sábado, 25 de dezembro de 2010

NO PRESÉPIO… O milagre do amor faz-se fraternidade!


Que a alegria deste tempo de paz contagie as nossas vidas, inspire os nossos gestos e nos faça sonhar um mundo melhor!

Celebremos a alegria do Nascimento de Jesus.
Jesus já nasceu, só necessita de renascer nos nossos corações
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A Comunidade dos Padres Jesuítas deseja-lhe um Santo e Feliz Natal

UM MENINO NOS É DADO


Textos: Isaías 52,7-10; Salmo 97; Hebreus 1,1-6; João 1,1-18.

Hoje, com o Nascimento de Jesus, chegamos ao termo de toda a Revelação Bíblica. Melhor será dizer: neste Nascimento chegou ao fim a Primeira Aliança, como se diz na Carta aos Hebreus da Liturgia de Hoje: “Deus falou de muitos modos…nestes tempos que são os últimos, falou-nos por seu Filho…” Uma criança, um recomeço. Eis diante de nós, um Novo Futuro, uma Nova Aliança, um Homem Novo, uma Nova Criação.

Tudo isto se passa discretamente por entre um recenseamento decretado pelo Imperador César Augusto que levou à deslocação de Maria e de José de Nazaré a Belém, cidade de David. Este recenseamento é simbólico. O Imperador queria, por meio dele, conhecer as pessoas que estavam sob o seu domínio para as reduzir à submissão, mas Deus que escreve direito por linhas tortas, serve-se do recenseamento para nos dizer que uma Luz saída de Belém iluminas, agora, o coração de todos os homens sob a face da terra: do Oriente ao Ocidente, de Norte a Sul… (Isaías). Jesus não ocupará nem sequer uma linha desse recenseamento, pois Ele ainda estava no seio de Maria, quando José e Maria se aproximaram para a inscrição nas listas, mas Nele latia já, o pulsar duma Nova Lista que será a Lista da Humanidade inteira, essa humanidade que ele funda e que recapitula (João no Prólogo do Evangelho de Hoje), quer dizer, da qual, Ele será, agora, a cabeça, o Pastor (João 10).

Esta refundação ou recriação para o surgimento da Nova Humanidade, lhe vai exigir a entrega de toda a sua vida que somente terminará na Cruz e na Ressurreição. Então, começará para os homens, Uma Nova História da qual, Ele será o começo e o termo: No princípio era o Verbo… e o Verbo Incarnou e se fez homem…” Mas, se é cero que esta história nova já começou, a História de Cristo, isto é, a História de Deus com o homem ainda não chegou ao fim e, por isso rezamos: “ vinde Senhor Jesus”. O seu nascimento, a sua vida, a sua morte e a sua ressurreição são momentos proféticos dessa volta na glória que Ele anunciou como fim dos tempos: um fim que é começo e fim, ao mesmo tempo.

Em Belém, não encontrou lugar na hospedaria, lugar de residência do encontro com os homens, mas encontramo-lo deitado numa manjedoura, no lugar onde se deita a comida aos animais. Um dia dirá: “Tomai e comei…” Eis como a Escritura nos apresenta a vinda do Filho de Deus ao mundo. Nós teríamos talvez imaginado que o Filho de Deus viria como na Teofania do Antigos Testamento com a Montanha do Sinai a arder e Deus descendo sobre a montanha como fogo e um relampejar terríveis. Mas não é assim, na Nova Aliança. Ele vem nas palhinhas dum bercito, na doçura dum sorrio de criança, no acolhimento das mãos duma Mãe. É assim, o nosso Deus, o Deus Menino e quem o pensa doutra maneira, afoga-se no poder e na força do prestígio. Uma entrada discreta no mundo, quase furtiva. Apenas anunciada por uns pobres pastores que viram a sua luz e pelos Magos vindos do Oriente. Será sempre assim a vinda de Deus que se propõe sem nada impor e não força a mão de ninguém para lhe arranjarmos um outra estalagem no meio da cidade dos homens. É este Deus que nos convida a segui-Lo. Um Deus já excluído, porque nascido numa manjedoura e que, mais tarde, será crucificado fora dos muros da cidade, mas por Ele e N’Ele, nasceu um Novo Corpo que é a Igreja. Quando meditamos no que acabamos de dizer, este Novo Corpo de Cristo - a Igreja, está ainda nos começos. A nossa comunhão com Cristo está ainda na infância, mas sempre em crescimento. “de graça em graça…” (João)

Um Deus ao nosso dispor.
Uma criança é um futuro, um prolongamento dos seus pais, mas é também um ser fraco, necessitado. A criança ainda não fala, não tem palavra. Eis que Deus se entrega nas nossas mãos e nós faremos dele o que quisermos, com a grande responsabilidade de falarmos por Ele, com a Palavra e com o testemunho de Vida.

Ele é a vida;
a nossa vida. E que fazemos nós da vida? Que fazemos da vida dos outros que é vida de Deus, porque nela, Deus se diz e se dá.

Deus à mercê das nossas decisões.
Já a narração do Nascimento de Cristo nos faz pressentir os acontecimentos de Páscoa. De momento, Ele não pode sobreviver, senão com cuidados constantes. Paulo nos diz em Filipenses 2, 6-8 que “Ele se despojou assumindo a condição humana” e que, por nós, morreu na Cruz e Ressuscitou.

Mas, de momento
entreguemo-nos à alegria do Natal. Os anjos cantam o Glória de Deus, d’Aquele que não se refugiou no poder, mas vem ter connosco na nossa vida e na nossa morte. Por agora, o Menino vai aprender a obediência e a ser um de nós. Um dia, a Ressurreição terá a última palavra.

Natal:
Recusa ou aceitação : “veio para o que era seu e os seus não o reconheceram”.

Natal:
Deus para sempre no meio de nós. Palavra sempre acessível até ao fim: “ este é o meu Filho”

Natal:
Deus ao nosso dispor, sempre disponível. Não O encontramos nas nuvens, nos sentimentalismos, nas luzes exageradas desta quadra, No deslumbramento to dos presentes, mas na sua sobriedade e na leitura correcta do presente, porque o presente, nesta quadro natalícia, é sinal do Grande Presente do Pai do Céu: o Menino Jesus, o Presente por excelência. Encontramos o Menino perdido entre os pequenos, os mais simples?

Natal:
Reconhece que Deus é Pai e que os homens são nossos Irmãos e cantemos a reconciliação e a paz na convivência fraterna, na reconciliação entre as famílias, hoje reunidas…”Anuncio-vos uma Boa Nova que será de grande alegria para todo o Povo. Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador que o Cristo, Senhor…” Como são belos sobre os montes, os pés do Mensageiro que anuncia a paz…”

BOAS FESTAS


P. José Augusto de Sousa, sj

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Caminhamos para Belém...


Informações úteis

  • Dia 24 haverá a tradicional missa do Galo à Meia-Noite. Pede-se a todas as pessoas que puderem e quiserem que se disponibilizem para preparar com solenidade e beleza a liturgia da missa em que celebraremos o Nascimento de Jesus. Neste sentido haverá uma reunião para preparar a liturgia da missa (acólitos, leitores, ministros da comunhão, e outras pessoas que se quiserem envolver) na próxima quinta-feira, às 18:30.
  • No dia de Natal, as missas terão o horário de domingo.
  • Informa-se que de terça-feira a sexta, haverá atendimento de confissões, no horário previsto. O sacramento da reconciliação é a melhor maneira de acolher o Menino no coração de cada um de nós.
  • Na passada quarta-feira, dia 15, foi apresentado o livro: “A recepção do Concílio Vaticano II na Diocese da Guarda”, da autoria do Padre Henrique Manuel dos Santos. A obra é o resultado de um grande estudo de investigação sobre a realidade da nossa diocese e o modo como acolheu o Concílio Vaticano II. Vale a pena adquirir esta obra. Encontra-se na secretaria da nossa paróquia.
  • Está a decorrer a campanha nacional da Caritas: 10 milhões de estrelas. Quem pretender adquirir uma vela-estrela, dirija-se à secretaria.
  • Na secretaria da nossa comunidade podem ser adquiridos diversos produtos alusivos à época que estamos a entrar: postais de Natal, presépios, calendários, CD’s (gravado pelo coro da catequese). Passe por lá, aprecie e adquira.
  • Como é do conhecimento de todos, o grupo de lavores da nossa comunidade paroquial reúne-se semanalmente durante todo o ano pastoral para fazer bordados, rendas, e demais trabalhos do género. Durante o mês de Dezembro, o grupo faz a exposição e venda dos trabalhos feitos, o que aconteceu este ano de 5 a 11 de Dezembro. Este ano, o resultado das vendas foi: €3.420,00. Estas receitas revertem na íntegra a favor da nossa Igreja. As receitas deste ano serão aplicadas nas obras ainda em curso em benefício da catequese e demais actividades da nossa Igreja. Ao grupo de lavores, estamos todos muito gratos. Que Deus, feito menino, abençoe as pessoas que constituem o grupo de lavores.

  • Por último: gostaríamos de embelezar os altares, para a quadra natalícia, com flores naturais. Isso só será possível com a vossa colaboração. As pessoas que puderem e quiserem, poderão fazê-lo através do Padre Francisco, ou da secretaria, ou simplesmente colocando a sua oferta, dentro de um envelope, e colocá-lo no cesto das colectas. Desejamos a todos uma boa preparação para acolhermos o Emanuel, Deus connosco.

domingo, 19 de dezembro de 2010

IV Semana de Advento


Com MARIA e JOSÉ...Vamos Preparar e celebrar o Natal de Jesus!

domingo, 12 de dezembro de 2010

III Semana de Advento


"Alegrai-vos sempre no Senhor, de novo vos digo: alegrai-vos: o Senhor está perto".
Continuamos a caminhar para o grande acontecimento... e hoje temos este convite à alegria, a dar força e sentido às nossas vidas.
De facto o mundo, nós todos, vivemos carentes e em busca de alegria, de bem-estar. Mas de que alegria se trata afinal? Daquela alegria ilusória que nos proporciona momentos fugazes de prazer. Ou da alegria que nos ajuda a entregar a vida sem medo de a perder?
Todos esperamos algo na vida, todos esperamos que chegue o Natal. Mas será que de facto esperamos a vinda de Jesus? Será que desejamos que Ele venha fazer parte das nossas vidas, renová-las? Buscamo-Lo no lugar certo? No pobre, no doente, naquele que está só ou vive só?
A Boa Nova que nos recorda o Natal é para toda a terra mensagem de alegria...
Os sinais exteriores são necessários, mas não podemos esquecer que têm de conter em si mesmo a força do amor de um Deus, que nos dá tudo ao dar-nos o Seu filho para viver no meio de nós, para viver a nossa vida.

Fica este pensamento:

“A única pessoa realmente cega na época de Natal é aquela que não têm o Natal em seu coração.” (Helen Keller)
A.M.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Maria e a nossa cidade

"Eu sou a Imaculada Conceição."

Foi com estas palavras que a Virgem se apresentou a Bernardette em Loures no ano de 1858. Vestia de branco, com véu da mesma cor e com uma fita azul que caía até aos pés. Das mãos pendia um rosário de contas brancas e nos pés nus, duas rosas douradas, tal como a figura que aqui se encontra.
A cidade da Covilhã distinguiu-se desde sempre pela sua devoção à Virgem Santíssima. Assim sendo, tem a dominá-la constantemente o olhar carinhoso e protector da Nossa Senhora, representada num monumento comemorativo das bodas de ouro da proclamação dogmática da Imaculada Conceição, inaugurado a 10 de Outubro de 1904. Aquando dos 50 anos de existência do monumento, foi aqui realizada a Sessão Solene do grandioso Congresso Mariano da Diocese da Guarda, organizado pela cidade da Covilhã, onde todos os municípios do Bispado foram consagrados à Virgem pelo então Presidente da Câmara Dr. Carlos Coelho. Tendo a Cidade realizado neste ano uma das maiores e mais sentidas manifestações de fé religiosa. Com o passar dos anos o monumento foi circunscrito por um espaço ajardinado, onde o silêncio convida à oração. Tornou-se num lugar de singular beleza.

(http://www.cm-covilha.pt/simples/?f=4797)

Solenidade da Imaculada Conceição


“FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA” (Lc 1,38)

O Sim de Maria

“A Palavra de Deus convoca e envia”, é o tema do nosso Plano Pastoral, para este e os próximos dois anos pastorais. Este Plano pastoral lembra-nos a importância da Palavra de Deus na nossa vida. Cada cristão e toda comunidade é convocada para escutar a Palavra e assimilá-la /vivê-la!

Foi o que aconteceu com Maria. Ela escutou, acolheu a Palavra de Deus e foi enviada em missão. E que missão! Maria converteu-se na colaboradora, por excelência, do maior acontecimento / missão da história: a Encarnação de Jesus! Maria, esta jovem entusiasmada e confiante, escuta a Palavra e põem-na em prática, ao comprometer-se com o crescimento do Reino, isto é, com o cumprimento da vontade Deus, anunciada pelo anjo. A Palavra de Deus interpela e provoca Maria, por isso, ela pronuncia um Sim generoso e feliz!

O Sim de Maria inaugurou a era do amor na terra e imprimiu um rumo novo à história. Deste facto nasce a nossa vocação e missão, se soubermos seguir o seu exemplo.
O sim de Maria firme e absoluto imprime em nós como que um choque decisivo e feliz, que nos conduz a dizer sim à concórdia, à comunidade, ao amor pleno que é a presença de Jesus, em cada um de nós e a Sua plenitude entre todos.

O sim de Maria, aceite, assumido e assimilado em cada um de nós, como que abafa o nosso ego, ensinando-nos a substituir o orgulho e o egoísmo, afim de que o reino do Amor, da solidariedade, da justiça, da paz triunfe no mundo.

O sim de Maria é uma verdadeira Páscoa que varre as sombras da morte e ressuscita a Vida para sempre, a quantos nos associamos à resposta fiel ao projecto de Deus em nós e nos outros, à semelhança de Nossa Senhora.
O sim de Maria abriu-nos o caminho da realização autêntica e o sentido da vida, à contemplação maravilhosa e gozosa da grandeza de Deus.

O sim de Maria trouxe-nos a tomada de consciência, o sentido dos projectos de Deus para cada um de nós: a encarnação do mesmo Cristo em nós, se soubermos captar a obediência e fidelidade de Maria como a suprema realização do Amor.

O sim de Maria deu início à regeneração pessoal e comunitária, totalmente verdadeira e de âmbito universal, porque desejamos construir a nossa vida com o exemplo da sua radicalidade, numa obediência activa e responsável.

O Salmo 118 diz: "Tua Palavra, Senhor, é um facho a iluminar os meus passos, uma luz a guiar-me nos caminhos da vida". (Sl 118, 109). Que a Palavra de Deus seja realmente para nós, a luz do nosso sim pessoal.
Quase mesmo a terminar, peço para nós, e para as nossas famílias, como estrela e guia, a amável companhia de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da nossa cidade, e que nos acompanha sempre.

O Tempo de Advento e de Natal, mais do que outros tempos litúrgicos, é por excelência, o tempo do silêncio, o tempo de Maria.

Por isso, faço, finalmente, um pedido a Nossa Senhora: ó Mãe bendita, neste tempo de Advento e de Natal “coloca-me com o teu Filho”, o Emanuel, Deus-connosco, e seja feita a Sua vontade e não a minha! Senhora Nossa, eu não me quero esquecer que o teu Sim e o teu Amor me ajudam a viver, e a dizer também o meu Sim à Palavra, ao projecto de Deus para mim. Ámen!

P. Hermínio Vitorino, sj (texto e foto do Monumento na Covilhã)

domingo, 5 de dezembro de 2010

II Semana de Advento


«Convertei-vos». E não se trata apenas de uma mudança de estilo, de um verniz religioso, mais ou menos acentuado, na árvore decorativa da nossa fé. Não. João Baptista diz outra coisa: Deus está aí. Está próximo. Mas é sempre um Deus a vir, um Deus, sempre em devir, sempre por vir, pronto, e mais uma vez, a chegar de vez. Mas a Sua vinda, só pode mudar a nossa vida, se nos convertermos a Ele.

O sonho do profeta

O lobo viverá com o cordeiro! Que ternura!
Queremos colocar na árvore o precioso fruto da ternura!

A pantera dormirá com o cabrito!
Queremos colocar na árvore o fruto amável da proximidade!

O bezerro e o leãozinho andarão juntos!
Queremos colocar na árvore o fruto saboroso da amizade!

E um menino os poderá conduzir.
Queremos colocar na árvore o fruto escondido da humildade!

A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado!
Queremos colocar na árvore o fruto tão necessário do acolhimento!

Como os animais acolhem as crias, como uma mãe acolhe uma criança!
O leão, tal como o boi, comerá feno.
Queremos colocar na árvore o fruto verdadeiro da partilha!

A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra!
Queremos colocar na árvore o fruto apetecido da felicidade!

O menino meterá a mão na toca da víbora.
Queremos colocar na árvore o belo fruto da harmonia!

Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo
monte!
Queremos colocar na árvore o fruto da Paz, sumo de todos os frutos!

O amor do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar.
Queremos colocar na árvore o fruto essencial do Amor!

(ABC da catequese - Homília)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

S. Francisco Xavier

São Francisco Xavier, (Xavier, 7 de Abril de 1506 - Sanchoão, 3 de Dezembro de 1552) foi um missionário cristão do padroado português e apóstolo navarro. Pioneiro e co-fundador da Companhia de Jesus, a Igreja Católica Romana considera que tenha convertido mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde São Paulo, merecendo o epíteto de "Apóstolo do Oriente". Ele exerceu a sua actividade missionária no Oriente, especialmente na Índia e no Japão. É o padroeiro dos missionários.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

«Caminhemos à luz do Senhor!» 1ª. Semana de Advento

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Podemos imaginar que o Advento é uma espécie de alerta «lilás», para manter a Igreja, em estado de “vigilância” permanente! Com este estado de alerta, vinte e quatro horas por dia, a Liturgia recorda-nos “o tempo em que estamos”, a oportunidade e a proximidade da salvação, que está na nossa mão. Deus está aí.
Ele é o Deus que se inclina e aproxima, é o “Deus-que-vem”: em cada dia, em todo o tempo e a qualquer hora. Oculto e na surpresa. De repente e de graça! E o que é preciso é «acordar», ter os olhos e os ouvidos do coração despertos para a sua presença, para a sua chegada, para a sua vinda, e a nossa vida, é “tempo favorável”, para O conhecer e acolher!

Temos o Advento inteiro, para «acolher e irradiar a luz»!
Na verdade, cada ser humano é uma janela, a esplêndida, a grandiosa janela de uma catedral. Mas o que é ou para que serve uma janela, se não houver luz? Por isso, acendemos a primeira vela da primeira janela da candeia de Advento, como quem caminha, desde já, à luz do Senhor! E como diz o profeta Isaías: «Caminhemos à luz do Senhor!» (Is.2,5).

Caminhemos, com esta Luz de vigia. Isto mesmo quis o Papa Bento XVI, ao convocar a Igreja, para iniciar este caminho de Advento, com uma vigília pela vida nascente. No fundo, trata-se também de um regresso ao essencial do mistério do Natal, pelo qual um Filho nos foi dado, como a Luz, que vindo a este mundo, ilumina todo o Homem! E, curiosamente, ou talvez não, por estes dias, é de outra luz, a «Luz do mundo», de que tanto se fala, a propósito de um livro que tem esse título. Aí Bento XVI surpreende-nos, de muitas maneiras, numa entrevista dada, ao jornalista alemão Peter Seewald. Ler e meditar este livro pode ser algo como que acender uma luz de vigia, para a minha noite!
As surpresas, como é evidente, estão onde menos se espera! Assim se faça luz! «Caminhemos à luz do Senhor!»! E sejamos luz para os outros!
Para terminar, peço para nós, como estrela e guia, a amável companhia da Família de Nazaré, que nos acompanha sempre!

P. Hermínio Vitorino, sj

domingo, 28 de novembro de 2010

ADVENTO: ESPERAR AQUELE QUE VEM

1. CRISTO VEM, VIRÁ. Nós acreditamos, temos fé na vinda de Cristo. Testemunhamos esta vinda com o nosso encontro de cada Domingo. É Ele que está no meio de nós e quem nos convoca e nos chama a todos a viver na unidade da mesma fé. Vivemos em Igreja…
E, contudo, a Liturgia do Advento, seguindo a Escritura nos remete para o ponto de partida, pois ela nos exorta a reviver em nós a esperança, a abertura Àquele que vem., a reviver a longa espera na fé que os patriarcas, os profetas viveram…Essa esperança enche todo a primeira Aliança, todo o Antigo Testamento. E isto vem ao encontro de tudo aquilo que somos nós. Não é verdade que vivemos insatisfeitos, sempre à procura de algo “novo” na nossa vida? Basta abrir os anúncios do “marketing” para vermos que essa verdade salta à vista. O marketing anuncia sempre o “novo” a novidade até nos presentes do Natal. Consumimos um novo produto…Os dias seguintes têm sempre sucesso…Na primeira leitura deste Domingo, a leitura de Isaías, os verbos estão todos no futuro: sucederá nos dias que hão de vir…converterão as espadas em relhas de arados…“ caminharemos à luz do Senhor... O Salmo 121 também nos fala do futuro…Vamos com alegria para a casa do Senhor…É a esperança do acesso ao homem novo de que nos fala Paulo: chegou a hora de nos levantarmos do sono…; revistamo-nos de Cristo Homem Novo…o Homem Terminal para onde caminhamos. Mas atenção: não somos nós que vamos a Ele. É Ele que vem a nós como Filho do Homem…Assim a nossa melhor atitude é a de Maria no momento da Anunciação: acolher Aquele que vem…Eis a escrava do Senhor. Fiat…

2. ESTAI PREPARADOS. Mas em que consiste esta preparação? Em nada de especial. S. Paulo por exemplo, para esta vinda, apenas prescreve a moral ordinária: evitando comezainas em excesso e o mesmo se diga da bebida… e Jesus nos fala dos trabalhos normais. Uns vão para os campos, outros para o moinho, outros para os trabalhos de casa, outros para o emprego. E então, o que devemos fazer de especial para preparar a vinda do Senhor? Apenas mudar de atitude. Podemos ir ao campo com atitudes diversas: para alimentar a família, para fazer dinheiro… Estas atitudes são compatíveis com a espera de Cristo. Se nós pensamos que estamos em Deus, mesmo sem pensar muito nisso, as nossas atitudes serão humanas e as atitudes humanas como o respeito pelos outros, o trabalho pelo bem comum ajuda-nos na preparação da Vinda do Senhor. Se o nosso desejo é são, podemos aceder a uma alegrai totalmente nova…Tudo em nós é bom, desde que o fundamentemos na fé d’ Aquele que é o Bem por excelência, o nosso Deus. E esta fé faz-nos subsistir no meio das maiores dificuldades

3. VIGIAI. A vinda do Senhor é inesperada. Assim nos fala Paulo na segunda leitura: “ chegou a hora de levantarmo-nos do sono, porque a salvação está próxima…” Paulo insiste sobre a proximidade da Vinda do Senhor e o Evangelho nos diz que a sua vinda não nos é anunciada por algum sinal especial. Compreendemos então que o “Paraíso”, a “vida eterna” não a devemos situar ao fim do nosso tempo, mas por cima ou por baixo de cada um dos nossos instantes de vida. Trata-se de pensar que há qualquer coisa de invisível em nós e que nos deve fazer ajoelhar diante desse invisível e pensar: é, por meio d’Ele que não estamos destinados a viver aqui uma vida em plenitude, embora saibamos que estamos sempre a caminho até atingir a meta (S. Paulo). Viver no amor…É o amor que nos funda. Se nós recusamos o amor, Cristo está ainda presente, mas crucificado por nós... e ressuscitado…É Cristo que está sempre à nossa porta e que nos recomenda a vigilância para lhe abrir a porta quando Ele bata…É sempre Advento. Na hora em que menos pensais vira o Folho do Homem. Ámen
P. José Augusto de Sousa, sj

domingo, 21 de novembro de 2010

Informações Úteis


O coro juvenil da catequese da nossa comunidade paroquial vai lançar um CD na próxima sexta-feira, dia 26. O evento terá lugar na nossa Igreja, S. Tiago, com início às 21:00. Apela-se à participação de todos neste acontecimento, não só relevante para a comunidade, mas particularmente para os elementos do coro da catequese.

      • A reunião geral de encarregados de educação prevista para o dia 25 de Novembro, foi adiada para o mês de Janeiro, em data a anunciar.
      • Tendo em conta o Plano Pastoral da nossa Diocese, para os próximos 3 anos, que tem como tema geral: “A Nova Evangelização a partir do Encontro vivo com Cristo e a Sua Palavra” e sabendo que, no Ano Pastoral 2010 – 2011, teremos o Evangelista S. Mateus como guia para aprofundarmos o seguimento de Cristo, informamos que, já na próxima quarta-feira, dia 24, recomeçará um grupo bíblico. Este será orientado pelo Padre Hermínio, com início às 16:00. Também está previsto iniciar (em Janeiro), um encontro mensal de estudo bíblico. A data será anunciada oportunamente.
      • No próximo sábado, dia 27 de Novembro terá lugar na sala de conferências Inácio de Loiola, uma actividade de formação subordinada ao tema: “Opção pelos mais Pobres” e será dirigida pelo Padre Paulo Teia, Padre jesuíta a trabalhar no Pragal, Almada. Esta actividade de formação é inserida na planificação anual da CVX (comunidades de Vida Cristã) Beira Interior, e aberta a todas as pessoas que quiserem participar. O encontro inicia às 9:30 e termina pelas 17:00. As pessoas que pretendam almoçar aqui, na comunidade, devem inscrever-se na secretaria.
      • Na secretaria da nossa comunidade encontram-se calendários de parede com imagens alusivas às actividades da catequese e outros Movimentos da nossa paróquia. Há 3 diferentes séries de calendários. Encorajamos a que passem pela secretaria e adquiram um ou mais.
      • No Barcarola está patente uma exposição sobre a 1ª República e os Jesuítas. O Barcarola encontra-se aberto depois das eucaristias e, se solicitado, no horário da secretaria.

      • O Centro de Saúde da Covilhã comunica que se encontra disponível a vacina anti-gripe. Esta vacina é gratuita para qualquer pessoa a partir dos 15 anos.

      Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo

      A CRUZ é o trono de um Deus que recusa qualquer poder. O Seu Reino é o da VERDADE, da VIDA, da JUSTIÇA e da PAZ.
      Por isso, diante diante dum Rei assim que dá a Vida por amor, só poedemos querer e desejar: aprender a Amar, Amar e ensinar a Amar.

      domingo, 14 de novembro de 2010

      LEVANTAI A VOSSA CABEÇA

      O Conflito; Mistério da Iniquidade; Inveja - ciúme.
      Há um conflito na História da Humanidade concretizado no conflito: homem - natureza, homem - mulher, homem - homem. Para Paulo, é o Mistério da Iniquidade presente no mundo e, para a Bíblia, este conflito tipifica-se no pecado de Adão e Eva, na acusação mútua e na morte de Abel pelo seu irmão Caim. É o conflito: inveja – ciúme, o da vontade de posse, de domínio e de se ser proeminente na sociedade, saltando sobre tudo e sobre todos. Tal conflito está sempre presente. Tudo se passa como se nós transportássemos para fora de nós mesmos a recusa d’Aquele que nos funda que é Deus.
      Jesus no Evangelho de hoje apresenta-nos este conflito como profecia e prelúdio do desmoronamento final daquilo que acontecerá. E, no entanto, não é preciso atirar para o futuro o que poderá acontecer. O que poderá acontecer está acontecendo no presente, como nos relata a imprensa de cada dia. Jesus faz a descrição destes acontecimentos: guerras, catástrofes naturais, doenças, fome, fome, perseguições… Trata-se sempre do drama da nossa fragilidade, essa fragilidade que desejaríamos ver terminada porque nos causa medo. Tudo exprime o nosso desejo desmedido de sermos como deuses, à imagem e semelhança do que aconteceu com o primeiro homem. E será assim até ao fim, porque em realidade, estamos implicados e não nos podemos colocar fora do jogo. Sacudidos por novas violência, não temamos recuar e meditar nesse conflito de sempre: inveja – ciúma para o superarmos.
      Deus connosco
      Mas não pensemos que estes males são castigo dos nossos pecados. Alguns textos parece que indiciam isso mesmo, mas em realidade, isto é apenas para nos assegurarem duma realidade maior. Deus não está ausente das nossas misérias. Não estamos abandonados a forças cegas…Levantai as vossas cabeças…Coincidência do paroxismo do mal com a acção libertadora de Deus. Deus, ao longo, da vida diz-nos: não vos preocupeis com a vossa defesa…nem um só cabelo da vossa cabeça cairá…
      Atirar a Deus fora? O véu do Templo rasgado e o lado de Cristo aberto
      Apesar das tentativas diversas de querermos atirar a Deus fora do nosso mundo, mesmo assim, encontramos a Cristo na cruz, vítima dos nossos pecados. Mesmo que tenhamos atentado tantas vezes em destruir o Templo do seu corpo, Ele ressuscita...
      Nem com o véu do templo rasgado e com o lado de Cristo aberto e dilacerado, nem assim atiramos a Deus fora do mundo, pois o véu do Templo rasgado e Cristo dilacerado escondem e significam o mistério do amor que se entrega até ao fim. Por nós, Cristo morre e o túmulo se fecha sobre ele, mas brilha o Sol de justiça para nós que queima os nossos vícios. Não acreditemos quando nos dizem: ele está aqui ou acolá, Cristo está em toda a dor humana. Não podemos, por isso, anunciar uma data para o fim do mundo. O fim está sempre connosco e nos circunda. São os últimos tempos, os do Emanuel, do Deus Connosco. Para chegar a crer verdadeiramente nisto, é necessário pôr de lado, todos os apoios e acreditar na Palavra. Os templos que nós construímos, caiem como caiu o Templo de pedra de Jerusalém e ficou o Novo Templo. Cristo Jesus.
      P. José Augusto Alves Sousa, sj

      XXXIII Domingo do tempo Comum


      Jesus anima-nos a olhar para a frente, a percorrer o Caminho que nos leva à felicidade verdadeira, construindo um mundo mais humano, mais cristão.

      TU

      Tu conheces a minha alma,
      Tu sabes tudo o que é preciso fazer nela.
      Fá-lo a teu modo.
      Atrai-me a Ti, Deus meu.
      Enche-me de puro amor por Ti.
      Não permitas que jamais
      me afaste do caminho do teu amor.

      Mostra-mo com clareza.
      Deixo tudo em tuas mãos.
      Não terei medo de nada,
      porque estarei sempre em tuas mãos
      e jamais Te deixarei
      e jamais me deixarás.

      Thomas Merton

      quarta-feira, 3 de novembro de 2010

      Celebração de Todos os Fiéis Defuntos (2 de Novembro)

      É uma profissão de fá na ressurreição de Cristo e de todos aqueles que creram em N’Ele. Animados por esta esperança, nós rezamos pelos defuntos, seja na Eucaristia, seja na Liturgia das Horas, na Oração Eucarística ou na Oração dos Fiéis. Aí podemos encontrar as seguintes orações ou pedidos, referindo-se aos defuntos:
      Admiti-os a gozar a luz do Teu Rosto”; “Acolhe-os no Teu Reino”
      Concede-nos a graça de nos reencontrarmos de novo e gozarmos para sempre da Tua Gloria”.
      É considerar a realidade da morte, na Igreja cristã, à luz da Fé e dos Evangelhos. É recomendar os defuntos à misericórdia de Deus, na esperança da Ressurreição.
      A comemoração do dia 2 de Novembro teve início por volta do ano 1000 por decisão de S. Odilone, Abade de Cluny, o qual estabeleceu que, no dia seguinte ao dia de Todos os Santos, se celebrasse a recordação ou comemoração de todos os fiéis defuntos. A ideia se espalhou rapidamente se espalhou pela Europa, mas Roma só a aceitou no Século XIV.
      O uso de celebrar três missas neste dia, foi introduzido pela primeira vez em Espanha, no século XVIII, e não se estendeu a toda a Igreja até ao Século XX, com o Papa Bento XV (1915).
      Actualmente, o Missal propõe, à escolha, três formulários de missa com novos textos e com um tom muito mais pascal mais Pascal, de Ressurreição do que os antecedentes, e oferece mais orações e mais leituras.
      S. Paulo diz-nos: “Se Cristo não tivesse ressuscitado a nossa fé seria em vão”. Por isso, só tem sentido celebrar este dia e rezar pelos nossos defuntos, com muita esperança em Deus, recordando a Ressurreição de Cristo e lembrando-nos que, um dia, Ressuscitaremos todos com Ele, para a “Vida em abundância” (para vida eterna), e para Maior Glória de Deus!
      P. Hermínio Vitorino, s.j.

      segunda-feira, 1 de novembro de 2010

      Dia de Todos os Santos – Veneração dos Santos

      O culto dos Santos iniciou-se, principalmente ao recordarem-se os Mártires, já a partir de Santo Estêvão. É lógico que a comunidade recorde os seus defuntos e, de um modo particular, os que mais se distinguiram pela sua vida de maior seguimento de Cristo e de fé.
      Já a partir do século II temos testemunhos de culto aos Mártires – principalmente no lugar onde morreram - e mais tarde noutros lugares em que já eram conhecidos. Sucessivamente se começou a venerá-los também nos lugares onde tinham vivido e no dia do seu aniversário de morte. Depois passou do culto local a passou ao culto universal, com devoções aos santos, venerações das suas relíquias, peregrinações, etc, como se faz ainda hoje.
      Santo é alguém que, na sua caminhada terrena, se aproximou mais de Deus, e que seguiu mais de perto e com maior fidelidade o Mestre, Jesus Cristo, dando a própria vida por Ele. Santo é alguém que é apresentado, pela Igreja, como modelo Evangélico, que chegou quase à perfeição total, na sua peregrinação terrena.
      O Concílio Vaticano II (1965), na sua Constituição Dogmática, Lumen Gentium, (ver n. 49-51) (um dos seus documentos), sobre a Igreja, recomenda o culto aos Santos. Ter devoção aos Santos ou honrá-los, significa antes de tudo honrar, louvar a Deus, o Todo-poderoso e Santo.
      Nas Orações Eucarísticas, na sagrada Escritura, etc, podemos ouvir expressões como a seguinte: “Sede Santos porque o Senhor Vosso Deus é Santo” (Lv 19,2); ler também 1 Cor1, 2.
      Os santos não se adoram, mas veneram-se. Honrar e venerar os Santos significa celebrar a vitória de Cristo sobre a morte e sobre o pecado. Os Santos são um dom do Espírito santo à Igreja. São também a glória e o modelo da Comunidade Eclesial, da Comunidade Cristã.
      No dia 1 de Novembro, celebramos a Festa de Todos os Santos, os canonizados pela Igreja e os não canonizados…
      As festas dos Santos mostram, proclamam as maravilhas que o Senhor fez no Seu Povo, e continua a fazer em nós, se lhe dermos espaço para tal, na nossa vida, no nosso coração.
      P. Herminio Vitorino s.j.

      sábado, 23 de outubro de 2010

      Mensagem de Bento XVI para o dia Mundial das Missões


      A construção da comunhão eclesial
      é a chave da missão
      Queridos irmãos e irmãs,
      O mês de outubro, com a celebração do Dia Mundial das Missões, oferece às comunidades diocesanas e paroquiais, aos Institutos de Vida Consagrada, aos Movimentos Eclesiais e a todo o Povo de Deus uma ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e atribuir às actividades pastorais uma ampla conotação missionária. Este evento anual nos convida a viver com intensidade os caminhos litúrgicos, catequéticos, caritativos e culturais, mediante os quais Jesus Cristo nos convoca à ceia de sua Palavra e da Eucaristia para saborearmos o dom de sua Presença, nos formarmos na sua escola e vivermos com mais consciência unidos a Ele, Mestre e Senhor. É ele mesmo que nos diz: “Quem me tem amor será amado por meu Pai, e eu o amarei e me hei-de manifestar a ele” (Jo 14,21). Somente a partir deste encontro com o Amor de Deus, que muda a existência, podemos viver em comunhão com Ele e entre nós, e oferecer aos irmãos um testemunho credível, dando razão da nossa esperança (cf. 1Pe 3,15).

      A fé adulta é a condição para poder fomentar um humanismo novo

      Uma fé adulta, capaz de se entregar totalmente a Deus em atitude filial, alimentada pela oração, pela meditação da Palavra de Deus e pelo estudo das verdades da fé, é a condição para poder promover um humanismo novo, fundamentado no Evangelho de Jesus.

      Ademais, em outubro, depois da pausa de verão, são retomadas as várias actividades eclesiais em muitos países, e a Igreja nos convida a aprender de Maria, mediante a oração do Santo Rosário, a contemplar o projecto de amor do Pai pela humanidade, para amá-la como Ele a ama. Não seria este também o sentido da missão?

      Com efeito, o Pai nos chama a ser filhos amados em seu Filho, o Amado, e a reconhecermo-nos todos irmãos Nele, Dom de Salvação para a humanidade, dividida pela discórdia e pelo pecado, e Revelador do verdadeiro rosto do Deus que “amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

      O compromisso e o anúncio evangélico são deveres da Igreja

      “Queremos ver Jesus” (Jo 12,21) é o pedido que, no Evangelho de João, alguns Gregos, ao chegar a Jerusalém para a peregrinação pascal, apresentam ao apóstolo Filipe. Ele ressoa também em nosso coração neste mês de outubro, que nos recorda que o compromisso e o anúncio evangélico são deveres de toda a Igreja, “missionária por natureza” (Ad Gentes, 2), e nos convida a sermos promotores da novidade de vida, permeada de relações autênticas, em comunidades fundamentadas no Evangelho. Em uma sociedade multiétnica cada vez mais sujeita a novas formas de solidão e de indiferença preocupantes, os cristãos devem aprender a oferecer sinais de esperança e a tornar-se irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e a empenhar-se, sem falsas ilusões ou inúteis temores, para fazer do planeta a casa de todos os povos.

      Como os peregrinos gregos de dois mil anos atrás, também os homens do nosso tempo, nem sempre conscientemente, pedem aos fiéis que não apenas “falem” de Jesus, mas “apresentem” Jesus, fazendo resplandecer o Rosto de Jesus em todos os cantos da terra diante das gerações do novo milénio e especialmente diante dos jovens de todos os continentes, destinatários privilegiados e actores do anúncio evangélico. Eles devem compreender que os cristãos assumem a palavra de Cristo, porque Ele é a Verdade, porque encontraram Nele o sentido, a verdade para suas vidas.

      Ser chamado a anunciar o Evangelho estimula as comunidades

      Estas considerações evocam o mandato missionário recebido por todos os baptizados e por toda a Igreja, que, porém, não se pode cumprir de maneira credível sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral. Efectivamente, a consciência de ser-se chamado a anunciar o Evangelho estimula não apenas os fiéis, mas todas as comunidades diocesanas e paroquiais a uma renovação integral e a abrir-se sempre mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de todas as pessoas, povos, culturas, raças e nacionalidades, em todas as latitudes. Tal consciência se alimenta através da obra dos Sacerdotes “Fidei Donum”, de Consagrados, de Catequistas, de Leigos missionários, numa tentativa constante de promover a comunhão eclesial, de modo que o fenómeno da “inter-culturalidade” possa também integrar-se num modelo de unidade em que o Evangelho seja fermento de liberdade e progresso, fonte de fraternidade, humildade e paz (cf. Ad Gentes, 8). A Igreja “é em Cristo como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano” (Lumen Gentium, 1).

      A comunhão eclesial nasce do encontro com o Filho de Deus, Jesus Cristo, que, no anúncio da Igreja, chega aos homens e cria comunhão com Ele mesmo, com o Pai e o Espírito Santo (cf. 1Jo 1,3). Cristo estabelece a nova relação entre o homem e Deus. “Ele nos revela que «Deus é amor» (1Jo 4, e nos ensina ao mesmo tempo que a lei fundamental da perfeição humana e, portanto, da transformação do mundo, é o novo mandamento do amor. Dá, assim, aos que acreditam no amor de Deus, a certeza de que o caminho do amor está aberto para todos e que o esforço por estabelecer a universal fraternidade não é vão” (Gaudium et Spes, 38).

      Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária

      A Igreja torna-se “comunhão” a partir da Eucaristia, em que Cristo, presente no pão e no vinho, com o seu sacrifício de amor edifica a Igreja como seu corpo, unindo-nos a Deus uno e trino e entre nós (cf. 1Cor 10,16s).

      Na Exortação Apostólica “Sacramentum Caritatis” escrevi: “Não podemos reservar para nós o amor que celebramos no Sacramento. Faz parte da sua própria natureza ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de Deus, é de encontrar Cristo e acreditar Nele” (nº 84). Por isso, a Eucaristia é fonte e ápice não só da vida da Igreja, mas também da sua missão: «Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária» (ibid.), capaz de levar todos à comunhão com Deus, anunciando com convicção: “o que vimos e ouvimos, nós agora o anunciamos a vocês, para que estejam em comunhão connosco” (1Jo 1,3).

      Caríssimos, neste Dia Mundial das Missões, que nos leva a estender o olhar do coração sobre os imensos espaços da missão, sentimo-nos todos protagonistas do compromisso da Igreja em anunciar o Evangelho. O impulso missionário sempre foi sinal de vitalidade para as nossas Igrejas (cf. Encíclica Redemptoris Missio, 2) e a cooperação de umas com as outras é um testemunho singular de unidade, fraternidade e solidariedade, e que torna credíveis os anunciadores do Amor que salva!

      Gestos de amor e de partilha

      Renovo, portanto, a todos o convite à oração, ao compromisso de ajuda fraterna e concreta em apoio às jovens Igrejas, não obstante as dificuldades económicas. Tal gesto de amor e de partilha, implementado pelo precioso serviço das Obras Missionárias Pontifícias, às quais manifesto a minha gratidão, vai ajudar à formação dos sacerdotes, seminaristas e catequistas nas mais distantes terras de missão e dar coragem às jovens comunidades eclesiais.

      Como conclusão desta mensagem anual para o Dia Mundial das Missões, desejo expressar, com particular afecto, o meu reconhecimento aos missionários e às missionárias que testemunham nos lugares mais distantes e difíceis, muitas vezes também com a vida, o advento do Reino de Deus. Para eles, que representam a vanguarda do anúncio do Evangelho, peço a amizade, a proximidade e o apoio de todo os fiéis. “Deus, (que) ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7) vos encha de fervor espiritual e de profunda alegria.

      Nova maternidade apostólica e eclesial

      Como o “sim” de Maria, toda a resposta generosa da Comunidade eclesial ao convite divino para amar os irmãos, suscitará uma nova maternidade apostólica e eclesial (cf. Gl 4,4.19.26); esta, abrindo-se à surpresa do mistério de Deus amor, o qual, “ao chegar a plenitude dos tempo… enviou o seu Filho, nascido de uma mulher” (Gl 4,4), será fonte de confiança e de audácia para os novos apóstolos. Tal resposta tornará todos os fiéis capazes de serem “alegres na esperança” (Rm 12,12) ao realizarem o projecto de Deus, que deseja “a congregação de todo o género humano no único povo de Deus, a sua união no único corpo de Cristo, a sua edificação no único templo do Espírito Santo” (Ad Gentes, 7).

      Vaticano, 6 de Fevereiro de 2010

      segunda-feira, 18 de outubro de 2010

      XXIX Domingo do tempo Comum


      A fé não é autêntica nem se mantém
      se não se alimentar, amadurecer e crescer,
      tanto pela oração como pelo necessário compromisso
      com o mundo, com a vida e com a justiça.
      A fé é um dom e uma tarefa.
      Talvez não unamos com frequência fé e justiça.
      Talvez nos seja mais fácil unir fé e sacramentos,
      fé e actos de piedade, fé e religião.
      Talvez precisemos de convencer-nos
      de que o fundamental da fé é a justiça.

      “Não se pode viver a fé
      sem um compromisso com a justiça” (Pedro Arrupe)

      domingo, 10 de outubro de 2010

      XXVIII Domingo do tempo Comum


      Introdução:
      Vivemos num mundo em que a vida humana ficou transformada num grande comércio, onde quase tudo se compra, vende, paga ...
      Diante dessa realidade, muitos perderam o valor da GRATUIDADE e da GRATIDÃO.
      A libertação, a cura que Jesus põe em marcha é a sua própria pessoa: o seu amor apaixonado pela vida, o seu acolhimento entranhável por cada enfermo, a sua força para regenerar a pessoa a partir das suas raízes, a sua capacidade de contagiar a sua fé na bondade de Deus…
      A cura que suscita a chegada do reino de Deus é gratuita, e assim a terão que oferecer também os seus discípulos”.
      No evangelho de hoje, Jesus fala-nos da compaixão, da gratuidade do agradecimento…

      Reflexão: Lc 17,11-19
      Os judeus desprezavam os leprosos, consideravam-nos impuros, tanto legal como religiosamente, e eram expulsos da comunidade civil e do culto. Deviam viver em lugares isolados, para não contaminar as outras pessoas. Sofriam marginalização moral, social e religiosa.
      Os leprosos judeus admitem no seu grupo um leproso samaritano. A dor irmana-os.
      Jesus aproxima-Se deles e eles aproximam-se de Jesus, apesar do impedimento da lei.
      Todos imaginamos que o encontro com Jesus foi benéfico para eles.
      Suscitamos, nós cristãos, nas pessoas marginalizadas e rejeitadas, a confiança e a esperança que encontravam em Jesus? Aproximamo-nos delas? Com que atitude?

      A cura dos 10 leprosos não se realiza logo, mas enquanto iam a caminho.
      O Evangelho de hoje mostra o contraste entre a lei e a fé. Dos dez leprosos, nove limitam-se a cumprir a lei, permanecem no velho e caduco sistema de vida anterior.

      O seu coração não mudou.
      Só um deles, o impuro e pagão, vê que está curado, não necessita que ninguém certifique a sua cura, interrompe o velho caminho para o templo, converte-se e volta glorificando a Deus e agradecendo-lhe!

      Jesus disse ao samaritano que tinha sido curado:
      “ Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou”. Jesus não diz: “Eu te salvei”.
      A fé, que vê e agradece, torna possível a cura integral.
      As palavras de Jesus “levanta-te”, “põe-te em pé”, são um convite ao seu seguimento.
      Como o samaritano, devemos “levantar-nos e andar”, actuar de acordo com o amor gratuito recebido, mostrando-o, de maneira especial, a todas as pessoas que o sistema social e religioso rejeita e marginaliza.
      P. Hermínio Vitorino, s.j. (Adaptação)

      ORAÇÃO DE UMA LEPROSA
      Tu, Senhor, vieste, pediste-me tudo e eu tudo Te entreguei.
      Gostava de ler, e agora estou cega.
      Gostava de passear pelo bosque
      e agora as minhas pernas estão paralisadas.
      Gostava de apanhar flores, sob o sol da primavera,
      e agora não tenho mãos.
      Olha, Senhor, como ficou o meu corpo, outrora tão belo.
      Mas não me revolto.
      Dou-Te graças. Dar-Te-ei graças por toda a eternidade, porque,
      se morrer esta noite, sei que a minha vida foi maravilhosamente plena.
      Vivi o Amor e fiquei muito mais cheia de tudo
      quanto o meu coração pôde ansiar.
      Pai, que bom foste com a tua pequen Verónica..!
      Esta noite, Amor meu, Te peço pelos leprosos do mundo inteiro.
      Peço-Te, sobretudo, por aqueles a quem a lepra moral abate,
      destrói, mutila e destroça.
      É sobretudo a eles que eu amo e pelos quais me ofereço em silêncio,
      porque são meus irmãos e irmãs.
      Ofereço-Te a minha lepra física para que eles não conheçam o tédio,
      a amargura e a frieza da lepra moral.
      Sou tua filha, meu Pai;
      leva-me pela mão como uma mãe leva o seu filhito.
      Aperta-me contra o teu coração como um pai faz com o seu filho.
      Faz-me entrar no abismo do teu coração, para habitar nele,
      com todos aqueles que amo, por toda a eternidade.
      Verónica

      sábado, 9 de outubro de 2010

      Os jesuítas e a implantação da República

      Após a expulsão pombalina de 1759, os jesuítas só voltaram a Portugal em 1829, numa curta permanência interrompida em 1834, desta vez da responsabilidade do governo liberal. O ano de 1858 assistiu um novo reinício, com a abertura do Colégio de Campolide, em Lisboa, por iniciativa do P. Carlos Rademaker, figura central do regresso da Companhia de Jesus a Portugal. Consolidada gradualmente esta presença, a Província Portuguesa da Companhia de Jesus foi oficialmente restaurada em1880, quando os seus membros eram 137: 49 sacerdotes, 38 irmãos e 50 estudantes.

      Em 1910, ano da implantação da República, a Província Portuguesa contava com 360 jesuítas, dos quais 147 eram sacerdotes, 112 irmãos e 101 estudantes. Todas as actividades que desenvolviam, nomeadamente na educação, formação espiritual, investigação científica, publicações e missões, foram interrompidas violentamente quando, em Outubro de 1910, pela terceira vez na sua história em Portugal, a Companhia de Jesus foi perseguida e privada dos seus bens, vendo
      todos os seus membros desterrados.

      O ambiente que propiciou a expulsão, mal a República foi instaurada, tinha lançado raízes muito antes. O centenário da morte do Marquês de Pombal, em 1882, havia sido convenientemente aproveitado para uma campanha contra a Companhia de Jesus e ligas anti-jesuíticas tinham-se formado por todo o País, na sequência de outros ataques à Igreja. Em 1901, o governo pretendeu regular a presença dos institutos religiosos, determinando que nenhuma associação de carácter religioso pudesse funcionar sem prévia autorização do governo, ao qual deveriam ser apresentados os estatutos pelos quais a associação pretendesse reger-se. Nesta contingência, as comunidades religiosas trataram de organizar estatutos em conformidade com as indicações governamentais. As casas da Companhia de Jesus, em Portugal e nas missões, passaram a funcionar como estabelecimentos da Associação Fé e Pátria e os respectivos estatutos foram aprovados e publicados no Diário do Governo. Esta cobertura legal revelou-se, no entanto, insuficiente. Em Lisboa, os jornais O Século, O Dia e O Mundo, e, no Porto, O Primeiro de Janeiro ecoavam a campanha contra os jesuítas o que levou o P. Luís Gonzaga Cabral, Provincial, a advertir os seus súbditos para o perigo iminente, em carta de 8 de Setembro de 1910. Dias depois, começaram, por ordem do governo, inquéritos em diversas casas: Noviciado do Barro, Colégio de Campolide e comunidade da Rua do Quelhas, em Lisboa, que foi dissolvida a 3 de Outubro de 1910. O corolário foi já da responsabilidade do governo provisório da República que, a 8 de Outubro de 1910, restaurou a lei pombalina de 3 de Setembro de 1759. Alguns jesuítas conseguiram de imediato refugiar-se em Espanha mas muitos outros foram encarcerados. Depois de algumas semanas na prisão, no dia 4 de Novembro de 1910, estava consumada, mais uma vez, a expulsão dos jesuítas de Portugal.

      A política do P. Luís Gonzaga Cabral, após a expulsão, teve duas vertentes: em primeiro lugar, conservar na Europa o núcleo central da Província, constituído pelas casas de formação e algumas residências; em segundo lugar, reforçar o pessoal da missão de Goa, cujas casas se podiam manter por se encontrarem em território de domínio inglês; ao mesmo tempo, procurou novos campos de actividade, principalmente no Brasil, onde foi fundada a missão do Brasil Setentrional com sede em Salvador da Baía. Significativamente, o exílio não foi impedimento para que a Província Portuguesa da Companhia de Jesus mantivesse e até aumentasse os seus efectivos: eram 380, em 1925, com 179
      sacerdotes, 84 irmãos e 117 estudantes.

      Passado o ímpeto persecutório, começaram a reabrir-se cautelosamente, em Portugal, algumas residências: Póvoa de Varzim, em 1923; Lisboa e Braga, em 1925; Porto, em 1927; e Covilhã; em 1929. As casas de formação e o Instituto Nun’Alvres, então em La Guardia, na Galiza, regressaram em 1932. A Constituição de 1933 e o decreto de 12 de Maio de 1941 que, na sequência da Concordata de 1940, reconheceu a Companhia de Jesus como corporação missionária, viriam normalizar a situação jurídica dos jesuítas em Portugal que, ao longo dos anos quarenta e cinquenta, se fixaram nos locais que, substancialmente, ainda hoje mantêm.
      Padre Nuno da Silva Gonçalves S.J.

      domingo, 19 de setembro de 2010

      XXIV Domingo do tempo Comum

      O Administrador infiel

      Esta Parábola deixa-nos baralhados. Como é que o Senhor pode admirar este Administrador desonesto, poderíamos até dizer, aldrabão? Com efeito, depois do relato em que há uma desonestidade flagrante, Jesus conclui, elogiando o Administrador, ou seja: “deve ser imitado”. Esperávamos uma conclusão diferente de Jesus em relação aos seus discípulos, isto é, Jesus devia dizer-lhes “não vos comporteis como este Administrador desonesto, matreiro, mas sede honestos”. Contudo, muita atenção: Jesus não aprova o que fez o Administrador mas elogia o modo como o fez. Mesmo assim, a parábola tem a sua dificuldade. Como se pode propor; como modelo, uma pessoa desonesta?
      Antes de responder mais directamente a esta dificuldade, poderíamos enumerar este princípio que ressalta da leitura da Parábola: se Jesus elogia este administrador, não significa que está de acordo com o que ele fez. Interpretando a Parábola, confirma-se isso mesmo e, então, deveríamos chamar-lhe: a parábola do Administrador, astuto, espertalhão, em vez de infiel. O Administrados foi esperto, porque compreendeu no que devia apostar: não nos bens, ou seja, naquilo a que tinha direito pelo seu trabalho e diligência na administração dos bens que o senhor lhe havia confiado, mas em arranjar amigos. Com efeito, os devedores deviam 400, 200…ao seu senhor e ele tinha direito a 50 por cento, porque fez que os devedores pagassem a dívida. Mandou, por isso, que cada devedor entregasse só o que era devido ao senhor e ele renunciou ao que era seu e disse aos devedores para ficarem com ele. Por isso, merecia ser premiado. Mas ele renuncia ao prémio em favor dos devedores. Deixa, pois, que eles fiquem com o que lhe pertencia pelo seu trabalho e não o entregam ao seu senhor. A Parábola devia pois chamar-se o Intendente astuta, matreiro e não o Administrador infiel. E a conclusão é: Jesus quer fazer-nos compreender que os tratantes deste mundo, ou seja, os filhos deste mundo são mais espertos nas suas malvadezes do que os filhos da luz, isto é, do que nós próprios na nossa vida de fé e nos meios que utilizamos para a cultivar
      Recapitulação da Parábola:
      Não é possível dizermos aos cristãos que imitem este Administrador. A primeira coisa que há a dizer é que o Senhor não admira nele nem admite a desonestidade, mas a sua habilidade para gerir os negócios.
      Não podemos servir a Deus e ao dinheiro, porque neste caso, seria fazer do dinheiro um equivalente a Deus, um ídolo. O dinheiro não é aquilo a que devemos servir, mas aquilo de que nos devemos servir para servir a Deus e aos Irmãos e para nosso bem: para arranjarmos amigos que nos recebam nas tendas eternas. Neste caso, vale a pena lutar para o adquirir.
      Não devemos pôr a nossa confiança no dinheiro que é enganador Muitas vezes, confiamos no dinheiro para provarmos que somos alguma coisa na sociedade. Duvidamos que assim seja e por isso compramos o prestígio com o dinheiro. Ora, nós somos apenas alguma cosa confiados ao Amor que é Deus. Esta fé no Amor nos dá uma grande paz. “Tudo posso nAquele que me conforta”. “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”. O dinheiro é bom, mas se não temos cuidado pode transformar-se num instrumento para explorarar os mais fracos, como se vê na leitura de Amós. Deus no Centro e tudo o resto é utilizado para nos conduzir a Ele.

      P. José Augusto Alves de Sousa S.J.

      domingo, 12 de setembro de 2010

      AFTER BEN – “O Amanhã que nos espera”

      Para aprofundar a visita que o Papa Bento XVI fez a Portugal os jesuítas (Padres e Irmãos) organizam um grande encontro de juventude intitulado “AfterBen”, ou seja, depois de Bento XVI.
      A pastoral juvenil da Companhia de Jesus fez-se presente na visita do Papa Bento XVI em Lisboa e em Fátima através do Eu Acredito (movimento notável de comunhão eclesial entre Schoenstatt, as Equipas de Jovens de N. Senhora, a Pastoral Juvenil do Patriarcado e os Jesuítas) e na organização, através do Centro Universitário Creu-il, da vigília de oração prévia à missa com Papa no Porto.
      À inesquecível visita do Papa, segue-se agora a vontade de conhecer e assimilar as suas palavras sábias e acutilantes e os seus gestos humildes e proféticos. Assim, seguindo o desejo do próprio Santo Padre “que a minha visita se torne num renovado incentivo apostólico”, reforçado posteriormente pelas palavras dos nossos Bispos, a pastoral juvenil dos jesuítas mete “mãos á obra” e convida todos os jovens que quiserem, em particular os que estão ligados à espiritualidade inaciana, a encontrarem-se no colégio de Cernache, perto de Coimbra, nos próximos dias 1, 2 e 3 de Outubro para inspirados pela visita do Santo Padre sonharem sem medo o futuro da Igreja e do mundo.

      Assim, l a 3 de Outubro próximo terá lugar, no Colégio dos Jesuítas de Cernache – Coimbra, um Mega-Encontro de Jovens, dos 16 aos 30 anos, e intitula-se: "AfterBen" (depois de Bento XVI). Os jovens interessados em participar nesta actividade, devem contactar o Padre Hermínio Vitorino, (email: vitorino66@gmail.com) ou para a Paróquia, (telefone: 275 086 549) para que tudo se possa organizar e possamos estar presentes nesse grande encontro.

      Mais informações e acesso ao programa, consulta o site: http://www.afterben.com

      XXIV Domingo do tempo Comum



      quarta-feira, 8 de setembro de 2010

      NATIVIDADE DA VIRGEM MARIA

      Giovanni da Milano

      Evangelho de S. Mateus 1,18-23

      A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela acção do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria em segredo. Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de David, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela acção do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está connosco”.


      Hoje celebramos liturgicamente o nascimento de Maria de Nazaré, mãe de Jesus e nossa mãe. É uma oportunidade de agradecer o dom da vida e agradecer, de um modo particular, o dom de Maria de Nazaré pela qual veio ao mundo Jesus Cristo, Senhor dos vivos e dos mortos.
      O nascimento de Maria foi motivo de esperança para o mundo inteiro: “Ela vem ao mundo e com Ela o mundo é renovado. Ela nasce e a Igreja reveste-se da Sua beleza” (Liturgia Bizantina).
      - Tenho consciência de que a Mãe de Jesus é também a minha mãe? Ela é a grande intercessora junto de Deus, porque Ele assim o quis.
      Foi no momento de grande amor, na cruz, antes de morrer, que Jesus nos entregou a Sua mãe e nos entregou à Sua mãe.
      “Não temas!” Diz o Anjo a José. Não temas diz-nos Deus a nós! Não temas porque o nosso Deus é um Deus atento às nossas necessidades e nos protege todos os dias e em todas as horas. Entrega-te tal como Maria e nada te perturbará nunca.
      Convidamos cada pessoa a reler este Evangelho e a meditá-lo, deixando-se tocar e embalar pela ternura e beleza do Nascimento de Jesus. Que o Senhor derrube as barreiras e muros que fomos construindo ao longo dos anos e que nos impedem de sentir no coração tanta delicadeza, ternura e Amor de Deus por nós.
      Terminemos a nossa reflexão felicitando a Mãe do Salvador, e nossa mãe, pelo seu aniversário Natalício. Peçamos a graça de, à Sua semelhança, colaborarmos generosamente na Salvação do Mundo.
      DEUS CONOSCO (EMANUEL), está connosco pela mão de Maria.
      Assim, podemos concluir a nossa reflexão, rezando três Avé-Marias.

      P. Hermínio João Vitorino, s.j.
      (Fonte: passo-a-rezar.net)

      quarta-feira, 1 de setembro de 2010

      terça-feira, 31 de agosto de 2010

      Informações Úteis

      • Na próxima quarta-feira, dia 1 de Setembro, iniciam as inscrições para o ano catequético 2010/2011. As inscrições terminam no dia 1 de Outubro. Recorda-se a todos os encarregados de educação que desejam inscrever os seus educandos na catequese em S. Tiago, que as inscrições são obrigatórias para todos, incluindo os catequizandos que já estão a frequentar a catequese.
      • Também durante o ano pastoral que agora inicia, será proporcionada catequese de adultos dirigida a todas as pessoas que frequentaram a catequese enquanto jovens, mas por qualquer motivo não completaram o percurso catequético. Assim, as pessoas adultas, não crismadas, e desejam prepara-se para receber o sacramento do santo Crisma, devem fazer a inscrição na secretaria. Os encontros temáticos serão semanais e iniciam na 3ª semana de Outubro, em data a anunciar.

      quinta-feira, 5 de agosto de 2010

      O VERÃO E AS FÉRIAS ESTÃO AÍ


      Jesus diz a Marta que ela anda inquieta e perturbada, mas não lhe diz que ela trabalha de mais. No fundo, Jesus pergunta a Marta: Porque tens uma vida agitada? (Lc 10,38-42). Marta não tem uma unidade de vida, anda dispersa, demasiado preocupada. Marta está, talvez, preocupada porque tem medo de perder o prestígio, o seu êxito... É o MEDO DE PERDER a sua boa imagem... O ideal está em Maria, na sua UNIDADE DE VIDA, na sua concentração no essencial da vida.

      O stress é uma vertigem louca do mundo que desgasta e coloca a pessoa em grande e contínua agitação exterior e interior, porque o stress não vem só do muito a fazer, mas também da inquietação e perturbação interior, da falta de paz, de harmonia e de unidade cá dentro do nosso coração frágil. O não viver concentrado (com unidade) no que fazemos, pode ser causa de mais stress do que a própria quantidade de trabalho em si.

      Por vezes sentimos, vivemos ou gostaríamos de viver numa pressa interior e exterior, que não é possível, que não é saudável e que não ajuda a ter uma vida de qualidade e com verdadeiro sentido. O nosso ritmo interior pode não corresponder ou não estar em sintonia com o nosso ritmo exterior ou vice-versa, e isso pode trazer-nos, em certas situações, alguma angústia, dispersão ou divisão. Essa pressa interior ou exterior, quase sempre, para não dizer sempre, vai em direcção oposta ao viver o presente de Deus e a presença de Deus, na nossa vida quotidiana.

      É necessário fazer um esforço em procurar a unidade de vida entre as nossas inquietações e desafios da vida, sendo contemplativos na acção caminhando com Jesus. A unidade de vida de cada um de nós passa muito por este encontro e diálogo de vida com Jesus, mesmo durante as férias.

      Ele quer ir comigo para férias, quer passear comigo, caminhar ao meu lado para podermos dialogar com mais calma e com mais tempo. Jesus quer interrogar-me e conhecer-me melhor, para me poder ajudar mais e mais. E quer também dar-se a conhecer, para me contagiar com a Sua generosidade, gratuidade, olhar positivo e cheio de esperança sobre o mundo…

      Não deixemos Jesus sozinho e “fechado em nossa casa ou no sacrário”, mas levemo-Lo, no íntimo do nosso ser, para onde formos de Férias. Ele é um bom companheiro de viagem e um bom guia, embora “não tenha nenhuma agência de viagens”! É Ele quem nos diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”. (Mt 11,28). Então, o que esperamos? Reservemos uma viagem e um quarto para Ele ou, porque não, partilhemos o nosso quarto com Ele!

      BOAS FÉRIAS COM ELE!
      P. Hermínio Vitorino, s.j.

      sábado, 31 de julho de 2010

      Santo Inácio de Loyola


      A 31 de Julho celebramos o dia de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, ordem religiosa a que pertencem os padres jesuítas da Igreja de S. Tiago. Quem conhece a história deste grande homem e santo do século XVI, dificilmente ficará alheio ao legado que deixou à Igreja e ao mundo do seu tempo. De facto, Santo Inácio de Loyola, só porque permitiu que Deus o trabalhasse como barro nas mãos do oleiro, deixou um rico tesouro espiritual que nos nutre espiritualmente e marca o nosso modo próprio de ser Igreja. Por isso, celebrar Santo Inácio de Loyola não significa olhá-lo como relíquia do passado, mas, sim, reconhecê-lo no presente através da espiritualidade que nos legou, cujo carisma nos caracteriza e identidade nos define. Este modo de acolher e viver o Evangelho torna a espiritualidade inaciana sempre actual. De facto, em Inácio de Loyola foi notável o modo como descobriu Deus no meio de contratempos, sofrimentos e paradoxos da vida. Mais: Inácio de Loyola ficou para a história como o homem do Magis (mais). Mas ele, ao descobrir o Magis reconheceu-se como discípulo, ouvinte, disponível para aprender e fazer caminho. Sim, Inácio descobre-se pequenino, mas com os olhos fixos no Magis que o remete para Deus. Esta vivência espiritual só foi possível na medida em que ele descobriu e saboreou o essencial da vida. De facto, a espiritualidade que nos deixou está recheada de ‘essencial’. Face ao essencial, tudo passa: passam as pessoas, os tempos e as vontades, passam as culturas, as modas e as mentalidades, mas o carisma e a proposta espiritual de Inácio de Loyola não passa, porque radica no essencial e o essencial para santo Inácio consiste em encontrar e conhecer Jesus intimamente.
      No termo deste ano pastoral, desejamos que tenha sido este o mote inspirador: conhecer internamente a Jesus em tudo o que fizemos, fomos, vivemos e construímos. Não pode haver outra motivação para tudo o que fomos e nos juntou como comunidade. Se assim não fosse, não falaríamos a mesma linguagem, não seriamos guiados pelo mesmo Espírito, não nos alimentaríamos da mesma mesa, a mesa da fracção do pão. Agradecemos a Deus o ano que vivemos, pedimos-Lhe perdão e uns aos outros por nem sempre sermos pessoas de fé. Agradecemos-Lhe o passado, reconhecemo-Lo no presente como ‘Presente’, e confiamos-Lhe o futuro; um futuro cheio de esperança, ânimo e desejo de construir. Desejamos e pedimos-Lhe que cada vez mais, Ele purifique as nossas motivações. Que a espiritualidade inaciana nos inspire a sermos mais fieis, mais simples e mais dóceis a Deus e à Igreja a que pertencemos. E que tudo seja AMDG (Ad Majorem Dei Gloriam - para maior glória de Deus).


      Padre Francisco Rodrigues, s.j.

      Festa de Santo Inácio de Loyola


      Como tem acontecido em cada ano, no dia 31 de Julho, celebramos comunitariamente a Festa de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, Ordem a que pertencem os Padres Jesuítas responsáveis por esta comunidade paroquial.

      Assim, pelas 11:00 será celebrada eucaristia em acção de graças presidida pelo Sr. Bispo, D. Manuel Felício. No fim da eucaristia será servido um almoço, no hall de entrada, junto ao Barcarola.

      Oração

      Tomai, Senhor, e recebei
      toda a minha liberdade, a minha memória,
      o meu entendimento e toda a minha vontade,
      tudo o que tenho e possuo;
      Vós mo destes; a Vós, Senhor, o restituo.
      Tudo é vosso, disponde de tudo,
      segundo a vossa inteira vontade.
      Dai-me o vosso amor e graça,
      que esta me basta.

      (Inácio de Loyola)

      domingo, 18 de julho de 2010

      XVI Domingo do tempo Comum



      Marta ou Maria?

      Santo Agostinho diz que, como Bispo, se esforçava ao mesmo tempo por ser Marta e Maria. Não podemos contrapor estas duas mulheres como se uma vivesse na ilusão e a outra na verdade. Marta, somos todos nós, quando trabalhamos mergulhados na agitação que gera a inquietação. “Marta Marta porque te inquietas…” Esta inquietação pode provocar o medo e provém da falta de fé na Palavra, aquela que é Boa Nova e que nos estabelece na Paz.. Em definitiva, devemos assumir as ocupações de Marta, desde que não façamos de nossa vida um monte de deveres e que tenhamos a atitude de Maria. A visita de Jesus aparecia a Marte como um desencadear de deveres para servir bem, melhor dizer para “ficar bem” com Jesus. Satisfação própria?..Ora Jesus não veio para ser servido, mas para servir e para nos anunciar uma Boa Nova. Essa Boa Nova acolhemo-la como Palavra (Ele próprio) como fez Maria. Caso para dizer que, muitas vezes, nas nossas Eucaristias estamos tão preocupados que tudo saia tão bem que descuramos sentarmo-nos e ouvirmos Jesus na atitude de Maria. Marta queria alimentar Jesus, Mas Jesus está a caminho de Jerusalém e é Ele que vai morrer para se dar em alimento e em bebia pela partilha da sua Palavra e do seu Pão. Sentemo-nos como discípulos aos pés de Jesus como fez Maria. Servir como Marta, mas sem faltar a atitude de Maria. Sem colocar de lado a Cristo, mas permanecer em atitude de escuta permanente e permeabilidade à sua Palavra.
      Aquela que se opõe a Maria não é Marta mas Eva que no Capítulo 3º do Génesis recusa crer na Palavra que lhe foi dita para abraçar a palavra da mentira, a palavra que a introduziu no medo de Deus. Ora o Deus que mete medo não é Deus é um ídolo !... A pobre da Marta acreditava no seu Senhor, só que teve de purificar a sua fé… nós? Quem somos? Marta ou Maria?

      P. José Augusto Alves Sousa

      domingo, 11 de julho de 2010

      XV Domingo do tempo Comum


      Não tinha portagens, nem o 112 funcionava por ali, para responder a qualquer emergência. O traçado da estrada, que vai de Jericó a Jerusalém, é sinuoso arriscado, mostraram duas direcções diferentes, no mesmo caminho:

      1. Primeiro, a direcção circular dos que giram e vivem a partir de si e para
      si, seguindo espontaneamente os seus desejos, projectos e instintos. É o
      caso dos ladrões ou o caso dos sacerdotes e levitas… e não vale a pena sujar as mãos.
      Todos estes vêem o pobre Homem a partir de si. E é porque vêem assim, que passam ao lado. Estes só conhecem o sinal de sentido único: o do seu próprio interesse e satisfação!

      2. Ao contrário, há um homem que vai noutra direcção: a dos que se vêem
      e revêem, a dos que vivem, para o outro e a partir do outro. É o caso de
      um samaritano, que estava de viagem. Ele chega a Deus, desviando-se, para o próximo.
      O samaritano não vê primeiro, para só depois se aproximar. Ao contrário, ele aproxima-se primeiro, para depois começar a ver. (ver e aproximar-se…) O meu próximo é aquele de quem eu sou capaz de me aproximar. É precisamente porque se aproxima, que o Bom Samaritano vê e se compadece. Para ele o “outro” goza sempre de prioridade, na estrada da sua vida. Porque «escuta» alguém, na berma da estrada, o bom samaritano dispõe-se a pagar a estalagem, como portagem!
      O samaritano olha o outro, mesmo que impotente e caído, já meio-morto e por isso calado, e percebe na sua indigência, um grito que chama pelo seu nome e o responsabiliza.

      3. «Vai e faz o mesmo» (Lc 10, 37), disse Jesus. «Façamos então nosso o estilo do bom samaritano» - exortava-nos o Papa, no passado dia 13 de Maio em Fátima, no seu Discurso às organizações da Pastoral Social!
      E Bento XVI deixou-nos o desafio:
      «Aproximemo-nos das situações carentes de ajuda fraterna! E qual é esse estilo?
      «É o de "um coração que vê". Este coração vê onde há necessidade de amor e age de acordo com isso» (Deus caritas est, 31). Assim fez, de facto, o bom samaritano».

      4. Eis uma parábola actualíssima, no contexto de grave crise social, em
      que vivemos. Há, pela certa ,“situações gritantes”, Há situações de abandono e de quase morte, sem ruído e sem protesto, que silenciosamente chamam por mim. E “ser”alguém é responder a este grito de salvação, estender a mão e abrir o coração. Disto não depende apenas a vida do outro. Depende a minha própria vida também, como disse Jesus: “Faz isto e viverás” (Lc.10,28)! Se não fizermos nada, gritarão as pedras e a revolta dos miseráveis nos assaltará sem piedade!

      5. Mas – como disse o Papa “Jesus não se limita a recomendar!
      O Bom Samaritano é Ele próprio, que Se faz próximo de todos os homens e «derrama sobre as suas feridas o óleo da consolação e o vinho da esperança»”
      (do prefácio VIII do tempo comum "Cristo passou fazendo o bem e assim
      fez o bom samaritano).
      Cristo quer fazer da Igreja a tal "estalagem, para onde conduzir os frágeis e feridos deste tempo, para aí os fazer tratar, confiando-os, aos seus ministros, e pagando pessoalmente de antemão pela cura». Assim, «o amor incondicionado de Jesus que nos curou há-de converter-se em amor entregue gratuita e generosamente através da justiça e da caridade, para vivermos com um coração de bom samaritano” (Bento XVI, Discurso, Fátima, 13.05.2010).
      O homem meio-morto, não está longe, nem apenas a teus pés.
      Está perto de ti! Está nas tuas mãos!

      6. Como se o outro se tornasse verdadeiramente a voz e o senhor da sua própria consciência.
      “Ser” alguém… não é aqui afirmar-me sobre o outro, dominar e impor-me ao outro.
      “Ser” é aqui simplesmente “responder” ao outro, e dispor-me, baixar-me para o servir.
      Como se, na linguagem da bíblia, para dizer «eu», bastasse apenas responder «eis-me aqui».
      Eis uma parábola curativa, para o nosso egoísmo alérgico.
      E “ser” alguém é responder a este grito de salvação, estender a mão.

      7. A palavra não está longe, fora do nosso alcance, ou acima da nossa compreensão. «A Palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração». Está mesmo à mão de semear! «Vai e faz o mesmo », concluiu Jesus, como se Ele próprio se retratasse, neste amor do samaritano. Um amor que não é cego, porque vê. Um amor, que não é platónico, porque se aproxima, cura e dá. Um amor com a mão cheia de frutos:
      Viu. Compadeceu-se. Agiu. Sem desculpa, sem justificação, sem pergunta, sem identificação. Sem contrapartida, nem adiamento.
      Neste tempo de Verão, dado mais à distracção do passeio, do que à marcha atenta do caminho e da subida «para Jerusalém», somos muito tentados a passar ao largo, ou a ver as pessoas, sem as olhar e conhecer, sem as tocar por dentro e compreender. O tempo de férias que se destinaria a abrir um espaço de relação e de proximidade, com Deus e com o próximo, pode tornar-se um perfeito exercício de avestruz. De cabeça na areia. Uma fuga para diante, em vez de um encontro imediato, como o bom samaritano

      Pessoas, irmãs e irmãos nossos caídos, abandonados, desprezados… não nos faltam onde vivemos e trabalhamos, na nossa aldeia ou cidade! Falta-nos, talvez, a coragem, a determinação, a atitude de proximidade, de acolhimento e de nos comprometermos com aqueles que chamam ou gritam por nós!.... O exemplo claríssimo já o tem: Jesus Cristo o Bom Samaritano!
      Disponibilizemos: mãos estendidas e coração aberto!


      P. Hermínio Vitorino, s.j. - Homilia



      INFORMAÇÕES ÚTEIS

      • No domingo, dia 25 de Julho, a nossa comunidade paroquial vai organizar uma peregrinação a Fátima. As pessoas interessadas devem fazer a inscrição na secretaria da nossa comunidade.

      • Estão ainda abertas as inscrições para os acampamentos deste verão. De 18 a 25 de Julho para adolescentes do 7º, 8º e 9º ano. E de 22 a 29 de Agosto para jovens do 10º, 11º e 12º ano. Para mais esclarecimentos as pessoas interessadas dirijam-se à secretaria ou confirmar informações nos cartazes afixados.

      • De 15 de Julho a 15 de Setembro, o atendimento de confissões passa a ter o horário verão, ou seja, durante este período, o atendimento de confissões passa a ser das 9:00 às 12:00, de terça a sábado.

      domingo, 4 de julho de 2010

      Conferência - "A Caridade na Verdade"


      XIV Domingo do tempo Comum


      Dizei-lhes: está perto de vós, o reino de Deus!
      (Lc.10,9)
      Eis-nos a caminho de Jerusalém para a última Páscoa com Jesus. Nesta caminhada para Jerusalém e na Sua passagem para o Pai, Jesus leva consigo a nossa humanidade…
      Esta caminhada é a figura da nossa existência, onde quer que vamos, caminhamos com Cristo.
      Não são só os apóstolos que são enviados, mas sim os discípulos. Isto é, pessoas que aceitam escutar Jesus… Setenta e dois, número que significa a multidão.

      O Reino de Deus chegou até vós…
      É esta é a única mensagem confiada aos 72 discípulos. O Reino de Deus porém, contém em si mesmo um Nome… E esse nome é Jesus! Os discípulos vão à frente a anunciar a Sua vinda. Não vão ao encontro das pessoas para lhes anunciaram obrigações ou impor leis, mas para lhes dizer que acontecerá algo de novo, alguém virá ao seu encontro: Jesus, Dom e Alegria!
      Poderemos dizer como refere Isaías, que seremos acarinhados e levados ao colo: “Vós sereis acariciados, enchei-vos de alegria.” Trata-se duma Boa Nova, não de uma má notícia. Temos de começar por esta leitura feliz de aventura humana.

      Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias... (Lc.10,4 ) Não leveis nada...
      Os discípulos fizeram uma descoberta extraordinária e disso dão testemunho, apresentam-se na pobreza. O despojamento é a sua mensagem. O despojamento não é um “bom negócio bolsista”, é certamente o melhor negócio.
      A paz que anunciada passa pela Cruz… Despojar-se de Si mesmo para se deixar amar.

      O Reino de Deus, vivido…
      Não ao prestígio social, à ilusão dos grandes meios. O Reino de Deus é já aí onde chegamos e vivemos, naquilo que nos é pedido na nossa vida humana.
      Acolhidos na paz, os discípulos podem curar doentes e expulsar os demónios.
      Curar doentes, significa fazer-lhes compreender que a sua doença unida à Cruz de Cristo é Caminho de Ressurreição.
      Expulsar os demónios é rejeitar todas as formas de poder, levantar a cabeça diante de todas as ilusões, escolher a Vida e não a Morte!

      Como discípulos de Jesus somos nós hoje, enviados ao mundo para continuar a obra que Ele começou e para indicar a Boa Nova do Reino aos homens de toda a terra. E assim cada vez mais se torne mais visível que o Reino de Deus está no meio de nós.

      (Da homilia do P. José Augusto Sousa, s.j.)