem (Chistian Bobin). Assim é Jesus: acende olhos e mãos.

Eu sou a vida. Que tens a fazer comigo, Jesus de Nazaré? A resposta é uma pretensão não menos que excessiva, não menos que desconcertante: Eu faço viver. Palavras enormes, diante das quais experimento a vertigem. A minha vida explica-se com a vida de Deus. Na minha existência, mais Deus equivale a mais eu.

Quanto mais Evangelho entre na minha vida, mais vivo eu sou. No coração, na mente, no corpo. E opõe-se à pulsão de morte, à destrutividade que nutrimos dentro de nós com os nossos medos, à esterilidade de uma vida inútil.

Por fim intervém Filipe: «Mostra-nos o Pai, e isso nos basta». É belo que os apóstolos peçam, que queiram compreender, como nós. Filipe, quem me viu, viu o Pai. Olha para Jesus, vê como vive, como ama, como acolhe, como morre, e entenderás Deus e a vida.

P. Ermes Ronchi 

domingo, 7 de maio de 2017

Ser mãe é um mistério absoluto


No dia de todas as mães, a minha especial homenagem, através das palavras de um poeta admirável: Christian Bobin.

«Ela é bela, graças a este amor de que se despoja, a fim de com ele revestir a nudez do menino. É bela, pela solicitude com que acorre, uma e outra vez, ao quarto da criança.

Todas as mães possuem esta beleza.
Todas têm esta justeza, esta verdade, esta santidade.
Todas as mães têm esta graça que causa ciúmes ao próprio Deus...

A beleza das mães supera infinitamente a glória da natureza.
Ser mãe é um mistério absoluto, um mistério que não se assemelha a nada.

Não existe santidade maior que a das mães esgotadas pelas fraldas lavadas, pelo aquecer da papa, pelo banho a dar.

A maternidade é o que sustenta o fundo de tudo.
A maternidade é a superação do cansaço.»

Excertos do livro "Francisco e o Pequenino" de 
Christian Bobin

domingo, 30 de abril de 2017

O caminho de Emaús como quadro inspirador…


Jesus ressuscitado faz-se companheiro de caminho, simplesmente pela insinuação da sua presença. Com uma atenção extraordinária aos sinais corpóreos da desilusão interior, sabe colocar a pergunta certa, aquela que dá a palavra aos dois discípulos desiludidos e tristes e se faz verdadeira disposição a escutar. Ainda que seja para ouvir o que já sabe, dispõe-se a acolher o seu ponto de vista sobre os acontecimentos. A pergunta de Jesus dá a deixa, faz-se convite a revisitar e a repercorrer as estradas e os lugares do que os havia encantado e agora desilude. Entrando pela porta do sonho desfeito, Jesus rompe os lugares comuns da sua inteligência do divino para fazer entrever um outro rosto de Deus. No limite do que se lhes afigurava impossível, faz brotar sementes de possibilidade. Depois, narrados e iluminados os lugares revisitados, faz-se convidar. E à mesa, num gesto eucarístico, desperta os sentidos, toca a alma, cura o corpo, regenera toda a experiência. O anonimato dá lugar à comunhão. O seguimento e a missão vencem o abandono e o ressentimento. Finalmente, quando reconhecido, Jesus desaparece da sua vista. Aquele que, como corpo, se dá a comer é o mesmo que diz «não me tocar». A presença recusa fazer-se morada que aprisione, coisa que se possua. Agora, é nos lugares concretos da humanidade - em todos - que se viverá o contato vivificante com o Mestre.

Quanto poderemos aprender com esta forma de entrar na vida dos nossos contemporâneos e de comungar os movimentos das suas existências para, desse modo, criar um espaço de possibilidade para um encontro biográfico com o Senhor Jesus: tocar sem aprisionar; dar-se sabendo retirar-se; dizer sem ofender o mistério e cobrir o silêncio que envolve nós e eles; fazer-se alimento sem criar dependências; brilhar como luz que se extingue. E quanto poderemos recolher deste modo de proceder de Jesus ressuscitado que abre os olhos dos seus discípulos ao reconhecimento da sua presença exatamente no momento em deixam de o ver. A ausência acena a uma outra forma de presença: é preciso que o Senhor vá para que desça o seu Espírito. Não é esse o tipo de relação que vivemos em cada eucaristia, comungando daquele pão que não parece pão que é corpo que não se vê?

É, pois, este encontro a etapas sucessivas e enquanto se caminha que, pela palavra e pelo gesto, vai do isolamento à eucaristia, do anonimato ao reconhecimento, da perturbação paralisante à consolação operativa, que proponho como ambiente inspirador para esta minha reflexão, quase como um prelúdio musical ou uma sugestão pictórica.

Padre José Frazão, sj

sábado, 29 de abril de 2017

No último entardecer...


Nas paredes de uma igreja de Emaús, à guarda dos Padres Franciscanos da Custódia da Terra Santa, que recorda os acontecimentos narrados no sublime episódio de Lc 24, pode ler-se em várias línguas um belo e significativo poema:

Todos os dias
Te encontramos
no caminho
Mas muitos reconhecer-Te-ão
apenas
quando
repartires connosco
o Teu pão.
Quem sabe?
Talvez
no último entardecer.

D. António Couto, Bispo de Lamego

Extrato da mensagem publicada no blogue “Mesa de palavras”: https://mesadepalavras.wordpress.com/…/fica-connosco-senho…/

sábado, 22 de abril de 2017

A Revolução Pascal

se Deus ReSuscitou Jesus, então...
... temos uma Boa Notícia para Anunciar e Celebrar!




"Se tudo isto é verdade, então, não pode ficar tudo igual! Nem eu posso ficar igual!!! Se isto tudo é mesmo verdade, isto vale-nos a vida! Temos até um motivo para a dar se for preciso, porque aquilo que vale para viver, também vale para morrer. Quem mais ama a vida é quem menos teme a morte!

A Missão acontece como difusão, irradiação. Anunciar o Evangelho é uma acção de contágio. Os discípulos não se tornaram uns “místicos” da ressurreição mas TESTEMUNHAS da ressurreição: não é um “quentinho na alma”, é uma Notícia, um jackpot! É uma explosão dos sentidos e um sobressalto de alegria que atravessa toda a Criação, uma irradiação a todas as nações. Foi isto mesmo que aconteceu a partir daquela dúzia e tal de homens e mulheres que viram as suas vidas viradas do avesso naqueles dias da revolução pascal…

Os discípulos não voltaram para as suas terras diferentes, depois de terem feito a experiência pascal: começaram uma aventura nova, agora é que começou tudo mesmo de novo, porque o Espírito de Deus que tinha actuado em Jesus começou a actuar neles com poder e novidade. Os discípulos não ficaram simplesmente diferentes, mas começaram a fazer tudo diferente: assumiram a ousadia de anunciar a acção justificadora e reparadora de Deus em Jesus, depois do que os chefes lhe tinham feito. E anunciavam estas coisas nas barbas dos chefes mesmo! Libertos do medo e curados da culpa… porque o perdão é um grande dom pascal. Quando testemunham a experiência de reencontro com o Senhor ReSuscitado, nunca nos contam que ele os tenha feito sentir cobranças ou ralhetes pela infidelidade daquelas horas da prisão , tortura e execução… Em vez disso, vinha “em missão de paz”: “A paz esteja convosco”, era a saudação lembrada.

Anunciavam com desassombro e argumentavam com lucidez e uma criatividade espantosa: e, depois, não tinham mais provas para tudo o que anunciavam do que dar a vida por isso.

Este anúncio era mastigado e saboreado em pequenas comunidades. E estes verbos não são neutros. É que a MESA tornou-se o grande Sinal e ponto-de-encontro destes primeiros, que se juntavam à volta da Memória da Última Ceia que tinham comido com ele. A Ceia do Senhor era o sinal de um Mundo Novo reunido à volta do Dom de Deus, reconciliado e em paz. À Mesa Celebravam Jesus, não como lembrança mas como Vivente. Celebravam-no Presente! Anunciavam e celebravam que Jesus é SENHOR, e os outros não.

A Vinda do Senhor é a Esperança de que todas as coisas estão em Páscoa para Deus, em passagem para a Vida sem confins. E Jesus é o nosso Passador, Cristo “Nossa Páscoa”, como lhe chamou o Apóstolo Paulo. Se Deus ReSuscitou Jesus, então temos uma Notícia a correr-nos nas veias que é maior que tudo, uma Fé que leva à Esperança e se concretiza no Amor. Até que Deus, que já é tudo em Cristo, seja tudo em todos!"

Pe. Rui Santiago Cssr

domingo, 16 de abril de 2017

Ressuscitou o Senhor Jesus



CRISTO RESSUSCITOU.
ALELUIA!

JESUS Está Vivo! É com este anúncio, que começa a Páscoa do Senhor.
É assim com esta notícia que estas mulheres ouviram na manhã de Páscoa, que começa a Igreja, que começa a nossa fé.
A nossa fé em Jesus começa neste Rumor: AQUELE QUE VIMOS MORTO ESTÁ VIVO!
Aquele que há uns dias vimos suspenso na cruz e pusemos no túmulo… ESTÁ VIVO!

A Comunidade dos Padres Jesuítas deseja a todos uma Santa e Feliz Páscoa!


sábado, 15 de abril de 2017

SÁBADO SANTO

 Arte Sierge Koder 
"Quatro linhas sobre a cruz
A primeira linha abre o silêncio como os braços de Cristo na Cruz
A segunda linha abraça-te até que a voz que te
fala respire no interior da tua escuta
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz,
o fio de água para que nunca esqueças a única Fonte
A quarta linha é o próprio rastro Daquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz."
Daniel Faria


"ESTE DIA É ÚNICO NO ANO. As igrejas silenciosas e “despidas” convidam à reflexão e oração. Por outro lado, preocupadas com o aspeto exterior das festas pascais, muitas pessoas vivem-no com uma agitação enorme. De que lado me coloco? Sabendo que Jesus morreu por Amor, fico na expectativa. E espero com ansiedade celebrar a sua Ressurreição."
(Uma proposta do Apostolado da Oração- Rede Mundial de Oração do Papa)


Sábado Santo


«O sábado santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente, representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus, pronunciadas na sexta-feira santa, “tudo está consumado”, e a insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, ele mesmo protagoniza. […] O silêncio do sábado santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.»

Pe. José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta-feira da Paixão


Era uma vez o Amor...

«Salvou os outros e não conseguiu salvar-Se a Si mesmo», comentava-se junto Daquele crucificado, sem perceber nada da sua história.


Exatamente porque Ele se dispõe a amar-nos, Ele não pode salvar-se a si mesmo. Porque o que é próprio do amor é esse deixar de pensar em si. É esse abandono, é essa pobreza radical, é essa entrega, em que o outro, o outro, é colocado no centro. Nós estamos no centro do gesto de Jesus. Da sua história de amor, da sua entrega.

Na verdade, a história mais simples do mundo, mas por vezes complicamos tanto a simplicidade do mundo! Comprometemos a transparência da vida com o nosso excesso de razões! No entanto, aquela história, a de Jesus, conta-se assim: «Era uma vez o Amor...».

O amor, essa entrega de nós para lá do cálculo e da retenção, a ponto de não conseguirmos viver para nós próprios.  

O amor, essa descoberta de que ou nos salvamos com os outros (porque aceitamos o risco de viver para os outros) ou gastamos inutilmente o nosso tesouro.

O que se comentava junto da cruz, naquele dia, não era um insulto, mas o maior dos elogios feitos a Jesus. Compreender isso é, de alguma maneira, acolher o sentido verdadeiro da Páscoa.»


Pe. José Tolentino Mendonça
(excertos de textos e homilias)



quinta-feira, 13 de abril de 2017

5ª feira Santa - Lava pés

Lava Pés Giotto

«Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.» [Jo 13, 1-15]

Tríduo Pascal


domingo, 9 de abril de 2017

DOMINGO DE RAMOS

A ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM



Na entrada jubilosa de Jesus em Jerusalém, eu, como tantos outros, misturado na multidão dos simples peregrinos que, tendo ouvido falar da ressurreição de Lázaro e da chegada de Jesus, vou ao Seu encontro e acompanho-O, contemplando-O.
O Senhor entra na sua cidade de Jerusalém, vem montado num jumentinho, de acordo com a profecia. Um animal que nada tem a ver com uma montada real e o jumentinho nem sequer lhe pertence, porque o deve restituir Estendem-se as capas e ramos de árvores no caminho, a multidão canta «Hossana» saudando e gritando: «Bendito o que vem em nome do senhor!». 
Medito, meditemos para tirarmos proveito!.. 

Misturo-me também eu com esta multidão de pessoas que estendem os seus vestidos e ornamentam com palmas o percurso do Rei de Israel que eles aclamam, com grande escândalo de todos os fariseus, os de então e os de hoje. Aclamo-O, a Ele que vem tomar posse dum Reino que não é deste mundo, mas que está nele incorporado.

Mateus diz-nos que Jesus procede assim para cumprir a Escritura, Isaías anuncia que o rei entra em Jerusalém, não para governar, mas para servir. Contudo, neste triunfo, a multidão que o aclama está ofuscada, longe de compreender a significação plena. Não se trata de aclamar um rei que subjuga a vida e a amarra para servir o poder, mas um rei que dá a vida e não sacrifica vidas como fazem os reis deste mundo. 

Caminho e bato palmas com o entusiasmo dos discípulos, sem saber que não se trata de um triunfo através do poder, do ter e do aparecer (a tentação do Deserto) mas sim de um triunfo do serviço a Deus e aos homens?

À frente do cortejo gritam as crianças, atrás e um pouco à distância, aqueles que não comungam ainda a minha fé, os piedosos pagãos, os tímidos, mas que se aproximam de Jesus e Jesus vê neles as primícias da próxima glorificação. A Sua morte, como o grão lançado à terra, produzirá o seu fruto, dirá Jesus aos que o quiseram ver: “Quando for levantado da terra atrairei a Mim todos os homens” sem excluir ninguém, nem a um desses mais pequeninos. 

A própria natureza geme com a aproximação da sua “Hora”, e a alegria das flores de Páscoa e já são sinal da terra fecunda. A “Hora” de Jesus diz-nos que não estaremos nunca sós. Na Cruz, resplandece a fé a esperança e a caridade. A , porque Jesus, apesar do Seu abandono, aparente, se confia ao Pai: “Pai, nas tuas mãos, entrego o meu espírito”. A esperança, porque uma vida nova se espera além da morte. O amor (a caridade), porque não há maior amor do que dar a vida. 

Quando sepultaram Jesus, salta à vista que Jesus é depositado num sepulcro novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Mostra-se assim que Jesus é de facto o Rei Messiânico esperado: o Rei é o primeiro em tudo. E continuamos ver o olhar atento das mulheres e os perfumes que preparam e que abrem o nosso olhar para a Ressurreição, onde culmina a Hora de Jesus. 

E assim se abrem para todos nós as portas da vida. 

A nossa vida cristã é também uma entrada na Nova Jerusalém, uma introdução no universo chamado a tornar-se uma aprazível Cidade de Deus, um Novo Céu e uma Nova Terra. 
Os hossanas da multidão que aclama sejam também os meus hossanas, nos dias bons e nos menos bons! Na Cruz resplandece o amor. É o que faz Cristo, dando a vida àqueles que Lha queriam tirar. 
Todos somos convidados a percorrer e a reviver as últimas decisivas vinte e quatro horas de Jesus. 

P. José Augusto Alves de Sousa, sj 






Quero gritar-Te Senhor, a minha alegria.
Tu conheces os meus desejos mais sinceros e profundos.
E quiseste entrar na minha cidade.
Vieste à minha vida e trouxeste o dom de Deus.
Para Ti, o meu aplauso, o meu louvor, a minha adoração