domingo, 8 de dezembro de 2013

Solenidade da Imaculada Conceição de Maria

    
Chegou sem ser esperado, veio sem ter sido concebido. Só a mãe sabia que era filho de Deus. Só a mãe sabia que era filho do anúncio de Deus, na voz de um anjo. 

Só as mulheres, as mães, sabem o que é o verbo esperar. O género masculino não tem constância nem corpo para hospedar esperas. Sinto de novo a agravante de ignorar fisicamente a voz do verbo esperar. Não por impaciência, mas por falta de capacidade: nem mesmo durante as febres de malária me acontecia recorrer ao repertório das fantasias de me curar, de estar à espera de.

Nos despertares matutinos ao folhear Isaías leio: «Felizes aqueles que o esperam» (Is 30,18). Mas mais forte do que esta notícia, no mesmo versículo está escrito «Por isso esperará Deus para vos fazer misericórdia». Existe uma primeira espera, que espera por Deus e tem o mesmo verbo hebraico. Na sua redução à forma da espécie humana, o Seu tempo infinito contrai-se no finito de uma espera. Deus espera: «para vos fazer misericórdia».

O tempo de Advento vive desta imitação, defronte à eternidade de um Deus que aceita fazer-se tempo, irrompendo no mundo em meses estabelecidos com nascimento, morte e ressurreição.

Quem tem no seu corpo os recursos para conceber esperas, conhece do versículo de Isaías a imensidade da correspondente espera de Deus.

 Erri de Luca in Caroço de Azeitona (adpt)



Um comentário:

Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias e Maria do Céu Jordão Morais Carvalho Dias disse...

Achamos os vossos blogues muito interessantes.
Temos um blogue baseado no espólio do covilhanense Luiz Fernando Carvalho Dias, que foi aluno dos vossos colégios. Começámos agora a publicar: Os Jesuítas covilhanenses.
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/12/covilha-os-jesuitas-i.html